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Capítulo 115 - Apenas Aceite

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 115 - Apenas Aceite

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia Serafim)

– Cinco da tarde. – O arqueiro afirmou, conferindo o relógio solar e voltando ao grupo.

– Crist irá sair em alguns minutos e então vamos para Monssolus. – Edward falou pensativo.

– O tratamento psicológico será o suficiente?

– Para ela sim. – Voltten interrompeu. – A magia tenta afastar a pessoa de um trauma enquanto mexe na memória. Em suma, enquanto ela está no tratamento, sua mente entende uma noção diferente de tempo.

– Amenizar a partir de amadurecimento? – Edward questionou.

– Não exatamente, enquanto para nós, o assassinato a Parysas ocorreu em menos de uma semana, na mente dela é como se tivesse ocorrido há semanas ou meses, o mesmo com Sansa. – O mago se arrumou para falar. – Porém, com ela deve ser uma situação diferente, talvez ela tenha uma resistência natural que foi desenvolvida com o tempo, mas certamente precisara de mais tempo de terapia. Matheus Freitas: Entendi foi nada...

– E nós apenas ficamos de mãos atadas. – James comentou, sacando a bússola e a vendo rodar descontroladamente.

– Ainda está com isso?

– Ortros me falou que não ia ter mais utilidade para ela e Phineas falou que talvez seja útil para o futuro. – Afirmou a guardando. – O que importa não é isso.

Os dois direcionam a visão para Edward.

– Hum? – Ele murmurou apreensivo e depressivo.

– Você tem certeza que quer ir junto para a viajem? – Voltten questionou de forma séria.

– O lucro é considerável, mas pense que o risco é enorme. – James complementou.

– Deixá-la aqui vai ruir com o tempo, a proteção inicial era baseada em dois fatores maiores e dois médios, sem Parysas um fator médio foi perdido e Merlin tem que desempenhar o papel de fator maior para a recuperação de Sansa. – Ele raciocinou rapidamente. – Se algum dos demônios nos viu e reportou o que aconteceu eles sabem do nosso estado precário e podem atacar tanto os escolhidos levados para Monssolus ou os que estiverem aqui.

– Então é uma questão de arriscar buscando um local seguro ou ficar aqui com a ameaça de um ataque... – O arqueiro murmurou pensativo.

– Cérbero previu algumas coisas que supostamente vão acontecer. – O paladino afirmou rapidamente. – Ele deu a certeza de que no mínimo a joia vai ser quebrada e vamos perder a sexta escolhida, depois disso fez algumas observações.

– No final, o que ocorre? – Voltten questionou preocupado.

– No melhor dos casos chegamos lá com alguns soldados a menos junto da destruição da joia.

– E no pior? – James perguntou, já imaginando a resposta.

– Apenas Cérbero chega.

Os dois olharam o rosto do amigo com nervosismo, era notória a preocupação, mesmo que ele tentasse esconder tudo com uma face neutra. De repente, a porta foi aberta por Cérbero que revelou consigo Crist alegre e sorridente.

– Pai! – Crist gritou, correndo na direção do paladino que trocou olhares penetrantes com Cérbero.

– Em uma hora. – Ele falou de forma fria. – Não se atrase.

Após o caçador fechar a porta, Voltten e James trocaram poucas palavras com a criança, sempre evitando falar de Parysas. Logo eles saíram do quarto, os deixando a sós que foram caminhando guiados pelo arqueiro.

– O que o cultista disse sobre essa viagem? – Voltten perguntou preocupado.

– Hum? – James processou a pergunta com leve atraso. – Foi tão confusa que nem achei relevante mencionar.

– O que foi?

– Carta de número dezoito, A Lua.

– O que ela significa?

– Criatividade, mas, no momento, inimigos internos.

– Como problemas emocionais ou fobias?

– Na teoria significaria isso.

– Por que “na teoria”?

– Porque ela não teve direcionamento.

– Hum?

– Normalmente as cartas são direcionadas a alguma pessoa ou situação como foi no caso de ontem, mas esse veio neutra, sem um alvo em especifico.

– Isso costuma significar o que?

– Eu não sei e Phineas disse que precisava de mais tempo para descobrir, mas provável que demore.

Rapidamente, a hora havia chegado. O peitoral ajustado e as espadas de Parysas conduziam uma energia mágica insana naturalmente e eram leves, o que facilitava, mas as suas seis bainhas incomodavam.

Era estranho pensar como a técnica de Parysas foi desenvolvida, mas agora com o mesmo morto, muito provável que manter as peças de metal naquele estado não era prático. Uma reforja completa era o mais ideal, aproveitar todo material em uma nova arma ou armadura.

Quando Edward chegou no estabulo interno, ele foi localizado pelos guardas que o conduziram, o paladino ficaria dentro da carruagem junto de Belador e Cris enquanto uma caixa reforçada se escondia embaixo de seu acento.

Antes de embarcar, ele estranhou o fato de que, na parte de cima da carruagem, havia diversos barris repletos do que aparentava ser água. Enquanto conduzia sua filha, Edward esbarrou por acidente em Cérbero, logo aproveitou para questionar.

– Por que estamos carregando tantos barris?

– Para alimentar a natureza. – O caçador afirmou enquanto revia detalhes.

– Alimentar a natureza? – Crist olhou curiosamente. – O que ele quis dizer com isso?

 – Bem, não sei dizer, mas ele está fazendo o máximo para te deixar segura. – Edward sorriu de forma positiva, tentando largar a face preocupada que a situação lhe dera.

– Oh, obrigado senhor Cérbero. – Ela afirmou com a mais pura inocência.

Edward, já prevendo o que estava por vir quando alguém ousou chamar Cérbero de senhor, ficou rancoroso e apreensivo. Ele certamente iria defender a filha se o caçador tentasse fazer algo, mesmo que aquilo lhe causasse um tremendo medo, mas ele não obteve resposta por segundos.

– Certo... – Cérbero murmurou, se afastando lentamente enquanto desviava o olhar.

Quando os dois subiram na carroça, se encontraram com Bellator que carregava consigo uma caixa média de madeira. Matheus Freitas: Ahhhhhh, agora que eu me lembrei quem é essa mulher, ela não é a grande general/capitã que foi nocauteada apenas por ver um pouquinho de sangue? Puts, o melhor guarda para ela é uma venda, afinal, vai que tem sangue de novo e ela fica histérica e desmaia. O que os olhos não veem, o coração não sente. Se ela não viu, não existe. Fica a dica para a escolta...

– Olá senhora Bellator. – Crist falou entrando primeiro.

– Olá Crist e Edward, que bom que vamos juntos para essa viagem. – A senhora trocava olhares com o paladino que deixava claro sua ciência da situação. Ela pegou e abriu sua caixa de madeira. – Aliás, eu fiz biscoitos, quer prová-los Crist?

– Oh... – Ela rapidamente olhou para Edward que aprovou. – Obrigado.

Logo ela se pôs a devorar e a carroça começou a andar, a visão do centro urbano de noite deu a Crist uma lembrança vaga do final do ano passado.

– Pai você lembrou de separar minha espada? – Ela perguntou preocupada.

– Sim, não se preocupe, está tudo separado certo. – Edward afirmou sorridente.

Quando a carroça e a tropa que a escoltava saíram da cidade, Crist caiu desacordada para trás de repente. Nisso Edward cruzou olhares com Bellator.

– Sonífero? – Ele perguntou.

– Coloquei o bastante para ela dormir por três quartos do dia, ele tem um gosto doce que dificulta detecção devido a seu paladar infantil. – Bellator afirmou de forma formal.

– Parece até Varis falando... – Edward afirmou com tom nostálgico. – Ela desacordada vai trazer menos problemas.

– Você parece que quer chorar, está tudo bem?

– Sim... pelo menos, eu acho que sim.

– Ainda abalado com a morte de Parysas pelo visto. – Ela lamentou com o olhar enquanto o desviava

– Ele era um grande homem, um ícone como paladino e benfeitor, sinto que nunca vai existir alguém melhor, nem se eu dedicasse minha vida apenas para treinar chegaria no patamar dele.

– Edward, posso falar uma coisa do meu tempo?

– Hum? O que seria.

– Você diz que não superaria Parysas nem se treinasse uma vida inteira, mas como você vai saber disso se nunca tentou? Matheus Freitas: Não ter o Cérbero como mestre já é um bom ponto de partida para chegar nessa conclusão. Se bem que o Cérbero o matou depois... Bem, ainda é preferível ter o Cérbero como mestre. ‘-‘

– Acho que o simples soar me desmotiva porque parece impossível...

– Quando algo lhe parece impossível, ele é só questão de ponto de vida. Podemos estar usando um exemplo absurdo, mas eu realmente acho que se ver inferior e dizer que não consegue não é tão efetivo. – Bellator falou com um leve tom de morte em sua voz. – Se você apenas ficar se lamentando, vai perder oportunidades e opções.

O paladino se calou como forma de respeito e reflexão.

– Parysas foi um herói sem dúvidas, toda sua história e seus sacrifícios não serão em vão. – A senhora olhou para Crist com um olhar esperançoso. – A história dele pode ter acabado em um combate, mas tenho certeza que ele morreu feliz por estar cumprindo seu dever. Tenho certeza também que no futuro vão criar engrandecer seu sacrifício, mas é hora de continuarmos nossa história, não ficar lamentando o que aconteceu, fazemos isso depois. Matheus Freitas: O que a idade não faz... A mulher com certeza colocou uma coisa diferente dos soníferos nos biscoitos dela. Parysas deve estar se revirando no caixão depois dessa, nem direito de lutar o coitado teve antes de ser estraçalhado pelo Cérbero. Vão ter contos de que? De como seu corpo foi brutalmente jogado de um lado para o outro pelo seu mestre?

Edward olhou lentamente para o lado de fora da carruagem pelo vidro, vendo ao longe o octógono branco que já estava a quilômetros. Após um pequeno período em silêncio, ele tomou coragem para falar algo.

– A pior coisa é que isso é tão básico e eu ainda tenho problemas em encarar as coisas dessa forma. – Edward afirmou em tom depressivo.

– Isso não é ruim, ruim seria se você encarasse esses momentos com frieza. – Ela retrucou automaticamente, logo trazendo a atenção do paladino. – Você não é ingênuo por estar confuso, você é apenas humano. Soldados ficam frios com o tempo, a vida nos campos de batalha os molda para eles serem números ou peões, mas paladinos não, eles são soldados que ainda mantem a moral e a dignidade assim como seus medos e inseguranças.

Edward sentiu um leve arrepio com as palavras de Bellator, foi o verdadeiro sentimento do manto de Parysas ser passado para ele.

– Não se culpe por ser falho, ser falho é o que lhe torna perfeito de sua forma. Se precisar, chore e grite de frustração, isso não fara de você pior ou melhor mesmo. Matheus Freitas: Quê??? Ela seria uma péssima coach..

Edward permaneceu firme, não desabou em lágrimas, mas chorou por alguns segundos sem perceber. Matheus Freitas: Quê??? Temos as lágrimas de schrödinger agora?

– Espero ser um grande paladino, assim como Parysas foi. – Ele afirmou retomando o fôlego.

– Eu sei que vai. – Ela respondeu com um sorriso enquanto desviou o olhar para a janela ao lado de Edward.

Quando viu as estrelas do lado de uma árvore no horizonte, Bellator se espantou ao ver que uma silhueta estava se revelando. Com um brilho aurora que surgiu de repente atrás de sua cobertura, o ataque foi automaticamente identificado.

– Cérbero! – Bellator gritou para que todos pudessem ouvir de forma clara.

O caçador sentiu o inimigo instantaneamente. Ele, que estava sentado junto ao cocheiro da carruagem, pulou para o teto.

Mesmo no breu total, as cores foram discernidas e a flecha vibrante em pulsações aurora se revelou em instantes. Rumo ao acertar do projétil, Cérbero o interrompeu.

Chronus Reduci! – A invocação de sua magia causou uma explosão de raios em sua volta em formato circular envolvendo uma área média.

O projétil parou em pleno trajeto, assim como a carroça que parecia ter congelado no tempo. O caçador analisou a flecha de longe, mas quando a pegou sua magia se desfez devido sua armadura.

Porém, o recolhendo em poucos segundos, já se tornou o suficiente para uma dedução perfeita.

– Sagita... – Cérbero murmurou enquanto via a mesma ao longe atirando mais projéteis, como a carroça estava protegida por sua magia, o foco dela era a tropa de soldados. – Rápido, se dispersam!

O caçador pulou novamente no teto da carruagem enquanto os cavaleiros tentavam reagir de forma correta perante a situação. No tempo de Cérbero pegar um dos barris de água e o arremessar na grama com tanta força ao ponto deles estourarem, a arqueira conseguiu eliminar dois soldados de sua tropa.

Desfazendo a Chronus Reduci, Cérbero rapidamente aplicou uma magia de controle no cocheiro que seguiu andando sem preocupações.

– Vocês acham que nos encurralaram, não é? Pois saibam que natureza fora das cidades é meu verdadeiro reino... – Ele tomou voz enquanto arrumava a postura, ficando animado com o tempo. – Todos me sigam ou jantem no inferno!

A tropa se recompôs e começou a seguir a carruagem que apressou sua velocidade.

Logo o caçador causou um terremoto na direção da arqueira com movimentos rápidos seguidos de uma energia esverdeada, nisso mais um soldado eliminado

Ao fundo da disparada a única coisa que era discernida aos olhos normais era uma explosão de vinhas banhadas a um brilho neon que prenderam a arqueira até desacordá-la. Cérbero sorriu perante aquilo, mas logo recebeu porradas no teto que estava apoiado.

– O que está acontecendo! – Gritou Edward.

– Se eu fosse te passar toda a história, você morreria na metade. – Ele ironizou olhando para todos os lados da planície em busca do próximo inimigo. – Em resumo, estamos sendo atacados.

– Como!? – O paladino afirmou tirando de forma desengonçada uma das espadas de Parysas.

– Fica quieto que sua necessidade nem foi cogitada ainda! – Cérbero respondeu enquanto se agachava.

Foi então que os demônios revelaram sua face. Um ataque simultâneo que arrancou a cabeças de todos os cavalos com mordidas violentas.

Usando de uma grande capacidade mágica, ele cobriu uma área de vinte metros ao redor da carruagem, sentindo desde o movimento frio do vento na grama ao pulsar do coração de carda ser vivo no local.

Chupacabra’s, cães grandes e esguios, demônios semelhantes a carniçais, nível dois. Uma verdadeira alcateia estava por rodear todos.

Quando os soldados tiveram uma esperança de liberdade, lanças foram jogadas na direção de cada um. Ele morreu sem poder se defender, os soldados foram pegos no escuro e Cérbero conseguiu facilmente agarrá-la antes que lhe acertassem.

Os padrões de disparo eram perceptíveis para a maioria, mas o caçador conseguiu ver com precisão as falhas nos ataques, no caso da demora entre um disparo e outro. Medindo o tempo de cada disparo, ele concluiu que só havia dois inimigos, quando sentiu a aura envolta da lança, ele lembrou de imediato o tipo de demônio.

Cimerie’s, demônio cavaleiro negro em seu cavalo de mesma cor, nível 5.

Já vendo que não ia sair dali com facilidade, Cérbero jogou todos os barris no caminho e foi quebrando um por um.

Preocupado, Edward saiu brandindo uma espada. Aos gritos, ele se aproximou de Cérbero que automaticamente o jogou no chão e em seguida ergueu sua mão, pegando por instinto uma lança que iria lhe atingir em cheio, deixando Edward sem fôlego quando sentiu as energias fortes tão de perto.

A pouca luz fornecida pela lua e por um lampião do lado de fora da carroça era suficiente para que os olhares preocupados de Edward fossem manipulados pelos profissionais de Cérbero.

O paladino sentiu na alma que aquele não era seu momento, com vergonha e receio ele voltou para dentro da carruagem.

Voltando para os barris de água quebrados, Cérbero se ajoelhou, expondo assim sua guarda para todos os demônios a sua volta que foram pra cimas sem pensar duas vezes.

Criações deste mundo, reajam ao chamado daquele que os alimenta.

Faça da água seu sangue e desenvolva sua carne única.

Nasça então, o elemento vivo da madeira e tome o lugar dos quatro!

Ele recitou sem pressa ou medo de ser acertado, apenas deixando suas palavras fluírem pelo local. Quando acabou um gigantesco pulso mágico veio à tona como uma bomba divina que expurgou tudo relacionado a demônios de baixo nível em segundos.

Se levantando a sons de passos vazios, Cérbero se preparava para a real batalha. Quando se virou para seu oponente, a reação foi única.

– Olá, “Varis”.

Por Tisso | 04/05/21 às 21:55 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia