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Capítulo 27 - Invasão

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 27 - Invasão

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Os instintos de James o colocaram em alerta completo, aquela aura era algo que ele nunca tinha sentido antes. Em uma mistura de desespero e pânico, o mesmo ficou em pé em cima de seu cavalo e realizou um salto, se jogando na carruagem, ficando agachado em seu teto.

— O que!? – Exclamou o guarda assustado. – O que diabos você está fazendo!?

James recuperou a consciência de seus atos e rapidamente respondeu.

— Comande este veículo até aquele portão! — Apontando com seu indicador a direção, o arqueiro se estabilizou no teto da carruagem. — Seremos atacados em breve!

O guarda pensou em refutar o arqueiro, mas o desconforto que a presença causou, o impediu de pronunciar qualquer palavra contra.

Os olhos do arqueiro trilham os horizontes ao seu redor infinitamente mais rápidos do que da última vez. Seus dedos começam a tremer e sua mira já não estava tão precisa quanto antes.

Os humanos modificados seguidores de Lúcifer estavam lá, era certeza.

Aquiles e Glans recuaram enquanto os guardas protegiam o caminho.

Os arqueiros cessaram as saraivadas, esperando o sinal do Cavaleiro Negro para poderem sacar seus arcos novamente e efetuarem uma nova onda de flechas direcionadas.

James desviou seus olhos para todos os lados a procura do inimigo, mas não conseguiu o encontrar. Porém, por algum motivo que ele não poderia explicar, ele sabia que eles estavam ali, em algum lugar o acompanhando.

A única coisa que o arqueiro podia afirmar com certeza era que aquilo ia além de uma sensação desconfortável, sendo considerada algo como um arder infernal em sua alma.

Como um trovão ele chegou em uma velocidade extrema, assustando todos a sua volta.

Um ser humanoide encapuzado, semelhante ao enfrentado por Edward em Kranbar, surgiu de relance nas costas do arqueiro que tinha seu foco tomado pelo portão principal de Cartan.

Como o homem chegou lá, de onde ele vinha ou como ele chegou tão perto era um mistério que pouco importava para o arqueiro naquele momento. O medo fluiu rápido pelas veias de James, que percebeu a presença do inimigo momentos antes dele o atacar.

Em um ato de evasiva misturado com um contra-ataque, o arqueiro se jogou para frente, ainda se mantendo no teto da carruagem, ele armou uma flecha que foi projetada logo após o alvo entrar em sua linha de visão.

O projétil cortou a curta distância que havia entre os dois em segundos, mas foi interceptado pelo inimigo que o bloqueou com um bastão de metal. James, ao analisar bem a arma do inimigo, a identificou sua foice feita inteiramente de um metal negro com pequenos detalhes roxos.

— Não esperava que vocês demorassem tanto. — Afirmou o arqueiro, pegando lentamente uma segunda flecha de sua aljava, que ainda estava recheada de projéteis.

O arqueiro não conseguiu esconder sua agonia, mas a camuflou com um escudo falso de confiança. Isso foi o suficiente para se manter em pé e com a arma em mãos.

— Nós não iríamos deixar uma oportunidade como esta escapar se me entende. — Respondeu o ser encapuzado, empunhando a foice e caminhando pelo teto da carruagem com um extremo equilíbrio.

— O que está acontecendo!? – Gritou o guarda que conduzia o veículo. A essas horas o mesmo já estava cogitando abandonar a missão devido ao medo, mas uma pressão imposta o fazia permanecer lá.

— Apenas continue pilotando! — Disse James já pensando sobre seu próximo movimento. — Eu cuido dele!

O arqueiro encarou os dois riscos vermelhos que formavam os olhos do inimigo.

Com uma flecha armada em seu arco e percebendo os movimentos do braço do inimigo, James já antecedeu a ação e atirou onde ele achava que iria estar o antebraço do “humano” após sua reação de desvio. Ele havia acertado.

— Uma simples flecha não irá me ferir. — Afirmou o inimigo como uma espécie de deboche, ele estava completamente estável.

O inimigo havia se jogado levemente para a direita, mantendo o impressionante equilíbrio em meio ao veículo em pleno balanço. Em seu antebraço, a flecha estava cravada, porém ela não havia feito nem metade do dano que faria normalmente.

Um leve borbulhar, misturado com uma pequena fumaça e um cheiro de borracha queimada emanaram da ferida, que rapidamente sumiu com a retirada da flecha feita pelo ser encapuzado, que agora possuía um furo simplório em sua manta.

James mordeu os lábios, o xingando de uma forma indireta. Tal mensagem foi lida pelo inimigo, que riu sadicamente. A carruagem estava a poucos minutos de chegar ao portão e o efeito da magia do inimigo estava sumindo, porém ele ainda estava longe de morrer.

James continuou disparando flechas que foram boa parte evitadas pelo inimigo que as defendeu com sua arma, enquanto as flechas estavam prestes a colidir consigo. Faíscas emanaram e o sangue de James escorreu lentamente, após alguns golpes que o ser encapuzado conseguiu acertar.

De início, eram apenas o ataque do bastão, mas a magia que vinha depois deixava severos danos.

Naquela pequena luta, o arqueiro já estava sentindo a dor extrema que o ser conseguiu proporcionar com suas pancadas mágicas. Resultando em inúmeros danos internos em diversos locais.

— Se desistir agora, eu irei lhe poupar, e te deixarei continuar com uns dois membros talvez. — Ironizou o inimigo fazendo uma proposta debochada ao arqueiro que estava de joelhos em sua frente após uma sequência de golpes.

A respiração ofegante do arqueiro evidenciava seu cansaço e, com um leve desviar do olhar ele notou o portão, sua salvação.

— Obrigado, mas... — James virou seu rosto para o ser encapuzado, fazendo seus olhos emanarem um estranho brilho vermelho, que surpreendeu o demônio. — ...eu recuso a oferta.

O arqueiro, em seu último ato, se jogou da carruagem em movimento, se chocando com o chão e quicando duas vezes até parar de se mover por completo.

O inimigo estranhou essa atitude, mas decidiu ignorá-la, voltando sua atenção para o seu real objetivo. Então que ele se surpreendeu. Aquiles e Glans se projetavam em sua direção com um salto de quase dois metros, ambos com as armas preparadas para um ataque aéreo que seria certeiro.

Após perceber a situação, o ser encapuzado compreendeu a ação do arqueiro, ele havia deixado suas últimas esperanças em seus dois companheiros que estavam prestes a lhe atacar.

— Para um Príncipe, depender de seus amigos é algo estranho. — Afirmou o ser encapuzado, sem nenhum medo ao encarar o elfo ruivo e o draconato. — Talvez eu o leve de volta para o inferno após essa missão...

O homem empunhou sua foice com apenas uma das mãos e, com uma extrema força mágica, ele desferiu um golpe com a lâmina de energia no peito de Aquiles.

O elfo teve sua armadura perfurada e seu peito aberto por um corte insano.

Glans encarou o amigo em pleno ar se propulsionado para trás devido a magia, seu sangue espirrando aos montes decorava aquele ataque que quase lhe arrancara a vida.

Olhando para o inimigo novamente, Glans percebeu que o ataque ainda não tinha acabado.

Em seguida, a lâmina da foice, ainda energizada, afundou no abdômen do draconato, fazendo com que sua pele escamosa adquirisse um buraco roxo feito pela arma, que agora estava ensopada de sangue.

Após ser perfurado, Glans foi jogado para longe com o golpe.

Com uma ação final, o ser encapuzado rogou uma rápida maldição que fez que todos os soldados que bloqueavam sua passagem entrassem em desespero, liberando o caminho facilmente.

Logo em seguida, ele se pôs a descansar os músculos.

Os três ficaram para trás, agonizando de dor no chão que antecedia o portão. A carruagem agora carregava não só seu objetivo, mas também um inimigo infiltrado.

O ser encapuzado estendeu sua mão para o soldado que pilotava a carruagem, da ponta de seus dedos, uma aura negra surgiu, invadindo-o crânio e o hipnotizando.

— É como o mestre disse. — Afirmou o ser encapuzado olhando para suas mãos. — Essa barreira diminui meus poderes mágicos, mas sem problemas, só devo seguir até o castelo.

Os elfos negros chegaram ao segundo portão principal a tempo de verem os guardas fugindo de combate, um após o outro, perante a maldição proferida pelo humano que servia aos demônios.

Independente de quantos soldados tentaram lutar contra aquilo, de quantas flechas os arqueiros atiravam, de quantos golpes foram desferidos contra ele por pessoas ainda sãs tentavam acertar, nada adiantava.

A foice rebatia as flechas com giros, atravessava as armaduras com cortes normais e arranhava fortemente a pele dos pobres soldados que já se consideravam derrotados.

Porém uma única esperança poderia surgir com as ações de Varis.

— É melhor você tratar os feridos. — Sugeriu Varis, analisando a parede de uma casa próxima à onde os dois elfos estavam. – Eu vou tentar surpreendê-lo.

— Você quer lutar contra ele sozinho? – Questionou Edward compreendendo as intenções de Varis ao analisar as paredes ao seu redor.

— Eu sou o único que chegaria a tempo de confrontá-lo, não acha? — Afirmou o ladino enquanto analisava a parede.

— Ele é mais forte do que aparenta, mesmo sem poder mágico. Há a chance de você não ganhar. – Edward afirmou receoso, enquanto via o inimigo sumir lentamente de sua linha de visão.

— Confia em mim. — O elfo negro correu para a parede, se agarrando em pequenos pontos de apoio quase invisíveis à primeira vista. Em menos de dez segundos, ele já estava em cima do telhado das casas do local. — Eu também não sou tão fraco assim.

Edward ficou receoso, mas cedeu e concordou com o ladino balançando a cabeça, se virando para ver os feridos.

 Varis começou a escalar e percorrer os telhados dos prédios e casas da capital, rumo ao encontro com o inimigo.

O paladino se pôs a caminhar na direção dos soldados caídos com a intenção de ajudar os feridos. Porém, mal sabia ele o estado em que seus amigos Glans e Aquiles se encontravam.

Quando os viu, ele teve pequenos ataques no estômago e quase vomitou.

O peito de Aquiles teve a armadura completamente queimada, a um nível que, o corte no metal ficou com quinze centímetros de abertura e o de seu peito com quase seis.

O sangue que saía já havia formado uma gigantesca possa ao redor.

Olhando para os lados, em busca de mais feridos, Edward encontrou Glans consciente, com a mão em seu abdômen que também escorria sangue.

Porém, ao contrário de Aquiles, suas escamas fizeram uma espécie de proteção natural, o que amenizou o corte.

– Aquiles... – O draconato virou sua cabeça lentamente, ainda deitado ele o encarou preocupado.

– Glans, você está vivo! – Edward gritou aliviado, mas ao mesmo tempo preocupado com o estado do cavaleiro em sua frente.

 “Eu poderia tentar cura-lo com mágica, mas nunca me foquei nisso”. Pensou o paladino, olhando cada vez mais profundamente para aquele corte que fizeram no peito de seu amigo.

– Não conseguiria levá-lo para Voltten. – Afirmou Edward se ajoelhando e colocando a mão no peito do elfo enquanto chorava de receio. – Desculpe, Aquiles, eu não sei se isso vai ajudar, mas vai ter que servir.

Edward se concentrou com toda sua força e, usou de energia mágica na mão que estava em contato com o peito de Aquiles, para tentar fazer um tratamento improvisado.

Logo a energia se manifestou de forma precária como raios verdes, que iam desde o ombro do paladino até sua mão, a mesma em seguida foi conduzida para o corpo do cavaleiro desacordado, que recebeu a energia santa que atuava como uma magia de cura precária.

Um estouro pequeno de energia veio do corpo de Aquiles, que se contraiu completamente.

– Aquiles! – Edward gritou de agonia enquanto as correntes elétricas remexiam no funcionamento cerebral e em suas memorias. – Não é sua hora ainda!

O paladino começou a colocar mais energia em sua magia. As correntes elétricas, ficaram cada vez mais fortes e visíveis para as pessoas de fora.

-- Vamos! Levanta! – Aos poucos a magia descontrolada começou a mexer com sua memória, dando a ele choques históricos de seu período em guerra. Brevemente uma silhueta negra se formou no ser de pele pálida a níveis extremos sorrindo com seus dentes de perola que lhe estendeu a mão. Por segundos ele apareceu e em seguida sumiu. – Vamos! Vamos!

A corrente elétrica começou a arrepiar e a fritar vagamente os cabelos pretos do paladino, que continuava sem ligar para o mundo ao seu redor, perdido nos feixes de memória. Aos poucos os urros de soldados amigos a cair vieram à tona, figuras e rostos que um dia já foram familiares lhe queimaram a retina enquanto ele continuou as correntes elétricas.

– Vamos! Você tem uma família lhe esperando não! – Edward sentia aos poucos o efeito do cansaço lhe consumindo enquanto a silhueta se desfez em cinzas. – Vamos.... Fique com a gente! Eu sei... que você...

Edward caiu sem forças para o lado. Agora ele também estava deitado no chão, mas o mesmo conseguiu ver os pés de uma pessoa na frente de Aquiles.

Com suas últimas forças ele viu seu rosto e percebeu James abrindo um cantil e derramando um líquido esverdeado no corte de Aquiles. Atrás do arqueiro, Glans se levantava lentamente, ainda com a mão no corte que parecia já ter cessado o sangramento.

– Para um paladino que não sabe curar você mandou bem, Edward. – James afirmou enquanto averiguou o ferimento calmamente. A postura do arqueiro também parecia machucada, mas o mesmo conseguia andar sem muitos problemas. – Esse líquido vai impedir infecções e os tecidos serão curados lentamente, agora só precisamos esperar os médicos chegarem. Você pode descansar agora, Edward.

O paladino lentamente fechou os olhos, enquanto sentia espasmos involuntários.

 

 

 

Por Tisso | 18/06/20 às 12:49 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia