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Capítulo 55 - Uma Terra tão Nova Quanto uma Antiguidade

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 55 - Uma Terra tão Nova Quanto uma Antiguidade

Autor: Tisso | Tradução: Matheus Freitas (Leia SZPS)

As árvores e plantas se provaram densas e quase sem fim. Claro que, para um machado e uma espada, eles não passavam de uma barreira irritante que atrasava o avanço da viagem.

Voltten conferia a direção de trinta em trinta segundos.

Varis e Edward não se olhavam, os pensamentos tenebrosos sobre o passado do ladino tomavam quase que por completo a mente do paladino enquanto seu colega de espécie se mantinha focado apesar de relaxado. Matheus Freitas: Ah não, não me diga que tu vai ficar sendo assim Edward...

A visão de James estava tão aguçada quanto em lutas anteriores, se equiparando ao dia que ele foi designado a proteger os portões de Cartan.

O ambiente vazio era um incomodo para eles.

Os pássaros e insetos – criaturas que deveriam estar em qualquer floresta normalmente – não deram a graça de sua presença, seja em forma visual ou auditiva.

A floresta ficava mais densa à medida que era explorada.

A partir de certo ponto, Edward e Voltten conseguiram sentir um avanço. Na superfície de seus contatos com o mundo magico, foi acariciada uma pluma negra de energia nunca antes presenciada pelos dois.

Aquela energia não se equiparava a um ataque mágico de um demônio, era mais como a aura que o envolve. Edward conheceu esse tipo de aura durante a proteção ao portão e Voltten conhecia a teoria por trás daquilo.

Aos poucos, os dois sentiram seus corpos se envolvendo em um mar negro, que lentamente subia aponto de ameaçar afogá-los.

– Hum? – James murmurou ao bater nas costas de Voltten que, assim como Edward, estava parado enquanto todos seguiam seus caminhos. – Voltten, tudo bem aí?

O mago não respondeu.

– O que foi? – Aquiles perguntou, se virando e rapidamente notando o estado dos dois elfos.

As pupilas de Voltten estavam reviradas, apenas o branco e raios vermelhos de irritação.

As pupilas de Edward estavam vazias, todo vermelho se mesclou com o negro de seus olhos, tal como a mistura das cores em uma aquarela.

– Rápido! Um símbolo santo! – Aquiles gritou para James, que de imediato notou sua seriedade.

O arqueiro deixou seu arco no chão e pegou da sua mochila o seu antigo terço e um colar de esmeralda.

– Aqui! – James jogou os itens para Aquiles, que largou suas armas para pegá-los.

O cavaleiro, agindo como um soldado em meio a uma guerra, colocou os colares nos dois amigos e logo em seguida colocou as mãos em seus peitos.

Aquiles começou a sussurrar coisas para si mesmo, enquanto Voltten e Edward tinham diversas convulsões. Após alguns minutos, os dois caíram junto dos braços de Aquiles, que perdeu vagamente suas forças.

– Isso foi um exorcismo? – James perguntou, surpreso com o que Aquiles fez.

– Isso é tipo primeiros socorros... – Varis falou pensativamente. – Eu já vi isso, só funciona para espantar invasores, Edward conseguiria sair sozinho se focasse sua fé eu acho.

– Alguém fez a lição de casa. – O cavaleiro ironizou, recuperando suas forças. – Possessão é algo que pode dar um extremo trabalho, essa foi bem especifica, ela detectou as ligações de itens mágicos deles e os prendeu nesse transe. Julgando pelo fato de eu conseguir realizar o tratamento sem problemas, quer dizer que o que quer que esteja realizando a possessão é algo fraco... ou que finge estar fraco.

Aos poucos, eles retomaram a consciência.

– Eu sinto como se minha cabeça tivesse explodido de dentro pra fora. – Voltten afirmou, ele se levantou e pegou o cajado e a bússola.

– Nem me fale. – Continuou Edward logo em seguida, se levantando e suspirando.

– É melhor ficarem com esses símbolos sagrados. – James afirmou, apontando para os colares colocados por Aquiles.

– Por termos um elo mágico vamos ser mais afetados, mas não quer dizer que vocês não vão. – Voltten comentou pensativo.

– Dependendo da magia, todos podemos ser pegos, independente de termos símbolos sagrados ou não. – Edward complementou.

– Então colar ser inútil? – Glans perguntou, olhando para Edward.

– Não totalmente. – O mago comentou. – Edward, conhece alguma magia de proteção ou algo do tipo?

– Tem uma coisa pra isso. – O paladino colocou sua mochila no chão e sacou dois cantis junto de um frasco de sal. – Água benta ou sal santo, vocês escolhem.

– Água benta? – James se aproximou. – Vamos usar coisas efetivas de verdade para isso?

– Sim, vai ser complicado. – Disse Aquiles, pegando um cantil de água benta, abrindo-o e o levantando vagamente. – Eu não gosto de água salgada, mas lá vai!

Aquiles colocou a boca perto do gargalo do cantil e bebeu três goles. Tirando a boca da tampa, ele selou e entregou de volta a Edward.

– É mais salgado do que eu esperava. – Comentou de forma vaga.

Todos estavam olhando para Aquiles de forma estranha.

– Não era pra você beber a água! – James reclamou.

– Não era? Mas é assim que se faz em campo de combate.

– Deixa ele, isso provavelmente ajudou. – Edward afirmou, enquanto jogava um pouco de sal santo em suas roupas junto de Voltten.

Quando chegou a vez do ladino, Varis os encarou de forma receosa, mesmo sem saber o motivo.

– Não vai usar nada? – Edward questionou, enquanto todos estavam voltando a sua posição.

Varis devolveu um cantil e o frasco de sal para Edward.

– Essa parada santa não me agrada tanto. – Ironizou o ladino. – Mas eu passei sal nas adagas, correntes e espada, pode garantir que eu vou me manter bem.

– Você podia ter mais de fé. – Retruca Edward, guardando os utensílios em sua mochila. Matheus Freitas: Deuses são reais se acredita neles...

– Relaxa, qualquer deus ama idiotas, bêbados e hipócritas. – Varis comentou rapidamente.

 Edward franziu o olhar para Varis, enquanto o acompanhava para voltar para sua posição.

Após algumas horas de caminhada, a paisagem se modificou em meio ao cume de um pequeno monte.

A floresta perdeu seus arbustos e plantas menores, dando a vista apenas a grandes e volumosas arvores que, com suas magnificas e longas folhas, tampavam o sol, dando espaço para flores especificas nascerem.

– Nossa... – James ficou deslumbrado com o cenário, enquanto seus amigos continuavam.

– Ei, o “encantada”. – Varis ironizou. – Vai ficar vendo tudo isso ou vai continuar?

– Hum? – Questionou andando junto a seus amigos. – Esse é um cenário maravilhoso, tantos tons de verde misturado com plantas únicas, como não se impressionam?

– Ah, é umas arvores e flores legais. – O ladino deu os ombros.

– Mas o lugar não é feio, ele só parece meio... – Aquiles chegou à borda daquele cume, quase caindo, mas se estabilizando rapidamente. – Morto...

Aos poucos, seus colegas o acompanharam para ver o que Aquiles estava vendo. O cenário era além de incrível, era simplesmente histórico.

Escondida no centro daquela imensa floresta havia uma única árvore que se estendia por quilômetros e quilômetros, se camuflando em uma vista por cima da área.

Ao redor daquela gigantesca árvore havia um pântano que se assemelhava a um gigantesco lago verde água.

Construído em cima desse pântano, magnificas casas e ruas élficas que se estendiam até meio quilometro perto da árvore, onde lá, apenas uma ponte dava passagem a planta.

O lugar estava em suas últimas, não possuía pessoas andando por lá, não havia resquícios no local – nem ao menos merda de pássaro ou teias de aranha.

Era como uma capital fantasma, uma cidade que um dia já possuiu vida, mas que agora estava a um toque de morrer.

A suposta maldição do local aumentara vagamente, deixando os corpos de Voltten e Edward mais pesados, mas ambos permaneceram firmes e fortes perante tudo aquilo.

– Agora todos já vimos uma cidade élfica. – Edward comentou, visualizando o barranco que os separava do início da cidade. – Como a gente chega lá?

– Deveria ter uma entrada, mas algum desastre deve ter tampado a entrada. – Voltten comentou de forma pensativa. – Ou os anos mil...

– Um terremoto bloqueou a passagem então? – Aquiles comentou desanimado.

– Varis, quantos metros de corda você tem? – Edward questionou, olhando para a mochila do ladino.

– Não tenho bem um número fixo de metros, mas acho que se juntar tudo dá uns quinze. – Varis compreendeu o pensamento de Edward. – A árvore mais próxima está a uns três metros do barranco. De onde a gente está, fica em torno de uns dez metros, mas é só suposição.

– Você é um dos melhores para definir distâncias. – O paladino se virou rapidamente para James. – Tem alguma contradição a esse cálculo?

– Não dá para ser muito preciso, mas chuto que não sai muito dessa estimativa que Varis fez. – James comentou, olhando para o final daquele barranco. – E se precisar de mais, temos as correntes dele.

– Ei! – Reclamou Varis – Minhas correntes não são feitas pra transporte.

– Mas pode ser uma ajuda. – Retrucou. – Quantos metros tem nelas?

– Dez em cada saco mais ou menos.

– Então temos mais vinte metros... – Aquiles disse.

– Ei, eu não vou ficar entre esses vinte metros servindo de ponte.

– Ah é, tem isso.

– Enfim, vamos tratar de chegar lá primeiro. – Disse Voltten, enquanto Varis abria sua mochila. – Precisa de ajuda com os nós?

– Não precisa, eu me viro.

Era impressionante a quantidade de corda que havia na mochila do ladino, muitas daquelas cordas ainda possuíam sua origem em seus trabalhos com Cérbero feitos a meses atrás.

Alguns possuíam apenas vinte centímetros enquanto outras chegavam bem perto de meio metro. No fim, a corda foi feita e amarrada na árvore.

Ao pisar em uma estrada de pedra fria, os seis se viram em um caminho estreito.

Voltten conferia a bússola, a mesma já havia perdido o controle, girando tão rápido quanto uma hélice, comprovando que ali era o lugar certo.

– Todos bem? – Edward questiona após firmar os pés no chão do local e olhar em volta para conferir a região.

– Acho que sim. – Varis respondeu, se afastando vagamente do grupo para ver mais da cidade élfica.

A arquitetura mais leve e delicada deixava tudo com um tom mais épico, apesar do tempo deixando tudo com uma tonalidade cinza morta, substituindo o brilho e a cor que aquele lugar deveria ter.

– Nossa, esse lugar parece uma sede de clã abandonado.... – Varis ficou quieto por alguns segundos, lembrando vagamente do que havia feito.

– Hum? – Edward andou na direção de Varis. – Sede morta?

– Nada, só parece mesmo.

– Ei não se separem, esse lugar pode ser pior que um labirinto. – Voltten afirmou, chamando os dois elfos negros de volta para o grupo.

– É pessoal, estamos no centro do perigo temos que agir... – Murmurou Aquiles, caminhando lentamente na direção de seus amigos, com a confiança e coragem impulsionada pelas cartas de James.

Após alguns passos, sem muitos avisos, o chão que servia de apoio para Aquiles se rompeu.

Momentos antes de sua queda, o cérebro do cavaleiro apenas jogou sua lança para evitar dificuldades no nado.

De imediato, todos correram em sua direção com preocupação.

– Aquiles! Você está vivo? – Varis questionou, confuso com o que aconteceu.

– A água desse pântano é pior do que eu esperava, mas sim, a água e raízes amorteceram a queda. – Aquiles respondeu do fundo do pântano, relaxando os companheiros.

– Sabe a quantos metros estamos daí? – James perguntou.

– Chutando pela queda, uns quinze eu acho. Tem mais corda?

Todos olharam para Varis simultaneamente com um olhar que dizia “a culpa foi sua”.

– Caso perguntem, isso nunca aconteceu e eu não vou fazer de novo. – O ladino afirmou, cedendo ao pedido dos amigos.

Após Aquiles retornar, ele se recompôs.

– O chão daqui vai ser um pesadelo de andar. – James comentou rapidamente.

– É só ver onde esta as bases, não é tão difícil. – Varis afirmou, analisando o local.

Ao desviarem o olhar para Aquiles, todos perceberam a face de horror no cavaleiro.

– Aquiles? Você está...

– Edward, atrás de você! – Aquiles gritou assustado.

Edward nem sequer questionou. O paladino pegou sua espada e a manuseou de forma rápida, desferindo um corte em sua retaguarda.

Ao estabilizar, ele percebeu que não havia nada lá. A face de medo de Aquiles não mentia, mas não havia nem um ser vivo naquele local.

– Varis, eles pegaram o seu pescoço! – Aquiles afirmou, novamente com um grito.

– Hum? – o ladino tateou seu pescoço, sentindo as cicatrizes da luta no coliseu, mas nenhuma novidade.

– Aquiles, você bateu a cabeça ou algo assim? – Voltten questionou, se aproximando exercendo a magia de cura no crânio do cavaleiro.

– Para ele estar vendo coisas uma simples batida de cabeça não seria o suficiente... – James afirmou enquanto olhara para as correntes de Varis. – Varis, pode me passar a parte das correntes que pegaram o Aquiles na água?

– Hum? – Varis questionou, estranhando, mas obedecendo. – Tá aí.

Pegando no metal vagamente molhado do final das correntes, o arqueiro tirou umas gotas da água, as pingando em seu olho como um colírio improvisado. Matheus Freitas: Você perdeu o juízo!? Um arqueiro cego está a caminho!

Todos encararam de forma estranha, mas quando o mesmo se levantou, ele compreendeu o que estava ocorrendo.

Quando ele encarava o mundo com o olho normal, nada estava fora de seu lugar, mas quando James fechou esse olho e viu o mundo pelo olho que passou a água, tudo mudou.

Era um mundo mais etéreo, com sombras coloridas vagando pelos lugares. Se focando um pouco, ele viu o que estava no pescoço de Varis – um ladrão elfo que não entendia o porquê sua faca não cortava o ladino.

Olhando para trás de Edward ele identificou um bandido maior.

– Então é isso... – James afirmou calmamente, enquanto tomava o foco de todos. – Fantasmas, meus caros.

Por Tisso | 24/09/20 às 19:50 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia