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Capítulo 38 - As Chamas de Seus Pecados

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 38 - As Chamas de Seus Pecados

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya.

O arqueiro correu em direção a Glans. Dois tapas de leve foram dados nas costas do draconato, que logo reconheceu James.

— Troca. – Falou o arqueiro de forma esperançosa, afinal, sabia que não ia conseguir fazer nada sem flechas.

Glans não compreendeu os dizeres do amigo, o encarando com uma cara de dúvida, James faz um leve esforço para ler as feições do amigo, mas logo entendeu a situação.

— Vai lá ajudar o Aquiles. — Explicou James, dando um terceiro tapa no amigo.

Glans compreendeu o recado e puxou o capuz para trás, revelando sua face vermelha para as pessoas da plateia que se assustaram. O machado foi empunhado com força e o draconato se pôs a correr em direção ao lanceiro que estava enfrentando Aquiles.

James observou o amigo a correr, mas logo se distraiu com Voltten que se pôs a ajudar Varis. O arqueiro abandonou seu arco inútil e andou até o lado do mago, que estava de joelhos enquanto emanava uma magia de cura no corpo do ladino.

— Precisa de ajuda? – Pergunta James, com um tom preocupado em sua voz.

— Hum? – Voltten virou sua cabeça em noventa graus, identificando o de amigo de seu lado. — Os chás já devem estar fazendo efeito, eu só preciso me manter.

— Meus chás foram úteis então? – James perguntou apreensivo, já esperando a resposta.

— Sim, muito. – Voltten disse de forma tensa. – Nunca vi ninguém em um estado como o dele, seus ossos do peito estão atravessando a pele e seus outros membros parecem ter se quebrado com o impacto. Pelo menos não teve ferimentos sérios no crânio e pescoço, ele só está desmaiado, não que isso seja bom, mas evita ele se debater.

— Tem solução para isso?

— Minhas magias são boas, mas não a ponto de curá-lo por completo, pelo menos não agora. – Voltten ficou apalpando a pele de Varis, rasgando sua camisa cuidadosamente.

Após o retirar da roupa, a pele cinza completamente aberta e com ossos expostos foi revelada junto das origens das poças de sangue.

 – Estou aplicando uma espécie de primeiros socorros, acho que os ossos devem voltar para o lugar pelo menos. – Disse Voltten, extremamente nervoso, mas mantendo a calma na magia, deixando sua cura estável. – Ou pelo menos a gente deve colocar eles.

— Posso ser útil em alguma coisa?

— Está vendo a bolsa de couro do meu lado?

James desviou seu olhar para a esquerda do amigo, identificando o objeto em questão.

 — Sim. — Afirmou o arqueiro.

— Pegue-a e me passe o que eu pedir. – Voltten colocou a mão para trás. – Passa o martelo.

– Martelo? – James questiona assustado.

– Não, melhor, o punhal.

James engoliu lentamente a saliva e pegou uma adaga afiada que estava guardada na bolsa do mago.

– Foi mal aí Varis, mas vamos ter que abrir um pouco pra isso. – Voltten afirmou após pegar a arma e demarcar mentalmente onde deveria cortar. – James, pegue o outro cantil e fique derramando nas partes abertas.

– Certo. – Disse o arqueiro, tenso com a medicina feita pelo amigo.

O draconato correu na direção do lanceiro, já preparando um ataque surpresa com seu machado.

Porém, os passos pesados de Glans denunciaram sua posição para o lanceiro, que logo desviou seu olhar para a enorme besta coberta vindo em sua direção.

A lança foi empunhada pelo inimigo que a girou momentaneamente e a direcionou de encontro com o peito do draconato, que logo percebeu o inimigo tentando o golpear e saltou para trás. Sofrendo apenas um arranhão no manto e um corte em sua carapaça de escamas, que logo parou de sangrar.

Aquiles tentou de novo o mesmo ataque, recuperando a segunda cimitarra rapidamente. Correndo para cima do lanceiro, o cavaleiro já previu o balançar da arma de seu inimigo, tentando lhe acertar com o cabo da lança.

Porém, desta vez o movimento executado pelo lanceiro não foi um horizontal e sim um na diagonal, com o foco específico nas pernas do elfo ruivo.

O atingir da arma com as pernas desprotegidas do cavaleiro aconteceu e o mesmo acabou por cair, largando uma de suas cimitarras e deixando sua defesa completamente destruída.

O lanceiro recolheu sua lança e a levantou, pretendendo a usar como uma espécie de marreta, para golpear Aquiles que percebeu as intenções do inimigo e posicionou a cimitarra que ainda possuía de encontro com a lâmina da lança para defesa.

 Mas ele sabia que aquilo não aguentaria a força exercida pela arma e sua defesa seria destruída, a lâmina da lança o acertaria em cheio no braço ou no antebraço, no mais pessimistas dos casos lhe acertaria a cabeça e vendo a força somada ao peso e lâmina amputaria qualquer membro.

O descer da arma foi efetuado pelo lanceiro, mas o ataque foi interceptado, não pela cimitarra fracamente empunhada do cavaleiro, mas sim pelo bruto cabo de madeira decorado por faixas de Glans.

O draconato se pôs a proteger seu amigo, fazendo com que a lança apenas afundasse no cabo de sua arma, que acabou de ganhar um arranhão um pouco maior em sua estrutura.

A sombra feita pelo bárbaro cobriu o rosto confuso de Aquiles, que observou o manto branco sujo a sua frente o protegendo. O elfo entendeu a situação após alguns segundos, se levantando e pegando a arma que havia derrubado logo em seguida.

— Eu podia cuidar disso sozinho. — Disse o cavaleiro como uma espécie de deboche e agradecimento enquanto arrumava a postura.

— Eu só tentar ajudar. — Respondeu Glans, enquanto forçava seu machado para bloquear o golpe do lanceiro.

— É, eu sei. — Resmungou Aquiles, escondendo o agradecimento real a Glans. Logo em seguida o elfo empunha as duas cimitarras para atacar novamente. — Te pago uma cerveja depois.

A troca de socos era intensa.

Edward usava de sua magia, ainda um pouco instável, para aguentar e golpear o gigante que tinha suas luvas queimadas pelo fogo verde esmeralda do paladino.

 Aos poucos, o dourado da armadura se transformava em um vermelho amarelado, símbolo do derreter da proteção do gigante, concluindo assim o plano sugerido de Varis.

O elfo permanecia frio a cada golpe, cada soco, cada encontro.

Mesmo agora estando de frente-a-frente com o gigante e tendo suas habilidades mágicas como algo para deixá-lo a par de igualdade com a força do inimigo, o paladino ainda se preocupava inconscientemente com o assassino, que se sacrificou de sua saúde e talvez vida para que aquilo acontecesse.

Mesmo que soubesse que Varis estava sendo curado por Voltten, Edward estava aflito e rezando pelo bem do assassino, que jurou nunca construir laços, mas que ocasionalmente cedeu ao companheirismo de guerra.

Com todos os seus companheiros ao seu redor se esforçando ou fazendo algo, Edward concluiu que seria melhor jogar na defensiva, não atacar diretamente, apenas esperar o inimigo golpear para se defender, assim aos poucos desfazendo sua armadura.

A plateia ia ao delírio com o fogo mágico se chocando com os punhos do gigante e logo em seguida se expandindo brevemente no ar, sumindo após alguns segundos.

Ambos os oponentes estavam em seus êxtases e seus olhos estavam focados nos movimentos um do outro, o sangue subia até a cabeça do paladino lentamente, se misturando com suas preocupações e dando a ele confiança e determinação tamanha a ponto de não sentir mais o medo da morte ou o receio da magia acabar.

O mesmo aconteceu ao gigante. Mesmo com suas mãos fervendo e suas luvas queimando a ponto de quase derreterem, estava a rugir e a urrar na intenção de assustar seu oponente.

O mesmo movimento inicial foi feito pelo gigante que acabara de abandonar sua defesa por completo. Ignorando a dor que sentia em suas mãos, ele realizou uma nova investida em direção ao paladino.

O chão começou a tremer e a areia a subir, Edward reconheceu as intenções de seu inimigo que pretendia lhe esmagar contra o chão ou parede.

Porém, diferente da fuga feita na primeira investida do gigante, ele se pôs a reunir energias em seu punho direito, preparando o mesmo com um soco que tinha como objetivo derreter de uma só vez alguma parte da armadura de seu inimigo e iniciar uma combustão interna dentro da armadura em um único ataque direto.

Ele já havia feito isso em Kranbar quando usou uma grande capacidade da magia de uma única vez. Os cinco usos diários da magia já haviam se transformado em três naquele ponto, evoluindo naturalmente para uma magia mais poderosa.

Utilizar os outros três usos restantes de uma só vez lhe garantiria a vitória, mas ao mesmo tempo ele não sabia se ia ou não aguentar os efeitos colaterais de tal poder.

O objetivo ambicioso não foi questionado pelo paladino que, naquele ponto, já não raciocinava direito, tendo como principal objetivo a derrota de seu oponente. À medida que o gigante se aproximava, as chamas cresciam, se expandindo a ponto de cobrir o paladino em uma mancha de fogo verde que impressionou a todos que estavam assistindo.

O punho erguido do inimigo improvisou uma arma próxima para se chocar com o paladino em instantes, o mesmo já parou de reunir forças, se focando em acertar o tempo que precisaria realizar o golpe.

Por meros segundos a luta desacelerou na visão do elfo negro, que deslumbrou o mundo em uma espécie de câmera lenta, vendo com detalhes o ser dourado vindo em sua direção com o punho o tampando pela metade.

Viu também, os dois amigos a golpear o lanceiro, tentando quebrar a defesa do inimigo. Por fim, viu James e Voltten a cuidar de Varis com o uso de instrumentos médicos e meios mágicos.

Os últimos três usos da magia foram usados como explosões de fogo em sua mão, todas com um intervalo quase que inexistente. O êxtase momentâneo havia acabado em segundos e tudo o que se identificava pela visão do paladino era o punho desfocado vindo em sua direção.

Porém, mesmo sem pensar, ele já se pôs a devolver o golpe por instinto. Os gritos daqueles que assistiam as lutas tomaram a audição de Edward, que sentiu seus sentidos se perderem lentamente, um por um.

Chegou ao ponto máximo quando seu corpo parou de responder, agindo apenas pelo seu senso moral e determinação, ou talvez, guiado pelo sua fé.

O enorme ser havia acabado de encostar sua mão com o minúsculo punho do paladino.

O choque das forças dos dois rivais ocasionou uma enorme explosão que afetou a audição de todos os que ali estavam, por segundos tudo o que se ouvia era um zumbido da pós-explosão.

A areia também foi afetada, sendo levantada pelo ar do choque dos dois punhos, cobrindo totalmente a arena de combate como uma névoa densa alaranjada.

Em meio as enormes nuvens que cobriam todo o centro do coliseu, um vulto verde foi avistado. Seu som se assemelhava a de mil árvores queimando simultaneamente, mas não estava sendo escutado por ninguém devido ao zumbido.

Junto do som das chamas, os berros e urros de dor eram camuflados e ignorados por todos que apenas observavam assustados a enorme mancha verde esmeralda se movendo no centro do coliseu.

Aos poucos, a poeira baixou o suficiente para revelar a cabeça do gigante, que estava a ser consumida pelas chamas sagradas que emanavam das frestas de sua armadura.

A audição dos que lá estavam voltou aos poucos, dando passagem para os que os berros de dor do ser fossem ouvidos pelas massas de pessoas.

O ser armadurado se ajoelhou em meio a tortura que sentia, olhando para os céus friamente. O fogo aos poucos o consumiu por completo e o cair dele para o lado decretou sua morte.

Kaf observou o leito de morte de seu melhor monstro com extremo espanto, não acreditando que o ser que acabara com milhares de gladiadores estava a morrer na sua frente.

Os urros de dor silenciaram com o partir da alma do gigante, dando espaço para os enormes gritos de comemoração da plateia, que contrariava as expectativas do imperador e pedia pela vitória dos gladiadores.

— Senhores... – Afirmou Kaf chamando a atenção de seus guardas que demoram a atendê-lo, pois estavam igualmente impressionados.

— Sim, vossa majestade? – Perguntara um dos guardas que o escoltava no camarote, se ajoelhando antes de dirigir a palavra.

— Ao fim desta luta trate os feridos.

— Mas meu senhor...

— Sem “Mas”! – Gritou Kaf indignado. — Quero também uma audiência com este grupo, de preferência todos dele, ou com o maior número possível.

— Sim, vossa majestade. — O guarda se retirou rapidamente, informando os pedidos do imperador para seus colegas. 

Por Tisso | 28/07/20 às 18:21 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia