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Capítulo 36 - O Equilíbrio em um Porrete

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 36 - O Equilíbrio em um Porrete

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya.

Aquiles estava receoso perante a situação atual.

A lança do inimigo o deixou a alguns centímetros da lâmina de suas cimitarras

Bloqueando o ataque do inimigo, ele estava numa linha tênue de segurança. Porém, o lanceiro não cedia a força exercida pelo elfo, que com parte de seu poder físico, empurrava a arma com o intuito de abrir uma brecha entre seu golpe.

Os dois continuavam a forçar suas lâminas, para que o adversário cedesse ao cansaço e sua defesa abrisse por alguns instantes.

 Ambos não demonstravam alteração, se não fosse pelo leve deslizar das lâminas em certos momentos, daria para se dizer que eles estavam parados, ambos a se encarar. Aquiles fixou sua visão na viseira do elmo do inimigo com um olhar ameaçador, o mesmo não parecia demonstrar medo ou cansaço e continuou firme e forte.

Aquele momento refletia na alma do cavaleiro que lembrara rapidamente daquela situação, tendo um leve déjà vu.

Sua força sendo o fator principal da situação. Seu oponente exercendo uma força igualmente forte. O inimigo sendo alguém humanoide, mas não humano. A semelhanças que aquela situação com o final do braço de ferro que ocorrera em Cartan, instigaram o elfo.

Porém, mesmo somando todas as vontades de ter sua redenção daquele evento, a cicatriz de seu peito o impediu de tomar atitudes arriscadas.

O cavaleiro estava numa mistura de sentimentos, enquanto mantinha sua postura e força exercida perante a lança.

“O primeiro a ceder perde” Concluiu James que apenas observava a luta a poucos metros, intrigado com o que fazer para ajudar, pois não teria efetividade alguma sem flechas.

Mesmo se ele pegasse numa ponta do arco e batesse com a outra, não teria efetividade.

O mesmo nem ao menos sabia como manusear uma arma corpo-a-corpo normal, muito menos uma improvisada como um arco sem flechas.

Mas eis então, que uma pequena interferência aconteceu.

O balançar momentâneo do chão e o estrondo gerado pelo ataque malsucedido do gigante, causou uma leve distração no foco do lanceiro, que desviou momentaneamente seu olhar para o lado.

Vendo o porrete de seu parceiro surgir em meio a poeira levantada, o lanceiro abriu uma brecha de ataque por poucos segundos.

Isso entregou a deixa para que Aquiles aplicasse a força que estava segurando por nervosismo, largando uma das armas e segurando agora apenas uma das cimitarras, ele a segurou firmemente com as duas mãos para maior efetividade.

Após a força ser aplicada, o inimigo acabou por ter a arma jogada para longe devido ao ataque do cavaleiro.

Com a defesa supostamente quebrada, Aquiles se pôs a correr de encontro ao lanceiro que, segundos após sentir a alteração em seu golpe, volta a visão para o elfo ruivo, que já estava a poucos centímetros de atacá-lo.

O cabo da lança foi puxado com força para o lado, com a intenção de golpear a panturrilha de Aquiles e derrubá-lo. Porém, o alterar do braço que estava a executar o movimento foi lido e interpretado pelo cavaleiro, que rapidamente mergulhou seu corpo para frente, desviando do cabo da lança.

 Em seguida, com movimentos rápidos e precisos, Aquiles tentou fincar a cimitarra na fresta entre as luvas douradas que protegiam o antebraço e o restante da armadura, que ia dos bíceps e os ombros até a cintura.

O movimento foi feito de forma cirúrgica pelo cavaleiro, que agradeceu mentalmente cada derrota que lhe ensinou o caminho até aquele momento.

Conseguindo atingir o pequeno espaço desprovido de proteção com sua lâmina, o cavaleiro retirou sua arma e fugiu logo após efetuar o golpe, desviando da lança que quase o acertou em meio a fuga.

Como perda, apenas a camisa de pano de prisioneiro do cavaleiro foi rasgada, junto dela, um mísero arranhão que deixou uma pequena marca.

De fato, o cavaleiro ganhou no primeiro golpe perante aquele lanceiro armadurado com vestes douradas, algo de se orgulhar visto sua condição precária.

O sangue pintou o final da lâmina da cimitarra de Aquiles e o vermelho pingava no chão, se juntando com a areia. O braço ferido do inimigo foi balançado pelo mesmo, como forma de confirmar que ainda tinha o controle sobre o mesmo.

No final de tudo, Aquiles tinha apenas arranhado a pele e perfurado levemente a carne de seu adversário. Ficou difícil dizer quem ganhara a melhor, mas Aquiles não aparentava sinais de dor, diferente de seu adversário.

Enquanto isso, o gigante estava confuso.

A perda do seu inimigo o fazia percorrer os seus olhos para todos os lados do coliseu em busca de Varis que sorrateiramente havia se infiltrado em sua arma.

O ladino estava a metros do chão, tendo em sua mente o objetivo de distrair o inimigo, coisa que estava conseguindo fazer com perfeição, pois o mesmo estava a olhar o seu redor, não se movimentando.

Mesmo com o balançar enjoativo.

“Menos dez”.  Disse Varis mentalmente. “É a reta final, não posso errar agora, vamos Varis, você consegue”.

O inimigo desistiu de seu objetivo primário, ignorando a procura por Varis que foi levado junto do gigante que ergueu seu porrete e correu em direção a Edward.

O ladino quase caiu com o levantar da arma e foi obrigado a fazer mais força para permanecer onde estava. Porém, a altura alcançada lhe deu a visão de toda a área da batalha.

Aquiles e James estavam encarando o outro inimigos e Edward estava sendo rodeado por um brilho verde visivelmente superior ao nível comum. Naquele momento Varis se espantou.

Onde deveria estar Edward, estava uma gigantesca chama verde em formação, uma magia sagrada de enorme poder que era visível de longe.

Varis acabou por ter uma recaída mental, ele olhou para o fogo, enquanto o gigante ainda não avançava. Os confusos pensamentos do ladino, não processavam direito o mundo ao seu redor que se movia aos poucos, tudo misturado com os gritos da plateia, que só embaralhava mais as coisas.

“Fogo! Isso queima!”. Varis começou a agonizar mentalmente quando chegou próximo a aura de Edward.

Um arder interno tomou conta do ladino, mas dessa vez não foi só ele que percebeu. Ao perceber o andar do inimigo aumentando a frequência de seus passos ele ficou apreensivo e voltou bruscamente ao mundo real.

O gigante, ameaçado ao sentir a aura de Edward focada em seu ser, correu em direção a Edward visando acabar com aquela manifestação divina gigantesca.

Varis estava com um dilema em sua mente, ele não sabia como distrair o gigante por mais tempo, pelo menos não sem sacrificar algo por isso.

A confusão atingiu o âmago do elfo negro que começou a tremer.

Ao olhar para baixo e ver a distância gigante entre ele e o chão. Sua mente entrou em um ciclo moral se questionando se deveria ou não se sacrificar em prol de algo maior em estado geral ao invés de priorizar seu lado pessoal.

O ladino engoliu lentamente a saliva, mordeu os lábios e pôs em sua mente que aquele ato oficialmente marcaria a sua redenção e entrada para o paraíso. Rapidamente ele respirou fundo e direcionou o olhar.

— Ei, seu arrombado tamanho família! – Varis gritou, chamando completamente a atenção do gigante para si, atrasando a sua movimentação e dando mais tempo a Edward. – Você é cego por acaso?!

A voz do ladino se destacou devido à proximidade. O gigante logo ouviu e ficou procurando a origem da voz. Ao olhar para seu porrete, percebeu o ladino agarrado nele.

— É bom esse plano funcionar, Edward. — Afirmou Varis em um tom de risada depreciativa e melancólica, algo semelhante as risadas de Cérbero, já se preparando para sentir a dor que a dor que aquilo lhe causaria.

Assim como previsto pelo ladino, o gigante começou a balançar seu porrete, exigindo cada vez mais do corpo de Varis, que já não aguentava tanta pressão em se segurar no objeto em movimento.

Em um momento de fraqueza, o ladino cedeu ao balançar da arma e acabou se soltando do porrete, sendo golpeado pelo mesmo logo em seguida como uma raquete a rebater uma bola. A arma lhe acerta o corpo todo e mesmo a porrada sendo distribuída, não amenizou o dano.

O impacto resultou no projetar do ladino, Varis sentiu a alta velocidade de seu corpo indo para trás, nem ao menos notando os ossos quebrados.

Antes de se chocar com a parede e ter seu corpo afundado nos tijolos, Varis confirmou mentalmente o terminar dos trinta segundos exigidos pelo amigo.

Ao virar seu rosto em alguns centímetros para o lado ele viu a explosão verde, vagamente semelhante as magias de Cérbero, mas ao contrário delas, aquela magia era controlada e estável, nada semelhante as magias explosivas por natureza do caçador.

O mais puro show de pirotecnia rodeava o paladino, que revelava aos poucos, seus braços envolvidos por chamas verdes ardentes. A explosão da aura divina que ocorreu, amedrontou completamente o gigante.

As labaredas, concentradas nas mãos e antebraços do paladino, estalaram e queimaram sua camisa, deixando seus músculos expostos. Mesmo não sendo tão forte quanto Glans, Aquiles ou até mesmo Varis, Edward era um soldado treinado e extremamente forte se comparado com pessoas normais.

Andando na direção do Gigante, o paladino não conseguia discernir as coisas ao seu redor, apenas identificou o inimigo dourado em meio aquele cenário caótico e de cores laranjas.

James e Aquiles viram o vulto de seu amigo voando de encontro a parede do coliseu, afundando a mesma logo em seguida.

Os dois ficam perplexos, não acreditando na suposta derrota de quem podia ser qualquer um dos dois elfos negros – pois o corpo havia passado por eles a tamanha velocidade que seu rosto não poderia ser distinguido de um vulto cinza.

— Mas o que!? – exclamou o arqueiro, que teve seu foco retirado pelo corpo do amigo.

Varis se chocou com os tijolos laranjas da parede, tendo suas costelas quebradas e seu corpo afundado.

A dor era algo que não podia ser descrito com palavras.

Seus ossos perfuraram seus órgãos internos, os fragmentos quebrados dos ossos deram origem a uma pesada hemorragia. Sua consciência estava começando a sumir.

Após alguns segundos preso na cratera da parede, Varis caiu no chão, criando uma enorme poça de sangue ao seu redor. A areia entrava em seus ferimentos e seus ossos expostos alegravam as pessoas da plateia, causando enjoo em algumas despreparadas.

O ladino – que apesar de tudo ainda estava vagamente consciente – desejava aos montes pelo menos o perder da consciência para amenizar aquela dor. Olhando para o céu, Varis encarou o sol do meio dia que queimava suas retinas lentamente.

Aquela era a morte do tal assassino.

Uma criança doutrinada para se tornar aquilo.

O assassino criado para ser um líder de assassinos.

O Louco que queria apenas tomar suas decisões como os normais.

O assassino que só queria não ser um assassino.

Mal conseguindo assimilar um pensamento final ele conseguia direito.

Sua mente estava vazia tão quanto nunca esteve, como se a aceitação da dor estivesse consumindo seus pensamentos aos poucos. Nem ao menos pôde xingar alguém como o planejado por ele em pensamentos aleatórios.

Eis que no meio daquilo duas figuras completamente cobertas com panos saltam da multidão das plateias do coliseu. Uma queda de cinco metros que aparentemente não causou nenhum dano, o que trouxe imediatamente a dúvida a plateia.

Uma possuía quase dois metros e carregava com sigo uma bolsa de couro. A outra possuía dois metros e trinta, músculos que quase não podiam ser tampados pela roupa e um machado de duas mãos presas em suas costas.

O foco de todos mudou mais uma vez.

Ao mesmo tempo havia o gigante em direção ao paladino com os punhos flamejantes, a luta de Aquiles com o lanceiro, o ferimento de Varis e agora a invasão de duas pessoas muito altas na arena.

Varis não conseguiu discernir o mundo ao seu redor, mas direcionou seu olhar quando a sombra de um dos dois se aproximou de sua visão. Com dificuldades ele mudou seu foco e os observou com um pequeno resquício de esperança.

Eles caminharam rapidamente até o ladino, ignorando os guardas gritando e correndo para as entradas das celas do coliseu. O elfo negro era seu principal foco, sem dúvidas.

Ao chegar perto de Varis, o ser encapuzado se ajoelhou ao seu lado e começou a vasculhar sua bolsa, tirando dela um cantil com algum líquido estranho e diversas mordaças e tecidos.

O cantil foi colocado na boca de Varis que o bebeu, mesmo não sabendo sua origem.

– Isso vai ter que servir. – A voz familiar afirmou.

Os guardas saíram das portas das salas de espera que antecedem a área aberta do coliseu.

— Eu poder atacar? – Pergunta o ser maior, já tirando seu machado de suas costas e direcionando seu foco para os guardas.

O outro deixou alguns fios amarelos de seus longos cabelos escapar do capuz, afirmando com um sorriso.

— Sim, você pode.

Ao ouvir a má conjugação do verbo “poder”, Varis percebeu que conhecia aquele jeito rústico e primitivo de falar, mesmo com a voz distorcida devido a suas condições, pois o ouvira com frequência, muita frequência.

Como última visão antes de seu desmaiar, o ladino viu emanar de magia das mãos de Voltten, que o olhava de uma forma doce e esperançosa, como se estivesse a dizer Tudo vai passar, só tenha calma.

— Relaxe meu amigo, não é sua hora ainda.

O ladino sorriu, dando pequenos risos irônicos que se perderam com algumas tossidas. Logo após tomar tudo do cantil, Varis tendeu a perder a consciência por completo, logo desmaiando, tudo isso enquanto mantinha um leve sorriso relaxado no rosto.

Por Tisso | 21/07/20 às 16:31 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia