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Capítulo 50 - Genialidade, Loucura e Deuses

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 50 - Genialidade, Loucura e Deuses

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do autor. Isso é apenas uma mensagem do autor, pode ignorar se preferir. Ola, desculpe se eu parecer ignorante ou irritado, mas é só um ponto de vista que me deixa meio desanimado em alguns pontos. Eu sei que não é obrigação de ninguém, mas é meio desanimador ver os analytics e comparar as visualizações com os comentários. Sei que é comum esse tipo de coisa, mas da a impressão de que eu estou escrevendo apenas para maquinas verem, claro que agradeço a quem comenta e interage, em especial o Paragon e o ClayMan e a toda comunidade do discord. Acho que isso é só um convite pra trocar ideias nos comentários, mas de novo, ninguém é obrigado a nada. Bem, espero que gostem do capitulo, Say ya

Nota do autor². Estou iniciando um novo projeto pra complementar a historia de Evalon, no caso vai se tratar de uma serie de pequenos complementos pra um assunto especifico da historia ou respondendo alguma questão em especifico (podendo ou não possuir spoilers, mas isso eu planejo avisar antes, então não se preocupem). Já tem uma postagem relacionada que seria a edição 0, a medida que vou postando eu divulgo aqui, então pra quem se interessar segue o link. https://saikaiscan.com.br/news/45-anos-de-evalon-divine-notes/198  

“Conhecimento é poder”, algo popularmente conhecido.

O conhecimento levou os homens a evolução, o conhecimento levou os homens as criações, ao manuseio, ao analisar, ao anotar, ao perceber o que não deveria ser feito.

Em mãos, Sansa possuía um livro que deixava claro um dos tabus da procriação.

James olhava esse livro com desgosto, ódio, raiva e rancor.

Ele já tinha lido o mesmo diversas vezes, seja essa vez aos seus dez, vinte ou sessenta anos. As chamas que mancharam seu corpo corrompido pelo pecado afloraram mentalmente perto daquele livro.

O cavalheiro se incomodou com a leitura do livro, mesmo que a maga estivesse reproduzindo essa ação a metros de distância dele.

A própria imaginação do arqueiro lembrava cada segundo dos dizeres que lhe condenaram, das dores que sentiu e de tudo que ainda viria a sentir com aquele corpo maldito.

Coincidência ou não, aquele momento aflorou um calor em seu espírito, algo que lhe dizia inconscientemente para intervir, queimar aquele livro por causa de seu conteúdo e principalmente pelo seu rancor.

O mesmo sabia que aquilo seria errado, pois o próprio livro declarava a consequência do tabu, mas a voz continuava a impulsionar suas emoções, lhe deixando perdido novamente.

Glans não era o único que se sentia deslocado naquele grupo.

A mais de meio século o arqueiro vagava sem direção. Um ser proibido em um planeta colossalmente imenso. Um quase ninguém, vagando sem direção em um oceano de excitação.

Quase sem dinheiro, com sequelas mentais, roupas improvisadas, seu arco e algumas flechas. Abandonado e declarado morto por sua própria família, que o exilou de seu reino e o apagou da própria história.

O caminho percorrido pelo arqueiro foi o mais desparelho possível. Ele foi de um canto ao outro juntando informações, algo que desse a ele um horizonte de objetivos.

Foi por coincidência que o boato se espalhou no momento certo, o que o progenitor de James teria sido morto em combate pelo Caçador. Pouco tempo depois de sua expulsão ele sentiu que devia fazer algo, não vingar seu pai ou algo do gênero.

James devia encarar o Caçador e compreender o que ele sentia, qual seus pontos de vista. Compreender mais da existência e conhecimento daquele ser lendário.

“A vida de uma lenda não pode morrer.” Foi o que ele sempre pensou.

Anotando cada possível detalhe, revendo acontecimentos e sempre buscando onde a lenda poderia estar. Isso o levou a uma vila ao oeste de Monssolus, onde um boato de um homem com olhos vermelhos tinha se manifestado.

Esse boato o levou a estalagem de Bellator, da estalagem a prisão da capital, depois para a outra capital. Terminando com ele lá, sentado na varanda da biblioteca encarando o pouco que dava para ver de Sansa no primeiro andar lendo um livro de Kama sutra.

O silêncio da sala só não era completo, por causa da lareira posicionada em um local seguro.

Segundos após alguns estralares do fogo, a porta do local foi fortemente aberta por Voltten e Sagita que traziam consigo dois guardas.

– Sansa! – Gritou Voltten aflito. – Temos uma invasão! Edward supostamente está em estado crítico, precisamos de ajuda!

A maga, quando percebeu a presença de Voltten, rapidamente escondeu o livro que estava lendo.

Quando ouviu seu pedido, ela se levantou de sua poltrona e pegou seu cajado escorado ao seu lado, correndo rapidamente na direção dos que tinham a chamado.

Caminhando lentamente, James folheou lentamente os livros que a maga havia separado.

Boa parte de seus conteúdos já haviam sido devorados pelo arqueiro, livros relativamente simples, mas entre eles havia uma coleção de contos e fábulas, algo realmente estranho.

Segundos após o arqueiro ser deixado sozinho, a porta da biblioteca foi aberta novamente, mas dessa vez por outra figura.

O rapaz de pele queimada, roupas fogosas, cara confusa, cabelos curtos e andar introvertido e envergonhado. Ertiaron se aproximou do centro da biblioteca.

– Olá, Ertiaron. – O arqueiro deixou os livros de lado e saudou o escolhido, que em parte considerava um amigo.

– Oi Senhor James. – O rapaz saudou sem jeito. – Alguma coisa aconteceu para que os guardas viessem aqui tão rapidamente?

– Edward está com problemas. – Respondeu James, pensativo. – Talvez tenha algo a ver com o grito de alguns minutos atrás.

– Entendo. – Ertiaron sentou em uma das cadeiras perto dele. – Eu sinto algo estranho acontecendo.

– Estranho de qual tipo? – Questionou, se sentando e continuando o diálogo.

– Eu não sei explicar, mas tipo, tem alguma coisa estranha no meu corpo.

– Eu devo imaginar, ter uma energia mágica o condenando deve ser estranho.

– Eu sinto que tem alguma coisa impulsionando minhas ações, tipo algo me dizendo o que fazer e como fazer.

James começou a prestar o dobro de atenção ao jovem, que falava os sintomas que se assemelhavam aos dele.

– Explique melhor. – James pediu calmamente.

– Tipo, eu estava comendo e pensei em pegar mais um prato de sopa, mas alguma energia me recomendou não pegar um pedaço de carne de frango pra acompanhar.

– E?

– E quando Aquiles comeu a carne ele percebeu que ela estava estragada. Matheus Freitas: Eu realmente ficaria surpreso se não tivesse sido o Aquiles.

– Hum... Isso significa algo?

– Eu não sei se é ou não algo concreto, mas eu vou começar a anotar essas coisas. – Ertiaron virou seu pescoço para cima. – “Nada é por acaso”, não é?

– Eu não tenho o que responder sobre essa frase. – James disse de forma vaga. – Quem sou eu para falar perante o destino?

– Bem, tirando o Voltten você me parecia o mais inteligente.

– Agradeço o elogio, mas minhas palavras são interpretadas de formas diferentes.

– Como?

– Bem “Mutagênicos”, “Cromossomos”, “Genes”, “Glândulas”, “Mitocôndria”. – O arqueiro falou palavra por palavra, cada vez dando mais ênfase em suas citações. – Quantas dessas palavras você conhece?

– “Genes” me parece familiar, mas só ela. – Ertiaron afirmou pensativamente.

– Exatamente. – Disse James, franzindo a testa. – São palavras desconhecidas pela maioria das pessoas, elas aparecem apenas em livros extremamente raros de pessoas que são consideradas loucas por aqui, tive meus meios de conseguir eles no passado.

– Mas elas são algo realmente importante?

– Eu ouvi uma teoria em um palanque quando tinha dez anos, o homem era um louco na cidade, mas ele tinha razão em suas falas. – Ele falou calmamente se ajeitando em sua poltrona. – “Haverá um tempo em que todos os divinos irão ruir, uma época em que a magia mundial irá ruir. Nesse dia, haverá apenas dois lados, os brutamontes que tentarão lutar com força bruta e os sábios que usarão do conhecimento antigo para lutar”.

– Usar do conhecimento sem magia... como?

– Você era de qual classe social, Ertiaron?

– Hum?

– Você era pobre, rico?

– Algo entre um meio termo eu acho. Minha família tinha uma estalagem bem localizada.

– Não era o bastante para compreender. Já vivemos no mundo descrito por esse homem. Os divinos estão em seus últimos, Tac Nyan também está junto deles, não resta mais meios de lutar se não com força e inteligência.

– Harenae era protegida pelos Deuses da Areia, nunca pensei sobre o assunto... – afirmou pensativo.

– Os Cavaleiros Negros usam desses dois meios. – Começou a explicar de forma simples para o entendimento do colega. – Além de força bruta, eles usam de várias estratégias militares como conjuntos de armas ou cerco.

– Mesmo com paladino e magos?

– A magia é bem mais complexa do que parece.

James se levantou e começou a caçar o livro que ilustrava o que ele queria explicar de melhor forma.

– Você precisa normalmente de décadas de dedicação para se sintonizar com as energias divinas, principalmente para magos e sacerdotes. – O arqueiro pegou um livro em meio aos mil da prateleira e o folheou. – Um golpe de sorte para feiticeiros, um pacto para os bruxos, uma comunhão para os druidas e paladinos, casos isolados a parte...

O arqueiro entregou o livro para o jovem, que se levantou da cadeira para tentar entender aquilo.

– E no seu, uma escolha do destino para um herdeiro de Deus.

O jovem ficou um pouco trêmulo, folheando o livro e compreendendo as falas do arqueiro.

– Então eu supostamente seria capaz de usar magia? – Ele perguntou confuso.

– Eu sou um homem que viveu bastante. – Afirmou James, em um leve tom cômico. – Mas não vivi o suficiente para isso, ver uma espécie de Deus na minha frente é realmente interessante.

Não me compare a um deus, eu sou apenas um jovem no final de tudo. – Ertiaron falou com uma leve risada.

– Bem, você continua sendo uma reencarnação, isso eu não posso discutir.

A porta da biblioteca foi aberta novamente, mas dessa vez de forma calma e suave, dando a imagem de Ortros rapidamente.

– É bom ver que os dois estão bem. – Falou o falso rei, se aproximando dos dois.

– Salve Senhor Argel. – Os dois saudaram o diplomata.

– Não precisam de tanto, um simples oi estaria bom. – Respondeu o homem após uma risada cômica.

– Você é o dono desse reino a final de contas. – Ertiaron afirmou rapidamente em um tom semelhante ao companheiro.

Ertiaron foi informado de inúmeras coisas quando veio para Cartan, mas não sobre a identidade ocultada de Argel. Por motivos de segurança a identidade de Ortros foi ocultada do escolhido.

– Acho que está certo. – Afirmou Ortros rapidamente. – Enfim, estou aqui para dar más notícias, ou quase isso.

– O que aconteceu? – Questionou James.

– Uma explosão de energia divina. – Respondeu com um tom sério em sua voz.

– Explosão? – Ambos questionaram simultaneamente.

– Digamos que é quando um “escolhido” extravasou.

– “Extravasou”? – Ertiaron questionou, engolindo vagamente a saliva.

– Hum... – Ortros olhou vagamente para as mãos de Ertiaron e logo reconheceu aquele livro, o pegando e mudando sua página para uma que explicasse o que ele estava dizendo. – Isso explica melhor, é algo raro de se acontecer, mas aconteceu.

– “Uma explosão de energia divina vinda de uma divindade. Não é moldada e pode explodir quem a usa” – Leu lentamente enquanto Ortros se sentava em uma poltrona.

– Quem originou? – James questionou, assustado.

– Crist.

– A filha do Edward!? – Questionaram estupefatos, deixando tudo de lado, até mesmo o livro caiu.

– Sim, eu disse que as notícias eram más. – Disse Ortros pensativamente na cadeira. – Crist teve uma gigantesca explosão de energia, isso fez todos entrarmos em pânico, aliás essa foi a causa do grito que ocorreu meia hora atrás.

Ertiaron e James se encararam momentaneamente.

– Suas forças foram contidas por ela mesma. – Continuou – Não me pergunte como isso ocorreu, é algo meio complexo. Mesmo sendo gigantesca, foi para os próprios padrões, em si não foi algo tão grande.

– Você veio aqui apenas para nos falar isso?

– Não, vim falar principalmente com você, Ertiaron. – Ortros apontou para o escolhido, que se viu confuso perante tudo aquilo.

– Acho que devo me retirar. – O arqueiro saiu rapidamente, deixando os dois na sala.

Sozinhos, o falso rei olhou para Ertiaron nervoso que se sentou na segunda poltrona de forma desengonçada.

– Ertiaron, por enquanto você é o mais apto a fazer o que eu vou dizer. – Começou a falar olhando friamente para os olhos do jovem. – Você sabe porque vocês estão sendo atacados?

– Não... Senhor. – O jovem respondeu assustado.

– Tac Nyan estava escondido em algum plano próximo a que estamos, mas algo o fez voltar para cá.

A varanda da biblioteca se abriu rapidamente, dando espaço a um grande vento que tomou conta do lugar, levantando papéis e arrepiando a pele de Ertiaron .

– Talvez ele tenha sido forçado, talvez ele veio por vontade própria. – Ortros continuou como se aquilo não fosse nada. – O fato é que ele escolheu seis pessoas para serem seus avatares... e nós não podemos deixar nenhum deles serem eliminados.

– Eliminados? – Questionou imediatamente.

– Temos quatro na capital e seis ao todo. – Ortros abriu os dedos para ilustrar melhor seus dizeres. – Se um for eliminado, a aura ficará instável e Tac Nyan pode morrer.

Ertiaron ficou tenso perante aquela explicação, sem palavras para relatar o que sentia, por ser considerado uma reencarnação de Deus ali.

– Eu posso estar errado, mas o plano dos demônios está relacionado a tentar reunir os escolhidos eles mesmos. – Completou rapidamente.

– Senhor Argel, porque está me falando isso? – O jovem questionou pensativo e assustado.

– Porque eu quero impedir isso de todas as formas possíveis, uma delas é tentar reforçar as defesas – Ortros afirmou, fixando mais ainda seu olhar nas íris de Ertiaron. – Você é a pessoa mais apta a aprender a manipular a própria aura, quero lhe ensinar a se proteger sozinho.

– Isso parece um pouco arriscado... – Ele afirmou receoso. – Mas eu entendo a situação, vou dar meu melhor. – Respondeu com um sorriso determinado.

– Eu vou lhe auxiliar nisso. – Ele respondeu de mesma forma enquanto desviava o olhar com pena.

“É cruel, mas é melhor fazer eles viverem uma ilusão do que falar a realidade do que querem fazer.” Comentou com si mesmo, ainda com o sorriso falso.

Por Tisso | 08/09/20 às 17:00 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia