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Capítulo 01 - Três elfos condenados

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 01 - Três elfos condenados

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)


Após 254 anos de seu início, o conflito acabou e a paz supostamente começou a reinar, tanto no lado esquerdo quanto no direito do planeta.

Com as cicatrizes causadas pelos conflitos, os povos, ainda com medo, se reergueram em meio aos destroços causados pelo conflito que antes acreditavam ser eterno.

Porém, mais um conflito se iniciou entre os divinos.

Em um país no sudeste da América Central que tinha como fronteira Artit, país esse que era sede dos Cavaleiros Negros – clã que se provou um dos mais fortes da América devido a uma série de feitos –, Harenae, o último país que ainda venerava os Deuses da Areia, e o vasto oceano que os separava do resto do mundo.

Esse país era Civitas, era relativamente pequeno, mas com uma grande importância geral. Ele era um dos poucos que ainda eram devotos a um deus, sendo o único semelhante Harenae.

Com apenas algumas cidades, o país ainda tinha uma quantia escassa de clérigos ou paladinos. Mesmo sendo o centro da religião de Tac Nyan, era notório a morte lenta da crença.

Porém, este mesmo país escondia diversos segredos, tanto de seus civis quanto do resto do mundo.

Suas terras foram o local onde ocorreu o chamado “Genocídio das Estrelas”. Um acontecimento histórico que foi marcado com ferro quente na história do país.

Em um ato de fúria e indignação, Kaplar Hyden, atual líder dos Cavaleiros Negros, ordenou o assassinato de toda a população do país inteiro, onde logo após se formou Civitas.

Os motivos eram pessoais, e junto de três de seus soldados ele conseguiu realizar tal feito em menos de uma noite.

Esse feito fez com que os países que antes tinham ódio do clã de Kaplar começassem a temê-lo e respeitá-lo, fazendo com que diversos soldados renegados entrassem nos Cavaleiros Negros devido a sua política de “braços abertos”, logo o clã se alocou de vez um terreno bem próximo das bordas de Civitas, formando o país de Artit.

Como agradecimento, Kaplar entregou o terreno a Argel, seu antigo conselheiro divino e atual rei de Civitas.

Com a ajuda de três soldados de sua confiança, Argel construiu a capital que recebeu o nome de Cartan, e de lá começou o seu reinado.

Ao longo do tempo, Argel conseguiu o respeito e renome necessário para se estabelecer como um rei digno de suas terras.

Mas, com o constante aparecimento de demônios comandados por Lúcifer e com o sumiço da maioria dos deuses, tanto Civitas quanto o mundo entraram em declínio, rumo a uma guerra santa entre os últimos deuses vivos.

Após cinco anos do final da Guerra dos Povos, na prisão de Kranbar, um pequeno vilarejo com um enorme forte militar no interior de Civitas, recebia seu mais novo prisioneiro: Edward Leurice, um forte elfo negro, ex-soldado e paladino de Tac Nyan, acusado de agressão.

Elfos eram comuns na região, sendo eles pertencentes a crias de um pequeno panteão de três Deuses que visavam a beleza, fluidez e o ciclo natural.

Althul era o Deus élfico do dia e da energia, ele que guiou os primeiros espécimes vivos a se tornarem, o que atualmente em Evalon é conhecido como “Elfos do Raio”, que são caracterizados pela sua pele clara, altura anormal e cabelos loiros tão brilhantes quanto a eletricidade. Ele também foi responsável por magias que envolviam eletricidade ou uma alta manipulação corporal.

Dokká era o Deus élfico da noite e da escuridão, ele era o mais recluso dos três irmãos do panteão, ele guiou os espécimes a se tornarem “Elfos Negros”, um espécime de olhos mesclados entre vermelho e negro, de pele cinza e seus cabelos negros em sua maioria, mas poucos possuíam tons carmesim.

Fhorre era o Deus élfico das florestas, ele que possuía a total ligação com a natureza sendo um de seus regentes, seus espécimes tinham altura normal e em boa parte a tonalidade de pele era puxada para o carvalho, tanto em cor quanto em rigidez e seus cabelos eram da cor de cascas de árvore, mas possuíam a textura de um cabelo normal.

A característica adotada por todos os espécimes élficos era a de extrema falta de pelos. Todos apenas possuíam cabelos como pelo, não chegavam a possuir barba, pentelhos ou algo assim.

Quando seus Deuses morreram, muitos elfos ficaram órfãos de fé e representatividade, buscando assim refúgios nas cidades alheias.

Levado a mais escura e repugnante prisão da fortaleza, o elfo negro se viu encurralado e sem ter o que fazer. Em suas costas, dois guardas estavam cobertos por armaduras de metal prateadas e polidas que refletiam a luz de suas tochas seguradas com a mão não dominante, em sua cintura estavam espadas visivelmente afiadas e gastas.

Edward não questionou e ficou conformado com a situação. A fé do homem era tamanha ao ponto do mesmo se considerar um paladino, mas ao mesmo tempo, isso não lhe servia de nada naquela situação.

À sua frente, uma escadaria que descia ao subsolo do imenso pavilhão de pedra. Forçando a visão, o paladino viu uma porta feita de grades de metal, iguais a de uma cela, que bloqueava o caminho.

Os guardas seguravam o elfo pelos braços, os membros mostraram desconforto e se mexeram em uma tentativa de escapar das mãos dos cavaleiros, mas isso de pouco adiantou, pois ambas as mãos do elfo estavam amarradas com cordas, deixando-o algemado.

Aos poucos, os três começaram a descer a escadaria e chegaram a grade que servia de porta, a luz das tochas possibilitaram uma melhor visão para o paladino, que passou seu olho por todo o interior do local que estava sendo levado.

Em uma ala gigantesca de celas, o final não era visível, tanto pela baixa luminosidade, quanto pelo comprimento do corredor.

O paladino foi levado cada vez mais para dentro do imenso corredor. Presos e renegados ainda estavam acordados, apenas encarando-o por de atrás das grades de suas celas em uma tentativa falha de amedrontá-lo.

No final do corredor, uma porta surgiu. Um enorme pedaço de pedra esculpido em formato retangular, o peso era indeterminado, mas visivelmente alto.

“Algo em torno de duzentos quilos”. Pensou Edward ao observar um dos guardas empurrando a porta com toda sua força. Mesmo sendo apenas uma hipótese, aos poucos ele consolidava sua visão.

Mesmo o soldado sendo visivelmente novo e cheio de vigor, ele demorou para reunir energia e força para abrir a porta que foi empurrada apenas o suficiente para que os três passem.

Diferente das outras celas vistas anteriormente pelos olhos cansados do elfo, as barras eram mais grossas e eram separadas por muros de pedra que se repetiam com um metro de distância entre elas.

Os prisioneiros estavam, em boa parte, dormindo. Os poucos ainda acordados estendiam suas mãos e braços para fora de suas grades pedindo por ajuda, ato esse que foi respondido com xingamentos e espadadas leves pelos guardas que escoltavam o elfo.

Edward chegou em uma cela livre, que estava no meio de duas pessoas que se destacavam, tanto pela aparência peculiar tanto por não serem humanos e sim elfos.

Um dos dois tinha a pele acinzentada, orelhas pontudas – uma delas estando mordida e furada nas pontas – e olhos vermelhos. Se escorava na parede apenas observando Edward sendo trancafiado.

“Outro elfo negro”. Pensou Edward ao mover rapidamente os olhos pela silhueta do outro prisioneiro.

O terceiro elfo, diferente de Edward e do que se apoiava na barreira de pedra era um elfo com pele semelhante à de humanos, seu cabelo amarelado se estendia até metade de seu peito, mas o que mais se destacava era sua altura, o elfo estava em pé com uma das mãos segurando nas grades da porta de sua cela, então era possível vê-lo completamente e perceber que o alto elfo tinha quase dois metros.

 Com desprezo, os guardas jogaram Edward para dentro da cela, trancando a porta com uma enorme chave enferrujada.

Após efetuarem a prisão do elfo, os dois homens cobertos pelas suas armaduras prateadas se retiraram levando consigo o brilho das tochas e trazendo a escuridão para os prisioneiros.

— Ei! Você ai! — Ecoou uma voz que teve como origem a cela direita da de Edward, que abrigava o outro elfo negro. — Elfo negro, certo?

— Está falando comigo? — Perguntou Edward, com sua voz grossa e amedrontadora, porém ao mesmo tempo calma e desanimada.

— Sim, com você! — A voz respondeu com ânimo. — Você também é um assassino?

— O quê? Não! — Respondeu Edward levemente irritado.

— Não é? Então por que está aqui?

— Agressão contra um nobre. — Respondeu o paladino, dando um suspiro de frustração logo em seguida.

— Essa ala de celas é apenas para os mais perigosos e você veio aqui só por agredir um nobre?

— Sim, foi por isso, mas eu não tive total culpa, ele estava abusando de seus privilégios como nobre, agredindo seus serviçais. — Disse Edward vagamente indignado. – Não parecia certo deixar barato...

— Estranho..., mas enfim, prazer, eu sou Varis; Dol. Varis.  Serei seu amigo e colega de cela daqui para frente, eu acho.

— Não estamos na mesma cela. E além do mais você é um assassino, não sou amigo de pessoas que tiram a vida de outras pessoas por moedas.

— Como você sabe que eu sou um assassino? — Perguntou Varis espantado.

— Você disse “também” quando me perguntou. Você é idiota por acaso?

— Idiota? — Perguntou uma terceira voz, uma voz calma e simpática apesar de desanimada, dessa vez, vinda do lado esquerdo, que pertencia ao alto elfo loiro. — Varis é o rei dos idiotas.

— Cala a boca Voltten! — Gritou Varis levemente indignado.

— Voltten? — Perguntou Edward.

— Raginel Voltten para ser mais específico, mas pode me chamar de Voltten. — Respondeu a voz amigável.

— E por que você está aqui?

— Uso ilegal de magia.

— Você também é um paladino?

— Não, sou um mago. E você, é um paladino?

— Sim! Mas como você sabe?

— Você disse “também” quando me perguntou. — Respondeu Voltten, repetindo as mesmas palavras que Edward tinha pronunciado.

Varis ouvindo a conversa começa a rir descontroladamente ao perceber o trocadilho.

— Esse foi dos bons! — Retrucou Varis — Quase se equipara aos meus.

— Suas piadas são horríveis! — Disse Voltten.

— Voltten, você disse que era um mago, poderia me falar mais sobre? — Perguntou Edward, com um leve sorriso, quase rindo da piada feita pelo mago, mesmo que ele tenha sido o alvo da gozação.

— Posso lhe assegurar que sou um mago, mas ainda em treinamento. Não consigo fazer mais do que controlar vagamente a água e o fogo.

— Consegue controlá-los agora?

— Infelizmente não, estou sem nenhuma conexão com o mundo mágico. — Afirmou o mago.

— Conexão? — perguntou Varis, curioso com a conversa dos dois.

— Você não sabe? — Questionou Edward, levemente curioso.

— Nunca falei como funcionava magia para ele, assim evitando que ele me encha a paciência com mais perguntas. — Disse Voltten.

— Bem.... Para que alguém consiga invocar magias é preciso possuir algum vínculo com o mundo magico, ou um objeto magico que sirva de conexão. – Explicou o paladino calmamente.

— Objeto tipo um cajado ou um anel? — Perguntou Varis.

— É... Coisas do tipo. — Voltten confirmou.

— Então eu poderia lançar fogo pela mão? Ou voar do nada? Expliquem-me melhor? – Varis perguntou vagamente empolgado.

— Era isso que eu estava querendo evitar. — Voltten disse desanimadamente.

— Há quanto tempo vocês estão aqui? — Perguntou Edward pensando em quanto tempo iria perder naquela prisão.

— Dois dias. — Disse Voltten.

— Um mês. — Respondeu Varis simultaneamente.

— E sabem quanto tempo ficaremos aqui? — Perguntou Edward, se sentando no canto de sua cela.

— Para falar a verdade, não. — Respondeu Varis afundando cada vez mais as esperanças do paladino. — Eu provavelmente vou ficar aqui mais tempo do que vocês, agora quanto será esse tempo, eu não tenho a mínima ideia.

— Ainda temos uma esperança. — Disse Voltten. – Ouvi dizer que o paladino real do país, Parysas, é um grande e amante das artes místicas e sempre está interessado em pessoas que conseguem usar magias. Acho que ele pode nos ajudar.

— E como ele pode fazer isso? — Questionou Edward, recuperando um pouco de ânimo.

— Talvez os guardas relatem minha capacidade mágica, isso pode me dar uma audiência com ele e a suprema corte deste reino. Com isso posso pedir para que eles diminuam nossa pena ou algo do tipo.

— Duvido que dê certo.  – Reclamou Varis, cortando todas as expectativas do mago.

— Você não irá ter a pena diminuída. — Respondeu Voltten de uma forma irritada e infantil.

— Parem de discutir. — Suplicou Edward, tentando acalmar o começo da briga entre os dois.

— Bom... Tanto faz eu acho. — Falou Varis em tom de irrelevância. — Se você conseguir eu vou te agradecer, se não, nada irá mudar.

— É, acho que você está certo. — Murmurou Voltten. — Melhor irmos dormir, Edward, sabe se é dia ou noite lá fora? Como não temos janelas não sabemos em qual estamos.

— Posso afirmar que é noite, quando entrei aqui o sol tinha acabado de se pôr. — Respondeu o paladino.

— Ótimo, então o horário biológico do meu corpo ainda está funcionando.

— “Horário biológico”? O que seria isso? — Questionou Varis.

— Vá dormir! — Edward e Voltten responderam irritados, a fim de quer calar boca do que viria ser a considerado um amigo pelos dois.

 Mesmo que não parecesse para eles, os três iriam se enturmar rápido.

Os dias se resumiram a comer um pão velho dado pelos guardas, conversar sobre assuntos mundanos que se tornaram repetitivos com o tempo, e por fim, dormir, esperando um amanhã melhor.

Edward e Varis se distanciavam cada vez mais de suas ideias de mundo, mas Varis nunca revelou suas origens. Enquanto os dois ainda falavam de seus passados, mesmo que vagamente.

As visões altruístas do paladino que buscava uma família, eram diferentes das do assassino que buscava algo que não lhes era revelado, mas era semelhante à de Voltten que buscava um lugar tranquilo para viver.

A prisão era agoniante, alguns prisioneiros já morreram por falta de vitaminas, outros por infecção, alguns por automutilação devido à loucura do confinamento, mas os três elfos permaneciam firmes e minimamente dispostos, até mesmo Varis, que já aguentou tudo aquilo a mais de um mês.

Foi então, que algo quebrou os padrões monótonos de cada dia.

Por Tisso | 01/04/20 às 23:30 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia