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Capítulo 49 - Os Ventos e a Reencarnação

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 49 - Os Ventos e a Reencarnação

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

Nota do autor². Estou iniciando um novo projeto pra complementar a historia de Evalon, no caso vai se tratar de uma serie de pequenos complementos pra um assunto especifico da historia ou respondendo alguma questão em especifico (podendo ou não possuir spoilers, mas isso eu planejo avisar antes, então não se preocupem). Já tem uma postagem relacionada que seria a edição 0, a medida que vou postando eu divulgo aqui, então pra quem se interessar segue o link. https://saikaiscan.com.br/news/45-anos-de-evalon-divine-notes/198  

– Olhe senhor. – O vendedor empurrou um punhal curto para o paladino. – Olhe a qualidade de seu metal e o fácil manejo que seu cabo proporciona.

Os olhos astutos do paladino se moveram tão rápido quanto os sagazes dedos de Varis. Tal movimentação e análise tomou a atenção de Crist – que estava ao seu lado em cima do banco a uma distância segura.

– O cabo está um pouco solto, a guarda-mão é frágil e feita de um material que se quebraria com semanas de uso, isso resultaria em bolhas e calos. – O paladino apontou o punhal para o vendedor, devolvendo-lhe a arma. – Além disso, o fio está muito fino.

O homem pegou a arma com dúvidas e a guardou.

– Perdão, eu não entendi essa última parte. – Disse o vendedor, pegando mais alguns modelos para o elfo dar uma olhada.

– Hum? – Edward murmurou.

– O fio de uma arma não é tecnicamente a parte mais importante de uma arma? – Ele pegou em suas mãos mais um punhal, dessa vez um com detalhes esverdeados e lâmina suja.

– Eu não quero minha filha usando objetos cortantes, pelo menos, agora não. – O elfo afirmou, pegando a arma e averiguando novamente.

– O que?! – Crist questionou indignada. – Mas pai...

– Você não está na idade para manusear uma cortante ainda. – Edward respondeu a birra, enquanto visualizava os detalhes do punhal.

– Mas a Senhorita Sansa começou o treinamento dela com dez anos! – Ela retrucou.

– E você tem dez anos?

Edward a calou por um breve momento.

– Essa possui um punhal escorregadio, dá para corrigir fácil com faixas. – Edward devolveu a arma ao vendedor. – A guarda-mão e o material usado na lâmina são excelentes, mas ainda possui um fio afiado.

– Espere que eu vou conferir se eu possuo uma sem fio. – Disse o mercador, colocando malas e malas em cimas de sua banca.

Quando olhou para o lado, Edward percebeu que Crist estava o encarando com leve raiva. O elfo suspirou vagamente e pôs as mãos em seus cabelos.

– Você tem muito o que treinar para conseguir usar uma arma de verdade. – Disse o paladino em um tom inspirador.

– Mas eu quero começar cedo! – Crist respondeu irritada.

– Vamos fazer assim, quando acabarmos tudo isso eu começo a te dar aulas de esgrima.

A criança, antes irritada completamente com Edward, pegou em sua mão e, com seus pequenos dedos, a segurou.

Ao tirar a mão de perto, Edward percebeu seus olhos brilhantes e esperançosos.

– Promete? – Ela perguntou.

– Sim, prometo. – Respondeu com sorriso genuíno.

O cenário da calma ala comercial da cidade era rígido e protegido, mas quando há um “deslize”, até a mais forte fortaleza poderia ser atacada, e foi exatamente esse o caso.

Mesmo estando acompanhada de Edward e rodeada de Guardas que vigiavam não só aquela ala como também o resto da cidade, Cartan foi atacada novamente.

A aura de Crist era grande e tamanha para consumir energias negativas que se aproximassem dela, mas não era o caso da presença sentida pelo paladino.

Mesmo amenizado pela barreira e posteriormente enfraquecido pela mesma, aquele ser que se aproximava ainda exalava energia.

Edward rapidamente mudou o foco de sua visão, tirando os olhos do sorriso de sua filha e olhando ao redor com receio. Rapidamente o paladino sacou sua espada com seu braço prejudicado e agarrou sua filha com o outro.

– Desculpe, Crist, temos que sair daqui. – Afirmou o paladino, não dando tempo nem para a criança pensar em uma reação. – Guardas! Demônio! – Gritou o paladino, enquanto começou a correr na multidão assustada que se afastava.

Todos os que lá estavam se apavoraram com o grito repentino, principalmente os soldados que reconheceram as vestes de Edward e já se puseram em estado de alerta.

O paladino correu em um tiro que durou quase 300 metros, parando ao ponto de quase cair no chão, soltando a espada e a filha por falta de energia.

– Pai, você está bem? – Questionou Crist, pegando a espada de Edward e tentando devolver ao mesmo. Ela estava próxima a chorar, não sentia a energia negativa devido a seu polo de aura próprio e quase único, mas estava preocupada com o estado de Edward.

Seu desespero era notório perante ao pai de joelhos recuperando o fôlego.

– Sim, sim, eu estou... – O paladino sentia a energia demoníaca aumentando novamente. Sem pensar duas vezes, ele realizou uma manobra rápida e retirou seu escudo de suas costas para bloquear o suposto ataque em Crist.

Em questão de segundos, Edward foi derrubado por um humanoide de altura desproporcional. Estava completamente nu e sua pele era vermelha sangue, possuindo duas asas enormes e uma cabeça de coruja, com todas as penas em cores frias.

Após o derrubar do paladino, Edward notou o frio insano do metal de seu escudo, que começou a rachar e quebrar devido a exposição a temperatura. Aos poucos, Edward começou a sentir sua pele resfriar de forma lenta, assim como seu sangue.

Ao encarar para a face do demônio, Edward viu os olhos sem alma, ao abrir a boca, seu interior cinza se destacou.

– S-S-S-Se afaste. – O paladino afirmou, usando a espada como bengala para ficar em pé novamente.

– Fraco... – O demônio aterrissou a alguns metros dos dois.

As pessoas e guardas próximos, tentavam se infiltrar no conflito para ajudar eram rapidamente contidas por uma forte corrente de ar gélido que esfriava suas peles e os jogavam para longe, alguns com ferimentos leves.

Uma área de um pouco mais de dez metros foi criada em volta do demônio, área essa que incluía Edward e sua filha.

– “Sabes, senhor, que eu não sou o merecedor de sua bondade...” – Edward começou a recitar, tentando manter a postura de combate com a espada, afastando Crist e se pondo na frente.

A risada de várias vozes ecoou pelo lugar, causando ainda mais um pânico geral, tudo de origem do demônio.

– Olha para você, mal conseguindo empunhar uma espada e querendo invocar uma magia. – A voz deturpada de várias pessoas em agonia o ridicularizou.

Com suas asas, o demônio se aproximou de Edward com velocidade, abaixando ainda mais a temperatura com sua presença. Encarando os olhos brancos com as íris vermelhas de seu inimigo.

Sem nem ao menos o paladino prever, um chute em seu estômago foi dado de uma forma que trancasse partes de sua corrente de sanguínea.

Crist, que estava atrás do elfo, recebeu o corpo trêmulo como um projétil, ele estava tão frio quanto o clima local, quase não estava produzindo mais calor, mesmo estando com roupas quentes dentro de sua armadura.

Esse ato aflorou ainda mais o medo na criança, que ficou pasma e sem reação por puro pânico, não só pela tempestade que a envolvia, mas também pela situação de morte que lhe aguardava no formato do demônio.

– Oh... – Ele direcionou sua atenção para Crist com tom sádico. – Você realmente acha que seu pai teria uma chance contra mim nesse estado?

A criança não conseguiu responder, mal respirar ela podia, seu interior já estava sendo arranhado pelo frio. O vento já havia tomado conta de seu pulmão ao ponto de que cada respirada resultasse em um possível corte interno.

O demônio pegou Edward pelo braço machucado e usou de seu frio e ventos para arrancar completamente a cobertura dele.

Mesmo com a visão atrapalhada pelas lágrimas e pelo pânico, Crist conseguiu ver os inúmeros ferimentos que o rodeavam, as sequelas profundas que mais pareciam que alguém a arrancou e pôs a pele de Edward de volta.

As lembranças feitas pela criança vieram à tona, de quando ela puxou seu braço e quando ela pediu para ir em seus ombros.

“Todos aqueles mínimos detalhes mudariam algo?” Se questionou.

Se ela não tivesse feito ele fazer aquilo, talvez ele teria corrido mais e não os deixados ali ou conseguido manusear a espada e completar a oração.

Milhões de informações, símbolos, variáveis, equações, sinfonias, dores, sentimentos, passaram pela cabeça de Crist, algo que notoriamente não era totalmente originário de sua pessoa.

A criança se ajoelhou em desespero e começou a gritar para os céus. A cada segundo, o som de seu grito aumentava, junto dele o timbre, grave e agudo intercalaram de formas insanas para padrões humanos.

Aquele grito foi escutado por toda capital. Em questão de segundos, vidraças próximas começaram a quebrar e muitas pessoas acabaram por ter sua audição prejudicada.

O demônio, pouco se importou, direcionando seus ventos na direção de Crist, mas eles apenas a atravessaram, não a deixando com má coagulação ou cortes.

A frequência dos ataques do demônio aumentou, mas junto dela, uma força que repelia suas magias foi emanada de Crist, que havia criado em si uma espécie de bloqueio de aura.

Os olhos da criança, que até aquele momento permaneciam fechados, se abriram lentamente e os gritos cessaram.

As íris da viraram enormes lanternas verdes esmeralda que emanavam seu brilho neon perante toda a tempestade de neve. Por breves segundos, saindo de sua calça, um rabo verde tão brilhante quanto os seus olhos se projetavam junto de orelhas de gato em sua cabeça.

O demônio voou para trás em receio. A garota se levantou e caminhou lentamente até o corpo jogado de seu pai.

Por onde ela passava, deixava uma espécie de fantasma esverdeado e pegadas de fogo que ficavam marcadas na pedra da rua.

Em questão de segundos, toda a magia foi anulada.

Como ação final, a criança envolta da energia usou de seus poderes para originar um relâmpago que acertou tanto a ela quanto seu pai. Queimando a ponta de seus cabelos e destacando suas veias.

O demônio voou para trás de medo repentino, mas quando reparou que a criança não direcionou o foco para si, ele se sentiu confiante. Reunindo energias em um gigantesco estilhaço de gelo para atingi-los.

Porém, um impacto o arremessou para longe, uma corrente de ventos o projetou de forma insana. Junto disso, seus estilhaços foram eliminados por cinco espadas voadoras que rapidamente o transformaram em flocos inofensivos

Quando abriu os olhos o paladino sentiu o frio emanar dos cantos de seu corpo, mas também sentiu o calor em seu centro, principalmente em seu peito.

Uma ventania veio forte, mas nada comparado a nevasca de antes.

Ao tentar movimentar um de seus braços, Edward de imediato sentiu um peso no mesmo, um peso quente e confortável, como se fosse um travesseiro das mais fofas e quentes plumas.

Seu olhar era fixo no céu e em sua atmosfera límpida. Aos poucos, ele começou a sentir as batidas de seu coração, com mais alguns segundos um segundo bateu próximo a sua barriga. Era outra pessoa, sem dúvida.

Cobrindo sua visão em alguns segundos, a face amigável e pálida de Parysas brotou de forma suave.

– Você está bem? – Perguntou o paladino real, espantado com o pouco que conseguiu ver. A três andares de altura, voava em cima de suas espadas, ele averiguou o local. – Meio atrasado, mas antes tarde do que nunca, não?

– O que aconteceu? – Edward questionou, desviando o olhar e reconhecendo de imediato Crist deitada em cima dele, junto dela a enorme aura estável que a rodeava.

– Ao que aparenta, muitas coisas, amigo, muitas coisas. – Parysas afirmou, perdendo aos poucos o tom calmo de sua voz para algo mais tenso. – Andras, nível oito. Deve estar enfraquecido pela barreira.

– Eu não estou sentindo meus braços... de novo. – Edward murmurou, tentando contrair os músculos, mas não tendo resultado.

– É apenas um choque divino. – Parysas afirmou, tentando acalmá-lo. – Não vai ter problemas.

O paladino real se virou para a multidão, além dos guardas acalmando a população, um casal se destacava. O elfo negro ladino e a elfa negra albina estavam a se aproximar dos três, ambos com algumas sacolas a carregar.

– O que aconteceu? – Perguntou Sagita preocupada, se aproximando mais rapidamente enquanto Varis olhava de longe.

– Longa história... – Parysas suspirou, olhando ao seu arredor de forma receosa, ainda sentindo o demônio por perto. – Mas já que está aqui, acho que pode ajudar.

Perante a figura imponente de Parysas, Sagita se sentiu receosa. Sabia dos poderes e capacidades do paladino e só a sua presença naquele espaço já poderia significar perigo.

– Corra o mais rápido possível para o castelo e chame ajuda, fale que estamos aqui e que talvez seja necessário um médico. – O paladino real falou, olhando fixamente para os olhos vermelhos de Sagita, causando um desconforto peculiar.

Sagita voltou para Varis, lhe entregando o que carregava, ficando apenas com suas armas e vestes. A elfa negra albina correu para longe em segundos, deixando os quatro em uma zona limpa de pessoas que os rodeavam receosos.

 “Você pode aproveitar um momento que ninguém esteja te vigiando e fugir.” Essas palavras ditas por Cérbero a meses atrás ecoaram na mente do ladino naquele momento. 

Parysas estava ocupado cuidando da área Edward incapacitado, Crist nem somava e Sagita estava longe dali. O máximo que ele teria que lidar era com os guardas.

O ladino se encontrou na posição de fuga perfeita..., mas ele não queria.

Não sabia explicar se era por sentimentos externos ou por alguma força superior, mas ele se sentiu incapacitado de fugir daquele lugar.

– Ei, Varis! – Parysas o chamou em meio a tempestade de pensamentos vagos do ladino. – Acha que consegue fazer tipo uma corrente de segurança para ninguém vir para cá? Pelo menos por enquanto.

– Hum? – O ladino voltou rapidamente a realidade. – Certo.

– Ótimo! – Ele ajustou o ângulo da espada em pleno ar. – Eu já volto, tenho algo para resolver.

Por Tisso | 03/09/20 às 16:05 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia