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Capítulo 18 - Sinais de Possessão e Treinamento Excessivo

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 18 - Sinais de Possessão e Treinamento Excessivo

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Varis acordou em uma espécie de dimensão negra alternativa, tudo era um breu completo.

Confuso, o elfo negro começou a vagar empunhando suas armas.

O escuro começou a se iluminar com uma fumaça branca cintilante que dava pouca visão do lugar.

Os olhos do ladino se movimentavam rapidamente pelo lugar, fazendo um zig zag pela fumaça, tentando encontrar alguma coisa. Objetivo esse que havia cumprido.

Uma calda fina e comprida de lagarto rastejava no chão, como uma de cobra negra. O pensamento de Varis já concluiu que aquilo poderia ser uma ameaça, mesmo não identificando ao certo o que era.

Sua adaga foi jogada e cortou a distância entre ele e a calda que desviou do ataque se movendo rapidamente para a esquerda, fazendo a adaga bater no “solo” do local.

— Não adianta lutar... — Uma voz começou a ecoar nos horizontes do universo negro que o elfo estava. Ela era semelhante à de demônios que já havia ouvido nas missões que participara com Cérbero.

— Quem está aí!? — O ladino inquieto olhou ao seu redor, enquanto empunhava suas armas.

— Você realmente quer saber, senhor Dol. Edgar Varis? — A voz em um tom amedrontador o questionou.

O ladino parou brevemente, mas logo tomou coragem.

— Sim, eu quero! — O receio em seu ser era grande e o âmago do medo só crescia.

Um ser humanoide esguio surgiu em meio às sombras e névoas. Medindo o dobro da altura do ladino e possuindo a pele negra com detalhes e rasgos em vermelho escarlate.

Ao caminhar lentamente em direção a Varis, os seus detalhes vermelhos moldam-se em espinhos e chifres, deixando o ladino imóvel perante aquilo.

Olhando a boca grotesca do demônio, ele o viu passando a sua língua que se assemelhava a uma lacrai entre seus os dentes pretos com pequenas manchas de sangue, usando as patas da língua para limpar as sujeiras maiores.

Antes que o demônio desse mais um passo, um balançar dimensional o parou completamente.

— Varis, acorda! — Gritos ecoaram pelo mundo negro e o iluminavam lentamente, causando um fim a escuridão.

O demônio foi desintegrado aos poucos, mas o olhar continuava fixado nos de Varis de forma amedrontadora enquanto desaparecia aos poucos.

Varis abriu novamente os olhos e não reconheceu mais o ambiente a sua volta.

Uma sala de pedra com uma cama de madeira em que ele estava deitado eram tudo que ele pôde perceber de imediato.

A visão embaçada do ladino aos poucos começou a formar outras figuras como mesas, diversos instrumentos usados para medicina, tochas e as figuras de Edward e Parysas o observando enquanto o mesmo se levantava.

— O que diabos aconteceu? – Perguntou Varis, se sentando lentamente na cama de madeira enquanto passava a mão na cabeça, visando amenizar a dor que sentia.

— Você foi pego em uma armadilha. — Afirmou Parysas, enquanto mexia em alguns instrumentos. — Um bruxo havia invadido o orfanato e usou uma magia que lhe prendia numa espécie de transe.

— Então quer dizer que eu fiquei hipnotizado até agora? — Perguntou o ladino, após um breve raciocínio que lhe causou dor no cérebro.

— Sim. — Respondeu Edward. — Mas eu devo agradecer por ter caído na armadilha. Sem ela, o mago teria usado todo seu poder contra mim e eu não teria o derrotado.

Ao olhar para Edward, além da substituição de sua armadura para uma roupa leve, Varis também percebeu marcas de ferimentos que, apesar de cobertas, ainda podiam ser vistas por seus olhos minuciosos e detalhistas.

— Tá me devendo uma — Retrucou Varis em um tom cômico.

— Por agora descanse, amanhã vocês terão uma folga. — Disse Parysas enquanto saia da sala de recuperação, deixando os dois elfos negros sozinhos.

O andar preocupado e apressado de Parysas o faz cruzar os corredores do castelo rapidamente. Em seu rosto uma leve expressão de pânico substituía seu sorriso típico.

Chegando a sala do trono ele se encontrou com Argel, Cérbero e Sansa, que lhe esperavam.

— Ele acordou? — Perguntou Argel.

— Sim, meu rei. — Respondeu Parysas, enquanto se ajoelhava.

Cérbero fez uma leve cara de enojado ao ouvir, “meu rei”.

— Esse é o segundo ataque demoníaco direto a uma cidade em menos de um mês. — Reclamou e apontou Sansa.

— E, igual ao ataque a Monssolus, um cidadão de grande poder era o foco. — Acrescentou Cérbero enquanto se escorava na parede fria de pedra.

— Edward já sabe sobre Crist? — Perguntou Argel.

— Sim. — Respondeu Parysas melancolicamente. — Ele não acreditou de início, mas, ao ver a aura que a envolvia, ele cedeu aos fatos.

— Igual a Bellador, Crist não possuía habilidades mágicas. — Acrescentou Sansa. – O que isso está virando?

— Sansa, me diga, os feridos da vila estão bem? — Perguntou Argel.

— Voltten e Glans ajudaram no tratamento dos feridos junto com alguns médicos, todos parecem bem.

— Ótimo! — Respondeu Parysas levemente aliviado.

— Duas pessoas revelaram um poder mágico incrível em um pouco mais de um mês. — Disse o rei, chamando a atenção do caçador. — Cérbero, o que me diz?

— A aura das duas são realmente espantosas, em comparação as auras de outras pessoas, claro. – Respondeu o caçador vagamente pensativo

— Tem ideia do que poderia ser?

— Não muita, mas não acho que seja coincidência.

Argel passou sua mão pela sua barba enquanto pensava sobre a situação.

— Certo, irei fazer igual a Kaplar. — Afirmou o rei. — Edward, Voltten, Varis e Glans irão para a capital, e Cérbero...

— Sim, sim, eu irei ficar feliz de ir com eles e ficar os protegendo do lado de meu irmão e seremos felizes para sempre em Cartan. — Interrompeu o caçador, completando a frase do rei de forma debochada.

— Não. — Disse o rei, interrompendo e deixando Cérbero levemente intrigado e irritado. — Sansa e Parysas vão para a capital, você acaba de ser promovido para protetor principal do rei.

— O que!? – Perguntaram Sansa e Parysas, igualmente assustados e espantados.

Olhares foram trocados rapidamente entre os dois, a raiva do caçador era aparente, o mesmo pensou em atacar o rei, mas foi parado a tempo por si mesmo.

— Tá bom, eu aceito. — Concordou Cérbero com um tom de voz que mostrou sua clara indignação.

— O que? – Repetiram os dois irmãos, ainda mais espantados com a cooperação do caçador.

— Ótimo! – Exclamou o rei, em sinal de comemoração irônica. — Amanhã conte para os novatos a situação e os afazeres. Irei providenciar uma carruagem para a capital o mais rápido possível.

— Entendido! – Parysas e Sansa responderam, se retirando da sala junto com Cérbero, que quase quebrou a porta ao sair.

Os três trilharam os corredores de pedra e madeira do castelo rumo aos seus quartos.

A figura carrancuda e irritada do caçador preocupou levemente o paladino real, que ficou lhe dizendo elogios na intenção de acalmá-lo, mas até mesmo a simpatia e o carisma de Parysas não eram o suficiente para tirar a raiva e o ódio de Cérbero que os deixou na porta de seus quartos.

Os irmãos decidiram ignorá-lo e adentraram seus aposentos, deitando em suas luxuosas camas e tentaram acalmar seu nervosismo com uma boa noite de sono.

Subindo novamente a torre mais alta do forte e escalando até seu pico, Cérbero se sentou e se acalmou.

Os campos verdes se mesclavam com o preto da vila destruída.

A chuva já havia passado a tempos, mas o céu continuou cinza, ameaçando a chegada de mais uma tempestade.

O caçador olhou os campos ao seu redor, focando na construção de muros gigantes atrás das montanhas, a cidade conhecida como Cartan, mesmo a horas de viagem, podia ser vista quase que claramente pelo caçador.

Lembranças de seu passado começaram a vir à tona, logo Cérbero teve um curto e simples momento de nostalgia.

Apesar de se lamentar diariamente, hoje ele estava vagamente melhor por ter matado o demônio, isso ele não podia negar.

O sentimento da garganta do mesmo ter sido comprimida e o corpo se tornado cinzas em sua frente foi boa. Tal coisa não era sentida a tempos, pois ele não encontrava demônios de alto nível com tanta facilidade.

A lua caiu e trouxe consigo o sol, marcando o início do dia.

A manhã de Parysas foi tomada com a tarefa de explicar a nova missão aos quatro “soldados especiais” que ainda não acordaram.

O quarto era o mesmo, mas uma cama nova havia sido adicionada, tomando assim completamente o pouco espaço livre que havia anteriormente.

Glans quase quebrou a cama com seu enorme peso e sua estatura alta o deixava com os pés para fora do colchão.

Os outros três elfos apenas dormiam sem nenhum problema, apenas leves preocupações.

— Hora de acordar. — Exclamou Parysas com um vago ânimo se escorando na porta aberta do quarto, permitindo assim a passagem de pequenos feixes de luz do sol ao redor de sua silhueta.

Edward e Glans começaram a se remexer, reagindo ao chamado do paladino real.

Ele apenas sorriu tomando o bom humor que o dia anterior o havia tirado.

— Vamos, já é de manhã! — Insistiu Parysas.

Os olhos amarelos de Glans abriram completamente e o draconato se levantou aos poucos.

— Ser de dia? — Perguntou o troglodita de dois metros e trinta de altura.

— Sim, Glans, já é um novo dia. — Respondeu Parysas.

Varis se juntou a Glans e rapidamente se levantou.

— Hoje era meu dia de folga, porque você me acordou? – Reclamou o ladino, piscando seus olhos para arrumar sua visão embaçada de sono. – Você podia ter cutucado as pessoas individualmente.

— Folga? — Questionou Glans, confuso com a palavra que não conhecia.

— É um dia que você não trabalha. — Disse Parysas, ao reparar na falta de conhecimento do draconato.

— Também era meu dia. — Retrucou Edward, sentando na cama e colocando a mão em sua face para bloquear os feixes de luz que atingiam seu rosto.

— E se vocês passassem o dia dormindo não aproveitariam ela. — Disse Parysas com um sorriso que impedia que Varis e Edward ficassem com raiva do paladino real.

Edward tateou seu corpo nas regiões que foi ferido e reparou que, não só não possuía mais dor ou dificuldade em mexê-las, como também não ficou com sequelas ou efeitos colaterais da perda de energia e instabilidade devido ao seu golpe final.

Os olhos do paladino se desviaram levemente para a cama do lado em que Voltten dormia.

— Ei Voltten, acorda! – Disse Edward calmamente.

— Não! – interrompeu Parysas. — Voltten passou o dia anterior curando os feridos da vila, a perda de sangue que ele teve foi grande a ponto de necessitar um repouso maior.

— Desculpe interromper, mas eu e Edward lutamos contra demônios ontem. — Acrescentou Varis levemente indignado com a injustiça realizada.

— Na verdade, vocês lutaram contra um humano. — Revelou o paladino em um tom sério.

— Como? – Questionou Edward, já em pé.

— O ser que lutou com vocês era um usuário de magias sagradas. — Explicou o paladino real — Suas magias eram fortes e ele não era totalmente humano, de fato, mas sua origem era terrena.

— Então quer dizer que ele era como nós? – Perguntou Varis, estupefato.

— Bem.... Tecnicamente falando.

As coisas clarearam um pouco na mente de Edward, que não viu muitos traços demoníacos no inimigo ou em suas magias enquanto lutava com ele.

— Meses treinando e eu não consegui me manter devido às dores.  — Disse Edward, após um suspiro de auto decepção.

— Está melhor que eu, fui pego na primeira oportunidade. — Completou Varis igualmente desanimado.

O clima depressivo tomou conta do lugar e Parysas tentou amenizar a situação.

— Glans, me ajuda... — Pediu o paladino real ao draconato que estava confuso, pois não sabia o que havia acontecido no dia anterior.

— Ajudar? – Pergunta o draconato, não entendendo a situação.

— Esquece. — Suspirou Parysas, após perceber que não poderia contar com Glans.

— É isso! — Exclamou Edward, após recuperar a vontade e a motivação. — Irei me empenhar em dobro, assim terrei energia e força suficientes para usar a Arder de seus Pecados de forma perfeita!

— O que é isso? — Perguntou Varis, virando seu rosto para Edward com curiosidade.

— Edward, você sabe que ainda não está pronto para uma forma perfeita de magia. — Alertou Parysas com preocupação.

— Pronto para que? — Perguntou novamente Varis, confuso.

— Então eu devo me prepara para estar! — Respondeu Edward, já saindo do quarto. — Parysas, vamos! Hoje eu irei dobrar o meu limite!

— Ei! Espera! — Gritou o paladino real ao elfo negro que já estava correndo para a área de treino.

Os dois saíram da sala, deixando Glans e Varis sem entender nada.

— O-Oque? – Perguntou Voltten, acordando levemente. — Eu perdi alguma coisa?

Glans e Varis se encaram vagamente.

– Não sei, falaram, falaram e falaram, mas não disseram nada. – Disse o ladino irritado, se arrumando para tentar voltar a dormir. 

Por Tisso | 19/05/20 às 18:29 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia