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Capítulo 57 - Matar Um Fantasma Não É Tão Difícil

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 57 - Matar Um Fantasma Não É Tão Difícil

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

– Em que circunstâncias nós deveríamos passar água de pântano nos olhos? – O ladino questionou, olhando para o cantil com um leve nojo.

– Alguma teoria para isso, Voltten? – James questionou, vendo que ele e seus companheiros estavam vendo os fantasmas.

– Isso é tão incrível que eu não sei como responder... – O mago afirmou, passando sua mão por dentro do peito de um dos homens que estavam tentando atacá-los.

Glans encarou os espíritos, tentando pegá-los em suas mãos.

– Isso lembrar viagens. – O draconato afirma pensativo.

– Hum? – Voltten e James viraram seu foco para o amigo, enquanto ele se ajeitava.

– Eu já ver cavalos assim, em meio a lua completa. Cavaleiros lutando e atormentando. – O ar sério de Glans surpreendeu seus companheiros.

– Eu também já ouvi histórias sobre. – Edward comentou vagamente. – Fantasmas são abordados em alguns feitiços e contos.

– Sabe o que seria a água que nos faz ver eles então? – Aquiles questionou pensativamente.

– Não, isso é algo extremamente peculiar.

– Já pensaram que o lugar está tão podre que ele começou a corroer tudo em volta dele? E que talvez, se nós entrarmos em contato com a água temos uma espécie de acesso ao mundo dos fantasmas, pelo menos... podemos ver esse mundo.

Todos pararam de imediato o que estavam fazendo e olharam a figura sentada e confusa de Varis.

– Falei algo estranho? – Ele questionou levemente incomodado.

– Quem é você e o que você fez com o Varis? – James perguntou confusamente.

– Ei, vai com calma... – O ladino advertiu, se afastando vagamente de seus colegas.

– É uma teoria incrivelmente crível. – Refletiu Voltten. – Edward e James, como parecemos ser os que mais sabem sobre fantasmas, acho que é melhor planejarmos tudo antes de progredir.

– Não tem muito o que falar sobre fantasmas eu acho. – Disse Varis, entregando o cantil para Voltten que o guardou.

Observando o draconato tentando interagir com os fantasmas, o mago estava olhando a bússola, o arqueiro olhava os fantasmas ao seu redor e o cavaleiro e paladino na entrada daquele beco conferindo o local, ele tomou iniciativa.

– Ei, o almofadinha bancado a favelado! – Varis gritou de forma ameaçadora, visando a direita de Glans, o exato lugar onde havia os dois elfos fantasmas.

– Repete o que você falou, pele de osso! – O bandido maior respondeu sua ameaça.

A voz de um fantasma lembrava vagamente a de um demônio, mas, ao invés de ser um lamento de diversas vozes, aparentava ser apenas uma em uma repetição finita, algo semelhante a um eco em baixos tons variados.

– Varis o que você está fazendo? – Edward questionou ao se aproximar.

– Deixa comigo, eu quero testar umas coisas.

Receoso, os cinco observaram os fantasmas se aproximando do ladino.

O menor rapidamente saltou na direção de Varis, o ladino rapidamente deduziu não só o ângulo de seu salto, mas também onde seria sua queda.

Em poucos segundos do atacante lhe atingir, o ladino sacou sua espada e efetuou uma estocada precisa em seu peito. Levantando o ser e o jogando para traz de forma rápida.

Todos viram isso com curiosidade.

“Como o fantasma que antes era um ser etéreo poderia ser cortado assim com tanta facilidade? E por uma arma tão comum que era a velha espada do ladino?” Todos se questionaram.

O segundo bandido partiu em direção a Varis, como forma de vingar o amigo que havia “morrido” pelas mãos do ladino.

Rapidamente, ele traçou um segundo contra-ataque. Dessa vez ele correu para uma parede, saltando nela e pegando impulso para alcançar o rosto do oponente.

Após um chute que quase nocauteou o brutamontes, Varis o escalou, enrolando seu pescoço com suas correntes ao ponto de ele simplesmente desmaiar.

Depois de se levantar e recolher o equipamento, Varis soltou um riso vago.

– E eu achava que isso era besteira.

– Como você encostou neles? – Todos perguntaram simultaneamente, ambos impressionados.

– É a primeira vez que eu vi isso, então não me pergunte detalhes, mas eu ouvia essas lendas de fantasmas. – Varis comentou, enquanto via os corpos etéreos se tornando pó. – “Um espirito não pode agir sem permissão” ou algo assim, deve ser essa a regra daqui.

– Hum? – Glans, Edward e Aquiles questionaram.

– Espera, é literalmente isso? – James questionou, após pensar por alguns segundos.

– Sim, exatamente.

– Então eles vão agir como espíritos se nós não dermos a mínima...

– Mas se nós chamarmos a atenção ou dermos alguma permissão para eles fazerem algo conosco, eles vão poder fazer. – Voltten complementou de forma pensativa.

– A velha história do vampiro pedindo para entrar em casa. – James comentou de forma irônica. – Mas aplicada em um ser sobrenatural completamente estranho.

– Agora, o que aconteceu para que tantos elfos estejam mortos? O que causou a maldição dessa cidade assim, está além do meu conhecimento. – Varis deu de ombros.

– Já é útil sabermos isso. – Voltten comentou, se aproximando de Edward e Aquiles para ver o local.

– Ótimo, vamos... – Varis acompanhou os amigos, mas de repente, algo lhe penetrou pela espinha, o fazendo parar de andar.

– Hum? – James questionou, olhando para Varis. – Tá tudo bem aí?

– Hum? – Varis respondeu com algumas tosses. – Sim, efeito colateral da água.

– Hum... – Olhou para o ladino rapidamente. – Certo...

– Eu vou na frente. – Varis afirmou após uma disparada astuta entre seus amigos. – Vai ser mais fácil de evitar quedas se eu for guiando.

– De acordo. – Aquiles afirmou, enquanto guardava a lança como uma espada em suas costas, já visando que talvez não a usaria, mas ao mesmo tempo, a deixando próxima de um saque.

O ladino estava andando a poucos metros de distância do grupo.

Edward, Glans e Aquiles seguiram à risca os passos do ladino, temendo cair mais uma vez.

James e Voltten olhavam em volta tal cenário magnifico.

As pessoas passavam pelas ruas daquela antiga ruina que agora, pelo olhar dos fantasmas, era um novo lugar.

Lojas abertas com produtos igualmente etéreos assim como os elfos. Construções quebradas agora se reconstruíram em sua frente, diferenciava-se da realidade apenas por quebras visuais feitas com extremo esforço, coisa essa exercida facilmente pelo arqueiro e ladino.

– “Fantasmas de objetos”... – James murmurou, parando o grupo e se aproximando a um banco destruído e o tateando.

Todos estranharam o objeto existindo em duas formas diferentes em sua frente, mas aquilo pouco impressionava.

– Isso seria possível? – Finalizando, o arqueiro pegou um estilhaço do banco para analisar, mas logo o descartou.

– Na teoria, os fantasmas existem devido as pessoas vivas. – Edward comentou pensativo.

– “A vida e a morte são duas balanças, enquanto uma destrói a outra constrói” – Varis começou a comentar calmamente. – “Enquanto um está em tudo o outro está na ausência de tudo. Matéria e antimatéria, duas forças querendo se anular”.

Todos olham novamente espantados para Varis.

– Sério, quem é esse cara? – James afirmou novamente em tom irônico. Matheus Freitas: Eu quase tô com o James, Varis foi possuído por um fantasma de um bibliotecário elfo...

– Eu só falei algo que eu lembrei. – Varis respondeu dando ombros, mas sentindo uma sensação estranha ao falar aquilo.

– Essa situação me intrigou agora. – Comentou Voltten. – Um conceito que divide por completo algo aplicado no que, eu vou supor que seja, os domínios do Deus da Vida e do Deus da Morte é uma filosofia realmente pensativa.

– Varis, de onde ouviu isso? – Edward perguntou igualmente pensativo.

– Eu mal lembro o que comi ontem. – O ladino desviou o assunto.

– Hum, Vida... – Glans questionou-se enquanto olhava ao seu redor, vendo diversos fantasmas passando e rodeando seu corpo. – Eu lembrar de antigos.

– Antigos? – Aquiles questionou rapidamente.

– Sim, eles serem maiores e fortes, eles que deram origem a meu povo. Ancião conta histórias deles.

– Deve estar falando do panteão dracônico. – Voltten comentou curiosamente.

– Um era cobra dourada, voava com raios. Outro tinha sete cabeças e vigiava a água. O protetor era gigante de pele fervente. O ancião do ancião era pessoa dragão, muito inteligente ele.

– Devem ter sido grandes seres. – Afirmou Voltten. – Eles foram os deuses do panteão dracônico ou serventes importantes, eu chuto.

– Só uma pergunta Glans. – James falou. – O quão velho ele é?

– Ancião ser velho, ele ver muita coisa, mas não contou para Glans o quando nasceu.

– Essa história não ajuda muito a nossa situação. – Varis comentou pensativamente.

– Bem, se considerarmos que talvez eles tivessem motivos para serem rivais. Digo, existiam os metálicos e outros cromáticos, mas mesmo assim não se tornaram rivais assim como a Vida e a Morte. – Edward comentou contrapondo Varis.

– O que nos volta a questão... – James voltou o foco para o banco. – “Fantasmas de objetos” seriam possíveis?

– Acho que contra fatos não tem argumentos. – Comentou Voltten, cutucando a parte fantasma do banco com seu cajado. – Embora eu não tenho uma teoria muito plausível.

– Isso vem daquele velho discurso. – Aquiles comentou, tentando pagar de culto. – “O que é uma vida?”.

– Para uma pessoa com o cérebro derretido por uma vida de academia, você até que possui um bom argumento. – James ironizou, seguido de risos de seus colegas. – Só não ganha do Varis, hoje é o dia dele brilhar.

– Ei! – O ladino reclamou.

Em um movimento rápido, Varis viu seu peito expelir um chicote fantasma.

Ao se virar, o ladino se deparou com uma carroça tampando a passagem.

– Saiam! – O condutor do veículo gritou para o grupo estático.

– Acho que a gente pode passar por eles sem incomodar. – Edward sugeriu. – Digo, não podemos pisar em outro lugar da rua, certo?

– Eu posso tentar uma coisa? – Varis questionou de forma humilde.

– O que vai ser? – James e Edward questionaram quase que ao mesmo tempo.

– Confiem em mim.

– Certo, vá, o palco é seu. – Edward disse com um suspiro.

Varis se virou para a carruagem ainda parada.

– Ei, você! – O ladino apontou de forma confiante para o motorista.

O mesmo ficou quieto só olhando para Varis.

– Você não tem o direito de ficar em nosso caminho.

O elfo que conduzia a carroça estranhou aquilo, mas pegou seu chicote mais uma vez, preparando o ataque ao ladino.

Edward viu aquilo de camarote. A corda ia acertar o peito de Varis, mas ela não o acertou. O motivo não erra um erro de cálculo ou manuseio e sim um efeito decorrido das condições de Varis.

Quando olhado novamente, o homem que conduzia a carruagem estava tremendo.

Varis sorriu sadicamente enquanto dava pequenos passos na direção do motorista.

Com a aproximação do ladino, a forma etérea do fantasma se desfez como poeira, se misturando no vento rapidamente.

– Você o matou!? – Edward questionou, não entendendo o que aconteceu com o fantasma.

– Bem, na teoria ele já estava morto, o máximo que eu fiz foi tirar ele daqui. – Varis comentou rapidamente.

– Tantas almas penadas em um único lugar é algo bem impressionante. – James comentou enquanto olhava ao seu redor, algumas pessoas pararam para ver o que ocorria na carroça, mas muitos simplesmente ignoravam.

– Esse lugar ainda é aberto por cima. – Acrescentou Aquiles. – Poder ver tantas pessoas circulando é muito estranho.

– James, você é o cara das teorias, não é? – Varis questionou o arqueiro diretamente de forma casual e desleixada.

– Eu não sei se isso é bom numa situação assim, mas sim, eu faço diversas teorias e busco conhecimento, por que a pergunta? – James questionou levemente incomodado.

– Esse negócio das permissões e interações com fantasmas, eu não faço a mínima ideia do que eu posso fazer, então acho melhor deixar as coisas na sua mão. – Receoso e estranhando suas próprias palavras, Varis pediu calmamente a seu companheiro.

– Então está me dando a responsabilidade de saber como a lógica dos fantasmas funcionam em troca da promessa que você não irá se pôr na frente para resolver empecilhos?

– É. – Varis afirmou da forma mais artificial possível.

– Ótimo, aceito esse pedido. – James tomou o rumo do grupo. – Voltten, para onde você acha que devemos ir?

– Hum? – O mago virou para o arqueiro e eles se reuniram em uma roda com seu grupo, eles iniciaram mais uma discussão.

Antes de entrar na roda de conversa, Varis arranhou sua nuca rapidamente.

“Malditos mosquitos”. – Ele pensou.

O dia passou de forma peculiar. Devido as folhas encobrindo boa parte dos raios de sol, a noite fora difícil de se perceber.

A única coisa que ajudou o grupo a se localizar temporariamente foram as lojas fechando e os fantasmas se recolhendo para suas moradias.

– Devemos procurar uma pousada? – Questionou Aquiles receoso, já sentindo o frio que a noite traria.

– Em uma cidade onde não tem ninguém? – Varis retrucou.

– Basicamente, qualquer lugar é aberto para nós, o problema é se não formos os únicos aqui. – James afirmou receoso.

– As forças mágicas estão ficando mais fortes. – Edward afirmou com a mão em sua cabeça, demonstrando sinais de dor.

– Não vamos conseguir aguentar, precisamos descansar. – Voltten complementou em mesma condição.

– Ótimo, vamos pegar uma casa aleatória e dormir nela. – Aquiles comentou rapidamente.

– Não tão rápido. – James parou o amigo. – Eu tenho quase certeza que ficar invadindo propriedade alheia e dormindo nelas não é o mais recomendado para uma situação assim.

– Então vamos para uma pousada? – Perguntou Varis.

– É o melhor, eu vi uma a alguns minutos daqui. – James afirmou tomando rumo do grupo, que não discutiu.

O lugar era uma bela casa, mas que no presente, foi manchado pelo aspecto morto da cidade. Um lugar pequeno e humilde, um lugar que talvez só aceitassem membros do panteão élfico, mas acima de tudo, aquele era um lugar de descanso. 

Os quartos não passavam de um cubículo com moveis fantasmas, mas que na realidade eram vazios sem nada.

Separados em dois grupos, Aquiles, Varis e Edward adormeceram rapidamente se comparados aos outros amigos, mas aquele adormecer foi o início de sua auto redenção.

Por Tisso | 01/10/20 às 16:42 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia