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Capítulo 65 - Corais Mortos em uma Maldição Sanguínea

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 65 - Corais Mortos em uma Maldição Sanguínea

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Nota do Autor:  Olá, aqui é o Tisso, autor da obra. Como já mencionei no Discord da Saikai, E6L já chegou em seu fim, praticamente todos os capítulos que forem lançados já foram feitos (não que antes tenha sido diferente, afinal eu comecei a postar tendo pelo menos 80 capítulos prontos). Em quesito de postagem, no site ele já está próximo a metade da obra e, a menos que eu mude soltamente de ideia, não vai haver alteração no numero de capítulos semanais, afinal não há motivos para o mesmo visto engajamento ou números de comentários estarem estagnados a tempos.

Sei que a obra vai ficar pequena aos padrões das outras obras do site, mas prefiro que termine assim do que a alongar a custo de nada. Também vale dizer que talvez outras obras minhas acabem por entrar no site, estarei apto a responder qualquer pergunta onde for, mesmo sabendo que talvez ninguém questione sobre nada como tem sido.

Enfim, desculpa o incomodo e segue o capitulo normalmente.


A espada pesada quebrou a pedra como se fosse uma picareta golpeando mármore. Até mesmo Aquiles se impressionou.

Na cabine do capitão, Santana lidava com a outra parte da raiz de pedra, os seus galhos.

Aquela pedra criou cada vez mais e mais cones de pedra, assim como os galhos de uma árvore, mas todos eles estavam se direcionando para Santana.

A capitã usava de seus florestes para podar os galhos de pedras principais. Porém, sua velocidade estava sendo desafiada com a do demônio, a cada galho cortado, outros dois iniciavam seu crescimento.

Aquilo era como uma hidra feita de pedra, uma pedra frágil. Porém, afiada e em uma quantidade absurda.

Quando sentia que ia ser atingida, Santana dava passos para trás recuando. Isso aparentava funcionar no início, mas logo o ritmo foi perdido devido a quantidade de galhos em sua direção.

Quando suas pernas se esbarraram com a mesa do capitão ela suou frio, já prevendo que, para sair de lá, deveria fazer uma manobra arriscada, o que poderia causar-lhe algum ferimento.

Foi então, que veio um estrondo.

A porta havia sido completamente arrombada com uma facilidade extrema, junto disso, a primeira coisa que Santana pôde assimilar em sua visão, foi um braço esquerdo manuseando uma espada longa cortando a árvore pela raiz.

Porém, a arma emperrou faltando centímetros para o varar por completo, mas esse não foi problema para Aquiles. Seu corpo, após aquele ataque, abandonou o cabo da espada, suas pernas deram uma volta de duzentos e vinte e cinco graus e seu corpo preparou um chute institivamente.

O pé do elfo deu o golpe final, derrubando aquela árvore de pedra finalmente. Os galhos aos poucos viraram pó enquanto a pedra cortada se rachava no chão.

-- Belo golpe. – Santana falou enquanto pulava para trás da mesa para abrir uma gaveta, tirando de lá o cantil. – Tem ideia de como lidar com esse demônio?

-- A única resposta que eu teria é força bruta. – Aquiles ironizou vagamente.

-- No seu futuro não existem meios mais eficientes para encontrar demônios?

-- Se existem, apenas os caçadores sabem, e você sabe o que eu quero dizer com isso. – Ironizou novamente, voltando-se para a parte exterior.

Em um silêncio vago, os dois puderam ouvir o grito de medo dos cavaleiros na parte interna do navio.

-- Rápido, eles não vão aguentar muito! – Santana gritou correndo para a entrada da parte interna junto de Aquiles.

Quando os dois chegaram no primeiro piso inferior, repararam de imediato a aglomeração de pessoas perto de onde seria o pico do navio.

-- Consegue me dar cobertura com as raízes? – Santana perguntou rapidamente.

-- Sempre foi meu sonho cortar árvores de pedra. – Aquiles caçoou de forma rápida.

-- Que coincidência, botânica e mineradora eram as outras profissões que se encaixavam comigo. – Complementou de mesma forma.

Santana correu tão rápido quanto os olhos de Aquiles puderam ver, logo ficando do lado do começo dos galhos. Ela atuou como duas navalhas rodeando no eixo X, simplesmente arrancando diversos galhos com um único golpe.

Antes mesmo das pedras contra-atacarem, Aquiles já estavam por cortá-las pela raiz, usando das mesmas técnicas de antes.

Não havia sido fácil, mas Aquiles e Santana conseguiram eliminar as árvores de pedra, se encontrando com os cavaleiros encurralados.

Ao primeiro passo na direção deles, Santana teve uma leve queda, seus ferimentos começaram a vir à tona, aranhões superficiais em grande escala pela sua pele ocasionando em sangramentos.

-- Rápido, um médico! – O primeiro soldado que chegou perto dela proferiu a carregando gentilmente para uma cadeira, em seguida passou uma junção de ervas e líquidos nos ferimentos.

Aquiles olhou aquilo de longe, enquanto o médico cuidava dos ferimentos de Santana quando desviou sua visão para a viseira de um dos canhões. As pedras estavam cobrindo a visão que eles possuíam, deixando-os quase na completa escuridão.

-- Capitã, o que vamos fazer? – um soldado perguntou receosamente.

-- Acalme-se. – Ela falou calmamente. – Estamos lidando com um demônio, eu mesma não tenho tanta experiência para dizer o que devemos fazer. – Logo em seguida ela olha para Aquiles. – Aquiles, tem alguma ideia?

Todos ficaram inquietos com a confiança da capitã no elfo, que logo tomou partida.

-- Temos um cantil de água benta, essas pedras provavelmente são frutos de uma magia de algum demônio, a melhor forma de acabarmos com isso é fazendo ele entrar em contato com a agua benta. – O cavaleiro afirmou calmamente.

-- E como ao certo faremos isso? – Um soldado o questiona.

-- Vocês viram como agimos perante o ataque das árvores de pedra, então tenham noção de como lutar contra o feitiço. – Aquiles afirmou localizando a passagem para o andar inferior. – Santana, separe os mais fortes, vamos adentrar os andares inferiores.

-- Por que confiaríamos em...

-- Quieto! – Santana cortou o soldado instantaneamente. – Certo.

-- Além disso, aos que sobrarem, preparem os canhões.

-- O que planeja fazer com eles. – Uma voz no meio da multidão perguntou.

-- O termo profissional nesse caso seria algo como “Exorcismo”, mas está mais para uma sessão de tortura santa. – A voz fria do cavaleiro assustou os outros do grupo que não o questionaram.

Após o reagrupamento, cinco soldados seguiram Aquiles, ambos não olhavam para ele com confiança, pelo contrário, mesmo sendo humanoide, seu físico e suas capacidades com o mesmo eram grandes ao ponto de assustá-los.

O filho de Kaplar, que a menos de uma semana naquele mundo era um mísero novato, se assemelhava mais a um veterano de guerra em sua era de ouro, não, ele era mais, algo impensável pelos que os seguia, algo melhor que todos.

-- Capitã Santana... – Um dos soldos indagou. – Aquele homem, podemos confiar nele?

Santana ficou quieta por alguns segundos enquanto o médico enfaixava seu corpo.

-- Eu não sei dizer se ele é de fato nosso aliado, mas posso dizer que ele não é nosso inimigo. – A mulher afirmou calmamente. – Ele não é alguém que podemos comparar a algo para falar que é confiável, mas suas razões... suas palavras e motivações, todas elas são um peso que o mesmo carrega.

O rangido da madeira se misturava com o grito assustado das pessoas presas ao redor das árvores de pedra. Elas já tiveram seus corpos arranhados pelas pontas dos galhos a ponto de impossibilitá-las de manusear uma arma com perfeição.

Porém, em contrapartida, era como se as árvores estivessem estagnadas em certo ponto. Elas imobilizaram e impediram a saída de todos, mas não continuaram a avançar para eliminar seus inimigos, era como se eles fossem um chamariz.

Uma por uma, Aquiles derrubou com sua espada pesada que perdia o fio lentamente, mas de pouco importava esse detalhe. Guiados pelos cinco homens que o seguiam, os soldados do segundo andar do navio foram socorridos.

Porém, se aproximando das raízes da árvores, as outras plantas tentavam se proteger. Rapidamente, os cinco homens que seguiam Aquiles foram incapacitados de continuar, seja pelos ferimentos ou pelo medo.

O cavaleiro não estava nu de cortes, mas sua pele orvalho nunca esteve tão disposta e resistente. Não se podia dizer se aquilo era uma falha do mundo falso, um resultado bem-sucedido dos treinamentos ou apenas um corpo motivado ao ponto de superar qualquer dificuldade.

Seja qual teoria o agradar, Aquiles continuava, cada vez aplicando mais força e violência em suas ações, até que o mesmo chegou no último andar.

A escuridão tomava conta a um pé de distância da escada que estava, não era medo do escuro que sentia, erro o receio de o que estava nele. Lentamente ele sentiu a presença demoníaca se manifestar, não sabia precisamente sua localização, mas era algo ao seu redor, certeiramente naquele andar.

-- Dizem que os elfos originalmente enxergavam no escuro... – Uma voz demoníaca sussurrou em uma direção avulsa para Aquiles.

-- Isso se deve aos contos dos elfos do raio, em que Althul lhes ensinavam logo ao nascer magias que os fizesse absorver a luz refletida da lua, para que seus olhos se adaptassem a escuridão. – Aquiles afirmou friamente com um suspiro calmo. – Dizem que demônios são presos por vergonha, você foi fracassado ao ponto de naufragar tão perto da costa?

-- Ora seu! – Uma estalactite voou na direção de Aquiles, que apenas inclinou o corpo para o lado, fazendo o projétil acertar um dos degraus da escada. – Não estou aqui por vergonha e sim por dever.

-- Não está aqui por vergonha? Atacar um navio de surpresa, imobilizar a tripulação, não dar a eles tempo de reação ou opção de lutar e no fim, encarar alguém que nem ao menos pode te ver...

Aquiles fechou os olhos e os abriu lentamente após alguns segundos, amplificando o seu olhar rígido ao máximo que conseguia.

-- Você não passa de um covarde que se acha melhor que os outros apenas por possuir poderes mágicos.

O silencio tomou conta do local rapidamente, seguido disso o barulho de frascos e recipientes quebrando vieram à tona.

-- Se você prefere ver aquele que vai lhe matar, então que seja do meu jeito. – Uma pequena faísca entrou em contato com óleo inflamável, que rapidamente infestou o casco do navio.

Aos poucos, a visão foi dada para Aquiles. Seu palco de batalha era amplo e repleto de caixas que podia usar como proteção, mas também repleto de chamas em pontos específicos.

A faceta de seu inimigo também foi reconhecida brevemente. Sua pele parecia sólida como uma rocha, mas tripofóbico e desregular, algumas partes pareciam ser constituídas de fungos e outras de pedras arredondadas.

Sua silhueta era humanoide e corcunda, possuindo em torno de dois metros e quinze. Sua face parecia a de um cadáver em decomposição, mas com os dentes dourados e um dos olhos refletindo das chamas um brilho azul.

-- Você é mais feio que o cão. – Aquiles afirmou, dando um passo à frente.

-- Levarei como elogio. – O demônio caçoou, flexionando os poucos músculos de seu rosto para abrir a boca.

-- Corais mortos, faz sentido você não ser um peixe ou algas.

-- Hum? – O demônio murmurou impressionado, ao mesmo tempo que começou a caminhar lentamente na direção de Aquiles. – Então você estava teorizando minha forma?

-- “Buscar a lógica de seu inimigo pode levar você a derrotá-lo com apenas um movimento”. – Aquiles citou rapidamente. – Essas foram as palavras que me motivaram a aprender combate desarmado para melhorar minhas chances, ou como diria um amigo meu, “Cavaleiros e suas ramificações focam em sua maioria em resistência física ou foça, mesmo se focar sua vida em destreza não teriam o mesmo resultado”.

-- Palavras de um sábio?

-- Está mais para um tolo comprovado. – Riu vagamente, enquanto traçava a rota de seu ataque contra a criatura.

Olhando melhor para seu inimigo, era como se cada parte do seu corpo fosse independente – o braço não combinava bem com o corpo por exemplo – e junto disso, parecia existir uma brecha protegida que separava cada membro.

A primeira tática de Aquiles foi justo um ataque entre as juntas – especificadamente entre o ombro e o trapézio do demônio.

Uma arrancada foi dada pelo elfo, que partiu com ambas as espadas prontas para um ataque. A reação do demônio foi pisar com força no chão, o que resultou em uma rachadura na madeira e dela fora expelidos diversos galhos de pedra,

Porém, aqueles se diferenciavam dos normais e Aquiles percebeu isso, eles não possuíam uma direção exata, eram uma outra planta de pedra. Eram dentes de leão, diversos a correrem por uma rachadura se abrindo na direção do cavaleiro.

Os pés astutos do cavaleiro foram o suficiente para saltar em áreas seguras, mas o finalizar de seu percurso resultou na perfuração do couro que lhe servia de sapato com um punhado de flores de pedra.

O demônio sorriu para si mesmo e aproveitou a brecha para atacar o cavaleiro, que aparentava ter seu foco tomado pela dor em seu pé, grande engano.

Quando seu olho azul olhou por cima do elfo, ele sentiu medo pela primeira vez em anos vagando por aquele lugar. Tentou erguer o braço para atacar Aquiles e outro para se defender, mas tudo já havia caído nas mãos do cavaleiro.

Esgueirando-se por baixo do ataque de seu inimigo e passando incrivelmente rápido do lado de sua defesa, Aquiles concluiu os atos de sua mente. A espada pesada acertou em cheio a junta entre o trapézio e braço direito do oponente.

O corte o atingiu de forma certeira, o som de diversas pedras quebrando em sequência foram escutadas pelo cavaleiro que, não contente com um único golpe, utilizou de sua espada leve para cortar a pele de pedra quebrada, arrancando completamente o braço de corais tripofóbicos.

O demônio gritou enquanto o sangue vermelho negro escorria de seu braço arrancado.

Aquiles se afastou lentamente enquanto via o braço de corais se deteriorando. A batalha parecia calma para o cavaleiro, mas foi então que o destino não o ajudou.

O navio começou a balançar para um canto, afundando na direção do mesmo.

-- Que falta tem um braço... – murmurou de forma macabra e sádica, debochando friamente.

Aquiles mordeu seus lábios de forma receosa, após tantos furos com as árvores de pedra, aquele navio estava mais que fadado a afundar.

Lentamente a água do mar vinha dos buracos na madeira, ao mesmo tempo que o fogo do óleo se alastrava. O sangue negro em contato com a água se moldaram frente aos olhos de Aquiles, virando cristais vermelhos cintilantes e certamente cortantes.

Aquiles cuspiu para o lado de relance, prevendo os próximos movimentos.

-- “Sem as pernas e os braços ele deve pesar uns cem quilos a menos...” Pensou Aquiles, enquanto preparava seus próximos golpes. “Certo!”

Por Tisso | 29/10/20 às 17:32 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia