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Capítulo 113 - O Inicio do Fim do Ciclo

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 113 - O Inicio do Fim do Ciclo

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia Serafim)

Purson estava por vadiar enquanto seu exército atuava. Sua corneta não só denunciava sua posição como também aumentava o poder de seus lacaios e dificultava que alheios se aproximassem.

Porém, não era o caso para Cérbero. Mesmo no olho da tempestade do poder demoníaco, ele zanzava como um ser imune, movido por um ódio próprio e moldado nas mais puras artes do genocídio de sua espécie nêmesis.

Mesmos os demônios que tentavam barrar sua chegada a Purson eram aniquilados com explosões gigantescas de energia instável da Vida.

Quando cara-a-cara, o homem com cabeça de leão encarou o caçador com uma faceta maníaca, que superava até mesmo sua própria degradação demoníaca.

– Mais... um... – Cérbero mencionou, se aproximando do inimigo. Haviam aproximadamente quinze metros entre eles.

O homem de cabeça de leão se desprendeu de seu urso, ficando atrás do mesmo enquanto soava novamente a trombeta. Naquele instante, o urso adquiriu uma forma bípede vagamente humanoide e sua serpente se expandiu em uma explosão de poder, preparado para atacar qualquer coisa que entrasse em sua linha de visão.

O caçador sorriu enquanto pisou com força no chão, criando um pilar de pedra do solo que deveria atingir Purson, mas foi completamente aniquilado por um cuspe de um liquido ácido de sua serpente.

– Tsc, não custava tentar... – Ele caminhou lentamente até a figura do urso humanoide, reparando na diferença de um metro de altura.

Vendo os olhos da criatura, nada era denunciado. Brancos como as almas de demônios comuns, mas, sendo um ser além do habitual, saber seu nível de força era impreciso. A maior base era o de seu mestre, no caso nível dez, o segundo mais alto, em tese.

Quando os dois estavam em uma distância curta, o combate corpo-a-corpo começou com Cérbero bloqueando uma patada certeira a sua direita com seu antebraço. Nisso, ao sentir a dor do golpe, teorizou um padrão de foça e logo lhe aplicou um gancho direto no que seria a mandíbula.

Porém, ele reparou na sua mão envolta a carne, quando foi ver melhor, era como se ele tivesse aberto um buraco numa carniça, mas, ao tentar tirá-la, algo o impediu e o puxou de volta.

Como um verme corrosivo, ele se espalhou por sua manta negra a destruindo lentamente, mas em segundos, a sua forma simplesmente se tornou poeira, isso ocorrendo junto da revelação de uma armadura avermelhada que ele possuía por baixo do manto de Cérbero.

– Flure Contar! – Recitou calmamente.

Ao terminar da frase, uma explosão de energia destruiu a cabeça do urso, soltando sua mão. Cérbero em seguida rolou para trás e refez a parte destruída do manto com magia.

Quando viu a cabeça do urso, ficou minimamente surpreso. Diversas veias, nervos e emaranhados de carne estavam se contorcendo enquanto uma nova cabeça era criada. Algo semelhante a uma simbionte.

– Você é o quê? Um carniçal nível máximo? – Cérbero murmurou, já questionando uma explosão em massa.

Logo que o caçador sorriu uma nova investida foi feita, dessa vez, com ele indo em um ataque direto e com o urso tentando o impedir um ataque certeiro em suas costas.

Ao fim, os dois tiveram seus resultados concretos, Cérbero havia penetrado até as entranhas do urso, mas recebeu duas batidas sofridas nas costas. Quando percebeu que algo o machucou, nem que fosse minimamente, entrou em alerta sobre o potencial do tal demônio.

– Experit Demstruio Malt... – Iniciou a oração, mas logo foi aparado com um agarrão que o parou devido ao fator surpresa.

Em meio a explosão santa, ele viu do que se tratava aquilo após romper o vínculo do corpo com a mão. Com o estomago em estado de regeneração, Cérbero percebeu que a mão em questão também era um amontoado de carne e nervos que se contorciam.

Foi pouco tempo para deduzir que o mesmo conseguia criar membros a partir de seu corpo, tal como um alquimista perfeito. A mão logo escorregou entre os dedos do caçador, sendo impossível de pega-la não importando como.

À medida que foi tentando novamente as magias da Vida, percebeu que uma única parte da oração não era forte o suficiente.

Com oração tento quatro partes e doze palavras, a estabilidade era algo difícil de se ter devido a culminação de ataques constantes do urso com a pressão mágica que aumentava aos poucos e lhe limitava.

Aos poucos, ele via menos chances de derrotar aquele inimigo de forma comum, lhe restando apenas invocações e conjurações que estava restrito a usar devido ordens de seu irmão e, mesmo não tendo um pingo de respeito por aquele lugar, estava de acordo por saber de seu real significado.

Explosões não eram eficientes, os ataques não o atordoavam nem mesmo com magias para aumento de velocidade.

Mesmo se ferindo poucas vezes, a sensação era de estar lutando contra um saco de pancadas indestrutível. A cada vez que Purson tocava sua trombeta, a velocidade dos ataques do urso aumentava, era quase uma conspiração para que Cérbero rompesse a promessa.

Porém, uma ajuda veio literalmente dos céus.

Com cinco espadas comandadas pelo paladino real, Parysas se revelou rapidamente cortando o urso com extrema eficiência e velocidade provindas da manipulação de vento. Elas atingiram seus membros o jongando para trás de forma que a ardência das lâminas o impossibilitou de se mover.

– Aceita uma ajuda? – Ele ironizou, se aproximando enquanto saltava e sacava sua única espada.

– Você não sabe obedecer a uma ordem simples?!

– Não vai ganhar dele sozinho. – implicou, gerando um turbilhão ao redor de sua lamina enquanto a empunhou com as duas mãos. – Meus ataques de ar vão limitá-lo.

Cérbero se afastou, deixando a distancia de pelo menos cinco passos, algo permanente.

– Tsc, não reclame depois.

– Pode deixar! – ele gritou enquanto atacava verticalmente o inimigo, causando uma ruptura aérea que o cortou em dois, como estava com a mobilidade prejudicada, não teve chance de reação. – Boa.

– Consegue puxar a espada? – ele perguntou, planejando um próximo ataque.

Parysas efetuou o recolher das lâminas que, como o esperado, levantaram nos céus, mas as mesmas carregavam partes do urso. Todas estavam trazendo consigo filamentos de carne podre que se remexiam, expelindo uma gosma preta com vermes formando veias em pleno ar que se uniram ao corpo caído, transformando-o em uma marionete.

Ao soar da corneta de Purson, as espadas penetraram o novo corpo, um ser humanoide resultado da desconstrução do cadáver de um urso que fora remendado na forma de um ser deformado e desproporcional.

Seus ombros, trapézios e crânio haviam sido penetrados pelas espadas.

O ser agarrou em seus ombros, arrancando e empunhando as espadas com suas mãos desproporcionais. Com um sorriso animalesco, ele e Cérbero se encararam por um breve momento.

– Não tenho mais controle das espadas. – Parysas afirmou, agarrando sua única em mãos.

– Meio tarde pra dizer isso. – Cérbero retrucou. – Essa forma esta demandando muito tanto dele quanto do Purson...

– Isso significa que estamos na reta final? – perguntou, acumulando energia.

– Significa que ele está instável, eu consigo atacar diretamente se tiver uma chance...

– Senhor Cérbero! – Parysas cortou.

– Não me chame de senhor...

– Eu consigo segurar esse demônio.

– Eu estava tendo problemas para suportá-lo, você não tem a mínima chance, muito menos desarmado.

– Ainda mantenho minha espada! – afirmou a exibindo, com uma feição extremamente séria e fervorosa, ele seguiu a dizer. – Como paladino real eu devo servir de apoio para o senhor, é meu dever com a nação e com minha religião garantir a segurança de quem necessita! Se o senhor pode acabar com isso com uma oportunidade, eu criarei a oportunidade.

Cérbero, a uma certa distância, viu a espada única sendo o foco de diversas tempestades e ventanias esverdeadas. Impressionado, ele realmente deu a ceder e depositou sua confiança em seu pupilo.

– Posso pegar uma de suas espadas? – ele perguntou, vendo o demônio bestial passos a sua frente.

– Hum?

– Acho que uma arma viria a calhar agora.

Parysas sorriu rapidamente.

– À vontade.

Em uma velocidade desumana, Cérbero se aproximou e saltou contra o inimigo tal como um salto olímpico, pegando o punhal da espada fincada em seu crâneo e a recuperando com eficiência.

Enquanto o inimigo se virava, tentando dar-lhe um ataque de oportunidade, teve seu braço arrancado por mais um golpe do paladino. Logo a confusão foi instalada em sua mente que logo teve que priorizar seu alvo, causando problemas até mesmo em Purson.

Cérbero se recompôs do salto e logo sincronizou suas energias com a arma mágica. A mesma apresentou rapidamente uma energia dourada que, mesmo sendo repelida por sua veste interna, era extremamente forte.

Quando ele encarou próximo a ele o demônio nu de cabeça de leão, arrumou sua postura enquanto a cobra armava um contragolpe e a corneta foi soada.

Havia ocorrido quase uma explosão sonora repleta de zombarias e degradações suficientes para destruir os tímpanos e labirintos de seres comuns.

Porém, Cérbero havia sido tão rápido quanto o soar do instrumento, avançando e estocando a espada nas costelas do inimigo. Mas o mesmo havia lhe atacado com seu animal, e, como um dos únicos erros do caçador, o animal havia conseguido penetrar sua pele.

Como sua origem era não mágica, ele apenas recebeu em suas veias uma dose letal do veneno demoníaco, supostamente um dos únicos que os experimentaram e viveram para experenciar o resultado.

Arrancando a cobra pelo seu corpo, ele a estrangulou e arrancou sua cabeça enquanto tentou purificar o próprio sangue, mas sua fisionomia e estrutura falhou tal ação.

– Acha realmente... que vai me ganhar com veneno... – afirmou se recompondo, mal percebeu quando perdeu o equilíbrio ou sentidos.

O mundo a sua volta estava confuso, nada que pudesse reconhecer a primeira vista, apenas um caminho de pedra com uma enorme nevoa a lhe rondar.

Aos poucos, viu casas, carroças, mas nenhuma pessoa, quando viu, elas estavam caídas, cortadas, empaladas, queimadas. Destruição, desordem, caos, retribuição, justiça. Fogo.

Fogo.

Fogo.

Um camelo a transportar um humano. Quando viu era um dromedário, quando viu sua pele era queimada, quando viu ele parou.

Um homem de pele queimada, um homem de vestes nobres. Um homem de rosto afeminado, um homem que parecia uma mulher, um homem com uma coroa.

Não um rei de um reino, não um governante de uma terra, não uma terra para governar. Fogo.

Seu peito havia sido acertado por uma flecha estridente, apenas dor não era uma palavra que estava presente, mal sabia conjugar um verbo no momento.

Sua visão aos poucos retornou ao normal, foi quando viu Ortros o imobilizando com pesar no olhar e pavor nas ações. Mesmo tão feio como o rei, Cérbero leu sua face como um livro enquanto o mesmo tentava ao máximo expelir uma gota de lágrimas, mas sabia que não conseguiria.

Quando os dois tomaram ciência, ele levantou, viu suas mãos banhadas a sangue com traços demoníacos, mas soube no momento que não era uma hora de comemorar.

Ao sentir que a prisão de pedra havia sido desfeita, Sansa já se pôs a sair do local juntos dos outros que estavam sufocados em um espaço minúsculos.

– Olá. – Ortros falou, atrás dele estava Merlin sentado em um banco que fez com a pedra do solo. A feição do diplomata era surrealmente neutra e morta.

– Cara, essa foi de matar. – Varis comentou.

– Já estávamos ficando sem ar. – Aquiles complementou.

– Senhor Merlin, está bem? – Voltten questionou após sair de trás da figura de Sansa.

– Bem...

– Aliás, onde estão Parysas e Cérbero? – Edward questionou averiguando um pouco da situação.

– Seria normal o Cérbero sumir depois de fazer o trabalho, mas o Parysas iria ficar. – Varis concordou institivamente.

– Era mais ou menos esse o ponto... – Merlin comentou, se levantando e logo desfazendo o banco que estava sentado, nisso revelando o corpo caído de Parysas e a silhueta de Cérbero no horizonte.

Quando viu o irmão, Sansa riu apreensiva. Em meio a um campo de batalha totalmente destruído, ele estava deitado próximo a uma pilha imensa de carne podre.

Seus ferimentos eram certeiros e precisos, não haviam danificado a estrutura de sua armadura, pelo contrário, o assassino a tirou para matá-lo.

Não fora explicado o que aconteceu, mas aos poucos, a mente dela e de Crist acabaram por ser afetadas seja por medo ou pela degradação no ambiente.

Não havia rastros de magia vindas do Purson, mas era a teoria mais aceita. No fim do dia as duas foram levadas para tratamento psiquiátrico e o plano exigia uma mudança urgente.

Por fim, Cérbero havia sido encontrado em uma clareira, ainda banhado a sangue. Pela segunda vez, Paimon havia lhe tirado alguém precioso, usando do próprio caçador como arma.

 

Por Tisso | 27/04/21 às 22:27 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia