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Capítulo 116 - O Maior Erro

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 116 - O Maior Erro

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia Serafim)

– Cérbero, o cão que guarda os reinos de Hades, guardava, no caso. Devo admitir que o nome Cães Demoníacos não foi tão original. – O assassino se aproximou lentamente enquanto o caçador ia em sua direção.

– Reclame com Ortros, ele herdou do pai o gosto por nomes. Como ninguém daqui conhece, foram nomes originais pelo menos. – Cérbero afirmou, pisando no chão com tanta força ao ponto de conduzir uma barreira massiva de vinhas que envolveram a carruagem como uma cúpula.

– Prefere que eu lhe chame pelo nome original ou por alguma ramificação?

– Então você sabe? – Questionou de maneira pouco surpresa. — Veio reclamar do Paimon?

– Saber é uma palavra forte, eu diria que as teorias vinham com o tempo, logo ficou subentendido que você era facilmente um candidato ao posto do ser lendário local.

– Oh, então você fez uma longa pesquisa, esta nisso há quanto tempo?

O assassino riu com gosto em uma tentativa de ser macabro.

– Não se lembra de mim? – Perguntou da forma mais egocêntrica e raivosa possível.

– Está óbvio que você é um demônio que possuiu o corpo de Varis, julgando pela purificação executada, você é de nível sete para cima e minha memória tem certeza de que todos os demônios maiores foram executados com sucesso, isso nos últimos cinquenta anos em média. – Cérbero afirmou com todas suas deduções, mas logo ficou quieto.

Após um choque de memória ele recuperou com perfeição o resgate a Glans, logo trocou olhares frios com o inimigo.

– Priscar, demônio intermediário, se alimenta de pecados, carne, sangue e prazeres, podem ocultar sua presença, o que tornaria sua convivência em Civitas algo simples. – O sorriso psicopata brotou na cara do Caçador. – Você conseguiu fugir do dia que eu o tentei matar e possuiu o corpo de Varis se alimentado dos pecados do passado dele até transformá-lo em um “homem santo”, certo?

– Bravo! Bravo! – Ele aplaudiu de forma irônica. – Conseguiu juntar as informações de meses atrás com a lógica rápida. Eu estou impressionado, mas não esperava menos de uma lenda que impõe respeito justamente pela arte predatória.

Enquanto se aproximava, Cérbero se perdeu em sua risada. Era bizarro ver ele assim, era uma mistura de arrependimento, agonia, êxtase, raiva e uma série de sentimentos comprimidos em uma risada irônica realmente assustadora até mesmo para um demônio.

  – Você está dizendo que está no corpo de Varis desde aquele momento?

O Priscar mal teve tempo de responder até ser cortado.

– Então você estava fornecendo informações para Lúcifer, essas informações foram úteis para que ele planejasse seus ataques, dando nessa situação. – Os risos aumentaram gradativamente de uma forma inacreditavelmente grotesca, era como se ele estivesse se contorcendo de dor, podendo esboçar seus sentimentos apenas como risadas. – Se eu tivesse o eliminado no nosso primeiro encontro, Parysas não teria morrido e as situações seriam diferentes. Mais uma vez eu estraguei tudo! – Ele finalizou o riso com um lamento breve, voltando ao estado psicológico instável.

Os dois estavam a dez metros da carroça e ficaram se encarando sem dizer uma palavra. Cérbero fez um movimento rápido enquanto arrancou à força suas vestes negras, revelando a tão lendária “armadura vermelha sangue”, originalmente nomeadas de Couro de Tártaro.

– Então de fato era você... – O Priscar afirmou, dando passos para trás.

– Ainda falta algo, não? – Cérbero ironizou, cobrindo seu rosto com a mão.

Quando revelou seus olhos novamente eles pulsavam em um vermelho escarlate, outra característica da lenda.

Vultus Oblivion... – Pronunciou com espanto.

– Uma magia lendária no espectro de magia negra, consegue destruir o foco dos oponentes, tornando qualquer usuário em um demônio, ou no meu caso um Slayer.

– Patético... – Ele respondeu, recompondo a postura e a confiança. – Pra um demônio de nível nove como eu, isso é inútil!

Cérbero parou para planejar o primeiro ataque após aquela resposta que abriu seu sorriso de orelha a orelha. A velha forma psicopata veio à tona.

– Legal. – Uma palavra crua antecedeu suas ações.

Por uma fração de segundo quase inexistente, a investida foi efetuada com uma explosão desumana que impulsionou Cérbero. O soco cortou os poucos metros entre os dois com uma força além do sobre-humano, com a velocidade próxima a de uma bala.

Quando o corpo modificado de Varis recebeu o soco, a velocidade imposta o arremessou para trás de forma surreal, raspando no chão inúmeras vezes até conseguir enganchar a mão na terra durante a estabilização.

Seus ossos frontais foram feridos de uma forma que os quebraram de maneira ainda mais séria do que no coliseu, só não foram fraturas expostas por conta da pele reforçada que o Priscar adotou.

– Seus ossos... – Cérbero afirmou enquanto via o elfo desdobrar seu corpo enquanto seus ossos regeneravam, tornando o esqueleto completo novamente. – O normal que aconteceria com a força que eu exerci era que seu peito iria afundar para dentro de si e seu corpo, abrindo um belo buraco...

– Impressionado? – Ele perguntou com um grito enquanto se levantava, deixando mais espectros demoníacos tomar conta do corpo possuído, sua voz estava completamente tomada pelo Priscar e seu corpo a ferver.

– Diria animado. Sempre tem um maluco com potencial mesmo, é melhor aproveitar o momento para desestressar... é algo que eu mereço. – O Caçador afirmou de forma cômica enquanto deixava sua mão plana. – Pensei que ia ser uma luta rápida, mas vamos ter que resolver na prática.

Enquanto falava, suas unhas cresciam de forma surreal, ficando cada uma com o tamanho e fio de uma adaga extremamente afiada – com a exceção do seu dedão. Usando de meios naturais, ele havia transformado suas duas mãos em armas brancas cortantes.

Quando desdobrou completamente seu braço o Priscar sacou de seu coldre O Truão do Tolo, que automaticamente assustou Cérbero, o parando de andar por alguns segundos.

– Pelo visto conhece. – Ele afirmou de forma sádica.

– É um bom condutor... – Cérbero disse, se recompondo.

– Único, eu diria. – O Priscar recolheu o truão preparando um golpe de espada. – Olha o que ela pode fazer!

Executando um movimento rápido, ele recriou uma lâmina vermelha, transformando daquele truão uma espada e com ela fez um corte aéreo escarlate na direção de Cérbero.

O Caçador esperou o ataque chegar e se locomoveu quanto sentiu o ar a sua volta. Quando o corte laminar atingiu a área de proteção mágica de sua armadura, ela foi barrada pela mesma de tal forma que a onda lateral escarlate ficou entrando em conflito e emanou inúmeras faíscas até que entrou em estado de descontrole, explodindo em uma onda de fumaça negra.

A visão do demônio ficou prejudicada, mas ele conseguiu distinguir alguns vultos. Enquanto isso, uma forte pulsação tanto material quanto mágica veio em sua direção aproveitando da fumaça resultante do ataque.

Enquanto ainda tinha margem de ação, o Priscar não hesitou e agarrou o final da lâmina vermelha e deslizou sua mão a apertando até a ponta, a manchando de sangue que em seguida se transformou em um líquido pulsante que banhou sua arma em fogo, junto disso, repôs seu sangue rapidamente

Tudo enquanto se preparava para o golpe do inimigo que surgia da nevoa.

Sem ver, apenas por instinto, ele golpeou o que lhe ameaçava, mas aquilo revelou ser apenas uma onda de raízes da terra usada como finta para distrai-lo. Quando fincou a espada na raiz, ele desviou o olhar para o lado, vendo Cérbero efetuar a mesma técnica anteriormente.

Mas dessa vez a distância maior lhe deu um tempo de reação suficiente para tentar se defender com seu braço.

O resultado foi um ataque de unhas que acabaram por atingir lateralmente o braço do ladino, que teve seu osso cortado e seu membro quase arrancado. A dor era inconsistente para o corpo do demônio que facilmente a ignorou, mas o contra-ataque foi executado.

Segurando sua espada flamejante com o braço direito e com o acúmulo de força, ele fez a lâmina entrar em contato com a armadura cor de sangue. A armadura não conseguiu barrar uma magia tão intensa sem que ela penetrasse sua área de segurança. Um rasgo simples foi feito, mas a pele do Caçador ficou intacta, algo que surpreendeu o demônio.

Logo após isso, a lâmina quebrou em pedaços e o Priscar se jogou para trás enquanto invocava um portal para remontar sua estratégia. Cérbero não parou a situação pois queria que ele se recuperasse, dando todo palco para a construção do plano inimigo.

Segundos após seu desaparecimento, o terreno se modificou de forma brusca. Com um despejar de raios no solo da planície, uma gigantesca força ergueu a terra e a pedra, formando pilares e paredes, construindo uma fortaleza ou labirinto precário de pelo menos cinco andares e de área desconhecida.

– Construções? – Cérbero analisou a situação em sua volta. – Você deveria saber que isso é o menos eficiente contra mim.

Se aproximando da primeira parede que viu, ele a tocou e focou em sua oratória. Após um segundo, ele iniciou

Experit Demstruio Malternos... – Recitou, a bola de energia começou a ser emanada, dessa vez de forma mais consistente para seus padrões. Calmamente, ele seguiu. – Flure Contare Soberb... – a bola começou a se achatar e a reproduzir rachaduras.

Quando Cérbero respirou fundo, preparando uma bomba de ar com a outra mão, ele explodiu as estruturas superficiais de pedra de uma única vez. Quando as nuvens de poeira se formaram, a bomba de ar as afastou quase na hora.

No fim, gigantescas ruinas construíram um campo de combate repleto de escombros e estilhaços da construção que teve poucos minutos de vida.

Em meio aos céus, aonde deveria ter uma torre anteriormente, Cérbero localizou o corpo de Varis tentando aterrissar. Logo pulou em sua direção, o pegando em pleno ar de forma brusca, o pegando pela roupa e o jogando no solo de forma bruta enquanto caia.

Já no chão, com poucos metros de diferença, os dois se encaravam enquanto se levantando, rodeados de uma arena aberta que os dois haviam feito.

– Eu acho que lhe subestimei. – Cérbero afirmou, entrando novamente em pose de ataque.

– Já está cansado? – O demônio questionou, usando o truão para bombardear correntes elétricas no próprio corpo, acelerando a recuperação para o combate.

– Não... sinto que estou recuperando minha fé em algo.

– Sentindo pena de um demônio? – Invocando novamente a espada, ele preparou a investida.

– Não, você não é um fator disso. Demoraria para explicar, mas eu sinto que algo está por...

Mesmo sem olhar para o Priscar, Cérbero conseguiu desviar com perfeição para o lado, efetuando um soco direto após aquilo.

– Não me interrompa enquanto eu falo... – Resmungou, redirecionando o foco.

Quando se recuperou do contragolpe, ele recebeu mais uma sequência de socos rápidos, quando conseguiu uma brecha para atacar, teve sua lâmina vetada pelas unhas resistentes.

Logo se afastou para uma melhor tentativa. Quando notou a possibilidade para invocar magia, sentiu seus nervos forçando sua carapaça, em pouco tempo de batalha, o Caçador já havia lhe feito gastar sua maior capacidade mágica para recuperar seu corpo e a construção lhe sugou quase que toda a capacidade ofensiva que seu corpo podia suportar.

Há cerca de uma semana, ele havia tomado total controle do corpo, mas o choque de perceber que todo seu esforço nesse ano durou apenas dois ataques críticos de Cérbero.

Pullulate! – Ele gritou em êxtase, exercendo o pouco da sua enquanto seu corpo foi envolvido em raios.

A magia fez com que cópias dele fossem criadas, todas sendo uma silhueta vermelha fraca sem muitos detalhes. Ao todo, eram três clones atacando simultaneamente, seus movimentos eram rápidos e fortes, tal como o original.

Porém, ambos sabiam das limitações daquela magia, uma magia que tinha um grande peso no conjurador.

Sem nem perceber, o demônio estava caindo ainda mais na armadilha do Caçador.

Desativar o Vultus Oblivion foi necessário para avançar, sem essa magia, Cérbero aumentava sua capacidade de foco, mas em troca, seus oponentes também.

O combate aparentava ser insano para ambos, Cérbero estava na defensiva enquanto se mexia de uma forma precisa, já o Priscar e seus clones tentavam abrir brechas para ataque, com vagos sucessos.

Quando os clones começaram a falhar, o demônio sacrificou tudo por segundos quando abriu brecha de ataque e desfez seus clones e fincou sua espada no estomago do Caçador como uma rabeira. 

Quando a espada se quebrou novamente, ele saltou para trás e recuou.

Ao todo, ele conseguiu executar mais três cortes, contando com a estocada final. O espanto de Cérbero era camuflado, mas ele jurava que nunca mais iria ver uma arma mágica capaz de rasgar sua armadura, pelo menos até aquele dia.

Encarando-o com seus olhos brancos sem alma o Priscar via o Caçador tomando fôlego, seus movimentos ficaram lentos por uma fração de segundos, fazendo surgir uma oportunidade.

Usando de sua energia, o demônio aprimorou suas capacidades ao nível de conseguir se tornar tão rápido quanto seu oponente em seu ataque inicial. Com reforços mágicos nos punhos, que serviam de soqueiras, ele iniciou a sequência de ataques.

Logo no primeiro soco, ele sentiu o amortecimento do impacto de seu golpe. Socar Cérbero era como socar uma rocha sólida e dura, quase indestrutível.

Sua mão foi prejudicada, mas ele não cedeu e foi insistente, mas aquele não era um caso isolado, cada osso do Caçador era duro como metal, com a exceção de alguns socos que o empurraram para trás, nenhum golpe teve resultado.

Foi então que a armadilha os envolveu.

Rapidamente, seu corpo brilhou em tons de verde água correndo a terra e a grama em uma gigantesca esfera, engolindo desde a estrutura destruída a além do que o Priscar conseguiria correr para fugir.

Logo Cérbero se moveu, trazendo um terremoto em suas ações refletidas em uma onda de raízes que os fechou e os cobriu com a escuridão.

– Mas que porra!? – Ele gritou assustado, tentando fugir de todo modo.

Criou sua espada para golpear os muros e os socou como nunca havia socado, quebrando a mão no processo. Logo ele focou novamente no caçador parado, aos poucos conseguindo ouvir dele uma oração.

Experit Demstruio Malternos...

Em seu corpo, uma esfera de energia começou a se manifestar. O Priscar cobriu os olhos por causa de tanto brilho, era como se Cérbero estivesse usando todas suas energias naquilo.

Flure Contare Soberba...

A esfera desceu pelos seus pés, logo fluindo para o chão onde criou rachaduras verdes pulsantes. O demônio aproveitou e tentou correr na direção de Cérbero, mas o mísero toque que ele teve com uma rachadura já foi o suficiente pra sua pele queimar igual a água benta.

Mantract Gerlet Envolto...

As rachaduras começaram a erguer pedaços de terra como se o mundo estivesse sem gravidade. Nesse ponto, toda a reserva de energia do Priscar ficou apenas para sua proteção e regeneração.

Floret Creret Aumente...

Os efeitos começaram a aumentar com uma luz que se implantou no centro da cúpula onde Cérbero se localizava.

Actere Nucore Universa.

Ele finalizou a oração se movendo entre as instabilidades, era como se um milagre tivesse sido emulado por sua pessoa, algo completamente surreal.

Caminhando na direção do demônio, fazendo sombra perante o manifestar de energia santa prestes a explodir, Cérbero o encarava sem misericórdia.

– Como?! Eu passei um ano inteiro tentando me superar! Suguei duas vidas de um dos piores pecadores até transformá-lo em um homem virgem! Como você consegue ser superior! – Ele gritou desesperado, mas não clamando por piedade, mas sim por justiça de seus esforços, mas foi interrompido pelo caçador que o derrubou casualmente e se sentou logo ao seu lado.

– Se a vida fosse justa, ela teria outro nome, se você é um demônio, deveria saber disso. Não é só porque pode intercalar de níveis que você pode se tornar um Lúcifer, seu nível mal estava ajustado para o nove, apenas estendi a batalha para esgotar suas energias e recuperar o corpo de Varis.

– Como? – Ele ficou incrédulo.

– Os ciclos funcionam assim, demônios se alimentam e eu os caço, está marcado na minha existência que eu devo fazer isso. – O Caçador deu uma leve pausa ao falar. – O seu maior erro nessa história toda, foi achar que em algum momento você teria alguma chance real de me derrotar.

O que se sucedeu foi o grito de dor do demônio e pela explosão santa concentrada. Uma das três rezas supremas invocadas, um símbolo da aniquilação e purificação de demônios, uma manifestação santa que se equiparava a uma explosão concentrada de uma ogiva nuclear. Matheus Freitas: Não vamos exagerar, né...

Quando a calamidade acabou, havia restado apenas o corpo nu de Varis com o truão em mãos. Suas cicatrizes haviam sumido por completo, o mesmo estava desacordado.

Cérbero pegou o truão e o carregou até a carruagem, se espantando quando viu sua cúpula quebrada.

– Merda...! – Afirmou de relance.

Bellator estava degolada, a armadura que Edward usava banhada a sangue e a joia destruída, após uma investigação ele concluiu que a criança estava viva, mas havia sido levada e seria impossível persegui-los naquele ponto.

Porém, Edward ainda estava vivo. Desmaiou tentando lutar, mas a armadura mágica de Parysas afastou ataques, o deixando vivo, apenas ferido.

– Estamos mais pertos de Monssolus do que de Civitas... – Raciocinou. – Não tem jeito. – Ele deixou Varis apoiado na porta arrombada da carruagem. Logo voltou o caminho para pegar Sagita e carregar os três até a capital.

Por Tisso | 06/05/21 às 21:39 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia