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Capítulo 47 - Preparações de Fim de Ano

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 47 - Preparações de Fim de Ano

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

Nota do autor². Estou iniciando um novo projeto pra complementar a historia de Evalon, no caso vai se tratar de uma serie de pequenos complementos pra um assunto especifico da historia ou respondendo alguma questão em especifico (podendo ou não possuir spoilers, mas isso eu planejo avisar antes, então não se preocupem). Já tem uma postagem relacionada que seria a edição 0, a medida que vou postando eu divulgo aqui, então pra quem se interessar segue o link. https://saikaiscan.com.br/news/45-anos-de-evalon-divine-notes/198  

O auge do inverno chegou forte em Cartan. A região não era famosa por possuir neve, mas possuía vagas geadas, aquele ano estava bem pior que o normal.

Com seus suprimentos em mãos e lareiras acesas, a capital estava firme e forte para a virada de ano. Mas para Edward e Varis, os dias calorosos se tornaram dias horríveis de dor e reabilitação.

Ao tirar as ataduras, Varis percebeu que sua teoria estava certa e a sua pele ganhou inúmeras cicatrizes e marcas novas, todas horríveis de se olhar.

A tal da “fisioterapia” citada por Voltten já o deixa fazer movimentos simples, mas mesmo assim, ele precisava de exames médicos constantes.

– Não está tão ruim vendo daqui. – Sagita caçoou do ladino.

O mesmo parou de se olhar no espelho de corpo que lhe deram e se virou completamente para a companheira.

– O que não está ruim? – Varis questionou com um leve tom apelativo.

– As batatas de ambas as pernas estão ok, suas costas parecem estar melhor que seu peito. – Sagita arrumou a franja e tirou o capuz roxo para olhar melhor para Varis. – E sua nuca e crânio estão inteiros ainda.

Sagita deixou seu livro num criado mudo do local e pegou uma maçã que trouxera para agradar o ladino. Usando das adagas do próprio Varis, ela a cortou em pedaços médios e entregou a bandeja para o ladino que a segurou de forma trêmula.

– Meus músculos ainda não me permitem segurar algo de forma estável. – Disse Varis, pegando rapidamente todos os pedaços, os mastigando e os engolindo. – Obrigado pela comida. – Entregando a sagita a bandeja, a mesma colocou ela de novo no criado mudo. – Eu vou ter que ficar na dieta de comidas leves até quando?

– Por mais quatro dias. – Respondeu Sagita, se aproximando de Varis e pegando em sua mão e antebraço.

– Você não faz ideia da minha vontade de comer carne.

– Cordeiro? – Sagita começou a apertar a pele, atiçando os nervos do ladino.

– O animal que for. – Afirmou, flexionando as partes apalpadas por Sagita para se exibir. – Eu só quero um prato quente, consistente e que não seja uma papa ou fruta.

– Isso você vai conseguir logo. – Disse parando de apalpar Varis. – Ei Voltten, tem que conferir o antebraço e mais o que?

– Tente ver o máximo possível dos pés. – O mago afirmou de um dos outros cantos da sala.

– Senta aí, hora de conferir seu pé. – Ela falou apontando para a cadeira no meio da ala privada de descanso dos dois.

– Caminhar não é o suficiente?

– Você quer ter um dedo amputado?

O ladino se calou e sentou rapidamente na cadeira.

Do lado de Voltten, Edward estava em sua frente, prestes a tirar as mordaças.

Dizer que o paladino estava receoso sobre o estado de seu braço era pouco. Mesmo conseguindo mover ele e seus dedos perfeitamente, o mesmo não fez força independente do que acontecia.

Desde o seu desmaiar a sua entrada na ala de descanso do castelo, nada foi feito com aquele braço, nem um músculo fora mexido de forma brusca.

O outro braço do paladino recebeu sequelas básicas de queimaduras, mas que foram minimizadas pelos sacerdotes de Harenae.

Porém, o que aconteceu com o braço que usou todo seu potencial de uma única vez era um mistério gigantesco até aquele momento.

– Está pronto? – Voltten perguntou, pegando no final das ataduras, pronto para desenrolá-las.

– Espera. – O paladino olhou para o teto, fazendo uma oração mental e com os lábios ele focou no braço novamente. – Sim, pode tirar.

Aos poucos, o mago tirava as ataduras, aplicando junto disso uma magia de fluxo sanguíneo para cauterizar as áreas e amenizar a dor, mas a surpresa ainda era algo inevitável.

Após o cair total das ataduras e com o retirar de algumas mordaças e panos com pomadas para amenizar os efeitos, Edward percebeu o estado que seu braço se encontrava.

Diversas elevações, retrações, coagulações o cercavam. As sequelas de queimadura eram quase que as mesmas do outro braço, mas essas eram elevadas a outros níveis e tomava o membro por completo.

De seus dedos com unhas deformadas até um pouco abaixo de seu ombro, tudo estava tomado por aquela marca preta.

Edward não estava assustado, mas estava surpreso, já havia se preparado para algo pior em sua mente. O paladino viu anteriormente membros serem consumidos pelo fogo a níveis de transformarem a carne viva em carvão, queimaduras inúmeras vezes piores do que as de segundo grau.

– Obrigado, amigo. – Edward pronunciou para Voltten.

– Não precisa agradecer... – Respondeu o mago de forma humilde e sem jeito. – Na realidade eu acho que podia ser melhor.

– Não, já está bom. – O paladino afirmou. – Isso é prova de que eu fiz algo, seja ele algo ruim ou algo idiota, se estou aqui, foi porque fiz isso, esse ferimento é apenas um resultado de minhas ações.

– Justo, eu acho...

Após uma leve massagem, Sagita confirmou que Varis não estava com nenhum problema, ou que pelo menos todos os seus ossos estavam inteiros. Nota do Revisor: Mano!!! Me passa a receita desse merthiolate aí!

– Ei Voltten. – Sagita invadiu sem permissão a ala privada de Edward, que estava sem camisa e com os braços sequelados. – O Varis não tem nada fora a tremedeira.

Os dois se viraram para elfa negra rapidamente, ela estranhou os ferimentos, mas se forçou a ignorar. Voltten pegou uma pequena lista e entregou para ela.

– Aqui, só impeça ele de comer essas coisas. – Afirmou o mago rapidamente. – Cuidado com o frio local também, pode resultar em algum problema.

– Certo. – Disse Sagita, saindo da área privada de Edward e voltando para a de Varis. Logo em seguida ela e o ladino saíram do local, deixando Voltten e Edward sozinhos.

– Edward, me diga, você consegue mexer seus dedos, certo? – Perguntou o mago casualmente.

– Porque não conseguiria? – O paladino questionou.

– Você não os mexe tem muito tempo. – Explicou Voltten. – Talvez tenhamos que fazer uma fisioterapia mais intensa em seu braço.

O paladino não entendeu as palavras do amigo, mas tentou efetuar um fechar com a mão, mas não conseguiu. De imediato, ele estranhou aquilo, ato esse que Voltten percebeu e apenas acalmou o amigo lentamente.

– Vamos esperar Sansa chegar para vermos isso melhor. – Disse Voltten, calmo até demais para Edward.

Os dois ladinos, já sentindo o frio dominando os corredores do castelo, continuam a cruzá-los sem rumo algum.

– Ei sagita, quer fazer o que? – Questionou Varis.

– Hum?

– Não temos nada para fazer e o final do ano está próximo. – Varis afirmou se virando de costas para Sagita, caminhando de costas. – O reino nos deu algumas moedas, então que tal comprarmos lembrancinhas ou presentes?

– Presentes? Isso parece coisa da cultura local... – Disse Sagita confusa.

– Uma coisa que eu reparei em anos de “estudo”. – Varis colocou os dois braços para trás, se espreguiçando. – Todos têm um sistema padrão de tempo. Cada dia tem vinte e quatro horas. Cada semana tem sete dias. Cada mês tem de trinta a trinta e um dias, com a exceção de um que vai ter vinte e oito e vai ser o segundo do ano. Ano esse que tem doze meses. Nota do Revisor: Varis apanhou tanto que ficou louco?

– Agora que você falou, é realmente estranho todos terem a mesma forma de medir o tempo. – Sagita ficou pensativa, enquanto olhava para os pés de Varis andando para trás. – É como se quem criou essas medidas espalhou para todos os lugares ao mesmo tempo ou como se várias pessoas tivessem a mesma ideia de tempo em diferentes lugares. Uma sincronia divina e bizarra.

– Viu, é realmente curioso isso. – Varis comentou rapidamente. – Não tem sentido algum se você parar para pensar, como as pessoas do outro lado do mundo entendem o tempo? Eles usam o mesmo sistema? Ou um negativo? Nas américas já é confuso, imagina no resto do mundo.

– Negativos? – Sagita raciocinou. – Como se tivesse uma unidade negativa?

– Uma unidade negativa.

– Não faz sentido isso. – Sagita questionou a si mesma, ignorando o que estava em volta. – Tipo, você pode ter uma laranja, mas não pode ter menos uma laranja...

Antes que ela pudesse completar sua frase, Sagita percebeu outro par de pés entrando em sua visão, mas que não foram percebidos pelo ladino a sua frente.

Em questão de segundos, Varis e Sansa se colidiram na curva entre um corredor e outro. A maga e o ladino caíram deitados, Varis sendo “amortecido” pelos livros que a maga carregava que o cobriram por completo.

– Aí! – Varis gritou após dois segundos do ocorrido.

– Desculpa por não prestar atenção. – Disse Sansa, envergonhada começando a recolher os livros derrubados.

– Relaxa, foi ele que estava virado de costas. – Sagita afirmou colocando a culpa no ladino.

– Você não deveria falar assim de mim, eu não fiz nada demais. – Ainda caído, o ladino pegou um livro próximo e o abriu em uma página aleatória que estava marcada. – Porque diabos vocês magos querem tanto saber dessa tal “copulação”?

– Q-Q-Q-Que?! – Sansa perguntou pegando o livro da mão de Varis e dos das de Sagita, fugindo com eles logo em seguida. – Eu tenho que ir! Nota do Revisor: Esses magos adolescentes… Deveriam estudar mais…

A maga correu para onde eles vieram, deixando os dois elfos sem resposta.

– Certo, o que foi aquilo? – Sagita perguntou confusa olhando para Varis que se levantava aos poucos.

– Eu não sei, mas eu consegui isso. – Varis tirou da manga de sua veste um papel bem dobrado.

– Bom ladrão, como sempre. – Sagita brincou cruzando os braços.

– Exato, vamos ver... – Varis desdobrou o papel o lendo rapidamente. Após terminar ele virou o papel, voltou para o lado original, releu e olhou para Sagita confuso. – Eu não entendi.

– Padrão de línguas incomuns? Outra língua? – Sagita questionou se aproximando.

– Não. – Varis entregou de bom grado o papel a elfa que logo o leu e teve a mesma reação. – Compreende?

– Uma lista de nomes... sem sobrenome?

– Tem algum código envolvido? – Varis levantou uma teoria.

– Talvez pegando o significado de cada nome, ou o padrão de letras... – Sagita continuou a ler aquilo algumas vezes até desistir. – Não encontrei.

– Acho que nem vou tentar. – Disse Varis simultaneamente. – Mas o importante não é isso.

– Hum? – Sagita dobrou novamente o papel e guardou em um de seus bolsos. – O que é então?

– O importante é que ninguém me explicou o que diabos é “copulação” até agora. – Disse ladino confuso ajeitando as roupas.

– Não olhe para mim. – Disse Sagita calmamente. – Não sou um dicionário vivo.  Nota do Revisor: Não acredito no que li nesses 2 parágrafos. KKKKKKKK

– Estou com preguiça de caçar um livro para descobrir isso.

– O mesmo.

Varis olhou para o corredor que dava passagem para mais caminhos e consequentemente para a saída do castelo.

– Vamos. – Varis tomou a iniciativa e começou a caminhar.

– Ei, calma lá. – Sagita o acompanhou brevemente, logo os dois saíram do castelo de Cartan.

A frente fria de inverno vinha com força, trazendo um frio que gelava os ossos.

Varis, em um ato para agradar sua companheira, retirou seu manto negro e o colocou incrivelmente rápido em Sagita.

– Hum. – A elfa se afastou vagamente do companheiro por susto ao vê lo tão rápido naquelas circunstâncias. – Como você...

– Eu não amarrei o manto. – Varis cortou Sagita rapidamente. – Se não amarrar ele vai sair voando.

Sagita ignorou o ladino por um minuto para amarrar o segundo manto em seu corpo. Quando se virou novamente para discutir com Varis, a única coisa que ela viu foi ele descendo as escadas.

– Ei! – Sagita gritou tentando pará-lo.

– Hum? – Varis se virou para Sagita, com um olhar caridoso, misericordioso, como se ele quisesse pedir desculpa só com os olhos vermelhos.

– Ah... – Sagita desceu até onde estava Varis, cedendo a seu jogo. – Onde vamos?

– Hum... – Varis murmura continuando a descer as escadas. – Primeiro uma loja de roupas, depois eu pensei em algum lugar para comer, se você me permite.

– Certo, vamos indo então.

– O pagamento do último serviço foi bom, então não se preocupe com os gastos.

– Pagamento? Vocês são pagos?

– Todos somos pagos. – Varis retirou de um de seus bolsos o saco de joias que pegara em Harenae, que conseguiu passar pelos olhos de todos, tanto nas viagens, quanto na captura no coliseu. – Só precisamos fazer o serviço certo. Nota do Revisor: Varis é muito gatuno… Eu não queira encontrar um batedor de carteira como ele.


Por Tisso | 27/08/20 às 17:11 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia