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Capítulo 35 - O Gigante e o Lanceiro

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 35 - O Gigante e o Lanceiro

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

A noite se esvaiu rapidamente e deu a deixa para que o brilho e o calor do sol mostrassem as grandes batalhas travadas dentro do coliseu de Suma.

As pessoas, maravilhadas enquanto tomavam lados perante os cruéis e brutais confrontos que tinham como palco o centro da construção. Em geral, todos riam em meio a desgraça alheia.

Em um camarote elevado cheio de belas damas, guarda-costas e pessoas da alta classe se encontravam acompanhando o imperador Kaf.

Destacado, o poderoso monarca, que comandava o país, tinha os cabelos loiros e curtos, a pele era queimada, algo que um dia já podia ser chamado de branco e suas roupas de nobre realçava mais sua posição política. Suas mãos estavam enfaixadas, mas completamente saudáveis, em uma delas um cálice dourado incrustado de joias e com o vinho mais caro da cidade.

 Em meio aos cruéis massacres que se realizavam no local, Edward, Aquiles, Varis e James apenas observavam de uma cela que os separavam da batalha que estava sendo travada naquele momento.

A cruel luta entre três homens e um escorpião gigante assustou a todos, mas chamou a atenção dos elfos negros por causa de um detalhe peculiar, os que estavam lutando eram os conhecidos de ontem.

– Não são os bandidos de ontem? – Questionou Varis, se aproximando da grade de segurança.

– Ao que aparenta. – Edward respondeu pensativo.

– Pelo menos a punição funciona nesse país. – Varis comentou, voltando para seu grupo.

Mesmo estando armados com afiadas espadas, os três bandidos não conseguiam superar o poder da besta que, com suas garras afiadas, os partia ao meio. Separando seus torsos de suas cinturas.

O terceiro bandido observa a morte de seus companheiros horrorizado, ficando com mais medo ao vê-los agonizar no chão e formarem uma imensa poça de sangue.

Quando pensou em fugir, já era tarde demais. O ferrão do escorpião gigante o perfurou o peito, lhe atingindo uma veia próxima ao coração.

O veneno da criatura logo se espalhou por todo o corpo do bandido como um ácido que o fez cair morto para trás, deixando visível um rombo em seu peito que forma uma poça apenas em seu centro.

O ato de crueldade natural foi visto com extrema dor pelo paladino, que viu naquele escorpião gigante uma criatura que já passou por diversas torturas e foi atiçada pelos seus cuidadores para ser uma máquina de matar.

O delírio da plateia ao ver tal ato de crueldade camuflou os berros de dor soltados pelos feridos e, consequentemente, atrapalharam o julgamento do paladino.

— Incrível como tais atos de crueldade alegram a população. — Falou James, levemente intrigado.

— Eu acho interessante o fato deles criarem um método de punição que alegra o povo. — Acrescentou Varis, deixando James de cara com o argumento.

– Nisso ele tem razão. – Complementou Aquiles, rindo de relance.

A grossa porta de pedra que havia na ala de espera foi aberta por um guarda com armaduras típicas da região, abrangendo em suas mãos uma lança de quase dois metros e uma cimitarra guardada em uma bainha na cintura.

— Ótimo, nossas armas! — Exclamou o ladino abandonando a visão das batalhas e se pondo a prestar atenção no guarda.

O homem jogou um saco de couro no chão com desprezo, dele foi tirado quatro cimitarras.

Varis rapidamente pegou uma sem pensar duas vezes, apesar de não gostar daquele tipo de arma.

— Espera, não posso sobreviver apenas com uma arma corpo-a-corpo básica! — Reclamou Aquiles, após pegar uma cimitarra. — Preciso de minha lança de cavalaria.

— Negado! — Respondeu o soldado com desprezo, olhando friamente para os quatro de forma quase sádica.

— E eu? Posso pelo menos ter um arco? — Perguntou James incomodado. — Não me dou muito bem com armas brancas.

— Isso podemos considerar. — Respondeu da ala.

— Então temos quatro cimitarras, talvez um arco e confiscaram nossa armadura... — Listou Varis, sem nenhuma esperança. – É, nós vamos morrer.

— Não sejamos tão negativos, tenho fé que sobreviveremos. — Afirmou Edward, tentando ajudar a moral do amigo.

O guarda retornou para a cela empunhando um arco enferrujado em sua mão.

— Aqui está! — ele falou enquanto o jogava o arco para James.

— Obrigado. — Respondeu James pegando o arco enferrujado já estranhando suas condições precárias. — Mas onde estão as flechas?

— Negado!

— Você quer que eu lute com um arco sem nenhuma flecha!? – Questionou ele, depois de um tempo olhando de forma vazia para o arco, imediatamente se questionando a utilidade daquilo. – Maldição...

— Melhor se prepararem, a luta de vocês já vai começar. – O mesmo se pôs a fechar a porta sem responder à pergunta feita por James, que ficou de cara sem nenhuma reação.

— Aquiles, pode pegar a quarta cimitarra. — Disse Edward, também irritado com a falta de resposta do guarda. — Não tem utilidade nem para mim e nem para Varis, para James muito menos.

— Obrigado. — Agradeceu ele,  já a pegando e se acostumando a mexer os braços com duas armas leves. — Mas não acho que vai servir de muita coisa. Eu uso Davi Golias a tanto tempo que é estranho lutar com outra combinação de armas, principalmente uma tão leve, fora que a Dente de Dragão vai ficar solitária.

-- Hum? – Edward e James murmuraram.

A grade que separava eles do centro do coliseu se abriu, deixando-os livres para explorar o centro da construção. Quando puseram os pés para fora de sua zona segura, eles escutam uma voz de alguém gritando, um apresentador carismático e bem-humorado a se destacar.

— Povo de Harenae, esses homens atacaram e difamaram a guarda de vossa majestade, o Imperador Kaf!

O grupo receoso, seguiu o paladino que caminhava de peito erguido e sem medo. Era correto afirmar que parte da coragem e crença do paladino exalava para seus companheiros que a absorveram por algo semelhante a osmose.

-- Eu tenho um mau pressentimento sobre isso. – Varis afirmou de forma receosa, mesmo que o paladino ajudasse a instabilizar seu nervosismo.

Gritos de vaia da plateia começam a ser emanados acompanhado de jogares de pedras, percorrendo toda a estrutura do coliseu, mas não atingindo nenhum dos quatro.

— Eles merecem o maior castigo! Não merecem?! – O homem parou de gritar e a plateia o respondeu com o mesmo tom de voz em uma onda de positividade. – Libertem os destruidores do deserto!

Uma gigantesca grade se abriu e dela saíram monstros que causaram o medo nos quatro e diversos gritos de apoio da plateia.

O maior deles era literalmente um gigante. Possuía em torno de três metros e meio de altura. Ele era gordo como um mamute, sua pele era completamente coberta por uma armadura dourada, possuindo apenas três buracos no elmo para visão e respiração.

O mesmo também carregava em suas gigantescas mãos, um porrete de metal que, assim como o mesmo, era desproporcional ao tamanho humano e banhado a ouro.

O outro desafiante saiu de suas sombras de forma esguia e misteriosa. Ele era menos bizarro e amedrontador que seu companheiro, mas não deixava de ser peculiar.

Um ser humanoide de um pouco mais de dois metros, ostentando uma armadura semelhante ao do gigante que o cobria por completo, porém a dele era mais ameaçadora e pontuda. Ela deixava pequenas frestas em seu elmo para a visão e nas juntas para movimento.

Em suas mãos, uma enorme lança com o cabo dourado e uma lâmina prateada bem afiada o destacavam. Aquele exemplar de arma era de fato bonito e bem feito, mil vezes mais bem projetado perante o porrete do gigante.

— Nós vamos ter que derrotar isso? — Gritou Varis assustado, apontando para seus inimigos, principalmente com o gigante.

— Tac Nyan está conosco, certo? — Questionou James, apreensivo.

 -- Ele sempre está, consigo sentir isso. – Edward afirmou, tomando coragem para a luta.

Após o sinal dado pelas cornetas, a luta começou.

Os dois oponentes já se preparavam para o combate enquanto os quatro nem um planejamento tinham. O gigantesco monstro se pôs a correr em direção ao grupo que, com medo, fugiu para os lados em uma evasiva. (...)

Varis e Edward foram para a direita da criatura e James e Aquiles seguiram na direção contrária, ambos desviam da investida e se afastam, tornando daquela batalha uns dois versos um para os inimigos.

— Que poha é aquela!? – Pergunta Varis gritou desesperado. – Qual o plano, Edward?!

-- Aquiles, qual o plano?! – James questionou de imediato ao ver o assassino sem palavras ou reações.

— A princípio, não morrer! — Respondeu o cavaleiro ao tão assustado quanto.

O lanceiro se pôs a completar a tentativa de ataque feita pelo parceiro.

O lanceiro saltou na direção de Aquiles, tentando executar uma estocada em sua queda, mas o elfo antecedeu o ataque e o bloqueou com as cimitarras.

Do outro lado, o gigante parou de correr quando se chocou com a parede, a quebrando levemente. Em seguida ele dirigiu sua atenção a Edward e Varis que rapidamente perceberam as intenções do inimigo.

— Alguma ideia Edward? — Perguntou o ladino, mordendo seu lábio enquanto tentava elaborar um plano.

— Não, temos que arranjar alguma forma de tirarmos a armadura dessa criatura, só assim teremos alguma chance de causar algum dano verdadeiro. — Respondeu o paladino, tentando pensar em algo para atacar. – Mesmo assim não imagino uma forma muito efetiva de feri-lo.

— Algo como desprender ou cortar uma corda?

— Talvez, mas não vi nenhuma brecha ou parte não coberta, então tudo no corpo dele deve estar protegido. – O paladino afirmou de forma receosa.

— Então temos que, ou perfurar a armadura ou derretê-la. – Concluiu Varis rapidamente. – É a única coisa que eu penso que pode ser feita.

— Derreter?! – Edward teve um rápido choque de memória e relembrou os ensinamentos de Parysas. — É isso! A Arder de Seus Pecados!

— O que? – questiona o ladino, confuso. – A magia de fogo na arma?

— Preciso fazer uma oração e vou precisar de trinta segundos no mínimo. – Edward afirmou passando lentamente seu indicador esquerdo em seu anelar direito, sentindo a conexão mágica de seu anel. – Acha que consegue distrair ele por esse tempo?

— Vai orar numa hora dessas!?

Edward virou seriamente para o companheiro, exalando esperanças de uma vitória.

— Você consegue ou não? – ele perguntou novamente de forma mais direta e certa.

— Maldição... – Murmurou Varis, após olhar por alguns segundos nas íris vermelhas do companheiro de espécie. – Certo, deixe comigo!

— Então o distraia!

– Falar é fácil!

Os dois elfos correram, cada um para uma direção distinta, deixando o inimigo confuso sobre quem atacar.

Edward parou de andar depois de percorrer uma distância curta de onde estava, se ajoelhando no piso de pedra com areia do coliseu, se pondo a rezar logo em seguida.

Tal pausa foi o suficiente para tomar a atenção do gigante, que o viu como alvo fácil e começou a andar em sua direção.

Varis, sem muito o que fazer, aproveitou o roubo de foco feito pelo amigo e se pôs a analisar melhor as partes da armadura do inimigo que, devido a perda significante de energia feita em sua primeira investida, agora caminhavam mais lentamente de forma desleixada.

Porém, o ladino sabia que o “lentamente” não tomaria os trinta segundos necessários, estava longe disso. A única coisa que pensou era em histórias e contos antigos sobre gigantes, pois nunca havia visto um com seus próprios olhos.

Seus pensamentos eram, em sua maioria, falhos e imprecisos, mas algo deveria ser feito. Foi então que a primeira coisa que o ladino supôs veio à tona, uma das principais necessidades em um combate: a visão.

Mesmo com a enorme armadura dourada o cobrindo, o gigante ainda possuía um elmo com buracos para que seu olho pudesse enxergar os acontecimentos a sua volta.

Com seus astutos e precisos olhos de ladino, o elfo negro analisou todos os pontos de apoio da armadura dourada da criatura, anotando mentalmente todas as possibilidades de escalada que se davam pelo final dos segmentos das placas que constituíam a proteção do gigante.

Após traçar a rota de subida, que tinha como início o pé direito e como fim o ombro esquerdo, Varis se pôs a correr na direção do enorme ser que ainda estava andando rumo a Edward.

Porém, a figura cinza de Varis também havia entrado na linha de visão do gigante que parou sua caminhada erguendo seu enorme porrete e, em seguida, o desceu, golpeando assim, o chão em tentativa de acertar o ladino.

O mesmo percebeu a sombra do porrete o cobrindo segundos antes do ataque ser completado, ao olhar para o céu e se surpreender com a arma metálica que estava a poucos metros de lhe acertar.

Como reação e forma de escapar do golpe, Varis reuniu suas forças e as gastou em um salto feito no meio da corrida, se jogando para o lado e evitando o ataque que acertou em cheio o chão do coliseu, levantando areia e criando uma enorme cratera junto.

Após cair devido ao salto, Varis teve uma segunda ideia, uma mais rápida e que talvez seria mais eficiente, subir pelo porrete.

O tempo de análise era quase inexistente, apesar do mesmo conseguir analisar o porrete para subir por ele. De um lado a armadura era mais segura, do outro, o porrete era mais prático, mas no fim o tempo se esgotou.

Se levantando em segundos o ladino começou a correr para a arma do inimigo, se agarrando em um ponto de apoio fácil e básico, fruto da má arquitetura da arma.

“Com isso se passaram dez segundos” ... pensou Varis, enquanto sentia o porrete ser erguido pelo gigante.

– Espero que isso realmente valha a pena, Edward!

Por Tisso | 16/07/20 às 21:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia