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Capítulo 64 - Árvore de Pedra

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 64 - Árvore de Pedra

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

– Na sua época, como os Cavaleiros Negros estão? – Santana perguntou reflexivamente.

– Artrit continua movimentada como sempre, Civitas conseguirá deixar os muros de Cartan completos ano que vem, ninguém tenta desafiar os Cavaleiros Negros por medo... – Aquiles se sentou vagamente admirando a lua. – E estávamos por abrir mais negociações com Pur.

– Suas histórias são fascinantes, complexas ao ponto de eu não saber dizer se são mentiras ou verdades. – Santana afirmou, olhando para o elfo suado em sua frente. – Faz o que? Três dias?

– Sim...

– Mesmo não conseguindo explicar o que deixou seu corpo assim, não consigo acreditar num salto no tempo e muito menos em uma realidade onde tudo é falso inclusive eu.

– Ou você só não quer acreditar, ou melhor ainda, você não pode acreditar.

– Não posso?

– Imagine que você prendeu alguém em uma ilusão e que nessa ilusão existem outras pessoas. – Afirmou desviando o olhar para o chão. – Você não ia querer que elas questionassem a própria existência pelo bem da prisão do alvo.

– Então, se eu não questionar minha existência, isto prova que isso tudo é uma ilusão.

– Sim e Não.

– Quais seriam suas teorias para isso?

– Acho que chegou a hora de falar um pouco do que estava acontecendo antes de vir para este mundo. – Aquiles afirmou, franzindo um pouco a expressão. – Eu não vou dizer os motivos, mas eu fui reunido de mais cinco pessoas. Dois elfos negros, um elfo do raio, o draconiano que já lhe falei e um humano eremita.

– Grupo peculiar, qual as especialidades? – Santana questionou com curiosidade.

– Os elfos negros eram um contraste um do outro, um ladino e um paladino. O elfo do raio é médico e dominante de magia. O draconiano, como já mencionei, era de força tamanha, comparável a minha, e empunhava armas pesadas. O eremita tinha uma habilidade surreal na área da arquearia.

– Julgando por ter um paladino, suponho que Tac Nyan está envolvido.

Aquiles ficou quieto e de olhos fechados por alguns segundos. O silêncio era a resposta de Santana.

– Continue. – Ela pediu.

– Nós fomos para Suma, onde nos envolvemos com Pur. Ele parecia apto a negociações futuras. – Antes de continuar sua frase, Aquiles se conteve e limitou as informações. – Depois disso, nós fomos para Skogeny, onde acabamos nos encontrando em uma antiga cidade élfica com fantasmas, quando dormimos perto do local eu acordei aqui.

– Fantasmas?

– Pelo menos, foi assim que os categorizamos, eles eram estéreis e quase invisíveis, conseguimos os ver apenas pelo uso de uma água de pântano como colírio.

– Isso parece idiota. – Santana comentou, sem crenças naquela história. Matheus Freitas: Também acho Santana, tô esperando no mínimo todo mundo ficar cego depois disso...

– Há muito mais coisas idiotas que aconteceram, mas isso é a base.

– Você dormiu em uma cidade élfica com fantasmas e acordou dez anos no passado... – Os grunhidos de pensamento duraram pouco. – Eu diria que a resposta para isso seja óbvia, não?

– Você insinuando que isso realmente é uma ilusão não me faz ter certeza dessa opção, mas devo admitir que você está certa. – Aquiles suspirou brevemente. – Mas independentemente do que ocorra, eu vou permanecer aqui até achar a saída... isso me lembra, para onde estamos indo mesmo?

– Hum? – Santana murmurou. – Fazendo uma inspeção nos arredores marítimos. A propósito, de acordo com os medidores, estamos próximos de voltar a Artrit.

– Hum, então esta perto. – Aquiles afirmou para si mesmo. – Teorizando uma linha do tempo em minha mente eu lembrei de alguns detalhes. Eu esqueci em torno de um mês dos acontecimentos no navio, não lembro das condições de meu corpo, mas julgando pelos relatos de naufrágio eu devo ter ficado no máximo dois a três dias vagando até a costa.

– Você nunca parou pra pensar nisso?! – Santana questionou como um quase insulto ao cavaleiro.

– Não, tenho certeza que já pensei nisso outras vezes, mas é agora que isso vai ser realmente útil. – Aquiles voltou sua visão para Santana. – Quantos dias temos até chegar até Artrit?

– Um pouco menos de uma semana! – Santana afirmou com extrema raiva e receio. – Por que diabos você não falou isso antes? Queria deixar até o último minuto?

– Não me lembrava dos fatos, além do mais, à três dias atrás eu não era eu. – Confuso, o cavaleiro se levantou, vendo toda a área do navio banhada pelos raios de prata da lua. – Temos algo em torno de um ou dois dias para o que atacou o barco atacar de novo então?

– Acho que eu devo acionar a tripulação agora. – Santana acompanhou Aquiles calmamente.

– Não. – O elfo a interrompeu.

– Planeja fazer o que?

– Dobre a comida de todos, faça-os comerem até que fiquem satisfeitos e não estufados. Mantenha próximos a todos pelo menos uma arma para que cada um possa se defender. Mantenha mais rígido a vigilância. – Aquiles disse friamente, detalhe por detalhe como um verdadeiro capitão. – Por fim, eu e você precisaremos de equipamento, nós vamos ser os ancoras dessa luta.

– Essas ordens, elas são muito profissionais. – Santana afirmou impressionada. – Quantos anos você tem mesmo?

– Cinco como bandido, treze como novato, sete como capitão. – Afirmou o elfo friamente. – Quais os tipos de armas temos aqui?

Santana olhou para ele, mesmo tendo mais anos de vida, mais experiência em combate e mais anos como capitã, parecia que aquele homem havia se esforçado o dobro, senão o triplo de vezes que ela.

– Qual o seu estilo? – Ela perguntou.

– Davi Golias. – Aquiles afirmou de forma orgulhosa.

– Hum. – Ela murmurou como uma quase risada. – Já esperava algo exagerado. Espere eu passar os deveres para os outros tripulantes que eu lhe levo ao armazém das armas.

– Certo. Matheus Freitas: Gente... Eu tenho uma ideia melhor, mesmo não sendo um capitão. Que tal dar meia volta? Kkkkkk (Sei que deve ser um desafio para o Aquiles se livrar do passado, mas... Vamos ver.)

Após uns vinte minutos, Santana retornou.

– Fiz tudo que pediu, as armas dos soldados já foram distribuídas. – Ela afirmou, guiando Aquiles para a cabine do capitão.

– Eram que tipo de armas? – Aquiles questiona.

– Espadas, em sua maioria, escudos e lanças. – Ela abriu a porta da cabine. – Alguma lhe interessa?

– Depende do que veremos aqui.

Entrando os dois, Santana acendeu uma lamparina e a carregou até um canto do local com uma espécie de baú mais largo.

Ao abrir, ela revelou uma serie de armas peculiares. Além de seus dois florestes, havia uma espada de duas mãos no canto.

– Ela já estava aqui quando eu peguei o navio, pode pegar. – Santana apontou para a grande espada.

– A Dente de Dragão vai ficar com inveja, tem algum tempo que não temos uma luta real. – O elfo comentou com um tom cômico.

– Quem?

– Uma criação que pedi para fazerem para mim no meu mundo.

– Acha que uma espada normal pode complementar essa espada de duas mãos? – Santana perguntou, olhando para Aquiles que balançava a espada apenas com seu braço não dominante.

– Vai ser mais que o suficiente. – Aquiles murmurou. – Se eu ganhei do lanceiro com duas cimitarras, isso vai ser bem mais fácil.

– Suas referências me intrigam.

– Relaxe. – Aquiles direcionou o olhar para Santana. – Se tudo der certo, nesse mundo, você terá um futuro além da morte.

– Essa confiança, ela é fútil... – Santana criticou rapidamente. – Mas eu até que estou gostando do pensamento positivo.

As preparações estavam prontas assim como o cavaleiro.

No próximo dia, ele estava sereno e calmo, assim como Santana.

Ambos vagavam pelo deque do barco tranquilamente pelo dia e a noite, o primeiro dia revisaram a patrulha, no segundo foi quando os acontecimentos peculiares aconteceram.

Uma batida estrondosa sacudiu o barco, deixando o cavaleiro em posição de combate, rapidamente ele correu para a origem da batida, parando apenas na proteção de madeira que o impedia de cair.

– O que ocasionou isso? – Santana gritou para Aquiles, sacando seus floretes.

– Uma pedra. – Aquiles afirmou vendo o pedregulho em formado piramidal, cor verde musgo com poucas manchas visíveis da superfície de pedra lisa. – Uma bem peculiar.

– Manobrem o navio! – Santana gritou para um pequeno grupo de soldados, que carregaram uma grande tora para perto de Aquiles.

Os três homens usaram da madeira para empurrar o navio para longe do pedregulho. Porém, isso o fez bater em outro pedregulho, dessa vez do lado contrário.

Aquiles foi conferir novamente o que aconteceu, o resultado foi a mesma pedra, era idêntica à do outro lado. Antes mesmo que Santana ordenasse novamente que afastassem o navio com a tora de madeira, uma terceira pedra bateu no barco, dessa vez na parte traseira.

Rapidamente, o elfo trocou olhares com a capitã, mesmo não falando nada, os dois já sabiam o que fazer. Santana bateu com o máximo de força no chão, tudo para chamar a atenção.

– Atenção, entrem em posição de combate! – Santana gritou. – Armem os canhões e dividam o restante entre a proa e a popa. Hoje que nossos inimigos vão se arrepender de nos enfrentar.

Todos gritaram animados com as ordens da capitã, tudo enquanto Aquiles se aproximada da mesma.

– Hora de fazer o papel de ancora. – Aquiles afirmou, passando de seu lado confiante.

– De acordo. – Ela assentiu.

Aquiles subiu até o ponto mais seguro da embarcação, ficando atrás do timão de controle, junto de mais uns dez homens.

Ao todo, eram sessenta pessoas naquele navio, boa parte focada apenas em combate com armas brancas, mas mesmo assim o nervosismo subia na cabeça de Aquiles que fitava seus olhos para todos os lados, mas eis então, que tudo começou a ruir.

As pedras aos poucos subiam e cresciam delas mesmas, como se fossem gemas a crescer como árvores. Não era necessário item mágico para a sensação de “peso na consciência” tomasse conta de todos.

– Quebramos algum selo com algum demônio... – Aquiles comentou para si mesmo, enquanto via as pedras crescendo e crescendo, se tornando maiores que árvores. Após alguns segundos, as pedras lentamente começaram a rachar, o que foi lido perfeitamente por Aquiles. – Recuem!

O grito do elfo fez todos recuarem. No fim, pedras e mais pedras caíram na popa, fazendo um peso contrário no navio, o que ocasionou numa gangorra o que fez a proa subir e a popa afundar.

Não era preciso falar que aquilo bagunçou a posição de todos os Cavaleiros Negros, a única exceção entre eles eram Santana e Aquiles que, devido ao preparo físico e mental, contornaram a situação de maneira brusca e surreal.

– As bases! – Aquiles gritou. – Não deixem elas crescerem!

Todos ficaram em um leve silencio, até que Santana se pronunciou.

– Não ouviram?! – Ela gritou de forma violenta e autoritária. – Atirem nas bases das pedras!

As preparações demoraram um pouco, mas logo o som dos canhões foram ouvidos, as balas se chocaram com grande força nas pedras.

As pedras ruíram enquanto cresciam, o que impediu outro desabamento.

“Os sábios diziam que, para um demônio ficar arisco, é necessário quebrar um selo, mas o que fizemos? Navegar pela costa?”  Aquiles se pôs a pensar vagamente, enquanto olhava a seu redor. “No fim o Quarto Esquadrão não foi atacado, e sim capturado em uma armadilha?”

Aquiles ficou olhando a sua volta confuso.

“Não fazemos entregas por rotas marítimas a muito tempo, as poucas que fizemos foi usando a área marítima de Civitas... Mas e quanto Merlin? Se ao vir para a América Central ele deveria ter encarado esse demônio, não?” As perguntas fulminavam a mente de Aquiles, que ficou receoso, sem nem ao menos ter uma reação do demônio.

– Aquiles! – Santana o chamou. – Estamos a lidar com um demônio, eu possuo um cantil de água benta de prevenção na cabine do capitão, consegue manter as coisas sob controle?

– Hum? – O cavaleiro rapidamente voltou para o mundo falso, saindo do mundo de seus pensamentos. – Acho que sim.

Rapidamente, Santana saiu da visão da proa e entrou na cabine do capitão. Aos poucos, Aquiles sentiu o terreno se inclinando, era como se as pedras já tivessem elevado completamente o navio e estivesse brincando com seu equilíbrio.

Todos em sua volta tentavam correr de medo, mas tropeçavam logo em seguida e então caiam para alguma direção, alguns até mesmo para fora do barco.

O som do impacto de seus corpos com as pedras era escutado por todos que estavam no primeiro piso do navio, logo eles tentavam ir para dentro dele nem que para isso eles precisassem se rastejar até a escada.

Aquiles permaneceu frio e calculista perante cada movimento, seu corpo sentia as vibrações do navio e se adaptava facilmente. Independentemente do quão brusca eram as mexidas, sua pose preparada para atacar estava mantida firme, até que finalmente o ataque foi feito.

Sentindo seus pés tremerem, em uma fração de segundos, Aquiles saltou para frente enquanto virava seu corpo em cento e oitenta graus para realizar um ataque.

Por Tisso | 27/10/20 às 17:38 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia