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Capítulo 24 - Plano Arriscado para um Fim Curioso

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 24 - Plano Arriscado para um Fim Curioso

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O badalar dos sinos das igrejas locais declaravam oficialmente a chegada da meia noite. O grupo se reuniu uma última vez, antes de seu merecido e tão aguardado descanso em uma cama fogosa e confortável do castelo.

Porém, antes disso, o chamado de Ortros e Parysas para a sala do trono, os tomou completamente seus últimos momentos da noite.

O elfo e o draconato embriagados foram guiados pelo arqueiro sóbrio, que os conduziu pelo caminho certo, puxando e os levantando quando necessário.

Edward acabou de fazer Crist dormir em seus aposentos, a mesma havia explorado o castelo a tarde toda como um novo hobby e passatempo. O paladino foi o primeiro a chegar e logo estranhou o draconato bêbado junto do Cavaleiro Negro, mas se aliviou com a calmaria e auxilio do arqueiro.

Voltten e Sansa foram os terceiros a chegar na sala do trono. Os magos devoraram os livros da antiga biblioteca como se fosse brincadeira, indo desde livros com assuntos mais básicos, aos livros mais requintados vindos de reinos longínquos, alguns além da américa central.

Ao chegarem, os dois também acabam estranhando o estado de Glans e Aquiles, mas Sansa já esperava algo do tipo do Cavaleiro negro, que já tinha essa fama a muito tempo.

Por fim, abrindo a porta da sala do trono, quase que quinze minutos atrasados, Varis e Sagita chegaram. Os dois não trocaram olhares ou julgaram o estado dos companheiros ao seu arredor, apenas se reuniram aos mesmos, completando assim, todos os que iriam receber as ordens de Ortros.

O paladino real, junto de Ortros, os encaravam com um olhar sério e receoso. A coragem para a indagação doassunto foi vinda por parte de Parysas que respirou calmamente, antes de anunciar as notícias.

— Senhores.... Temos uma notícia preocupante, seguida de um plano complicado. – ele afirmou após todos estarem apostos.

— Hum? – Murmuraram quase todos na sala.

— Poderia explicar melhor? – Pediu Varis apressado.

— Nós vamos ter que matar os humanos aliados a Lúcifer que invadirão a cidade. – Afirmou Parysas seguido do espanto vago de todos que o ouviam.

— A capital vai virar um verdadeiro ponto de encontro para bruxos e demônios em menos de uma semana. — Continuou Ortros, deixando-os com mais medo. — Resumindo tudo, um terceiro ser com as mesmas capacidades mágicas e com a mesma aura de Crist e Bellator está vindo para cá, ele chegará em menos de sete dias.

— Outro? – Questionou Edward espantando de imediato dando alguns passos para direção de Parysas.

— Sete dias? – Questionou Aquiles com a voz um pouco desconexa devido a bebida. — Isso é quase uma semana.

Todos dão olhares confusos para ele, mas logo perderam a curiosidade, pois lembraram que ele estava bêbado. Logo eles foram tomados novamente pelas palavras espantosas de Parysas e Ortros.

— E porque estamos sendo avisados sobre isso agora? Não poderia nos avisar antes? – Varis questionou.

— Nós não temos culpa, só tivemos a notícia recentemente. — Respondeu Parysas, entregando a Varis a carta que recebera.

Junto do ladino, Edward, Voltten e James se aglomeraram em suas costas, tentando ler a carta.

— Quem é o remetente? – Questionou Sansa, ignorando a aglomeração e sendo mais direta.

— O governo da Inglaterra. — Respondeu Ortros, deixando o clima pesado e preocupante ainda mais sério.

— Vamos envolver a maior potência magica nisso!? – Perguntou Voltten assustado, deixando os amigos aglomerados e se aproximando rapidamente de Sansa.

— Eles que decidiram entrar nesse caso. — Afirmou Parysas tentando dar conta das perguntas. — Não podemos recusar um pedido de tal país. Apenas uma divisão de suas escolas derrotaria nossos exércitos por completo. Compreendem a situação, não?

Os dizeres de preocupação morreram com a devolução da carta a Parysas.

O silêncio se instalou por breves segundos, mas foi quebrado rapidamente por Edward que, em um ato de extrema confiança a seu superior e paladino real, se aproximou ainda mais do mesmo.

— Qual seria o plano? – Questionou Edward, em sinal de confiança a Parysas, pois sabia que poderia contar com ele para auxilio naquela situação.

O paladino real sorriu animado perante o amigo e se pôs a falar.

— Uma defesa em massa nas duas entradas principais, os guardas ficarão a merecer de vocês e as entradas paralelas serão bloqueadas. – O paladino real encarou vagamente Aquiles. – Aquiles vai saber o que fazer, apesar das aparências ele é um dos melhores estrategistas que temos na região.

— Eu não quero desmerecer nem nada, mas você tem certeza disso? – James interrompeu rapidamente.

— Absoluta.

— Para evitarmos o ataque de demônios que está para acontecer, Parysas e eu já preparamos um feitiço capaz de afasta-los, deixando assim os humanos completamente sozinhos. – Afirmou Ortros, completando as palavras de Parysas de forma rápida e direta.

— Sansa, vamos precisar de você para isso. — Parysas direcionou os olhares para a irmã vagamente pensativa.

— Certo... — a resposta de Sansa era receosa, mas logo ficou com um olhar determinado.

 — Então está decidido! — Afirmou o falso rei, se aproximando do centro do grupo e ganhando o foco do mesmo. — Amanhã desenvolveremos estratégias e planejaremos como vamos fazer a defesa. Por agora, é melhor vocês dormirem para que que possamos pensar melhor amanhã.

Todos concordaram e começaram a se retirar, ao perceberem que a conversa tinha acabado.

Edward, James e Parysas carregarm os dois bêbados, que já haviam desmaiado naquele ponto.

Sansa conduziu Voltten até seu quarto, lhe contando um pouco mais sobre a história do castelo e da capital no caminho.

Varis, como o bom cavalheiro que ele não era, mas fingia ser só para agradar, acompanhou Sagita até a porta de entrada do castelo, não a questionando nunca, pois não sabia a direção que estará indo.

— Então, é aqui que eu me despeço. — Alegou a mulher, que já tinha aberto a porta de entrada do castelo, se pondo para fora em instantes.

— Ei! Espera! – gritou Varis, saindo junto com a elfo negro e tropeçando na escadaria que estava logo a frente.

— O que foi? — perguntou a mulher, ajudando o ladino a se levantar do leve tombo.

— Não vai dormir no castelo? – questionou Varis, passando a mão na cabeça amenizando a dor da queda.

— Não fui contratada do mesmo jeito que vocês. — Alegou a mulher, se pondo a descer a enorme escadaria.

—Como? – continuou Varis, a acompanhando.

Os dois começaram a discutir enquanto, inconscientemente, desciam os degraus da enorme escadaria do castelo de Cartan.

— Eu fui contratada como mercenária, mais especificadamente por sua causa. — Explicou Sagita, fazendo uma pequena expressão de cansaço.

— E onde vai dormir?

— Eu tenho um lugar bom na cidade pago por Ortros. – Sagita disse, apontando para uma rua aleatória próxima.

— Que pena, não vamos poder ficar dormindo no mesmo local. – Lamentou Varis, em tom cômico.

— Aquele castelo tem mais de mil pessoas o frequentando diariamente. – Sagita retrucou incomodada. – Quase não tem privacidade naquele local.

—  Hum... – Varis murmurou enquanto encarava Sagita. – Então temos que procurar outro lugar...

Os dois acabaram de descer a escadaria e pisaram na calçada de pedra, se encarando logo em seguida.

— Volto a lhe ver amanhã, quando vier trabalhar novamente. — Disse Sagita, se virando e tomando o caminho de sua casa.

— Espera! – Interrompeu Varis, lhe agarrando o braço e a puxando pelo mesmo.

O rápido virar de rosto da mulher foi surpreendido pela face de Varis, que rapidamente se pôs em contato com a sua. Os lábios dos elfos se encontram, dessa vez realizando verdadeiramente o beijo.

A lua de prata iluminou os dois assassinos amantes, que se beijaram sob a luz do corpo celeste e das tochas das casas de frente ao castelo.

A ação durou míseros trinta segundos, mas aparentou ter durado dias na mente dos dois elfos, que acabaram a demonstração de amor quase sem folego.

— D-Desculpe, tinha que fazer isso — pediu Varis, recuperando o folego e soltando Sagita logo em seguida.

— Não.... Está tudo bem. — Afirmou Sagita, ofegante e envergonhada.

— Então.... Posso te visitar quando eu puder? — Perguntou Varis, com um sorriso irônico que terminava em suas bochechas rosas e cinzas.

— Talvez seja eu que vá te visitar antes. — Disse Sagita, refutando o pedido do ladino e recuperando seu folego por completo.

— Melhor ainda. — Respondeu Varis, que aparentava estar nas mesmas condições.

Os dois sorriram como resposta um para o outro e se despediram.

Porém, ao virar sua cabeça para o caminho de volta para o castelo, Varis se deparou novamente com seu mais novo inimigo, a enorme criatura imóvel que o elfo passou a temer devido ao seu sedentarismo habitual: as enormes e extensas escadas do castelo da capital.

— Tem certeza que eu não posso ir com você? – Perguntou Varis a Sagita, que acreditara ainda estar atrás dele. Porém, não estava. – Eu não tô com saco pra isso...

Um lamentar mental foi feito por Varis que se pôs a subir os frios e duros degraus da escadaria, ação essa que foi repetida centenas de vezes até que ele chegasse no final do caminho.

Com a respiração ofegante e o cansaço lhe dominando, Varis abriu a porta sendo recebido por um eco misterioso e levemente assustador.

— Achei que não iria voltar mais, estava ficando preocupado. — A voz aparentou não ter origem especifica, mas era estranhamente familiar para o ladino.

Varis entrou no castelo e se assustou ao ouvir o estouro da porta, que se fechou logo após sua passagem. Acumulando energias reservadas, ele se jogou no chão, antecipando um ataque. Varis rapidamente sacou suas adagas de sua cintura e quase as arremessou na direção de onde acreditava ter ouvido a voz.

— Se você quer brigar, recomendo que façamos isso em outro lugar. — respondeu Ortros, se revelando atrás da porta e aparando a atitude do Ladino.

O brilho das tochas, deixa a figura do falso rei completamente exposta e reconhecível, fazendo com que Varis desarme o ataque que havia preparado.

— Foi um beijo e tanto, não acha? – perguntou Ortros, estendendo a mão para que Varis se levantasse.

— A quanto tempo você está me observando? — questionou Varis, enquanto aceitava o gesto de Ortros.

— Desde que saiu do castelo. Não é muito seguro deixar um assassino a solta por aí não acha?

O ladino encarou o falso rei com um olhar desconfiado e rancoroso perante o diplomata.

— Cérbero sabe do que eu fiz, de alguma forma. – Disse o ladino com a voz parcialmente gelada enquanto guardava suas adagas. – Ele deve ter lhe contado, não?

— Sim, ele contou, até mais que o necessário na verdade. — Afirmou Ortros, caminhando para dentro dos corredores. – Não só para mim como para os que precisassem saber.

— Ei! Espera! – Afirmou Varis começando a acompanhar Ortros quase tropeçando novamente. — Sendo assim, ele também deve ter falado de meus novos planos para a vida também.

— Sim, ele contou também, mas não vou aceitar uma simples desculpa dessas como motivo para te deixar livre, pelo menos por enquanto. Normalmente eu sou o juiz desse tipo de caso.

— Já esperava coisa do gênero. – Ele afirmou de forma desleixada enquanto escondia seus reais pensamentos. -- Pelo menos pode não me chamar de Edgar?

— Claro.

— Obrigado. – O ladino se espreguiçou vagamente enquanto seguia o falso rei pelos corredores. O ar ao seu redor voltou a ficar descontraído novamente. – Sabe, você não é nada do que o Cérbero falou.

— O que? – Ortros parou por alguns segundos e se virou para Varis curioso.

— Ele disse que você era chato e irritante e algo sobre soco na cara, mas você é uma pessoa calma e compreensiva.

— Pelo visto meu irmão continua irresponsável. — Deduziu Ortros com um tom nostálgico, relembrando seus velhos tempos. – Faz tempo que não nos encontramos.

— Sim, ele está e muito. — Reforçou Varis, comprovando a dedução de Ortros.

— Não o culpe, não sei como explicar, mas Cérbero é uma pessoa que passou por muitas coisas ruins até chegar onde ele está hoje. – Ortros afirmou com um tom agoniante sério, como se compartilhasse parte da tal dor de Cérbero.

— Tá bom, ele fez o que? Irritou um padre e jogaram uma maldição nele?  – Debochou Varis, mesmo sabendo dos poderes mágicos incríveis do caçador.

— Não... — respondeu Ortros, adotando cada vez mais uma postura séria. — Diria que se embriagou de falsas esperanças, quando a realidade veio à tona... – Ortros parou de falar vagamente. – Enfim.

Varis e Ortros pararam de caminhar pelos corredores e terminaram diante de uma porta de madeira refinada que parecia leve, mas firme.

O falso rei estendeu sua mão e girou a maçaneta, revelando o quarto de luxo que estava atrás da porta.

— Aqui, esse é seu aposento. — Apontou Ortros, adentrando o local e acendendo as velas do local para dar uma vaga iluminação ao ambiente.

— Este é um belo lugar. — Afirmou o ladino, colocando suas armas e mochila na cama.

— Varis, posso lhe pedir uma coisa? — Perguntou Ortros em um tom levemente envergonhado e sem jeito.

— O que? – Questionou o ladino voltando o foco ao falso rei.

— Por favor, não caçoe mais de meu irmão. – A voz calma de Ortros era confortante e nada condizente com o tom ácido e caçoador de Cérbero, quase um deleite para os ouvidos. – Sei o que a aparência e ações dele aparentam, mas queria que tivesse o mínimo de respeito real perante ele, algo que não seja por medo.

Varis ficou pensativo por um breve momento, tomando uma posição seria sobre o assunto.

— Posso pedir uma coisa em troca? – Perguntou o elfo negro em mesmo tom.

— O que seria? – Ortros questionou de forma vaga e receosa sobre o tal pedido.

— Você pode contratar Sagita por um período grande e indeterminado e de preferência grande?

Ortros olhou impressionado com o pedido tão casual. Vendo que o plano de seu irmão deu certo, ele sorriu vagamente.

— Claro. — Afirmou o falso rei com um leve animo. – Farei imediatamente.

— Então, acho que temos um acordo. — Completou o ladino estendendo a mão aberta para Ortros em sinal de amizade.

— Sim, nós temos. – Ortros realiza o aperto de mão de forma amistosa e confiante.

 

Por Tisso | 09/06/20 às 18:43 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia