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Capítulo 46 - Mensagens

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 46 - Mensagens

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

Nota do autor². Estou iniciando um novo projeto pra complementar a historia de Evalon, no caso vai se tratar de uma serie de pequenos complementos pra um assunto especifico da historia ou respondendo alguma questão em especifico (podendo ou não possuir spoilers, mas isso eu planejo avisar antes, então não se preocupem). Já tem uma postagem relacionada que seria a edição 0, a medida que vou postando eu divulgo aqui, então pra quem se interessar segue o link. https://saikaiscan.com.br/news/45-anos-de-evalon-divine-notes/198  

— Quando o papai vai voltar?

— Não sei.

— Mas ele não volta a quase um mês.

— Ele está em uma missão.

— Mas quando ele volta?

— Já disse que eu não sei.

— Mas senhora Sansa...

— Crist, por favor, se concentre em seus estudos e foque em aprender. – Disse Sansa vagamente irritada com o uso da denominação de “senhora”, finalmente entendendo o que Cérbero queria dizer.

Cris olhou para os livros em sua frente, passando os olhos pelas palavras de um que havia aberto.

O fogo da lareira do lugar deixava a temperatura da sala agradável para as duas. Mas a mente infantil, sagaz e malandra da criança lhe fazem se desvirtuar de seus afazeres.

A distração da maga real foi proporcionada pelos seus inúmeros relatórios que estava escrevendo.

O foco de Sansa em outra coisa deu a deixa perfeita para um breve cochilo em meio a seus deveres.

Sansa se distraiu com as folhas espalhadas sobre a mesa, boa parte relatava alguma lei descumprida ou algum problema em determinada região, coisa essa, que era vista por Ortros e seu irmão, mas agora, em tempos de crise com os escolhidos, foram direcionados a ela.

Em alguns segundos, o foco da maga foi tomado por um livro que estrategicamente cobria o rosto de Crist por completo.

— O livro é uma boa leitura, Crist? – a maga questionou, tentando chamar a atenção da escolhida que supostamente deveria estar estudando.

Nada foi dito pela criança por longos segundos.

— Crist? – Insistiu Sansa.

O fogo estalando na lareira camuflava o silêncio e a decepção da maga real veio à tona.

Sansa levanta da cadeira que estava e olhou para o rosto dormente da jovem que estava quase a babar nos livros que usava como travesseiro.

A maga real deu um suspiro de cansaço e decepção com a criança, mas acabou por ceder e a pegou no colo, abrindo a porta da sala que estava e a carregando até seu quarto no enorme castelo de Cartan.

– Papai... você voltou... – Disse a criança, apalpando o pescoço de Sansa e o abraçando.

Era estranho para a maga uma criança em seu colo. Sansa possuía apenas vinte anos e foi criada quase que totalmente reclusa da sociedade.

O máximo de interação com homens que teve foi com seu irmão, Ortros e Cérbero, o resto fora apenas coisas superficiais como ordens dadas para guardas ou conversas rasas com crianças... exceto uma que de fato era sólida, sua relação com Voltten.

Voltten tinha sido seu companheiro de leitura a meses, ele se tornou uma espécie de melhor amigo, mesmo ela ainda estando confusa sobre isso, ela o considerava muito.

Aquela criança em seu colo era uma sensação calorosa, uma sensação confortante, uma sensação extremamente boa.

Nunca havia passado em sua mente ter um filho ou algo assim, mas aquela sensação mexia um pouco com ela de uma forma peculiar.

Por coincidência ou para o mero ato do destino, ao sair do quarto de Crist, Sansa acabou se deparando com Ortros e Parysas que lhe mostraram os dentes em um sorriso ao verem.

— Por que toda essa felicidade? – Questionou a maga real.

— Poderíamos responder, mas porque você não está sorrindo agora? – Perguntou Parysas, ao ver o rosto pensativo e envergonhado da irmã.

Sansa de imediato ficou corada, mas logo balançou a cabeça, ajeitando o chapéu e pondo um sorriso no rosto.

— Tivemos um dia difícil hoje. — Explicou Parysas, emanando seu sorriso encantador logo depois de falar.

— Decretos, tratados, crimes, demônios atacando, tendo que proteger e realizar selos e mais selos de proteção... — Listou Ortros em desânimo, sacando de dentro de suas roupas uma carta. — Parece que estamos vivendo o início de uma guerra.

— Pelo menos estamos estáveis no castelo. – Sansa afirmou, se escorando na parede da porta do quarto de Crist. – Crist e Bellator estão sob meus cuidados, apesar de ser a mais fraca de nós já é uma proteção direta.

– E o terceiro escolhido está trancafiado com Merlin desde que chegou quase. – Parysas suspirou. – O mesmo não quer falar nada nunca, não podemos fazer nada, ele é inúmeras vezes superior a nós...

– Ele aparentou ter uma boa relação com Voltten em uns pontos. – Sansa afirmou desanimada. – Eu tento conversar com ele também, mas o mesmo parece só se importar com ele, e esse “importar” é algo bem superficial ainda por cima.

Ortros observou os dois suspirarem em tons depressivos.

— Enfim, adivinhem o que é isso? – Ortros ergueu a carta na altura de seus ombros tentando animar os dois.

— Uma carta? – Perguntou Parysas, com uma leve dúvida.

— Sim, mas de quem ela é? – Questionou Ortros novamente.

Sansa olhou rapidamente para o papel e sentiu na hora de quem era o remetente.

— Senhor Cérbero! – Sansa pegou a carta da mão do falso rei.

— Acalme-se, apressadinha. — Disse Ortros, começando a se afastar dos dois irmãos. — Meu irmão mandou isso para vocês, então é justo que só vocês leiam.

– Não vai querer nem saber o que se trata? – Parysas perguntou curioso.

– Não, obrigado, se é de meu irmão já tenho ideia de como vai ser. – Ortros se afastou pelos corredores do castelo. – Estou indo, tenho trabalho a fazer, até logo.

— Adeus! — responderam Parysas e Sansa.

O paladino real pegou a carta das mãos da irmã e abriu o envelope que quantia a mensagem do amigo e mestre dos dois.

Sansa puxou os braços do irmão para que ela também pudesse ler a carta.

— Ei, se acalma. — Reclamou Parysas, puxando seus braços de volta.

— Então leia em voz alta. — Pediu a irmã.

Caros Parysas e Sansa, ainda estão vivos?

— Sem dúvida é o Cérbero, só ele começaria uma carta assim. — Comentou Parysas, dando uma pausa em sua leitura. Nota do Revisor: Realmente, é a cara do Cérbero começar assim…

Bem, as coisas aqui em Kranbar estão monótonas como sempre. Argel faz suas coisas, eu o protejo e fim. Sinceramente, nada de mais está acontecendo, nem mesmo os demônios estão a atacar a vila ou algo assim.

— A vila não tinha sido destruída? – Questionou Sansa.

— Pelo que eu vi, estão a reconstruindo, mas não sei como está agora. — Respondeu Parysas.

Estou seriamente pensando em fugir daqui, mas sei que Ortros não vai ficar nada feliz com isso e vai me buscar aonde quer que eu esteja. Também acho que os dois pupilos adoradores do reino ficariam, não?

Hahahha,

Estamos próximo ao final do ano, acho que vou ter que pegar algo para comprar como presente, querem o que? Vocês sabem que eu consigo dar qualquer presente.

Só mandem a carta que eu peço pra alguém ir para entregar, não deve ser difícil mandar um guarda ou ir correndo pra aí num dia livre, hahaha.

Mas eu acho que é só isso, não tenho muito a dizer, infelizmente, mas espero que tenha sido bom um sinal de vida meu, já faz um tempo desde a última vez.

Assinado: Cérbero.

Ps: Falem para o Ortros fazer aquilo todo dia, ele vai entender o recado.

— “Aquilo”? – Questiona Sansa. Nota do Revisor: O que diabos é que o Ortros anda fazendo???

— Ele falava disso nos últimos meses que ficamos em Kranbar, nunca entendi o que “Aquilo” significa. – Disse Parysas pensativo. – Parece um código entre irmãos.

Sansa ficou pensativa por alguns segundos.

— Devemos criar um código para nós também. — Afirma a maga, determina a fazer o irmão aceitar aquilo.

— O que? – pergunta Parysas confuso.

— Já sei! “Unidos até os ossos”.

— Isso é um trocadilho com nosso nome? – Perguntou Parysas, fazendo a relação entre “Ossium” e “Ossos”

— Talvez. — Respondeu Sansa, afirmando a pergunta do paladino.

Parysas olhou para a irmã que o encarava com um olhar fofo penetrante, o fazendo ceder a sua vontade.

— Unidos até os ossos. — Afirmou o paladino real, colocando um sorriso ainda maior no rosto da irmã que o abraçou com força, ele apenas a abraçou de volta.

Os gritos animados dos dois irmãos ecoam pelos corredores do castelo de Cartan, chegando aos ouvidos aguçados de Ortros que, querendo ou não, os escutou.

Os sons das vozes nostálgicas vieram a mente do falso rei que lembrou quando eles ainda eram crianças inocentes e burras.

Anos atrás eles ainda nem conseguiam um elo com o mundo mágico, mas hoje eram reconhecidos na região como os melhores usuários de magia depois dele e de seu irmão... título esse que antes era ocupado exclusivamente pelo seu pai.

Ah, Gastor Ossium... aquele nome era algo que ainda repercutia nas mentes conturbadas dos gêmeos, mas que parecia se aquietar nas dos demais que o conheciam.

O Mago Branco, aquele que era um dos trunfos nos exércitos de Kaplar, conseguindo fazer até mesmo os gêmeos se impressionarem.

Cérbero havia o treinado, ele que foi seu segundo pupilo e não tão concidentemente, o segundo mais forte. Logo após sua morte e a de sua esposa, Parysas pediu para se tornar o próximo pupilo logo aos dez anos, Sansa fez o mesmo aos sete.

Ortros nunca sabia dizer sobre a verdadeira intenção de seu irmão ao treinar pupilos manualmente, afinal sabia que os dois poderiam passar informações e táticas de combate por meio de magias.

Porém, seu irmão aparentava sempre querer gastar anos de sua vida a ensinar as pessoas, vê-las crescer e a ter uma vida normal. No fundo de suas teorias, o falso rei sabia do que se tratava essas vontades inconscientes.

Os tempos antigos se foram há muitos anos. A simples época em que os dois nem possuíam nome. A época em que os dois não tinham rumo mesmo tendo um.

– Pai... – Murmurou Ortros, tirando uma segunda carta de seu bolso. – Vamos ver o que você realmente quer, irmão.

Você está vendo isso longe das crianças, certo?

Eu não quero alarmar muito, mas a transferência de Argel para Monssolus já está agendada, não deixe ninguém saber disso, claro. Pelas suas mensagens nenhuma pessoa aí está livre de possessão.

A lua de sangue foi há quase seis meses. Os demônios já começaram a se procriar igual coelhos, cuide dos bordéis ou estalagens, muita luxúria vai infestar a capital.

Quantos mais possuídos os demônios tiverem, mais eles vão se procriar.

Em meados do final do próximo ano, quando os demônios fêmeas parirem suas crias, vamos ter um grande problema de super lotação do exército inimigo, talvez necessitemos de uma evacuação.

Chuto que está problemático proteger a capital agora, mas em alguns meses só irá ficar pior.

Se bem que, até lá já teremos todos os escolhidos em mãos, só precisaríamos resolver o caso da separação deles e ficaremos em paz.

Eu sei que estou falando o óbvio, mas eu queria te lembrar isso.

Assinado: Cérbero.

Ps: Não se esqueça de fazer aquilo. Nota do Revisor: O QUE DIABOS É AQUILO???

Ps²: Eu pretendo sair para ir visitar a nossa casa na virada de ano, mesmo que Argel não esteja em Monssolus. Não estou pedindo permissão, estou avisando.

– Hum... – Ortros focou as energias mágicas em sua mão, emanando uma pequena chama de seus dedos que logo se espalha para a carta e a queima por completo.

A antiga casa dos gêmeos. Uma ruína vazia, onde só restaram suas lembranças. O antigo Berço da Criação.

Atualmente um lugar frio e vazio, mas que significava tanto para os dois gêmeos que, mesmo com mentalidades diferentes, ainda possuíam as mesmas origens.

Ortros não podia culpar seu irmão se o mesmo abandonasse o reino apenas para ver a velha moradia, apenas não faria o mesmo.

O falso rei passou a mão em seus olhos, enquanto se focava em voltar ao que era o verdadeiro Ortros do passado. Ele passou os dedos pela cicatriz, sentindo o esticar e moldar de sua face em uma nova mais emotiva.

Apalpando seu rosto de forma deprimente, o falso rei sentiu aquela expressão nostálgica.

– Somos nós dois agora, irmão... – Murmurou Ortros, se recompondo e voltando a face de Argel. – Nada pode mudar o que fizeram com o pai, apenas devemos seguir em frente.

Mesmo sozinho e sem ninguém a vê-lo, Ortros escutou silenciosamente em sua cabeça.

“E matar aqueles que o mataram.” Era como se Cérbero estivesse a sussurrar em sua mente, mas ele sabia que não era algo mágico ou invasão mental e sim pura nostalgia.

– Um dia. – Ortros afirmou para si mesmo em tom de seriedade. – Um dia iremos.

Por Tisso | 25/08/20 às 13:34 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia