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Capítulo 25 - Inicio das Defesas

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 25 - Inicio das Defesas

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O tão esperado e aguardado dia havia chegado.

Os dois portões principais contavam com inúmeros guardas os rondando desde a primeira metade da manhã, isso sem contar as entradas e saídas paralelas que tomaram a presença dos outros guardas disponíveis.

Os três elfos – que já podiam se considerar vagamente “amigos de longa data” naquele ponto – comandavam as tropas do portão ao leste, enquanto Glans, Aquiles e James tomavam conta do Oeste.

Ambas as entradas eram ruas movimentadas com inúmeras pessoas e carroças a passar por elas, mas que aos poucos a movimentação ia diminuída devido ao planejamento que visava a prioridade da missão, tornando dos campos um lugar fantasma.

As estruturas de pedra branca dos muros, que rodeavam a capital, eram ocas por dentro e possuíam várias janelas, onde arqueiros se apoiavam e pegavam visão panorâmica sem arriscarem suas vidas. Seu interior era semelhante a um quartel militar, com exceção dos dormitórios, que naquele caso, eram inexistentes.

Em dois cantos opostos da cidade e em seu centro, duas esferas de energia branca e uma verde se formavam e se expandiram, crescendo a ponto de tomarem conta de inúmeras regiões além dos muros, tendo seu fim em quase cinco quilômetros além deles.

Às seis horas da manhã daquele dia, começava o evento que daria início a defesa em massa mencionada por Parysas e Ortros. Proteger o reino de humanos modificados como o de Kranbar e escoltar o terceiro “ser de poderes incríveis” para dentro do castelo.

Falar os objetivos em voz alta soava impossível, principalmente para Edward e Varis que em parte já chegaram a enfrentar um. Ao exato fim do nascer do sol, um inimigo se destacou nos arredores do castelo.

Era uma figura semelhante a uma mariposa, mas essa possuía inúmeras vezes o tamanho convencional. Se materializou da união de sombras e fumaças simplesmente emergiu do nada. Seus olhos eram brancos e sem vida, seus movimentos eram precários, mas ficou óbvio que ele estava a vir na direção os muros.

 Edward e Varis se assustaram vagamente com o nascer do demônio, mas ambos não recuaram nem sacaram suas armas, apenas observaram receosos.

Os dois elfos negros já estavam levemente fora da cidade, vigiando seus arredores, então sabiam que recuar poderia prejudicar e atrapalhar a estratégia pré-pronta.

Quando o ataque do demônio aconteceu, ambos não sabiam direito o que fazer. O inseto se pôs em rota de voo, rumo o muro que seria atravessado facilmente devido a habilidade de voo do demônio.

Porém, o esperado ocorreu e ambos viram o ser demoníaco entrar em contato com a barreira quase invisível, queimando e virando pó quase que instantaneamente.

— Então era isso que eles estavam dizendo sobre “barreira mágica”. — Afirmou Varis ao se surpreender vagamente com a simples morte do demônio.

— Assim como Ortros disse, eles não decifraram a rota do terceiro ser até agora. — Complementou Edward tirando, o escudo de suas costas para se necessário. — A barreira vai impedi-los de armar uma armadilha envolvendo demônios...

— ...Tornando dos humanos nossa única preocupação. — Terminou Varis engolindo sua saliva lentamente.

— Exato!

— Tem alguma chance deles me hipnotizarem de novo?

— De acordo com Parysas, a barreira ameniza as forças de magias que não sejam brancas ou de Tac Nyan, mas não as elimina por completo.

— Isso não me causa muito ânimo, mas acho que dessa vez eu vou conseguir. – O ladino afirmou em um deboche que intrigou Edward.

— Algo lhe dá tanta certeza? – O paladino questionou olhando para o colega, enquanto o mesmo se espreguiçava.

— Eu tenho um motivo para, eu acho.... Ou algo assim que as pessoas como você diriam.

— Hum? Sério? — Questionou Edward impressionado.

— Se considerar uma amante para proteger um motivo.

— Vindo de você, isso não me impressiona tanto. — Afirmou Edward rindo vagamente. — Mas quem é?

— Como?

— A pessoa?

— Sagita.

— “Sagita”?

— A mulher do capuz roxo que foi contratada por Ortros.

– Ah...

-- Você achou que era uma prostituta aleatória, não é?

-- Eu não disse isso.

-- Mas pensou.

– Não achei que vocês iam se enturmar tão rápido a esse ponto. – Edward desvirtuou vagamente do assunto.

— Na verdade, eu e ela temos um pequeno histórico...

— Hum? E qual seria?

– Hum... – O ladino se questionou se valeria a pena falar algo sobre seu passado controverso, mas logo cortou esse pensamento. – Nada demais.

Edward não se surpreendeu. Varis sempre foi o tipo de pessoa que nunca falou coisas privadas, demorou meses para ele compreender a utilidade das bolsas de corrente em suas axilas por exemplo.

O ladino escondia todas as ligações com seu passado, enterrando na beira do mundo e trancando tudo a sete chaves. Aquilo foi um dos maiores motivos dele temer a simples menção do “Edgar” em seu nome.

Depois de certo tempo, ao olhar para o horizonte, tanto Edward quanto Varis avistaram cachorros de médio porte se aproximando em pequenas matilhas.

Tais cães possuíam a pele deformada e queimada junto de olhos brancos sem alma, o que deixava óbvio que eles eram demônios.

– Devemos nos preocupar? – Perguntou Edward, apontando para as matilhas ao seu arredor.

– Não esquenta. – Afirmou Varis ao identificar o que era os inimigos. – São crias de Carniçais, vão virar pó só de entrar em contato com a barreira.

– Então só temos que esperar aqui e matar um demônio que seja forte suficiente para atravessar a barreira e para combater os humanos alterados.

– Exatamente. – Disse Varis dando uma breve risada. – Até que Cérbero ensinou coisas boas.

–Hum? – O paladino olhou rapidamente para o ladino, enquanto os cães se aproximavam.

– Você sabe o que é um Carniçal? – Indagou Varis olhando para as crias de Carniças, com uma cara de escárnio.

– Não, pelo menos não muito. – Edward colocou a mão no queixo pensativo. – Lembro-me de que Parysas comentou sobre eles uma vez, mas bem vagamente. Demonologia não fica muito na minha lista de treino, se encaixaria para alguém que visa ser caçador ou coisa do tipo.

Varis riu vagamente, enquanto sacava suas adagas.

– Um Carniçal é um demônio que possui um cadáver, deixando o ser com fome tremenda. Eles se diferenciam por ocuparem um corpo já morto, enquanto a maioria dos demônios possuem um ainda vivo ou usam de pura magia para construir seu avatar.

Varis começa a girar uma de suas correntes, enquanto esperava o momento certo que os cães iriam chegar.

– Carniçais também possuem sexo, isso os faz terem crias, mas elas são extremamente fracas. – O ladino complementou.

Ao se aproximar o suficiente de Varis, um dos cães recebe do mesmo uma chicotada com suas correntes, que fez sua adaga rodear seu pescoço e finalizar com a ponta da arma na cabeça da criatura.

Varis puxou rapidamente a corrente para si, decapitando por completo uma das crias.

– Viu? – Questionou o ladino, enquanto mostrava para Edward a cabeça decapitada, desnutrida e asfixiada da cria demoníaca. – Um único golpe pode matá-los. O seu foguinho pode ser útil. – A cabeça segurada aos poucos começou a deteriorar e virar uma espécie de pó preto, já conhecido pelos dois elfos negros.

O paladino olhou calmamente, o mesmo aconteceu com as outras crias, que nem conseguiram se aproximar dos dois. Mesmo com a calmaria, sua espada foi sacada e a oração memorizada em sua mente para um uso rápido.

No outro portão da capital, Aquiles estava em um palanque, explicando aos guardas que se agrupavam os montes sua frente. James e Glans o observavam de longe.

Escorados em uma parede a poucos metros de Aquiles, os dois se viram contemplando suas armas por comodidade.

James girava uma fecha como uma caneta, já Glans observava a grande e pesada arma que lhe foi dada.

Um cabo de madeira, enfeitado com panos vermelhos que o rodeavam junto com cordas temáticas. No final do cabo, concavidades de ferro terminavam em afiadas lâminas que tornavam. Um machado de duas faces extremamente eficiente e uma arma pesada de primeira linha.

Forjado por um ferreiro local de confiança de Ortros, fora embutida por Sansa uma magia básica que a tornava mais leve em comparações a outras, magia essa que demorou para entrar em sintonia com o draconato, mas fora feito.

— É um belo exemplar, não acha? – Perguntou James tentando iniciar uma conversa com o draconato.

— Ser. — Confirmou Glans.

— Acha que consegue carregá-lo com apenas uma mão?

Mesmo com a magia embutida, o machado ainda era pesado. James sabia disso, logo propôs esse desafio.

O draconato tirou sua mão esquerda do cabo da arma e reparou de imediato a alteração no peso, mas sem demonstrar o mínimo alterar físico, ele continuou a empunhar a arma com força bruta.

James sorriu com uma expressão de espanto.

— Acho que foi uma benção ter você no plano. — Afirmou o arqueiro, dando tapinhas básicos nas costas do amigo.

— Benção? Isso ser bom? — Questionou Glans.

— Sim, Glans, é bom. — Respondeu James, em um leve tom cômico.

— ...E isso é tudo! — Finalizou Aquiles se retirando da posição de destaque que estava.

Os guardas saíram para seus devidos postos, enquanto o cavaleiro andou fixamente para Glans que demonstrava a força tamanha que possuía.

O encontrar do elfo ruivo com o draconato distraído e do arqueiro careca foi marcado com uma proposta.

— Quem matar mais demônios maiores hoje pode beber à vontade na taverna. — Afirmou Aquiles para os dois que pararam de contemplar suas armas.

— Como? – Questionou James confuso.

— Os dois derrotados pagarão as bebidas consumidas pelo ganhador. — Explicou o elfo com um leve tom sádico em sua voz. — Topam?

— Aceito. — Respondeu Glans quase que imediatamente.

— Glans! — Reclamou James logo em seguida.

— Feito! — Respondeu Aquiles.

— Glans, porque você aceitou? — Perguntou o arqueiro segurando sua raiva do cavaleiro.

— Bebida ser bom, certo? — Respondeu o draconato, não compreendendo a situação por completo.

— Sim, é bom... — Respondeu James, com um tom claramente nervoso em sua voz.

—Tem certeza que não quer participar James? — Questionou Aquiles, se intrometendo na conversa de forma irônica.

— Aquiles, quero falar com você só um minuto. — Afirmou o arqueiro, levando o cavaleiro pelo braço para longe de Glans, o elfo cedeu e o acompanhou quieto.

Os dois se afastaram o suficiente para que o draconato não os ouvisse.

— Porque você quer tanto competir com Glans? — Perguntou James, segurando sua indignação e raiva para não gritar perante a infantilidade do elfo.

— Eu não quero só competir com ele. — Respondeu o cavaleiro com um calmo tom de voz.

— Mesmo assim, porque você quer tanto competir?

— Entenda, eu tenho meus motivos. – Respondeu de forma quieta. – Ele manchou meu posto de Cavaleiro Negro.

— Ele só te ganhou no braço de ferro, não foi nada demais!

— Para mim foi, eu sou conhecido por ser o mais forte de meu clã, a única coisa que ainda tenho de reconhecimento. – Afirmou Aquiles, de forma fria e orgulhosa. – Perder em uma simples queda de braço prova, que eu não sou o suficiente.

— Isso não faz sentido... – lamentou James, percebendo que ele era um caso perdido.

— Iria fazer se você fizesse parte de meu clã. – Aquiles ironizou.

— Eu já disse, não vou entrar em nenhuma organização!

— Então, você nunca vai entender o motivo de minha competitividade.

— Você é idiota, esse é o motivo...

— De qualquer forma vai aceitar ou não? – Aquiles interrompeu de forma direta.

James deu um enorme suspiro de raiva, soltando parte de sua ira e respondendo:

— Tá, eu aceito.

— Ótimo.

Os dois voltaram para perto de Glans, que estava confuso, mas Aquiles o acalma.

– Vamos lá, escamoso, vamos matar uns demônios. – Aquiles afirmou levando Glans para o portão.

– Aquiles, uma pergunta. – Interrompeu o arqueiro de forma fria, calculista e extremamente profissional. – Na realidade uma exigência.

– Hum? – o cavaleiro se virou vagamente assustado.

– Eu preciso de um cavalo. – O cruzar dos olhares entre o cavaleiro e o arqueiro espantou o militar que nunca tinha visto aquele olhar na vida. Era algo extremamente frio e focado no mundo a sua volta, quase que reconhecendo cada detalhe de forma sobre-humana, algo impossível vindo de um humano comum.

– Um cavalo...? – O cavaleiro refletiu, enquanto se distraia com o fitar do arqueiro. – Não seria mais útil ficar atirando nas janelas do muro?

– Não, não. – Retrucou James rapidamente se aproximando alguns passos, ficando quase que numa distância corpo-a-corpo com Aquiles. – Um cavalo, o mais veloz possível, de preferência um branco.

– Você vai ser um jóquei ou um arqueiro? – Ele questionou, quase que o atacando por instinto.

– Eu vou cumprir meu papel, não se preocupe. – James enfatizou. – Só preciso de um cavalo.

Os dois se encararam enquanto Glans ficou parado confuso. Aquiles pegou um pedaço de metal com a figura de Tac Nyan estampada de forma perfeita e a jogou para James.

– Você sabe onde fica os estábulos, pega um e vai para o campo de combate. – Disse Aquiles, se virando e seguindo o seu caminho original. – Vamos Glans!

– Hum? – O draconato se confundiu novamente, mas logo seguiu o companheiro elfo.


...


Opa, essa parte é só uma nota do autor, se quiser ignorar ta de boa.

Obrigado a todos que estão acompanhando a novel e aos que estão acompanhando os contos e a segunda novel que eu posto no fórum da Saikai. Vale a pena dizer que tem outras obras que se passam no mesmo universo dos 6 lendários e que não tem spoiler se quiserem ver.

Essa é a primeira vez que faço um comentário em 25 capítulos, mas eu acho que vou fazer disso não tão raro eu acho. As últimas coisas que eu tenho a dizer é agradecer ao Paragon que ta sempre nos comentários compartilhando teorias, inclusive se alguém quiser fazer uma pergunta off topic ou compartilhar uma teoria eu até incentivo a fazerem isso e a ultima coisa é recomendar a novel do meu revisor (Matheus Freitas) a Sentimento Zero: Projeto Serafim (SZPS).

Obrigado pelo apoio, Say ya


Por Tisso | 11/06/20 às 16:48 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia