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Capítulo 67 - Avanços na Cidade Subterrânea

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 67 - Avanços na Cidade Subterrânea

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O fogo era expelido do final das garras douradas da coruja do cajado de Voltten. A chama impressionava todos ao seu redor – três soldados de máscara feliz, dois de máscaras assustadas e claro, Glans.

– Uma pequena esfera de fogo? – Um dos cultistas de máscara feliz sobrepôs os outros quatro para observar a chama.

– Manipulação de energia para o uso da manifestação de chamas. – Voltten afirmou calmamente. – Não são minha especialidade, mas eu sei um ou dois truques.

– Essas chamas, elas são vermelhas, muito vermelhas. – Um dos cultistas de máscara assustada falou, tremendo agarrado com o segundo de máscara assustada e um de máscara feliz.

– Sim, elas são! – O que antes estava admirando a esfera de fogo de Voltten, agora o defendeu de maneira espontânea. – Apenas os maiores anciões do nosso culto possuem uma capacidade para conjurar uma magia de fogo!

– Acho que você está muito empolgado... – O cultista que estava na frente dos de máscaras assustadas falou, mas logo se cortou. – Ah, quem eu estou tentando enganar? Isso é incrível!

– Totalmente de acordo! – O terceiro cultista de máscara feliz afirmou.

– Cem por cento!

– Duzentos por cento!

– Trezentos por cento!

No fundo da “discussão” dos cinco, Glans e Voltten os observavam.

– Esse comportamento ser comum entre magos? – Glans questionou, pasmo e sem reação.

– Nem um pouco. – Voltten afirmou, estranhando tanto quanto Glans. – Vamos, não podemos deixar os outros esperando. – Voltten tomou o rumo da escada espiral, dando o primeiro passo para baixo.

– Ei! – Os três de máscara feliz gritaram simultaneamente.

– Vocês vão ficar com medo e entusiasmo ou vão tentar completar o objetivo? – Voltten questionou sem expressão, apenas deixando Glans passar e seguir em frente.

– Isso foi rude.... Não gosto dele. – Os lamentos de um dos cultistas de máscara triste sucederam o avanço dos três de máscara feliz. – Não nos deixem aqui!

Logo a nova composição do grupo seguiu a carruagem de combate, que era Glans, usando a chama de Voltten que seguia as garras de coruja. Logo a escuridão dominava mais e mais, obrigando os cultistas de máscara assustada a acenderem suas tochas.

– Eles atacam com uma mão? – Glans questionou pensativo, enquanto Voltten acendia as tochas.

– Não, eles são médicos e sacerdotes. – Um soldado de máscara feliz falou.

– Eles são especialistas em primeiros socorros, todo arranhão vai ser curado. – Outro garantiu.

– Você vai na frente, né? – O terceiro perguntou. – Você vai precisar deles.

– Eu não contaria tanto com isso. – Voltten afirmou. – A carapaça do Glans é outro nível de armadura.

– Oh. – Os três de máscara feliz rapidamente puxaram o braço do draconato o apalpando. – Braço de armadura!

– Sai! – Glans balançou o braço como instinto, jogando os 3 soldados para trás vagamente.

– Nossa! Ele é muito forte! – Um dos cultistas sorridentes afirmou impressionado.

– Acho que eu entendo o porquê vocês não conseguirem eliminar essa maldição até agora. – Voltten falou sem reação, voltando para perto de Glans e seguindo o caminho da escada espiral. – Vamos!

À medida que eles desciam, as paredes ficavam mais quebradiças e infestadas de limo, junto da umidade que subia e ambientava o local. Era claro para Voltten que eles estavam entrando abaixo do nível da água do pântano.

De repente, o som de um rio correndo dominou o cenário que ficava mais e mais profundo.

– Algum de vocês já esteve aqui antes? – Voltten questionou os cultistas, não virando o rosto para os mesmos.

– Ele está falando de você. – Um dos sorridentes empurrou o colega de mesmo padrão para próximo do mago.

– Hum? – Ele murmurou, enquanto se recompôs. – Ah, mas eu já estive em uma tentativa de ataque.

– O que você sabe sobre esse lugar?

– Ah, mas isso eu não sei dizer. – Ele respondeu de forma audaciosa. – Esse lugar não tem como ser explicado melhor do que já lhe explicaram; é uma masmorra gigantesca com diversos mortos-vivos a protegendo.

– Não sabe nem sequer um caminho para seguir ou uma planta mental do local? – Voltten questionou pensativamente.

– Hum... – O murmuro sorridente era confuso para o mago e o draconato. – Eu posso fazer suposições, afinal, esse lugar antigamente serviu de dormitório para os guardas sede da elite da cidade e ao mesmo tempo, possuía uma prisão nos últimos andares.

– Meus ancestrais gostavam muito de compactar tudo no mínimo de espaço possível então... – Voltten resmungou de forma pensativa. – Certo, pela lógica, a parte da elite vai vir antes dos dormitórios do soldado que por sua vez vem antes da prisão.... Só falta localizar o Necromante.

Chegando nos degraus finais da escada, a visão magnifica veio aos olhos dos sete.

O local era gigantesco como uma caverna de tamanhos surreais, cogumelos e fungos que, biologicamente, vibravam uma luz azulada e iluminava as estruturas, dando a visibilidade quase que total do local.

As construções possuíam arquitetura élfica puxada para as crias de Dokká – um pseudo-céltico mesclado com grego e gótico –, mas não deixavam de ser detalhadas ou magníficas em nenhum momento, suas exceções eram apenas as partes quebradas e destruídas pelo tempo.

– Esse lugar... – Voltten murmurou enquanto observava tamanha beleza de seus ancestrais. – Nossa!

– Está escuro demais, mesmo com os cogumelos. – Um dos cultistas de máscara assustada afirmou trêmulo.

– Deixem disso, olha como esse lugar é bonito! – Um outro cultista o interrompeu.

Voltten e Glans continuaram seu percurso na frente dos cinco cultistas exagerados. Ao pisar no solo de pedra fria, Glans sentiu o peso de sua carga negativa demoníaca, o mesmo aconteceu com Voltten, mas o elfo ignorou completamente isso enquanto focava em admirar a arquitetura do local.

– Algum morto-vivo a vista? – Um dos soldados questionou, se aproximando dos dois.

– Não, mas é melhor sacar suas armas. – Voltten disse para todos a sua volta. Logo após isso, ele encarou a chama em seu cajado. – Eu sou um médico, mas acho que para tudo tem exceções.

Glans sacou seu machado simultaneamente de dois dos três cultistas felizes que desembainharam suas espadas estranhas. Após alguns segundos, o terceiro feliz sacou um arco e uma flecha de uma aljava presa próximo a cintura, os de máscara triste sacaram um pequeno punhal que possuía uma gema verde minúscula como lâmina.

– Ótimo, agora vamos avançar devagar. – Voltten tomou caminho para perto da cidade, direcionando-se para uma ponte de pedra artificial.

Sempre deixando Glans em sua frente, o mago conduziu seu grupo. Era raro Voltten exercer um papel de líder, sempre palpitava e ajudava seus amigos fazendo as descrições, mas não as tomava de forma brusca.

Porém, o mesmo sabia que ele era o melhor para aquela ocasião, e isso não era um bom sinal.

– Por que seu mestre não pode vir conosco? – Voltten questionou durante a travessia do final da escada a ponte, que dava em torno de uns vinte metros.

– Oh... – Os cinco murmuraram simultaneamente, ignorando suas personalidades. – O Mestre não pode se arriscar num lugar como esse, o Mestre vale mais que nós, mas não é um mago ou guerreiro forte. – Eles responderam simultaneamente como se aquilo fosse um mantra religioso.

– Certo... – Voltten olhou de forma suspeita.

“Esses cultistas são fanáticos e estranhos, melhor acabar com isso logo.” Era o que Voltten e Glans pensaram perante os cinco que os seguiam.

Quando chegaram próximos a ponte, eles viram seus soldados a patrulhá-la. Eram soldados mortos-vivos, cadáveres pausados na decomposição, ficando extremamente magros e desnutridos, quase virando esqueletos.

Voltten já havia visto registros sobre e Glans não se importou, o mesmo com os cultistas.

Haviam quatro fazendo ronda entre a entrada e o final, junto de mais um no topo de uma torre no final da ponte, todos com uma chama de tocha os iluminando.

– Qual o plano? – Um de máscara sorridente questionou empolgado.

– Arqueiro. – Voltten chamou a atenção do cultista, puxando vagamente o seu corpo enquanto apontava para o morto-vivo no topo da torre. – Consegue mirar naquele morto vivo ao ponto de eliminá-lo?

– Hum, um desafio? – Ele perguntou animado. – Em qual parte eu devo acertar?

– O mais próximo da cabeça. – Disse Voltten, virando para os dois de máscara assustada. – Vocês...

Os dois recuaram enquanto Voltten apontava a chama de seu cajado para eles.

– Vocês conseguem aplicar o mínimo de energia mágica na chama?

– Hum? – Eles questionaram assustados.

– Uma chama sagrada vai fazer mais efeito para que um morto-vivo morra na hora, independente do lugar acertado, só precisamos ser coordenados que conseguiremos eliminar todos sem sermos vistos. – Voltten olhou para todo o grupo e armou a estratégia. – Glans, tente derrubar os dois soldados mais próximos, os outros dois espadachins tratem dos mais afastados, após embutir magia santa na chama, aplicaremos na flecha enquanto eliminamos o da torre.

– Hum, parece uma estratégia boa. – Um dos máscaras felizes afirmou animado. – Tudo bem por vocês?

– Sim, sim. – Seus colegas sorridentes afirmaram, quanto os de máscara triste, apenas murmurou positivamente.

– Certo, posições...

Glans deu alguns passos à frente, ficando em posição preparada para uma arrancada, os dois espadachins ficaram em lados opostos de espadas prontas. Os sacerdotes ergueram o punhal que emanou uma energia mística verde, que envolvia a chama vermelha de Voltten, que estava dominando uma estável esfera santa.

Ele logo ateou fogo na ponta da flecha e desfez o feitiço por instabilidade momentânea. Se recompondo, Voltten comandou todos rapidamente.

– Vamos! – O mago comandou para seu grupo avançar.

A flecha zuniu em segundos, no exato instante que ela entrou em trajetória com o morto-vivo da torre, Glans disparou em direção a ponte. Seus passos pesados e estrondosos denunciavam sua posição para seus inimigos que, entre os quatro, havia um arqueiro que desferiu uma flecha certeira no peito.

A carapaça do draconato a ignorou e, assim como Voltten ordenou, ele cuidou apenas dos mais próximos a ele – arrancando a cabeça dos dois com dois golpes violentos de seu machado.

Atrás dele, as figuras brancas apareceram em meio ao ataque do draconato. Uma foi de encontro com o terceiro soldado, já o outro com o arqueiro, o que resultou em um desvio falso e um acerto seco de uma flecha em seu braço não dominante.

Ambos conseguiram eliminar seus alvos, mas o cultista ferido recuou rapidamente para perto de Glans. O morto-vivo na torre queimava em fogo verde, enquanto Voltten se aproximava dos três com o resto do bando.

– Irmão! – As figuras assustadas correram na direção do soldado ferido, ignorando os outros a sua volta.

– Eu estou bem, não se preocupem. – O cultista falou, arrancando a flecha com a mão no seco. – A armadura de couro bloqueou o dano.

– Hum... – Glans murmurou, fazendo o mesmo, mas, diferente do cultista, Glans não expeliu nem uma gota de sangue sequer. – Não dói tanto.

– Oh, esse dragão é realmente resistente.

– Para um primeiro ataque, fomos bem. – Voltten comentou positivamente. – Aquiles e Edward teriam orgulho eu acho.

– Sim, conseguimos entrar sem muitos ferimentos. – O arqueiro cultista afirmou animado.

– Que droga, eu sempre cometo um deslize na parte inicial. – O cultista que já havia passado por lá reclamou.

– Mortos-vivos que regeneram a cada dia. – Voltten murmurou. – Quantas vezes você já esteve aqui?

– Umas três vezes. – O cultista afirmou orgulhoso. – Essa é a vez que menos tivemos ferimentos. Aliás, como está Irmão?

– Cem por cento Irmão. – Ele falou, flexionando os músculos. – A cura do Irmão foi perfeita.

– “Irmão”? – Glans questionou confuso com a “família” daqueles cultistas.

– Não tente entender. – Voltten aconselhou, encostando a chama de seu cajado no ferimento de Glans. – É melhor se você nem se importar e acabarmos isso rápido.

– Oh... – Glans murmurou, direcionando seu foco para a chama do cajado de Voltten. – Não é quente.

– Hum? – Voltten olhou, rapidamente. – Ah, sim, eu esqueci de mencionar. Estava treinando minha magia de fogo para situações como essa em meu tempo livre com Merlin, a teoria é bem mais simples que a pratica, mas o treinamento deu uns frutos bons, uma chama sem calor prejudicial é uma delas.

– Ela machuca? – Glans perguntou.

– Eu posso tentar, mas acho que não seja bom treinar isso agora.

O corte magicamente sumiu da carapaça de Glans. Voltten virou para o caminho da ponte, dando um passo adiante.

– Vamos? – Ele perguntou para o resto do grupo.

Por Tisso | 05/11/20 às 17:26 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia