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Capítulo 13 - Corte a um Exorcista Improvisado

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 13 - Corte a um Exorcista Improvisado

Autor: Tisso | Tradução: Matheus Freitas (Leia SZPS)

A brecha aberta pela técnica de Aquiles fez James elaborar um plano que poderia, em tese, funcionar.

As espadas que perfuraram a camada de lama da mão do demônio apenas fizeram pequenos rasgos, que foram regenerados logo em seguida por jatos de sangue que escorriam e recuperavam os ferimentos.

Assim tornando aquela luta injusta para os cavaleiros, que já estavam ofegantes e exaustos de tanto golpear sem nenhum resultado.

Após cinco minutos de espadadas sendo desferidas contra sua pele, o demônio, agora completamente recuperado, decidiu que já tinha chega a hora de assumir uma postura mais ofensiva.

O punho se fechou completamente e atingiu o primeiro dos dois soldados que ele viu em sua frente.

O impacto do soco arremessou o guarda contra a parede, o fazendo afundar em uma pequena cratera criada com o choque de seu corpo com a superfície dura do muro de pedra.

O segundo cavaleiro presenciou de camarote o amigo desmaiar lentamente, perdendo a consciência. O medo tomou conta, perante um inimigo não humano. Sua confiança era construída no simples fato de estar nos Cavaleiros Negros e em treinamentos vagos, isso era seu escudo moral para qualquer coisa, mas ver aquilo o quebrou completamente.

 A pressão fez o cavaleiro tremer e a tremedeira o fez largar a espada e correr em direção a porta desesperadamente, tentando fugir de forma precipitada e mal planejada.

Porém, tal ação foi impedida pelo inimigo, que o segurou pela cabeça, estendendo a distância de seu braço para isso.

Cobrindo seu crânio completamente com o emaranhado de cor negra feito de lama e fechando com força seu punho, o barulho de ossos quebrando e o metal do elmo sendo amassado ecoou friamente pelo lugar.

Em apenas alguns segundos, o cavaleiro que tinha decidido fugir havia morrido e o demônio voltou sua atenção para o arqueiro e o cavaleiro que haviam sobrado.

— Ótimo, dois já se foram... — Murmurou o demônio, se virando vagamente. — Falta só mais dois.

James e Aquiles posicionaram suas mãos em cima do balcão já preparando um futuro puxar delas para dar impulso.

— Três, dois, um.... — Contou James, engolindo a seca e fria saliva em sua garganta antes de efetuar a ação. — Vai!

O arqueiro saltou para cima, se dirigindo a porta da biblioteca para confundir o demônio, que não pensou duas vezes e correu em sua direção por extinto com uma velocidade acima do padrão humano.

Porém, antes que conseguisse concluir metade de seu percurso, foi cegado por um pano vermelho que é arremessado por Aquiles, que por sua vez, tomou a atenção por completo.

O cavaleiro, já na frente do demônio, revelou sua gigantesca arma branca, empunhando-a com suas duas mãos, como uma recepção calorosa e ameaçadora.

Segundos após o demônio tomar alguma visão, Aquiles correu em sua direção, deixando sua lança na frente, tal como um aríete golpeando o portão de um castelo.

Usando sua mão deformada, o demônio recebeu o fincar da lança com sua palma e sentiu a penetração da arma aumentando aos poucos.

“Por enquanto, tudo certo”. Pensou James, direcionado sua visão para os restos de sua mochila, procurando os objetos sagrados que possuía.

Aquiles, confiante, tentou seguir as orientações que lhe foram passadas e continuou a empurrar a lança.

Ao conseguir a visão de seu objetivo, James correu como nunca havia corrido e sacou de um dos sacos de sua antiga mochila um crucifixo de prata um pouco menor que seus dedos, pendurado por uma corrente de mesma cor.

 Ao olhar para o demônio, ele percebeu que não havia sido notado, ou seja, o plano estava indo muito bem, além do esperado.

— Por que não desiste de uma vez? — Ameaçou o demônio, em uma tentativa de desestabilizar Aquiles.

— Desculpe, mas não sou de deixar serviço incompleto. — Respondeu o elfo, em tom de gozação.

A lança começou a ser consumida pela maçaroca de lama e sangue que formavam a mão do demônio.

Aquiles, com medo, desviou seu olhar para James, que estava remexendo em seus livros.

A confiança era uma benção que fluía pelo corpo do cavaleiro que continuava a empurrar sua arma apesar da lama e sangue que se aproximavam de seus punhos.

— Parece que você vai morrer. — Afirmou o demônio, quase alcançando o punhal da lança.

— Eu não confiaria tanto nisso! — Respondeu James, dando-lhe um soco com o crucifixo enrolado em sua mão, fazendo o demônio dar alguns passos para trás.

Aquiles percebeu de imediato o que deveria fazer.

Em um ato extremamente rápido, o cavaleiro abandonou sua lança e circulou o inimigo, sacando sua espada e a empunhando com ambas as mãos.

O demônio antecedeu o suposto ataque vindo por parte do elfo, mas já era tarde demais para qualquer reação.

Com um corte que teve como foco a orelha esquerda do demônio, sua cabeça foi completamente cortada e aberta deixando a metade arrancada cair e sujar o chão de pedra.

James sabia que aquilo não seria o suficiente para matá-lo, pois ele iria se regenerar, então colocou a parte final de seu plano em ação.

A bíblia que tinha pegado entre seus livros foi fortemente enfiada entre a mistura de partes, do que um dia já poderia ser considerada uma figura humana.

A pele do demônio começou a borbulhar e aos poucos a queimar em um forte cheiro de borracha queimada que impregnou todo o lugar, marcando a morte do inimigo junto do início de um fogo que o consumiu aos poucos.

Com uma queda proposital, James se sentou no chão e começou a rir, pois não acreditara no que havia feito. Aquiles fez o mesmo, porém mantendo uma vaga seriedade.

– Não vou ser perdoado por usar um crucifixo como soqueira, mas pelo menos ganhamos. – James afirmou, em meio a suas risadas.

Após toda a confusão acabar, diversos soldados dos Cavaleiros negros chegaram no local para averiguar a situação.

Bellator havia desmaiado durante o seu combate interno ao mesmo tempo que tentou agir por conta própria, por sorte não se feriu. A mesma já estava frágil fisicamente e mentalmente alterada devido a um histórico militar conturbado, mas se recuperou bem após alguns dias.

O arqueiro estava confiante e orgulhoso ao falar com os cavaleiros do lugar, mas foi recepcionado com uma sentença por tempo indeterminado na prisão local.

Aquiles foi o menos prejudicado, o elfo apenas deveria fazer um relatório do ocorrido enquanto os sacerdotes tratavam Bellator, onde confirmaram origens magicas no corpo dela, mas não só de uma fonte.

Uma semana depois do ataque, James conseguiu ver de perto a magnitude do “Castelo” de Monssolus, o interior da montanha estranhamente abrigava uma estrutura enorme que se assemelhava a um templo ou a um quartel general.

Mesmo que tenha sido levado diretamente para a prisão, o arqueiro conseguiu ver parte dos imensos corredores e a entrada dos dormitórios que eram feitos com bonitas e detalhadas estruturas de pedra talhada.

Mas a pausa do homem durou pouco.

Por uma semana, James apenas descansou em sua cela, não muito diferente das prisões convencionais, com a exceção de pequenos detalhes esculpidos nas pedras e das grades que davam uma visão quase que panorâmica da cidade.

Com a chegada de cinco soldados que o retiraram de lá, ele foi levado para uma corte dentro do enorme castelo.

James começou a ficar confuso com o que iria acontecer, e o receio já lhe causava um desconforto.

Nove cadeiras que mediam aproximadamente dois metros estavam postas de uma forma que deixasse a central em maior foco, ela era a única vazia no lugar.

Sentadas nos colossais tronos de pedra estavam oito homens.

Próximos a cadeira vazia, dois velhos senhores que e possuíam barbas longas e brancas, segurando em suas mãos cajados refinados de madeira.

O restante das pessoas eram homens vestindo das mais diversas armaduras e portando das mais variáveis armas.

Duas coisas foram reparadas por James.

A primeira era que três desses oito homens aparentavam possuir uma arma pesada e uma leve

“Davi Golias”. Pensou o arqueiro, que relembrou suas descobertas sobre aquela região.

A segunda e a mais importante coisa notada era o penúltimo homem do lado direito. Inquieto e incomodado, o homem que estava lá era notoriamente Aquiles.

“Uma corte dos capitães dos Cavaleiros Negros...” Concluiu James com certo receio do que iria ocorrer. “Ótimo... ”.

O fato de que todos os capitães estarem ali reunidos não era animador para Aquiles, que ficou quase imobilizado pelo receio.

Os assuntos discutidos pelos homens que lá estavam eram diversos, mas nenhum endereçou James por não levar a lugar algum.

O arqueiro estava na frente de todos, sendo o foco dos que pareciam não se importar com sua presença. Até que um fechar de portas foi ecoado pelo lugar.

A figura de um homem de idade com uma curta e bem-feita barba marrom e com longos cabelos de mesma invadia o lugar com quatro guarda-costas. 

O homem andava confiante esbanjando a armadura prateada que possuía, inquietando os oito homens que começam a encará-lo e a admirá-lo em sinal de respeito.

— Salve Kaplar Hyden! Senhor e comandante dos Cavaleiros Negros! — Gritou um dos homens do altar, aparentemente o que seria o primeiro capitão.

— Salve! — Os outros saldaram em sinal de respeito.

Em pouco tempo, Kaplar se posicionou na cadeira ao centro e começou o julgamento de James.

— Senhor? — Perguntou o comandante ao arqueiro.

— Jameson Frankenstein. — Respondeu James com um tom confiante, que escondia seu receio.

— Um duque de Frankenstein? — Questionou um dos homens da corte, em um leve tom de espanto.

— Pode-se dizer que sou um ex-duque. — Retrucou o arqueiro.

— Sabe por que está aqui? — Perguntou Kaplar, chamando-lhe a atenção novamente.

— Para falar a verdade não... — Ele começou lentamente a puxar um tom de voz mais pensativo. — Estava apenas descansando em uma pousada, até que ela foi atacada por um demônio, esse que inclusive já está morto.

— E você sabe o porquê de o demônio ter atacado aquela pousada. — Questionou outro cavaleiro, que mostrava estar vagamente irritado com a postura de James.

— Accolon, silêncio! — Ordenou Kaplar, erguendo vagamente a voz. — Nossos sacerdotes analisaram Bellator, ela a princípio parecia bem, mas eles notaram uma imensa aura mágica a envolvendo.

— Como? — James arregalou seus olhos em sinal de espanto, tal sentimento que também foi sentido pelos cavaleiros que soltam pequenos gritos de surpresa ao revelar do fato.

— Bellator trabalhou comigo em toda sua carreira militar e nunca demonstrou o conhecimento de magia ou forças místicas, muito menos uma natural. — Explicou Kaplar, cruzando seus braços e encarando James friamente. — Como nossos sacerdotes não conseguiram identificar a origem de tais poderes e, acredito eu e meus conselheiros, que esse lugar está sujeito a mais ataques de demônios...

— Pai, o que quer dizer? — Perguntou Aquiles, confuso em relação as palavras do comandante.

— Estou dizendo, filho, que Bellador vai ser enviada para Civitas, onde lá, será protegida por Ortros. – Disse Kaplar, brevemente. – Você também será enviado Aquiles. E esse homem também irá.

A face de espanto na cara era presente em todos na sala, com a exceção de Kaplar e dos senhores ao seu lado, que já haviam planejado tudo aquilo antes da reunião.

— Enviar Aquiles é praticamente decretar derrota! — Reclamou um dos cavaleiros da corte indignado.

— E além disso esse homem não é confiável, ele nem é um Cavaleiro Negro! — Completou um segundo cavaleiro, que estava ainda mais indignado que o anterior.

— Compreendo a indignação de vocês... — Respondeu Kaplar de forma fria. — Mas já confirmei com Cérbero, Jameson não é nosso inimigo. Pelo que me foi dito, ele possui os sentidos que o tornam melhor do que os arqueiros de nossa frota de arquearia.

O silêncio foi instalado na boca dos cavaleiros, que ficaram com extremo medo do que havia sido falado, apenas pela citação de Cérbero na fala.

— Ele veio aqui durante a prisão de James e o analisou enquanto dormia. Chuto que ninguém vai contrariar algo que ele afirmou, certo?

James ficou curioso sobre quem seria esse tal “Cérbero” e se sentiu invadido com relação ao “analisar”.

— E quanto a Aquiles? — Perguntou um dos cavaleiros, ainda se recuperando do medo causado pelo mencionamento do nome de Cérbero.

— Não é segredo que meu filho adotivo é o mais forte dos capitães em quesito de força física, se não do clã inteiro, não vejo quem seria mais adepto ao caso de escoltar uma única pessoa de forma discreta. — Explicou o líder, causando um profundo orgulho em Aquiles. – As táticas de combate vão servir de apoio, não podemos mobilizar um grande número de pessoas tão bruscamente no final das contas.

— Obrigado, pai! — Agradeceu o elfo com felicidade, por causa do reconhecimento obtido. — Prometo que não irei decepcioná-lo!

— Senhor Kaplar, desculpe me intrometer, mas o senhor se lembra do ocorrido com o Quarto Esquadrão? — interrompeu um dos cavaleiros.

— Sim eu lembro. — Respondeu Kaplar, em tom visivelmente mais sério. — Mas confio em meu filho, ele pode melhorar e essa missão vai ser a chance de provar isso se vocês avaliarem melhor. — Confiar uma tarefa tão importante a um ex-ladrão. — Debochou um dos oito soldados, que escondia vagamente o riso com a mão.

— O que foi que você disse? — Questionou Aquiles, irritado já com a mão no punhal de sua espada.

— Aquiles! — Alertou Kaplar, com uma voz que não aceitava contestação.

— Certo... — Disse Aquiles, recompondo sua postura em sua cadeira.

Por Tisso | 30/04/20 às 18:36 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia