CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 54 - Informações, Ossos Quebrados e um Trapaceiro

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 54 - Informações, Ossos Quebrados e um Trapaceiro

Autor: Tisso | Tradução: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Em uma estalagem quase em meio ao vazio.

Um lugar era quente e caloroso, mas mal localizado, além de ser um local de extremo risco.

Aquela era a parada do grupo. A carroça foi colocada em um curral improvisado ao lado da estalagem. Edward conduziu seus amigos para os quartos que haviam alugado, todos estavam cansados da viagem e não queriam nada mais que um pouco de descanso.

Os seis pediram apenas um quarto com dois beliches. A ideia era que dois iriam pegar sacos de dormir para descansar no mesmo local, mas Varis foi contra todos.

O ladino colocou algumas moedas a mais na mesa e alugou mais um quarto de duas camas. Talvez aquilo fosse camaradagem, pelo menos, assim foi encarado por Aquiles, Glans e Voltten, mas James e Edward estranharam vagamente a atitude. Porém, ficou por aquilo mesmo.

Reunidos no quarto de dois beliches, os seis planejaram o que fazer.

Voltten abriu a janela com um rangido, dando vista a lua prateada e principalmente, a grande floresta que residia após um barranco gigantesco.

– Eu não sei o que tem nessa floresta. – Disse James, se aproximando de Voltten e apontando para a região da floresta. – Eu fiquei aqui antes de ir a Monssolus, mas antes queria ir para aquela floresta, só não tive coragem por pânico.

– Pânico? – Aquiles questionou, sem entender.

– Digo, é uma floresta. – Explicou sem jeito. – Pode ter cobras, aranhas ou qualquer criatura que me mate com veneno, eu não sou um elfo como vocês. Agora que estamos em maior número, talvez a visite.

– A bússola aponta para ela no final de tudo. – Varis comentou, se escorando na porta de entrada do quarto.

– Ele está certo. – Edward complementou de forma serena, enquanto cruzava os braços lentamente.

– Sabemos algo da fauna ou flora local? – Voltten perguntou receoso, mordendo seu polegar de forma fraca.

– Fauna e Flora ser o que? – Glans questionou pensativamente.

– As plantas e animais do local. – Aquiles respondeu, direcionando seu foco a James. – Você sabe de algo?

– Eu planejava lhe perguntar o mesmo. – Disse o arqueiro com um suspiro. – Eu vim para cá com uma caravana, passei apenas uma noite nessa pousada, menos de oito horas e no fim, me separei em uma encruzilhada que passamos anteriormente.

– Então estamos apenas nas teorias. – Aquiles reclamou. – Antigamente possuíamos alguns territórios em Skogeny, mas chuto que as informações de antes de mil e duzentos não vão servir de nada.

– Bem, então vamos conseguir informações. – Varis falou de forma animada.

Os cinco olharam para o ladino com certa concordância.

– Pode ser uma boa ideia. – Voltten assentiu.

– Eu vi uns caras jogando lá em baixo, acho que posso tirar uma informação ou outra. – Varis afirmou com um tom cômico. – Só preciso que Glans venha junto.

– Hum? – O draconato questionou, sem entender a lógica do ladino.

– Planeja trapacear no jogo de cartas então? – Disse James de forma debochada. – Acho melhor eu ir junto, vocês ficam com os jogadores e eu com o barman.

Edward olhou com desapontamento para os dois amigos, afinal, trapacear era algo errado em suas convicções. Por ele, aquele plano estava automaticamente negado antes mesmo de sua criação, mas ele sabia que aquilo era de suma importância, por isso cedeu. Se uma informação ou outra fosse tirada, muito provavelmente haveria uma certa vantagem a mais na exploração da floresta.

O paladino permaneceu de braços cruzados, o arqueiro pegou uma quantidade razoável de moedas e as dividiu com Varis, Glans os acompanhou até a taverna no andar de baixo. Voltten e Aquiles resolveram esperar.

Antes de chegar na área de bar do estabelecimento, James se esgueirou e averiguou a situação.

Havia cerca de cinco mesas, mas só duas estavam ocupadas. Uma com dois caras que aparentavam já estar bêbados e uma rodeada de pessoas onde estava rolando as apostas.

Sinalizando com as mãos, James passou as informações para Varis, pedindo para que eles esperassem alguns minutos que ele iria primeiro para não imaginarem que os três estivessem juntos.

Logo em seguida, Glans se pôs em uma mesa próxima a mesa das apostas e depois de mais alguns minutos Varis se intrometeu no jogo de cartas e já estava em jogo.

Os olhos do arqueiro fitavam o homem atrás do balcão.

O taberneiro era um homem gordo e careca, um pouco menor que James. Possuía um bigode robusto e costeletas, ambas marrons. Não aparentava ter traços de anões ou elfos, mas ao mesmo tempo, não aparentava ser cem por cento humano, mas isso de pouco importava.

– Vai querer o que? – O homem questionou James com sua voz rústica e grossa, aparentando levemente querer intimidar o arqueiro.

James continuou a fitar seus olhos, sem mudar o foco ou efetuar algum movimento.

– O que tem em estoque? – James perguntou calmamente.

– Tudo que a região tem de oferecer.

– E o que ela oferece? – James já colocou o plano de conseguir informações em prática.

– Você não é daqui pelo visto.

– Eu estou em uma caravana, nem eu mesmo me lembro de onde que eu vim. – Respondeu calmamente. – Sei umas coisas.

– Então, tem alguma informação sobre o lugar?

– Terra de elfos, boa parte constituída por florestas, rodeada por inúmeras montanhas, sem governo... – James começou a falar calmamente. – Acho que apenas isso.

– Está mal informado. – O taverneiro afirmou, rindo vagamente. – A especiaria da região é vinho de cidreira.

– Ah, uma iguaria popular, bem falada, bem comentada em outras regiões... – Voltando a forma calma de falar, mas dessa vez levemente ameaçador. – E também uma das bebidas mais caras que tavernas importam.

O taverneiro esbanjou uma feição receosa. Afinal, seu plano era vender justamente a bebida mais cara para um desavisado qualquer, mas apesar da aparência, James possuía setenta e nove anos de experiência e pelo menos cinquenta de exploração.

– Uma garrafa desse vinho. – James pediu a figura do taverneiro, que automaticamente deixou tudo que estava fazendo para pegar a garrafa em seu armazém.

Enquanto isso, James olhou para trás e teve a visão de Glans e de Varis, enquanto o ladino fazia quase que exatamente os mesmos truques de cartas que demonstrou anteriormente.

Era claro que ele iria trapacear em algum momento, a mente de James não iria deixar essa informação passar.

Porém, outra coisa chamou a sua atenção.

Um homem do lado de Varis se destacou em sua visão, ele era bem vestido com uma roupa cara e uma gola alta, seu sobretudo era denso e seu braço parecia um pouco fraco – ou robótico.

James olhou para o lado do balcão e viu uma faca menor que um dedo mindinho, mas com um fio considerável. Ele pegou a faca e caminhou lentamente até aquele homem.

O foco na jogatina era tanto, que ninguém o percebeu, a bebida também ajudou com isso.

Quando chegou perto o suficiente do homem, reparou de imediato o mecanismo que se escondia em seus braços. Supostamente era um trocador de cartas ou algo para facilitar sua mão de forma injusta.

Varis desviou rapidamente a visão para James, algo que durou menos de um segundo, mas que o arqueiro entendeu completamente sua vontade.

“Corta o fio.” Foi o que o ladino transcreveu com seu olhar minucioso, coisa que só um bom interpretador e observador iria ler, o caso perfeito de James.

 Manejar uma arma branca era de extrema dificuldade, mas, na teoria, ao cortar o fio, aquilo viraria terra de ninguém. Em um movimento de segundos, James o pegou com a mão não dominante, levantando ele o suficiente para que a faca pudesse cortá-lo.

Após efetuar a ação, o arqueiro deu friamente as costas para o homem trapaceiro, ao mesmo tempo em que as cartas eram cuspidas de suas mangas de forma descontrolada.

Varis riu vagamente enquanto se jogava para trás, apoiando a cadeira na de Glans. A guerra estava dada, mas os três não estavam envolvidos. Cenário perfeito.

Para encobrir os rastros, James deixou a faca da exata forma que a pegou, voltando calmamente para seu banco. Quando voltou para a taverna, o dono da mesma entrou em pânico ao ver uma briga generalizada entre pelo menos seis pessoas.

– O que aconteceu?! – O dono gritou assustado, largando a garrafa de vinho inconscientemente.

– Parece que alguém do jogo trapaceou... – James olhou para a garrafa de vidro quebrada no chão com leve decepção. – Que pena, eu realmente queria o vinho.

– Alguém pare a luta! – Ele pediu exaltado e preocupado. – Eu não posso lidar com mobília quebrada.

– Hum. – Varis se levantou, dando tapinhas leves nas costas de Glans. – Acho que é essa nossa deixa.

O draconato se levantou, enquanto os dois tomaram o foco de todos, que desistiram de espancar o trapaceiro e começaram a comprar briga com qualquer um.

Eram seis ao todo, o trapaceiro já estava no chão, dos dispostos, apenas quatro estavam sóbrios.

– É para deixá-los como? – Varis questionou, já preparando as estratégias que usaria.

– Hum? – O taverneiro questionou.

– Deixe todos imobilizados. – James afirmou, direcionando o foco ao taverneiro. – Eles são os melhores no assunto, nem ligue para eles.

Dois oponentes vieram de frente contra os dois, ambos sacando espadas curtas contra a figura do ladino.

Eles correram em sua direção, golpeando quase simultaneamente a figura de Varis, mas o erraram completamente. Era como se o ladino tivesse passado no centro dos dois em uma velocidade incrível, chegando ao um nível imperceptível para pessoas comuns.

Quando um dos dois homens se virou, foi recebido com um simples golpe de Varis, mas que o deixou imóvel instantaneamente. O ladino usou do canto de sua mão para afundar o nariz do oponente a um ponto que ele parou de se mover, caindo duro no chão.

O segundo homem nem viu o que aconteceu com seu parceiro. Após o golpe de espada, Glans segurou seu antebraço e o torceu ao ponto de deixá-lo com uma dor imensurável, quase com o osso quebrado.

Os outros quatro ficaram olhando, mas rapidamente tiveram seu espaço invadido por Varis que suavemente se pôs no meio de seus oponentes.

Abatendo um após o outro, quase todos da mesma forma, o ladino se viu vitorioso e vagamente entediado perante a pilha de corpos que havia deixado no chão.

James não estava conferindo o que os amigos estavam fazendo, mas sabia o quão incrível era, vendo a face do taverneiro.

– Então, conte-me tudo que sabe sobre a região. – James pediu calmamente após ouvir um grande estalo, supostamente de ossos quebrando.

– C-C-Certo. – Ele respondeu com medo e pavor.

Por Tisso | 22/09/20 às 17:25 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia