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Capítulo 37 - A cura e a Aura

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 37 - A cura e a Aura

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya.

Oito da manhã.

Centro comercial de Suma.

Quatro horas antes da luta no coliseu.

Voltten estava a vasculhar as mercadorias de uma loja da capital.

Um lugar especializado em plantas de cura e artigos religiosos, perfeita para achar as ervas necessárias para seus fins medicinais.

Passando seus dedos na variedade de ervas que estavam a ser cultivadas na loja que residia em uma entrada de casa, o mago encontrou as folhas que tanto procurava.

Cultivadas com meios mágicos, as mesmas apresentavam uma qualidade que justificava seu preço.

Várias pétalas de rosas negras com pequenas manchas vermelhas foram pegas pelo elfo. Ele não pensou duas vezes e pegou todas as que estavam na caixa de madeira que a atendente mostrou.

Cem moedas de ouro.

O valor foi pago de bom grado por Voltten, que sacou o saco que havia sido entregue ao grupo como precaução para caso eles passassem necessidades no local.

— Obrigado. – Disse o mago, guardando a pequena caixa recheada de pétalas de rosas em seu bolso.

— Ei senhor? – Perguntou a atendente. Uma mulher velha, quase em suas últimas décadas de vida.

Voltten ficou levemente receoso com o que aquela mulher iria lhe questionar, mas lentamente se virou para ela.

— Sim, pois não? – Respondeu o elfo loiro parando sua caminhada para fora do estabelecimento.

— Você não é desse país, certo?

— Sim, não sou... – Voltten afirmou sem jeito e preocupado com o rumo daquela conversa.

— E aquela coisa vermelha? — A mulher apontou para Glans, que esperava o amigo no lado de fora da loja, assustando todos que o viam, naturalmente. — Ele está com você?

— Sim... – Voltten ficou cada vez mais nervoso, sempre pensando em tentar sair o mais rápido daquele lugar. — Ele é meu guarda-costas, estamos a cruzar o país neste momento. – Falou o mago, em uma desculpa fajuta que inventou.

— Entendo... é melhor vocês tomarem cuidado...

— Como?

— Olhe para seu guarda-costas, ele assusta a todos que o veem, vocês facilmente vão ser abordados. – A mulher afirmou de forma clara e óbvia, coisa que não se passou pela mente preocupada do mago naquele momento. – Além disso, um elfo branco e loiro como você pode ser estranhado pelos nativos desta cidade.

— Entendo... – Afirmou Voltten, pensando em uma solução para este problema.

— Mas é só isso, boa sorte em sua travessia.

— Obrigado. — Agradeceu o mago, saindo da loja.

Voltten se dirigiu a Glans que, mesmo não fazendo nada, assustava a todos que se deparavam com ele, fazendo uma zona a seu redor que ninguém ousava chegar perto.

— Talvez ela esteja certa... – Murmurou Voltten, suspirando logo após a afirmação.

— O que? – questionou Glans, não entendendo a afirmação.

— Nada, apenas vamos, tenho que comprar ataduras ainda.

Os dois se puseram a caminhar para a multidão que, por medo, abria caminho para a travessia de Glans.

Voltten viu as expressões assustadas das pessoas e logo veio em sua mente uma possível confrontação com os guardas, que poderiam ser acionados pelo medo geral.

Porém, mesmo assim, ele se pôs a procurar uma loja de artigos para medicina, pois a venda anterior apenas comercializava ervas para consumo e seu plano precisava de mais, muito mais.

Nove da manhã

Leste do centro comercial de Suma

Três horas antes da luta no coliseu.

Voltten, finalmente, encontrou a loja de artigos médicos que tanto procurava.

Ele comprou logo de imediato, o bastante para enfaixar um esquadrão de soldados inteiro e três frascos de pomadas específicas, para não haver possibilidade de faltar alguma coisa.

O mago saiu da loja com um grande peso adicional na mochila e o resto do dinheiro dado por Ortros para a missão, que não estava nem perto de seu fim.

“Impressionante!” Gritou mentalmente Voltten. “Gastamos tanto e ainda temos muito”.

Ao se dirigir para Glans, ele percebeu de imediato que o mesmo estava a conversar com dois guardas do reino.

O mago entrou em pânico imediatamente. Sem saber o que fazer, se escondeu dentro da loja que acabou de sair e começou a morder seu cabelo novamente.

— Droga! – Xingou, enquanto pensava o que fazer. — Pensei que minha sorte nos ajudaria a não ser confrontados, definitivamente seria melhor ter ouvido a mulher da loja ao invés de deixar em segundo plano.

O mago deu mais uma olhada para o amigo que ainda estava a conversar. Tentando fazer leitura labial, mas falhou completamente, ele voltou para o seu esconderijo.

“Não, não fizemos nada de errado ainda, não podem nos levar para lá. A menos que...”

O mago imagina mentalmente uma conversa entre os guardas e Edward. Em sua mente, o planejar e liderança do paladino conseguiria, por algum motivo inexplicável, convencer os guardas a capturarem ele e Glans para um combate mais “esportivo”.

A respiração do mago começou a pesar e o mesmo a se arranhar de nervosismo.

“Sim, é isso que aconteceu!” Murmurou Voltten, tentando organizar seus pensamentos. “Agora é só ir lá que eu e Glans vamos ser levados para o coliseu junto de Edward, Varis, Aquiles e James”.

O mago aquietou seus medos e cacoetes. Começando a caminhar confiante em direção a Glans, o mesmo ainda estava a conversar com os guardas.

— Nós nos rend... – começava a falar Voltten.

— Isto é tudo, obrigado e desculpe o incomodo. — Afirmou um dos guardas, se retirando logo em seguida e levando seu companheiro consigo.

O mago ficou pasmo e ao mesmo tempo assustado. Glans conseguiu cuidar de uma situação crítica como aquela sozinho e ainda conseguiu se livrar dos guardas.

— Voltten estar bem? – Questionou o draconato, ao ver o amigo assustado e eufórico em seus pensamentos.

— Sim, Glans, eu estou. — Respondeu o mago recompondo a postura. — A propósito, o que os guardas queriam?

— Eles perguntar de mim. Querer saber se outros estar comigo.

— E o que você disse?

— Eu dizer Glans ter amigos e família, os dois estar distante.

— E depois disso?

— Depois disso eles dizer Não fazer nada ruim, drageu.

— É “dragão”.

— O que ser dragão mesmo?

O mago encarou o amigo, enquanto ainda acalmava sua mente.

— Nada, nada. — Voltten soltou um suspiro aliviado. — É melhor nós comprarmos algo para nos cobrir, ficarmos muito expostos vai dar problema.

Dez da manhã.

Arredores do centro comercial de Suma.

Duas horas antes da luta no coliseu.

A simples presença de Glans na loja de roupas assustou o vendedor, que se encontrava receoso perante os enormes músculos do draconato.

Voltten olhava os mantos e os casacos que poderiam ser usados por eles para que os cobrisse por completo.

Gastando do dinheiro dado para a missão, o mago adquiriu dois mantos brancos empoeirados e bem mal cuidados.

Porém, mesmo com a qualidade da mercadoria sendo ruim, o produto iria servir perfeitamente para que o objetivo pudesse ser realizado.

O preço foi acertado pelo mago, que comemorou sua compra com um sorriso de orelha a orelha, pois conseguira tudo de necessário para seu plano.

Os dois amigos começaram a andar rumo a estalagem que alugaram, agora com seus mantos os cobrindo.

Mesmo com a pele de Glans tampada, muitas pessoas evitavam se aproximar com eles, por causa do tamanho dele que, mesmo coberto, ainda esbanjava altura e musculatura.

Porém, a travessia havia sido a parte mais tranquila da viagem até agora.

Dez e meia da manhã.

Arredores do centro comercial de Suma.

Uma hora e meia antes da luta no coliseu.

Voltten misturava as pétalas de rosa a água e as pomadas, as fervendo em um chá que, supostamente, aumentaria as capacidades de circulação sanguínea de quem bebesse daquele líquido, por meio de anestésicos que facilitariam o fluxo sanguíneo em troca de uma anestesia extrema.

Claro que para isso ser de fato efetivo, seria necessário o urgente tratamento médico de um curandeiro que deveria manipular tanto o sangue quanto a absorção dos nutrientes do chá.

Glans voltou da taverna que a estalagem possuía com um cantil metálico peculiar prezo a bermuda de couro de animal que possuía. Logo quando chegou no quarto, ele observou o amigo enquanto prendia o machado em suas costas.

Usando uma bolsa de couro que havia trazido para a viagem, o mago arrumou seus itens médicos juntos dos que já haviam na mala – pomadas e panos velhos manchados de sangue.

Os dois sabiam que já estavam prontos para a missão, o plano era simples, quando os eventos no coliseu começassem a ficar fora de controle, com diversos pontos de foco, os dois pulariam no local.

Voltten curaria os feridos e Glans daria suporte de combate.

Meio dia.

Centro do coliseu de Suma.

Cinco minutos após o ataque desferido em Varis.

Os guardas estavam a poucos metros de Glans e Voltten.

Edward estava a assustar todos a sua volta com seus punhos que emanavam enormes chamas verde esmeralda.

Aquiles e James estavam em um impasse, hora olhando para seu rival ferido, hora distraindo-se com as chamas verdes nos punhos do amigo e hora com o inimigo lanceiro.

O imperador Kaf ficou levemente nervoso, não pela invasão de seu coliseu, mas sim pela invocação de um feitiço divino em sua arena de combate.

— Parem! – gritou o imperador com sua voz imponente, calando todos os que vaiavam e gritavam durante o combate, como se fosse magia.

O silêncio havia tomado conta do lugar a níveis extremos.

Os guardas estavam a parar de se mexer, os monstros que desafiavam o grupo tinham sua atenção tomada pelo imperador.

Por segundos a única coisa que se ouvia era o barulho emanado das chamas verdes do paladino que estalavam tal como uma fogueira.

— Eu declaro que este combate acabara de ganhar dois novos gladiadores! Não há a necessidade de intervir! – afirmou Kaf, se ajeitando em seu trono logo em seguida.

Os guardas começavam a recuar de volta para dentro da estrutura do coliseu, os monstros voltaram a encarar seus devidos adversários e a multidão foi ao delírio.

Edward sorriu ao ver Voltten tratando de Varis.

O paladino percebeu já que o “amigo” sacrificou seu corpo para que ele pudesse emanar aquele feitiço com o máximo de perfeição possível, algo que querendo ou não, lhe comoveu de certa forma.

Logo em seguida, Edward desviou seu olhar, o fixando no gigante que estava a preparar mais uma batida no chão com seu porrete. Assim como anteriormente, a enorme arma desceu ao chão, acertando em cheio o paladino, mas ele não havia se ferido, muito pelo contrário.

Edward estendeu o punho fechado para que os seus dedos entrassem em contato com o porrete. A magia que o envolvia serviu de amortecedor para o impacto, deixando o monstro e todos que o viam impressionados com tamanhos poderes mágicos vindos de apenas uma pessoa.

O paladino por segundos teve sua mente tomada pelos requisitos da magia e de tudo que lhe foi falado sobre ela.

Arder de Seus Pecados”. A voz de Parysas veio dos ventos e foi implantada na cabeça do paladino com extrema nostalgia. “Rezam as lendas, que a versão original dela foi criada pelo próprio Arcanjo Raguel em seu primeiro e único confronto com Lúcifer ainda antes dos anos mil, Gabriel espalhou a mensagem para mundos a fora após o confronto com a esperança de ajudar alheios”.

O aumentar das chamas do paladino ao interagir com o porrete ocorria em questão de segundos.

“A magia consiste em envolver os pecados de seu inimigo em uma aura de fogo” Continuou Parysas nas lembranças de Edward “Se o oponente cometer o mal de forma consciente, isso servirá de combustível para a magia, variando de alvo para alvo, o que representaria o Arder de Seus Pecados

A enorme aura de Edward começou a modificar a arma que estava a parar o golpe. O seu metal dourado agora estava com tonalidades vermelhas e laranjas, como se estivesse derretendo.

O calor transcendia a área do impacto e se alastrava até o punhal do porrete, esquentando a armadura dourada do gigante. Logo em seguida seu inimigo o soltou de relance a arma devido a dor. Os ataques de fogo de Edward de fato estavam a fazer efeito, o mesmo sabia disso.

Porém, o paladino não conseguia sentir prazer de atacar o inimigo, ele só sentia pena do mesmo. Diferente do escorpião, esse monstro não foi forçado ou doutrinado a matar, era bem possível que ele tinha uma vida de rei na sua ala do coliseu e matava gladiadores apenas por prazer, afinal o mesmo podia muito bem atacar a plateia e fugir dali a qualquer momento.

A confirmação definitiva do paladino foram as chamas de seus punhos. Elas estavam aumentando cada vez mais, cada vez consumindo mais dos pecados de seu inimigo e os convertendo para energia.

Nem mesmo contra demônios enfrentados anteriormente Edward sentiu tantos pecados acumulados, era claro que aquele em sua frente não era um ser justo, um ser que suas ações fossem relevadas, era apenas um viciado em chacina e luxúria.

Aquele era o mais pútrido ser que Edward já enfrentou, o eliminar não era mais questão de sobrevivência e sim uma questão de tentar salvar o pouco de honra que ainda restava naquele ser, o eliminando de forma justa.

Por Tisso | 23/07/20 às 13:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia