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Capítulo 34 - Condenados Novamente

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 34 - Condenados Novamente

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

— E foi assim que vocês vieram parar aqui também? — Perguntou Varis sem expressão.

— Digamos que sim. — Respondeu James, incomodado.

— E eu achando que era o idiota do grupo.

Em uma ala de celas reclusas, os quatro amigos se encontraram com o escolhido no mesmo bloco.  Todos estavam sem armas, armaduras e com roupas surradas, junto disso, suas cabeças condenadas à morte. Mal poder andar direito eles podiam devido a correntes que os prendiam a parede de pedra do local.

— Acho que pelo menos seu plano deu certo, Varis. – Afirmou Edward levemente cabisbaixo.

— Oh, boa. – Ele falou.

— Boa? – Disse o arqueiro sem ânimo. – Estamos nós quatro presos aqui, qual a próxima parte dele?

— Eu estou aqui também. — Disse o escolhido que com medo ao encarar os quatro amigos que discutiam entre si com muita intercalação de humor.

Perante o jovem de pele queimada e cabelos pretos, os quatro eram super-humanos. Todos eram musculosos, aparentavam ter habilidades extremas e uma sabedoria vasta.

Mesmo quando Varis e Edward atacaram os guardas, dava de perceber a resistência absurda dos dois elfos negros. Após a chegada repentina de Aquiles e James, o mesmo os viu atacando de forma efetiva.

Foi preciso mais de vinte homens para pará-los e James quase escapou. Agora eles estavam lá, os quatro homens em sua frente discutindo como crianças.

— Certo, nós cinco estamos presos aqui. — Corrigiu Varis, não dando a mínima importância para o escolhido, reprimindo um pouco mais o jovem.

— E por que estamos aqui? — Perguntou James, após um leve suspiro ele se sentou no chão da cela calmamente.

— Viemos resgatar o escolhido... — Respondeu Edward com desânimo.

— ...E eu falei que se fossemos presos junto com ele, iríamos garantir uma maior proteção. — Completou Varis, se escorando na parede.

— Então estamos aqui por sua causa mesmo? — Perguntou Aquiles e James, ambos raivosos, direcionando sua ira para Varis, que só abaixou a cabeça e os ignorou.

— Se forem me espancar, só não batam no rosto. – Ironizou Varis, olhando as correntes dos colegas que não dariam margem para que os dois lhe batessem.

— Parem! Nós estamos aqui juntos. – Edward suspirou, se sentando na cela, imitando James e olhando para a única janela de sua cela, onde os raios prateados da lua os iluminavam. – Então não vale a pena lutar.

— Sim... — Resmungou Aquiles, recolhendo seu punho que já estava preparado para golpear Varis. – Não é bom entrar em uma briga interna.

O rapaz, recluso e envergonhado, começou a indagar perante os quatro.

— Senhores, eu agradeço vocês terem vindo me resgatar, por algum motivo... – o jovem se escorou nas paredes com um leve receio do que os homens fariam após sua próxima afirmação. – Mas eu fui condenado por ter uma aura mágica, eu só ia ser colocado na prisão por alguns dias e em seguida ia ser mandado para uma escola militar... — Disse o escolhido aflorando a raiva em Aquiles em questão de segundos.

O punho do cavaleiro se fechou rapidamente. Como um aríete destruindo o portão de um castelo, o soco tentou atingir o peito de Varis, mas as correntes impediram ele de chegar perto.

Porém, o ranger constante deu a aparência de que elas iriam romper a todo momento. Mesmo preso, a raiva do cavaleiro força os metais que dão uma mobilidade vagamente maior, mas mesmo assim não muda nada.

— Você disse que não iria me bater? — Disse Varis calmamente, ao observar o cavaleiro se esforçar ainda mais para o alcançar.

— Mudei de ideia. — Respondeu Aquiles, com um sorriso irônico e raivoso no rosto enquanto seus músculos se afloraram.

— Aquiles, lembre-se, você que decidiu ajudá-lo. — Falou James tão calmo quanto Varis.

O ranger das correntes do cavaleiro acabaram, após sua raiva se esvair em bons e longos minutos. Agora o mesmo se deitou no chão em sinal de birra.

— De qualquer modo, quanto tempo ficaremos aqui? — Perguntou Edward de forma calma e tranquila, porém ao mesmo tempo preocupado e receoso.

— Vocês foram condenados por agressão às autoridades, o castigo para isso é coliseu. — Responde o jovem escolhido envergonhado e assustado. – Onde vocês vão ser mortos...

— Mortos? — Pergunta Varis, se levantando e caminhando em direção ao jovem. — Você não sabe a minha história garoto, é só arrancar o braço do nosso vizinho de cela e...

— Varis, nós estamos sozinhos nessa prisão. — Interrompeu James.

O ladino olhou em volta e, com o pouco brilho proporcionado pelas tochas do local, confirmou a afirmação do arqueiro de que aquela ala minúscula só tinha aquele bloco ocupado.

— Droga! — Reclamou — Mas por que estamos sozinhos aqui?

— Essa é a área de celas para humanóides de tamanho proporcional e crimes graves. — Respondeu James. — Por isso é pequena, as outras áreas estão as bestas e monstros que o reino captura ou os prisioneiros no corredor da morte. Somos praticamente uma atração chave agora, eu acho.

— Como sabe disso? – Perguntou Aquiles, levantando e se sentando.

— Frutos de viagens. – Orgulhosamente o arqueiro confirmou seus dizeres com um sorriso no rosto. – Não é meu primeiro coliseu, apesar de ser a primeira vez como atração.

— As nossas armas foram confiscadas, vão nos colocar para lá sem o nosso equipamento? — Perguntou Edward levemente revoltado, passando o polegar no anel mágico que havia posto em seu anelar. — Ou quase. Devo-te uma, Voltten.

— Não se preocupem, eles dão equipamentos antes da batalha. — Respondeu o escolhido acalmando os quatro que estavam nervosos, mesmo alguns não demonstrando.

— Ótimo, mais espadas com lâminas apenas de um lado. Eu estou odiando esse lugar. — Resmungou Varis, voltando a se escorar na parede.

— Estou tão animado quanto você, amigo. — Completou James com mais um suspiro.

— A Propósito, estamos nessa cela há algumas horas e não sabemos o seu nome, escolhido. — Disse Edward, direcionando a atenção ao escolhido, que estava envergonhado.

O rapaz ficou receoso, mas tomou coragem perante os quatro.

— Meu nome é Ertiaron. — Respondeu o jovem, de forma baixa e instável.

— Não é um mau nome. – Disse Varis. – Temático do lugar, eu até que aprovo.

— A Propósito, porque me chamam de escolhido? – ele questionou, após um rápido suspiro de tensão.

— É uma longa história, não podemos falar em solos de Harenae. — Respondeu o paladino, arrumando um lugar para deitar. — Se você está certo, nós seremos condenados amanhã. Melhor descansarmos até lá.

— Concordo. – Disse Aquiles, voltando a se deitar.

– Boa noite, meus caros. – James se arrumou no canto da cela e fechou lentamente os olhos. – E que os demônios não assombrem seus sonhos.

— E que os ratos não devorem nossos olhos. — Adicionou Varis, fazendo o mesmo que o arqueiro.

Logo o escolhido fez o mesmo. Aquele lugar frio se tornou o berço para um descanso improvisado.

Voltten mordia seus cabelos de forma histérica devido a pressão imposta pela situação.

Soube que seus amigos foram condenados ao coliseu por meio de boatos na taverna que descreviam com precisão dois elfos cinzas, um da floresta e um careca. Mesmo tomando o conhecimento do máximo que pode, ele estava abalado e sem um horizonte pra seguir

No quarto da estalagem, o mago abriu todos os seus livros, mapas e pergaminhos em cima de uma das camas. Seus olhos entraram em um frenesi de movimento ao ponto de deixá-lo tonto.

Glans estava olhando tudo aquilo confuso, mesmo querendo ajudar, o draconato sabia que não iria conseguir, devido a sua dicção falha e baixa inteligência.

– Tá, nós podemos fazer isso... – Voltten pensou em voz alta com extremo nervosismo. – ...Não! Não podemos fazer isso!

Continuando a morder e a ranger os dentes, Voltten continuou a folhear seus livros, buscando neles algum fio de esperança, mas não encontrando nada.

– Nada! – O mago gritava, apavorado com o futuro que se aproximava aos poucos. – Não temos nada! Nada para ajudar!

O mago olhou para Glans e tentou dar alguns passos em sua direção, mas cambaleou e caiu no terceiro passo.

– Voltten! – Gritou Glans, se aproximando do amigo com o intuito de levantá-lo.

– Não temos nada, Glans... – O mago começou a murmurar, antes do draconato o tocá-lo. – Eles vão morrer, não temos nada para ajudar.

O mago foi levantado com a ajuda do draconato que o apoiou na cama.

— Você ouviu as histórias sobre os oponentes do coliseu. – Voltten disse sem esperanças e emoções conflituosas. – Taberneiros não mentem, eles vão morrer e nós não podemos fazer nada...

Voltten se moveu lentamente até seus livros, olhando mais uma vez todos e não encontrando nada para ajudar.

— Maldição! – O mago chutou sua mochila, mas sentiu uma coisa dura presente nela, isso o fez abri-la desesperadamente. Ao tirar de lá ele encontrou mais um livro. – Isso, isso... isso... um livro de culinária.

Voltten perdeu completamente as esperanças com aquele livro.

— Um maldito livro de culinária, como diabos eu pude ter esperanças com isso... – Voltten folheia o livro vagamente só para não deixar ele passar, mas o mesmo encontrou algo curioso.

Voltten recuperou a postura e colocou o livro de culinária ao lado de alguns de seus livros de alquimia e medicina.

— Mas.... Se juntarmos essas receitas de chá com essas substâncias... – Voltten deixara a preocupação de lado, ele pegou um papel e uma pena com tinta. – É isso, Glans! É isso meu caro amigo!

– Voltten encontrar magia? – Glans perguntou, não entendendo os dizeres do amigo.

– Não, não vamos usar somente a magia! – Voltten gritou animado, enquanto anotava cada ingrediente que deveria comprar. – Nós vamos usar do mundo ao nosso favor! Vamos usar a lógica e a razão em função do fluxo sanguíneo aumentado de magias curativas!

— Hum? – Glans ficou completamente confuso com o ânimo surreal do amigo.

— Vamos juntar tecidos, repor o sangue... – Voltten se aproximou de Glans rapidamente. – Vamos fazer a cura perfeita!

A lista foi feita por Voltten que a deixou em seus bolsos extremamente protegidos.

— Vamos, Glans. – Disse Voltten, se direcionando a porta do local e se virando para o draconato. – Vamos comer.

– Hum? – Glans se aproximou do amigo, curioso.

— Nós devemos descansar e comer. – Voltten virou lentamente seus olhos histéricos para o amigo. – Amanhã, vamos praticar medicina.

Por Tisso | 14/07/20 às 20:40 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia