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Capítulo 44 - A Pior Decisão Possível

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 44 - A Pior Decisão Possível

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

O ladino acordou em uma carroça.

O sol brilhava em suas retinas irritadas, mais vermelhas que o normal.

Ao olhar para seu corpo, reparou que suas roupas não eram mais os retalhos de prisioneiros e sim vestes requintadas dignas de nobres senhores feudais, ele se surpreendeu e se espantou por completo.

A única coisa que se lembrava era da dor que sentiu antes de desmaiar.

Em sua mente badalava os feixes dos resquícios da grande e imensurável tortura que sofreu após ter seus ossos quebrados e expostos devido ao impacto na parede do coliseu, em meio a isso, também estava os dourados fios do cabelo de Voltten.

Varis desabotoou a camisa branca que estava usando, analisando seu peito e percebendo que o mesmo não possuía nenhuma cicatriz nova, algo que seria impossível devido aos ossos de suas costelas que certamente tinham rasgado sua pele.

Deixando a estranha pele intacta de lado, o ladino se pôs a analisar o caminho que a carroça estava percorrendo.

Ele estava em um lindo vale verde limão, com inúmeras árvores e plantas belas. Desde as típicas rosas a amarílis, azaleias e plantas tão lindas que se destacavam mesmo que de longe.

Ao longe, uma cidade grande e rústica, mas que não podia se ver muito devido à distância.

Varis também olhou para quem estava conduzindo a carroça. Ele apenas viu um chapéu de couro novo em folha com uma trança branca escapando para fora.

Ao se aproximar e circular o rosto do homem, o elfo já pré-visualizou o rosto de Cérbero – que possuía o costume de sequestrá-lo e levá-lo junto para missões e viagens em uma carroça para evitar conversas.

Porém, a leve surpresa alegra vagamente o ladino. Aquele homem que estava conduzindo a carroça era um velho senhor, com uma pacífica face sorridente, completamente diferente do rosto ameaçador de Cérbero.

— Algum problema, senhor? – questionou o homem, ao perceber que Varis estava lhe encarando.

— Hum!? – exclamou Varis ao ser descoberto. — Não, nada, nenhum problema.

O ladino se aquietou em seu assento e voltou a admirar a paisagem, tendo uma leve impressão de já ter visto esse lugar antes.

— A Propósito, onde estamos indo? – Questionou.

— Ora, o senhor perdeu a memória? – Respondeu o velho, em um tom bem humorado e cômico.

— Bem... Um pouco. — Respondeu Varis, no mesmo tom de voz.

— O senhor está voltando para casa.

— “Casa”? – Perguntou o ladino, não compreendendo o que estava acontecendo.

— Sim, meu lorde. Sua casa.

O ladino começou a desconfiar do que estava acontecendo, tomando que aquilo era completamente falso, uma ilusão de sua mente.

 Tentando escapar de sua própria cabeça, Varis olhou para a estrada de chão batido e pensou em uma forma de se jogar do veículo em movimento sem sofrer lesões.

Porém, seu corpo se recusou a se mover no exato momento em que ele tentou pegar apoio.

O desespero subiu a cabeça de Varis, que impulsionou mentalmente seus músculos, mas não teve a resposta dos mesmos que permaneceram imóveis, o que só trouxe mais e mais agonia no ladino.

O seu mundo se atrofiou em sua frente, como se suas íris estivessem a ser picotadas e ao mesmo tempo se regenerando. A visão foi arrancada violentamente e ao mesmo tempo se regenerou em instantes.

Um ciclo de alterações oculares ocorreu e em segundos Varis se viu em outro lugar.

Olhando rapidamente, viu que estava sendo acompanhado por um mordomo. Um homem de terno bem arrumado com face de nobre. Não reconhecendo o cenário à sua volta e olhando mais uma vez para compreender o que acontecia, Varis continuou confuso em meio ao mundo de ilusões.

A paisagem calma e serena do bosque verde limão havia se transformado em um centro comercial de uma metrópole, com inúmeras pessoas o circulando e o cumprimentando.

O mordomo que o acompanhava possuía uma cara séria e velha, nada semelhante ao senhor que estava levando a carroça anteriormente. As suas roupas estavam misteriosamente ajeitadas novamente, parecia que ele nunca tinha aberto elas para conferir o estado de seu peito.

As pessoas puxaram a sua mão direita quase que levando com ela o braço inteiro do ladino, que cumprimentava quem o puxava, mesmo que contra sua vontade.

Em meio às construções de pedra da metrópole, outra coisa familiar se destacou aos olhos de Varis.

Era uma igreja, uma construção gótica negra com uma estátua de pedra com a figura de um anjo empunhando uma espada e a exibindo para o céu.

O ladino se arrepiou por completo, tendo como principal sentimento o medo, depois a dúvida e o receio, ele sabia que já havia visto aquele cenário antes, até mesmo algumas pessoas se tornaram reconhecíveis depois de alguns segundos...

Foi então que ele viu, entregando um buquê de rosas para uma criança, a mulher que lhe assustou completamente.

Seu rosto não era fora do comum, não possuía nenhum adereço físico ou arma a mostra que causasse medo, apenas empurrava seu carrinho de flores por aí.

Porém, Varis lembrou com detalhes do rosto daquela mulher, uma jovem elfa que havia conhecido a tempos, uma conhecida, talvez amiga, e o principal, uma assassina de seu antigo clã.

Por instantes a imagem do rosto da mulher coberto de sangue e completamente cortado pelas espadas de guardas vieram à tona na memória do ladino que quase deu um grito de espanto, mas seu corpo não permitiu.

Amedrontado, ele deslizou seus olhos para a criança que segurava o buquê com um sorriso imensurável.

Porém, até isso o assustou ainda mais, a figura de pele cinza do garoto que atravessava a multidão, sempre deixando o buquê em destaque, espantava a medida que se aproximava. Seu rosto inocente e sua pele lisa eram totalmente reconhecíveis pelo ladino, não porque aquela criança era algum conhecido ou amigo, mas sim porque aquela criança era idêntica a ele quando mais novo.

Era como um espelho que refletia sua imagem quando jovem. Mas um espelho que se movia, um espelho que se aproximava, um espelho que lhe ameaça.

Agora tudo se encaixava como um quebra-cabeças em sua mente que juntou todos os locais vistos, os rostos reconhecidos e os acontecimentos que eram revistos pelo ladino que lembra por completo daquele dia.

O plano de seu clã era matar a duquesa de Frankenstein que havia acabado de descobrir que estava grávida. O executar do plano envolvia uma criança que levaria consigo uma adaga escondida entre as rosas vermelhas de um buquê que seria entregue a ela por uma assassina disfarçada.

Após isso o que deveria ser feito era simples. A criança deveria esfaquear a grávida na região da barriga ou útero, matando-a antes mesmo de que alguém a percebesse.

O plano havia sido o início da carreira de Varis e também seu primeiro pesadelo. Mas não fazia sentido aquilo estar acontecendo, pois ele havia superado aquele trauma há muito tempo.

Foi então que ele viu, se movendo entre as pessoas, a criança, que já abandonara as flores de seu buquê, estava prestes a estocar com a adaga.

Porém, ao olhar seus olhos, Varis reconheceu as íris brancas do demônio que lhe assombrava como uma maldição.

Os enormes olhos do ser correram por seu espírito e o deixou extremamente desconfortável, a dor da adaga do garoto perfurando sua barriga se mesclou com a agonia de sua alma sendo torturada, fazendo o ladino morrer lentamente em seu sonho.

“Coma! Coma!” Os gritos em sua mente vieram à tona novamente. “Almas, carne, prazeres, precisamos comer! O fogo! Ele queima! Não siga! Não siga o fogo!”

Com um grito de dor tremenda, o ladino despertou de seu desmaio profundo. Ao abrir seus olhos com extremo pavor e ainda com as vozes em sua mente, Varis se deparou com um teto branco como marfim.

Mesmo questionando sua sanidade, o ladino sentia que aquilo era real, mesmo não tendo como comprovar.

Varis relaxou um pouco ao entender o que aconteceu, se tratava apenas de um sonho ruim, mas também lembrou que já havia tido esses sonhos bizarros anteriormente.

Todas as vezes quando ele desmaiava era um novo. Não podia ser uma coincidência, mas se fosse ia ser uma bem incrível.

Após a dúvida de seu sonho passar, o ladino direcionou sua visão para seu corpo, virando a cabeça para baixo vagamente.

Apenas isso lhe causou um desconforto no pescoço, algo que ele achou ser natural por acordar em uma cama dura. Ao olhar, ele se deparou com seu peito totalmente coberto por mordaças médicas que já perderam a coloração branca a tempos, sendo agora uma mistura de vermelho do sangue seco e de amarelo da poeira que a sujou.

O ladino se assustou brevemente, mas encarou fácil isso como realidade e como consequência de seu plano que nem ao menos sabia se tinha funcionado.

Em sua mente, aquilo poderia ser tanto um paraíso quanto um castigo, a única certeza era a dor.

Ao tentar levantar o braço, uma tormenta imensa o atingiu. Era como se seus ossos estivessem se quebrando e reconstruindo a cada impulso dado pelos nervos do membro que latejavam e se contraiam em questão de segundos.

A dor extrema sentida por Varis o corroía por dentro e queimava a alma, fazendo-o lacrimejar uma pequena gota que escorria de seu seco olho direito e caiu para fora do rosto.

Com o passar de muito tempo se acostumando a aquela sensação horrível, a dor de se mover diminuiu, mas não parava de nenhuma maneira.

Varis, com muito esforço e dedicação, conseguiu se sentar em questão de quase meia hora de pura tortura física. Uma tosse saiu de sua boca, o mesmo a escondeu com seu punho fechado e a executou sentindo ainda mais dor enquanto tossia.

Ao olhar para o punho que havia tampado a tosse, pequenos respingos de sangue podiam ser vistos e identificados pelo ladino que se assustou ao vê-los.

— Não, você tem que ficar do lado de dentro. — Murmurou Varis, sentindo dor até ao falar. – Acho que não foi uma boa ideia ter se levantado, mas já que já tamo aqui...

Após a frase ser dita, um puxar de ar levemente mais forte foi feito pelo ladino, que não havia controlado direito a respiração. Aquele simples ato fez Variz sentir o pulmão raspando nas costelas.

A dor era vaga, mas já se tornou algo de costume naquele ponto.

O ladino ignorou por alguns segundos sua dor e direcionou sua atenção para o lugar a sua volta, se esforçando para identificá-lo, pois até mesmo sua visão estava vaga e ele não poderia ver a mais de alguns metros de distância.

Focando sua concentração, Varis percebeu que estava em uma sala luxuosa, provavelmente pertenciam a um castelo ou palácio de algum rei ou semelhante.

Seu interior era recheado de tapeçarias e quadros com figuras religiosas desconhecidas pelo ladino e em cima de algumas mesas que estavam por lá, tinham diversas plantas, livros e narguilés.

O elfo negro estranhou a sala, não conseguindo entender direito o que havia acontecido após seu apagar. Decidindo não descansar até encontrar uma resposta válida, ele encostou seus pés no chão.

Arrependimento, lamentação, penitência, dor, sofrimento, angústia, tudo era sentido pelo ladino naquele momento como um coquetel do diabo.

O não sabia se aquele era ou não o inferno, mas se não fosse, tinha certeza de que, quando fosse para lá, sentiria exatamente isso a cada momento.

Sentindo de imediato o quebrar de suas pernas que fizera o mesmo que seus braços. Ao depositar seu peso, ele se desequilibrou, involuntariamente Varis acabou caindo e com isso a sensação de todos os seus ossos se chocando com o chão e o arranhando internamente veio à tona, lhe causando outra dor imensurável.

O resultado disso foi outro grito que quase lhe arrancou todo o ar de seus pulmões que estavam a ser perfurados pelas costelas. O ladino chorou de dor, enquanto se remexia, voltava a ver o teto de mármore branco do local.

– Porque!? – Varis murmurou para ele mesmo enquanto chorava de dor ao mesmo tempo que era afogado parcialmente pelo sangue expelido de dentro de sua garganta. – Porque eu não fiquei na cama!?

Por Tisso | 18/08/20 às 17:12 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia