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Capítulo 68 - Crias Crias Necromanticas e a Teoria de um Tubo de Ensaio

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 68 - Crias Crias Necromanticas e a Teoria de um Tubo de Ensaio

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Pinturas e livros relatavam bem aqueles cenários construídos por Dokká. Eles eram uma raridade da cultura élfica, mas, querendo ou não, os livros que as descreviam caiaram nas mãos de Voltten.

O preparo teórico era a única coisa que o mago possuía.

À medida que eles andavam entre as ruas da cidade élfica, que estava tão morta quanto a da superfície, mas essa era ainda pior. A energia demoníaca estava tomando conta totalmente do local, junto disso a patrulha dos mortos-vivos os ameaçava.

Nunca que Glans conseguira ser tão furtivo.

Evitando combates, eles se conduziram entre o que já foram casas, visando chegar no centro do local que, aos poucos, revelava ser uma área em declínio – em que seu centro seria ainda mais profundo.

Quanto mais eles se aproximavam, mais difícil e complicadas as coisas ficaram, com mais guardas e vigias em volta do centro da cidade subterrânea.

– Quais as coisas que você sabe sobre esse local? – Voltten questionou para o cultista que já esteve lá.

– O Mestre disse que o necromante estava em uma câmara no antigo forte militar dessa cidade. – Ele respondeu pensativamente.

Voltten estava na ponta de um dos becos do local, tendo uma visão bem vaga do caminho para o centro da cidade. No centro da cidade havia uma estátua de uma elfa nua com dreadlocks semelhantes a cordas grossas e com orelhas enfeitadas por inúmeros brincos.

Estava em pé enquanto dominava um cervo que chegava em seus joelhos e em sua mão erguida, havia uma espada falsa bem talhada embainhada com uma alça solida encrustada em seu estojo, próximo do encontro do mesmo com a guarda-mão.

O mago sabia que aquela era uma representação de Dokká, talvez uma teórica, mas era uma homenagem aquele Deus morto.

Aquilo parecia mais uma praça, porém, possuía lápides de pedra talhadas a mão, como se fosse um cemitério público no centro da cidade, culturas extremamente excêntricas de certo modo.

– Elfos negros tem um gosto bem peculiar para escolher onde colocar pontos turísticos, não? – Um dos cultistas se aproximou de Voltten sorrateiramente.

– Muito... – O elfo percorreu os arredores daquele lugar.

As casas e lojas estavam paradas em seu final por um muro gigantesco, que sustentava um percurso para algum lugar maior, provavelmente para um castelo ou alguma área de duques locais.

A única cobertura que teriam eram algumas barracas de madeira, boa parte delas com frutas que ficaram podres a alguns séculos, praticamente a um toque de virar cinzas.

Voltten virou para os companheiros e não sabia onde perderia a esperança primeiro, no draconato de dois metros e trinta tentando ser furtivo, ou nos cultistas de cores brancas vibrantes e máscaras teatrais que refletiam vagamente a luz.

– O que foi? – Glans perguntou confusamente.

– Nada, só acho que precisamos de um milagre. – Voltten balançou a cabeça.

– Hum? – Os cultistas questionaram, estranhando aqueles dizeres desanimados.

– Apaguem a luz das tochas. – Voltten direcionou o foco mágico na ponta de seu cajado ao ponto da chama ser minúscula. – Eu vou manter o cajado na frente, Glans fique atrás da fila para que todos possam ver. Essa vai ser uma travessia difícil.

O bando se agrupou em ordem, deixando o draconato por último e o elfo na frente, assim como o mesmo ordenou. Apenas uma chama vermelha do tamanho de um polegar era vista pelos sete, que seguiam perante o escuro infinito culminado de energias demoníacas e manchas raras de cogumelos azul neon.

Os arrepios na espinha eram constantes para todos, até mesmo para o draconato inabalável. Voltten traçou, antes de tudo, um caminho por sua mente do pouco que conseguia ver daquele cenário, o que facilitou brevemente a travessia do mesmo.

Ao longe, no horizonte preto e opressor, chamas azuis emanavam do que pareciam ser tochas, mas que também pareciam envolverem crânios humanos.

O mago engoliu receosamente a saliva enquanto diminuía a frequência de seus passos. Devido a sua raça, Voltten era quase uma brisa ao entrar em contato com chão, não fazendo barulho algum, já seus companheiros eram o oposto, principalmente Glans.

Os passos do draconato eram pesados até mesmo quando ele não estava correndo, a sorte era que o solo era pedra pura e não algo quebradiço ou que rangesse.

Devido ao combate anterior, era claro que os mortos-vivos não conseguiam enxergar no escuro, isso também explicava algumas tochas espalhadas nos percursos anteriores e em pontos chave do local, mas uma chama azul era completamente novo.

Pelo pouco que Voltten sabia, para que o fogo ficasse em uma coloração azul seria necessário cloreto de cobre ou cálcio, mas esse não parecia ser o caso. Ele também sabia que, algumas raças em especifico, quando cremadas, queimavam em azul devido a composição de seu corpo.

As duas teorias poderiam responder ou remeter a algo.

“Seria aquelas caveiras azuis, elfos negros mortos que agora vagavam a cidade abandonada pela vontade do necromante?” Ele se questionou.

Uma figura nova entrou em cena no horizonte. Armadura completa e dourada, lembrando vagamente as do lanceiro de Suma, mas essas possuíam uma arquitetura requintada e carinhosa, uma armadura élfica sem dúvidas.

Sem saber o porquê, Voltten viu o ser de armadura andando para próximo do centro da cidade, acompanhado de um dos seres com o crânio envolto em chamas azuis.

Os dois aparentavam ignorá-los, afinal, todos estavam escondidos atrás de barracas de madeira – até mesmo o grande draconato havia se escondido embaixo de uma delas. Voltten já tinha apagado a chama de seu cajado e impediu seu corpo ao máximo de exalar qualquer resquício de magia.

Aos poucos, os dois se aproximavam do centro do local, trazendo consigo fantasmas que os orbitavam enquanto choravam em lamento. O cavaleiro deixava clara a sua presença com a chamativa armadura batendo ao andar.

Quando os dois pararam de caminhar, uma luz azul gigantesca começou a se expandir, tendo como centro a estátua de Dokká. Em meio ao silêncio de chamas queimando, as palavras forma proferidas.

– “Scientia est tabellarius ambientem.” – Voltten reconheceu de cara o tipo de voz e a linguagem que ela falava.

A voz era uma mistura de graves e agudos, uma voz extremamente artificial. Um golem elemental ou um espectro invocado.

Já a língua era a linguagem antiga e a principal usada por demônios: Latim. Um detalhe que confundiu Voltten, que esperava a linguagem da morte.

– “O portador é aquele que abrange conhecimento” – Traduziu enquanto ouvia detalhadamente o que os dois estavam fazendo.

– “Qui operit ventrem quod peccator voluntatem.”.

– “O pecador aquele abrange à vontade.”.

– “Fac loop est inter eas!”.

– “Faça um laço entre eles!”.

O som de um raio gigantesco ecoou pelo local, quando o mago olhou por uma fresta, ele viu que o ser de crânio envolto em fogo azul estava carregando um punhal que exalava energias demoníacas.

– Convertere. – Foi a última palavra dita pelo ser antes de entregar o punhal para o ser de armadura.

– “Converta-os”. – Voltten traduziu rapidamente.

Quando compreendeu os dizeres, Voltten arregalou os olhos de medo, pois percebeu que era aquela arma que mataria e converteria seus amigos presos em mortos-vivos como aqueles.

Voltten escondeu o grito, até que se virou rapidamente para Glans e os cultistas.

– Glans, cuide do ser de fogo azul. – O mago comandou receoso, quase entrando em pânico. – Vocês, vocês devem parar o cavaleiro a qualquer custo. – Disse apontando para os espadachins.

– Ele está ofegante. – Um dos de máscara assustada afirmou receoso.

– Devemos obedecê-lo? – O outro complementou.

– Cale sua boca! – Voltten gritou exaltado. – Se não impedirmos o soldado ele transformará Varis, Edward e Aquiles em mortos-vivos por toda a eternidade!

Quando terminou sua frase, todos viram suas barracas de madeira sendo carbonizadas pelo fogo azul. Olhando rapidamente para a origem do ataque, os sete encararam o crânio se aproximando sem expressão, revelando que o mesmo carregava consigo um manto semelhante a de um monge ou a um sábio.

– Celeriter commodo. – O crânio falou para o cavaleiro, que aumentou o passo.

Após uma leve respirada e um bom tapa de realidade, Voltten recuperou a postura.

– Estão esperando o que?! – O mago gritou, manuseando o cajado como um profissional, mesmo que sem confiança. – Atendam as minhas ordens!

Glans nada falou, só partiu com os braços abertos para imobilizar o ser de crânio envolto ao fogo.

– Sim! – Os espadachins gritaram logo em seguida, tomando a proteção do corpo do draconato.

Os de máscara assustada se jogaram em um canto, enquanto o arqueiro sacou sua arma e preparou uma flecha.

– Qual o alvo, chefia? – Ele questionou de forma astuta.

– O cavaleiro não vai ser perfurado, de suporte a Glans. – Voltten comentou, reunindo energias na ponta de seu cajado, ocasionando a chama novamente. – Se eu conseguir isso já vai ser um grande avanço...

A energia mágica fluiu dos lobos frontais e parietais, percorrendo até o braço direito do mago e se depositando no cajado, que por sua vez, era moldado por Voltten para a realização de um feitiço que o mesmo nunca sequer tentara na prática.

O cavaleiro e os espadachins sumiram rapidamente e a imobilização falha de Glans, iniciou a batalha entre ele e o arqueiro contra o crânio envolto em chamas.

– Mente calma, Voltten... – O mago sussurrou para si mesmo, enquanto fechava os olhos. – A chama tem que estar em controle, você tem que assoprar pelo canudo, alisar para deixá-la gorda e ao mesmo tempo com um pico... – Abrindo lentamente seus olhos, ele viu o resultado que pensou. – É tipo fazer um tubo de ensaio com vidro.

A esfera de fogo estava visivelmente maior, com o tamanho de um punho. Porém, parecia que a mesma estava sendo sugada para o meio das garras douradas de corujas.

– Glans, me dê uma abertura! – Voltten gritou para o draconato, que estava sendo atacado por uma rajada de fogo azul em seu rosto.

– Certo... – O draconato largou seu machado e focou seu próximo golpe no crânio suspenso no ar.

Em um golpe rápido, Glans aplicou um gancho tão forte a ponto de fazer a mandíbula do crânio rachar e o jogando pra cima de forma magnifica. Foi aí que o mago agiu.

– Após o tubo estar pronto, quebre a ponta dele com um golpe! – Proferiu Voltten, ajustando perfeitamente sua mira.

A chama contida pelas garras de coruja simplesmente se soltou das mesmas, virando um projétil livre e solto pelo cenário. Quando ele atingiu o crânio de fogo azul, uma explosão pirotécnica se formou em cima de Glans.

As misturas de um fogo vívido e vermelho com o gelado e bizarro fogo azul era minimamente peculiar e quiçá algo bonito se visto fora de contexto. Não demorou muito para que aquilo sumisse com o final das duas chamas.

Cansado, mas sentindo-se vitorioso, Voltten se sentou no chão rapidamente enquanto Glans pegava seu machado e o arqueiro confortava os cultistas de máscara triste.

O relaxamento durou pouco tempo, logo após alguns segundos, um grito gigantesco tomou conta do local.

Os cinco que estavam lá reconheceram que era a voz pertencente a um dos espadachins. Aquilo não só atiçou eles, como também os mortos-vivos em volta.

Institivamente todos olharam para voltem, que ainda não estava recuperado por completo da magia.

– Qual o plano? – Os três cultistas questionaram assustados.

Para um dos felizes largar seu arquétipo e para os dois tristes confiarem nele, dava para ver que a situação estava ruim.

Voltten olhou para Glans e sua carapaça que recebeu um fogo místico, a queima roupa que nem sequer o abalou.

– É tarde demais pra recuarmos e cedo demais pra desistirmos. – O mago afirmou, manuseando seu cajado de forma exibicionista. – Nós Vamos continuar, alguma oposição? – Ele perguntou, olhando para trás e vendo todos a segui-lo.

– Nenhuma. – Os cultistas afirmaram seriamente.

– Acho que não precisar falar. – Glans ironizou.

– Ótimo... – Voltten invocou a chama na ponta de seu cajado para guiá-los. – Dessa vez vamos dar um tempo em ser discretos e vamos direto para a ação.

Por Tisso | 10/11/20 às 16:13 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia