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Capítulo 33 - As multidoes da cidade

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 33 - As multidoes da cidade

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

As comidas do estabelecimento eram das mais variadas e peculiares possíveis. Indo desde carne de camelo a carapaça de vermes gigantes. O banquete feito pelo grupo era minimamente enjoativo.

Glans conseguiu comer com facilidade tudo que veio em seu prato, estranhamente Varis também, mas o ladino teve preferência a carnes mal passadas e quase cruas.

Os demais do grupo ficaram com nojo das comidas estranhas e comeram o mínimo do mínimo possível, tudo para não precisar se esbaldar naquela culinária peculiar, apenas o que era normal para seus olhos.

Após a refeição, os seis saíram da estalagem já reparando o fluxo maior na rua. James e Varis perceberam as manchas de sangue onde estava o corpo do homem que os conduziu para lá.

-- Certo, acho que é hora de começarmos a busca. – Disse Varis, olhando em volta procurando uma parede para subir.

-- Ei, calma lá. – Edward o interrompeu, o segurando pelo ombro antes que ele fizesse qualquer coisa. – Não vamos sair por aí aleatoriamente.

-- Edward está certo. – Voltten pegou de sua mochila um mapa da cidade. – Estamos em seis, então vamos dividir a cidade em três partes.

Todos observaram o mago a passar o dedo pelo mapa, dividindo toda a capital em três fatias.

Pegando como ponto de referência principal o coliseu, Voltten separou o sudoeste e sudeste da cidade, logo em seguida apontou para cima que era a suposta área rica.

-- Devemos pensar bem sobre quem ir com quem. – Voltten olhou em volta e apontou para Glans, que não entendia direito o que o mago estava a fazer. – Você vem comigo. Preciso de um guarda-costas para se algo acontecer. Nós vamos para o sudeste.

-- Sim. – Glans concordou de peito erguido, mesmo não entendendo direito o que deveria fazer.

-- Edward e Varis. – Voltten chamou a atenção dos dois elfos negros rapidamente. – Vocês ficam aqui na área sudoeste. Varis vai conseguir lidar melhor e Edward vai te conter caso precise.

-- Conter? – Varis murmura. – Como assim conter?

-- Calma. – Edward disse suavemente, afastando o ladino do mago. – Parece um bom plano.

-- E James e Aquiles. – Olhando para os dois, Voltten já percebeu o ânimo vago nos dois. – Conseguem lidar com a área nobre?

-- Conseguir lidar? – Aquiles caçoou. – Eu sou expert em lidar com riquinhos.

-- Acho que posso dizer o mesmo. – James complementou.

-- Ótimo, então está decidido. – Voltten olhou para o céu do local e chutou o horário. – Acho que em umas seis horas vamos nos encontrar aqui de novo.

-- Hum? – Todos murmuraram simultaneamente.

-- Quando o pôr do sol chegar vocês voltam para cá. – Explica o mago mais claramente.

-- Certo. – Todos afirmaram simultaneamente.

-- Bem, acho que é só questão de sorte agora. – Disse Varis colocando o punho fechado a frente de todos.

-- Hum? – Voltten questionou a ação do amigo de forma curiosa. – O que seria isso?

-- Vão me deixar sozinho? – Reclamou o ladino, incomodado.

-- Você não está sozinho, amigo. – James afirmou após uma risada vaga, aproximando o seu punho fechado do de Varis.

-- É isso aí! – Aquiles faz o mesmo, porém com mais ânimo.

-- Hum! – Glans, mesmo não entendendo o que era aquilo, repete a ação dos amigos.

-- Bem, já que estamos todos de acordo. – Disse Edward, se rendendo e fazendo o mesmo. – Vai ficar de fora, Voltten?

-- Eu não entendo o intuito, mas se vocês estão com isso em mente... – Voltten completou a roda de punhos fechados.

-- Agora estamos espiritualmente ligados. – James afirmou animado.

-- O que?

-- Na antiga e morta religião orquicas, unir os punhos em círculo une as almas dos envolvidos. – James explicou de forma cômica enquanto reparava a confusão do amigo.

-- O que seria uma religião orquica? – o mago questionou confuso.

-- Vamos, Aquiles. – Disse o arqueiro, enquanto andava lentamente para longe dos cinco. – Temos um escolhido para procurar.

-- Vai me deixar sem resposta? – Voltten se questionou cabisbaixo e confuso.

-- Calma, meu caro. – Varis deu dois tapas rápidos e leves nas costas do amigo. – Ele te conta daqui a seis horas.

-- Boa sorte aí. – Disse Aquiles, correndo na direção de James que estava a alguns metros de lá.

-- O mesmo. – Varis afirmou, andando para a área indicada por Voltten acompanhado de Edward. – Até daqui seis horas.

Os quatro caminharam para longe, deixando Voltten sozinho e confuso acompanhado do draconato.

-- Voltten estar bem? – Glans perguntou, encostando levemente no ombro do mago.

-- Sim, eu estou bem. – Voltten falou, voltando a seu estado normal. – Sabe Glans, agora eu entendo o que você sente.

-- Hum? – o draconato questionou. – Isso ser bom?

-- Acho que sim, de certo modo. – o elfo ajeitou a postura e tomou seu rumo para a área que ficou de ir. – Vamos, não podemos perder muito tempo.

-- Oh, certo. – o draconato arrumou a postura novamente e começou a seguir o amigo.

As zonas pobres da cidade eram ameaçadoras e frias – apesar do calor do país –, mas a figura de Edward espantava os ladrões. Junto dele, como uma espécie de guarda costas, Varis o seguia com seu capuz cobrindo o seu rosto, tornando o ladino uma pessoa muito mais ameaçadora do que todos os da região.

Pelos becos escuros da cidade, inúmeros batedores de carteira tentaram cruzar com o caminho dos elfos negros, mas não ousam se aproximar de Edward. Porém o caso de Varis é diferente.

O primeiro que tentou pegar o saco em sua cintura, além de roubar um saco de areia que acreditava ser de moedas, o ladrão teve seus bens roubados pelo ladino que agora carregava dois sacos, um de joias e outro de moedas. Logo os elfos trocam olhares rápidos.

– Você viu o que aconteceu, não é? – Perguntou Varis, guardando os sacos em sua mochila rapidamente enquanto os dois se distanciaram do batedor de carteiras.

– Eu suponho. – Edward respondeu, vendo ao longe um pequeno aglomerado de pessoas a se formar.

– Você não pode me culpar. – Varis retrucou rapidamente. – Nós dois roubamos. Você realmente acha que uma pessoa estaria com tanto dinheiro sem o roubo?

– Não é tão preto no branco. – O paladino se aproximou do aglomerado lentamente. – Eu não posso considerar o que o homem faz totalmente errado.

– O que? – o ladino questionou confuso. – Você não deveria ser contra o roubo ou algo assim?

– Na teoria. Você não sabe a realidade da pessoa que tentou lhe roubar, muito menos deve compreender completamente a vida dessa área.

Varis olhou para o seu redor. O lugar pobre não lhe chamou tanta atenção antes, mas agora ele tomou completamente seu foco.

A classe baixa da cidade possuía inúmeras casas, que por sua vez possuíam pedras quebradas, madeiras podres, ratos e lacraias a rastejar pelas ruas. O cheiro de chorume de esgoto era forte e tomava conta do lugar quase que por completo. Deitado em alguns becos e jogados na rua, diversos mendigos.

Uma espécie de favela com características da arquitetura islâmica.

Varis chegou ao seu limite moral ao ver uma criança de no máximo dez anos a matar um rato com uma faca extremamente desgastada. O ladino não precisa de muito para concluir que ela iria levar aquilo para casa para comer, ou pior, aquele seria o jantar da família toda.

– Ei, aguenta um minuto. – Afirmou Varis, se virando para a garota e andando em direção, tirando o saco de moedas que pegara anteriormente de forma discreta.

A criança viu o ladino se aproximar lentamente e recuou de forma receosa, deixando o rato morto próximo a ela.

– Aqui. – Varis entregou o saco de moedas a criança que o pegou lentamente. – Não deixe muito aparente, alguém pode tentar pegá-lo.

– Hum! – A criança sorriu desacreditada com o peso daquele saco de moedas. Após fazer um sim com a cabeça, a mesma correu para um dos becos, mantendo o saco escondido.

Após Varis perder a visão da garota, o mesmo direcionou seu foco ao rato morto. O ser era nojento e certamente possuía alguma doença como leptospirose, mas Varis não conseguia tirar o olho do animal que formava uma pequena poça de sangue ao seu redor.

Seu pelo negro, o pouco de sua carne aberta deixando seus órgãos expostos, tudo aquilo hipnotizava o ladino, que só voltou a realidade após um empurrão.

Olhando na direção de quem o empurrou, Varis percebeu que estava cercado por três bandidos de rua, ambos armados e com armaduras de couro embaixo de seus planos.

– Hum? – o ladino questionou confuso perante aquilo.

– Nós vimos o que você fez para a garota... – o homem do centro afirmar se aproximando lentamente do ladino. – ...E sabe, nós também somos necessitados, se você entende.

Os dois homens que o acompanhavam riram caçoando da cara do ladino.

– Eu não tenho mais nada, desculpe. – Varis retrucou, já percebendo os interesses óbvios dos três bandidos.

– Que pena... – O bandido da esquerda afirmou ironicamente. – Acho que vamos ter que pegar dela, afinal temos mais pessoas para cuidar.

Quando ouviu aquilo, os dois elfos negros entraram em alerta. Até mesmo Edward que estava esperando Varis decidiu intervir.

– Vai lá Albyd. – Disse o bandido central, ordenando para o da direita.

O primeiro passo do bandido foi interrompido rapidamente pelas adagas correntes de Varis, que prenderam seu pé e o fez cair de cara no chão. Sua face se sujou com a poeira e sangue, deixando o bandido ainda mais irritado.

– Ah, então você gosta de lutar. – O bandido central sacou sua cimitarra junto com o companheiro que ainda estava em pé. – Acho que você vai adorar...

Interrompendo o bandido, um cutucar em suas costas foi feito com a intenção de chamar sua atenção.

Quando o bandido se virou, a única coisa que conseguiu ver é um escudo de metal lhe golpeando lateralmente com uma força absurda.

Em apenas um golpe, Edward o nocauteou completamente, restando apenas dois.

Os elfos negros aproximam-se um do outro e sacaram suas espadas.

Intimidado, o bandido restante tentou retirar as correntes das pernas do companheiro junto do mesmo. Após conseguirem, os dois fugiram para longe da vista dos elfos, que recolheram rapidamente seu equipamento.

– Ao mesmo tempo que tem pessoas boas, tem pessoas ruins. – Edward afirmou calmamente. – As finalidades do roubo não são simples. Eles por exemplo, todos os três não mereciam nem uma moeda, agora a criança supostamente merecia aquela quantia.

– Hum, justo. – Varis murmurou, saindo de perto do rato morto para não ficar pensativo novamente.

Os dois continuaram o caminho rumo a multidão. Após se aproximar o suficiente, Edward parou por completo. Sem querer, Varis acabou esbarrando com o duro e maciço escudo do paladino imóvel.

O mesmo esboçou uma expressão assustada ao perceber a aura gigantesca vindo do meio da uma multidão que estava a poucos metros dos dois.

— Ei! – Varis reclamou.

— Ele está ali. — Afirmou o paladino, imóvel.

— O que? – Perguntou Varis, que não entendeu de imediato a afirmação do paladino que avançou rapidamente. — Ei espera!

Os dois elfos se infiltraram no meio do mar de pessoas com vestes árabes, conseguindo com dificuldade um lugar que possibilitou uma boa visão para o jovem de pele queimada, que estava sendo preso por quatro guardas do reino.

Ao ver aquele ato, Edward percebeu a falha que cometeu.

Seu objetivo estava comprometido e suas opções pacíficas eram quase nulas. Porém, ao ver seu colega ladino de seu lado na ponta dos pés para ter uma melhor visão, ele lembra da ideia dada por ele anteriormente.

A arriscada e problemática sugestão proposta por Varis.

— Então, como faremos? – Perguntou o paladino, tendo sua voz um pouco atrapalhada pelos gritos da multidão que o cercava.

 — Como? – Questionou Varis. — Já o pegaram?

— Sim. — Afirmou Edward com um forte suspiro.

— Certo... – Varis se pôs a elaborar um plano que poderia ser efetivo no momento. — Já sei!

— O que?

— Vamos atacá-los e vamos ser condenados junto dele.

O paladino encara o amigo confuso. Por segundos ele tentou interpretar tal lógica tola.

— O que? – Perguntou Edward confuso com tal sugestão, questionando de imediato. — Não deveríamos não começar uma guerra?!

— É só não falarmos nada sobre Civitas. Além disso, se não acompanharmos ele, algo pior poderá acontecer. – Varis o cortou rápido. – Ele pode virar material de estudo e assim teremos que invadir um castelo ou forte militar.

Edward olhou para os céus, organizando seus pensamentos e revendo seus valores e conceitos como paladino. Em seguida, o mesmo olhou para os soldados de vestes árabes a levar forçadamente o escolhido.

— Só não machuque ninguém. — pediu Edward, abrindo caminho na multidão com seu escudo.

— Eu bato com a parte chata da espada, pode ficar tranquilo. — respondeu Varis, o acompanhando sagazmente.

Na parte rica da cidade possuía uma grande igreja em cima de um morro privilegiado. Um grande monumento feito exclusivamente para cultuar os Deuses da Areia.

O lugar era imenso e possuía uma torre enorme. Mais de trinta metros verticais de tamanho e quase meia hora de uma subida em espiral.

Aquele foi o primeiro lugar que James quis ir.

O lugar interno era grande e majestoso, com diversas decorações, pilares e tapeçarias não faltavam por todo o lugar, os bancos de pedra do local ficavam de frente a um palanque onde os padres ou sacerdotes ficavam discursando.

Com um invadir silencioso e discreto – apesar da lança de Aquiles dificultar essa ação – os dois percorrem até o maior ponto da construção, onde lá sobem para a o cume da torre rodeada por telhados e andaimes de madeira.

— Por que você quis subir aqui? — Perguntou o elfo, ofegante devido o cansaço.

— Ah, me perdoe, só estava querendo conseguir visão. — respondeu James, com um leve sorriso formado no canto de sua boca.

— Nunca mais faça uma dupla comigo.

— Pode deixar. – James sacou de sua mochila uma luneta, para vasculhar os arredores. – Mas você é um elfo e um cavaleiro de físico perfeito? Subir um local tão alto não devia estar no seu sangue já?

— E está. — Afirmou Aquiles se sentando para recuperar melhor as energias. — Mas tente escalar com uma lança de cavalaria igual a minha nas costas enquanto tenta acompanhar alguém visivelmente mais leve.

— Compreendo.

— Ei. – Aquiles apontou para o objeto manejado por James. – O que é isso?

– Hum? – o arqueiro virou rapidamente para o amigo. – É uma luneta.

– Uma o que?

– É uma sequência de vidros que ampliam a imagem. – Disse o arqueiro, da forma mais vaga possível, focando completamente nas ruas. – Não deve ser muito popular por aqui.

James continuou a observar as ruas até encontrar algo que o espantou. O mudar de sua feição foi percebida por Aquiles que se intrigou.

— O que foi? – perguntou o elfo se aproximando do amigo.

— Olhe! – James rapidamente entregou a luneta para Aquiles. – Fecha o outro olho e vê pelo buraco.

Foi difícil entender o manuseio do objeto, mas logo Aquiles se acostumou. Apontando com o dedo o lugar que precisava ser conferido, Aquiles manuseava o objeto para o local.

Ao encontrar o que o arqueiro apontava, o elfo vê Varis e Edward lutando com os guardas da cidade em um ato de estranheza, pois as espadas mal arranharam a armadura dos cavaleiros, ação que parecia proposital.

— O que eles estão fazendo? Querem começar uma guerra!? – questionou Aquiles assustado.

— Olhe para o lado, tem um jovem algemado. — Comentou James rapidamente.

— É mesmo, mas isso significa algo? Não?

— Provavelmente.

— Edward está lá, então não deve ser um ato impulsivo do Varis.

— Considerando isso e adicionando a pessoa presa... – James colocou a mão no seu queixo enquanto acariciava sua barba imaginária.

— Já sei, os guardas devem ter encontrado o escolhido que viemos buscar e iam prendê-lo, Edward e Varis estão tentando soltá-lo. — Conclui o arqueiro.

— Mas eles não estão ferindo os guardas, apenas estão os golpeando fracamente.

— O que você está dizendo? Entregue-me a luneta!

— Pensa rápido! — Aquiles Jogou a luneta para James, que rapidamente a pegou.

— Não estamos aqui para brincar, então fale como um cavaleiro e aja como um.

— Falou o cara que saiu querendo subir a primeira construção alta que viu.

— Certo, vamos esquecer isso. — James direcionou a luneta para Edward e Varis. Os dois estavam fazendo o que havia sido descrito por Aquiles.

— Como eles estão?

— Estão sendo presos.

— Algum ferido?

— Os dois estão levando uns socos na cara e estômago, junto de umas batidas com as maçãs das espadas, esses eu posso garantir que estão doendo...

— Certo, vamos. — Aquiles averiguou o redor e percebeu de imediato a queda de dois metros que possuía da torre até um andaime próximo.

O cavaleiro juntou forças e pulou do telhado da igreja para o andaime e começou a correr entre os outros telhados de pedra resistente como se estivesse em uma maratona.

— Ei, onde você está indo!? — Gritou James, assustado com a ação de Aquiles, já começando a seguir o amigo com certo receio.

— Vamos, temos que chegar neles rápido.

— Devemos comunicar Voltten e Glans.

— Não temos tempo! – afirmou o cavaleiro preocupado com seus amigos. – Devemos incapacitar os guardas em volta deles, depois nós pegamos o escolhido e nos encontramos com Voltten e fugimos com as carroças a noite!

 

 

Por Tisso | 09/07/20 às 19:25 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia