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Capítulo 69 - A Volta do 4° Capitão

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 69 - A Volta do 4° Capitão

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Eles corriam com o máximo de energia possível, mas pararam quando viram os dois espadachins, um com uma mancha de sangue vermelha próxima a sua barriga tingindo suas vestes brancas.

Ao seu lado, o colega tentava estancar o sangramento de forma improvisada, rasgando seus mantos para fazer um curativo muito fraco e simplório.

– Irmão! – Os três cultistas gritaram, gastando mais energia para se aproximar dos dois.

– Ele precisa de tratamento! – O espadachim tentava levantar o colega pelo ombro.

– Não temos tempo! – Voltten afirmou, batendo nas costas de Glans. – Glans, leve ele no colo!

– O que!? – Os cultistas questionaram, estranhando a ordem.

– Certo! – Glans guardou seu machado rapidamente e pegou o cultista ferido de uma forma calma e delicada, como se estivesse pegando uma de suas crianças no colo.

Antes que eles conseguissem questioná-los, o draconato e o elfo já estavam a sua frente para evitar um cerco dos mortos-vivos.

– Para onde ele foi? – Voltten perguntou.

– A direita da rua principal! – O outro espadachim respondeu, entendendo de quem se trava a citação.

– É o caminho que vai para necromante! – O arqueiro complementou.

Eles correram até a curva para a rua principal, onde se depararam com a grande e larga rua principal.

Enfestada nela, estavam tanto tochas para a visão, quantos soldados mortos-vivos prontos para o combate, no final do horizonte, Voltten conseguiu ver o cavaleiro com o punhal.

– Ignorem todos! – Voltten gritou. – Apenas avancem!

Todos ouviram o mago de forma receosa, menos o draconato. Glans respirou forte enquanto envolvia mais ainda o cultista ferido em seus braços, deixando o mais protegido possível.

Os olhos de dragão intimidavam naturalmente o pouco de intelecto que seus inimigos possuíam. Com um gigantesco urro – que de vez excluiu completamente a capacidade de uma recuada furtiva – o draconato correu para frente como nunca havia corrido.

As flechas, facas e machados que eram arremessados em sua direção, rebatiam em sua carapaça draconiana, sendo ignoradas completamente pelo draconato.

O título de “Carruagem” dada pela carta Sete do Tarot nunca foi tão bem representado. Glans era um carro de guerra vivo, avançando em campo de combate enquanto seus companheiros o seguiam.

Até mesmo uma barreira corporal feita por vários mortos-vivos foi completamente a baixo como pinos de boliche. Quando eles alcançaram o cavaleiro amadurado, foi numa ponte levadiça que estava subindo lentamente, mas o peso de Glans deram espaço para que todos conseguissem a atravessar.

Após a ponte, uma enorme estrutura élfica se revelou, na entrada, mais dois soldados amadurados, semelhantes ao primeiro, apareceram para lhe dar um suporte.

Os dois deixaram o cavaleiro passar e pararam Glans de forma provisória.

– Rápido, peguem ele....

O som forte de uma armadura correndo de forma extremamente rápida tomou os ouvidos de todos. Em questão de segundos, a figura do cavaleiro que segurava o punhal recebeu um ataque de fúria direto de outro soldado.

– Hum?! – Os cavaleiros que estavam segurando Glans murmuraram, dando passagem a um ataque do espadachim e do arqueiro.

Enquanto os cultistas cuidavam de seus cavaleiros, Voltten via ao fundo o cavaleiro que atacou ao outro. O vitorioso atacou o nocauteado e lhe arrancou a cabeça e os braços na força bruta, logo em seguida pegou o punhal e sentiu a energia que ele carregava, o largando logo em seguida.

– Mas o que!? – O mago se perguntou, enquanto o cavaleiro vinha na sua direção preparando um ataque.

– Sabia que era você, escamoso. – Uma voz falou atrás do elmo élfico de forma carismática.

Com golpes rápidos e dados de surpresa, o cavaleiro traidor anulou os outros três de forma extremamente profissional. Antes de ser atacado de relance pelos cultistas, Voltten interrompeu.

– Parem! – Todos obedeceram.

– Aquiles? – Glans perguntou, erguendo o olhar para o elmo élfico.

– É bom ver que ainda se lembram de mim. – O cavaleiro ironizou, guardando as duas espadas que usou anteriormente.

– Meu amigo... – Voltten se aproximou do cavaleiro e o abraçou involuntariamente. – O que fizeram com você...? – Perguntou enquanto chorava brevemente.

– Ei, calma ai! – Aquiles o afastou enquanto tirava seu elmo dourado. – Nada aconteceu, eu só roubei uma armadura.

– Você é um dos desaparecidos. – Um cultista de máscara triste questionou.

– Como está aqui? – O outro questionou.

– Bem, eu tive um sonho estranho, acordei numa prisão junto de Edward e Varis e os dois não acordaram. – Aquiles disse calmamente enquanto se arrumava. – Foi um pouco difícil sair de lá, eu consegui nocautear um guarda e me disfarçar, quando eu ouvi o grito do Glans, vim correndo para cá. Esse lugar meio que conspirou para estar aqui, eu diria.

Os três amigos olharam para trás e encaram brevemente os cadáveres mortos... mortos de novo.

– O resto vocês viram já. – Afirmou de forma calma, mas logo se questionou. – Aliás, quem são vocês?

– É uma longa história. – Voltten respondeu, colocando a mão no ombro de Aquiles pacificamente. – Mas ficamos felizes que está bem.

– É, já é algo bom. – Ele afirmou, se virando para o cavaleiro que reconheceu as marcas e ferimentos de sua arrancada. – Vocês parecem estar machucados, pelo visto, eu faço falta na equipe.... Espera, cadê o James?!

– Ele desmaiou de stress. – Um cultista de máscara triste afirmou.

– Nosso Mestre está cuidando dele. – O outro complementou.

Aquiles os encarou de forma estranha, logo depois olhou para os soldados de máscara feliz vagamente inquietos e depois para Voltten.

– Você tem certeza que está tudo bem ficar perto deles? – Perguntou. – Sabe, pessoas com máscaras estranhas e com a roupa toda branca são minimamente bizarras.

– De acordo. – Disse Voltten, tendo finalmente encontrado alguém que poderia ser chamado de normal.

– Hum. – Glans murmurou concordando.

– Acho melhor darmos uma leve pausa. – Voltten sugeriu, reparando que, estranhamente, o cenário a sua volta se acalmou. – Conseguem cuidar do ferido?

– Sim! – Os cultistas de máscaras assustadas se aproximaram de Glans, que colocou devagar o espadachim ferido no chão.

– Acho que precisamos cuidar do punhal. – Voltten se aproximou da arma seguido de Aquiles.

– Isso me deu uma espécie de choque, não parece ser algo seguro. – Aquiles comentou pensativo.

– Eu não sei ao certo qual magia foi usada, mas quase certeza que ela seria usada para transformar vocês em mortos-vivos.

– Virarmos esses “zombies”?

– Hum? – Voltten olhou brevemente, enquanto aproximou o cajado que iniciou a chama lentamente. – Termo estranho.

– James falava desse tipo de monstro em umas conversas. – Aquiles afirmou, impressionado com a magia se formando no cajado de Voltten. – “Arrancar a cabeça depois os braços”, essa era a lógica dele.

– Em parte, só ferir a cabeça seria necessário. – Comentou, soltando uma espécie de labaredas que esquentavam lentamente o punhal de metal. – O crânio é onde está o cérebro, que comanda as ações, mesmo nesse estado, eles precisariam dele para agir.

– Hum, complexo...

– Aliás, o que você passou para estar aqui?

– Que?

– Você estava numa cela, acorrentado, sendo vigiado?

– Ah sim. – Aquiles se pôs a recordar. – Era uma cela pequena e as correntes estavam enferrujadas, foi fácil quebrar elas.

Aquiles parou brevemente para observar o metal do punhal mudando de cor enquanto derretia.

 – Eu fiz um pouco de barulho nisso tudo, me fingi de morto, dei uma chave-de-braço num desses zombies e roubei as armas dele. – Aquiles arregalou os olhos quando percebeu a coloração fria bizarra que o punhal adquiriu. – Isso não vai explodir?

– Talvez. – Voltten afirmou de forma fria.

– Certo... depois eu achei um desses guardas com armadura completa e eliminei tão rápido quanto agora pouco. Claro que eu tentei acordar Varis e Edward, mas eles pareciam mais mortos do que vivos. – Rapidamente, percebeu o erro e se corrigiu. – Digo, eles estavam respirando e provavelmente estavam quentes, mas não pareciam acordar.

– É, nos falaram sobre...

O calor das labaredas produzidas pelo cajado derreteu o punhal a tal ponto que a energia que o envolvia ficasse sem ter para onde correr, explodindo em vários raios azuis que se espalharam aleatoriamente, junto daquilo, o som do trovão foi escutado novamente.

– Mas que filho da puta de sangue putrefato! – Aquiles gritou de relance.

– Calma. – Disse Voltten, dando passos curtos para traz. – “filho da puta de sangue putrefato” é meio critico de mais.

– O que você esperava de um xingamento espontâneo?

– Nada. – O mago afirmou, rindo vagamente. – Já acabaram aí?

Se virando para conferir os outros companheiros. Glans estava sendo curado pela luz verde de uma das armas condutoras dos cultistas, o espadachim ferido estava sentado apoiando no companheiro.

– Eu devo continuar com a armadura? – Aquiles perguntou, se recompondo.

– Você planeja tirar a armadura e lutar nu? – Voltten questionou, encarando o elfo.

Os dois ficaram se olhando sem dizer nenhuma palavra, apenas com o olhar desconfortante e inexpressivo. Quebrado o clima, Glans se espreguiçou e se aproximou dos dois companheiros. Matheus Freitas: Sempre tem gente para estragar o clima...

– Então? – Ele questionou.

– Na teoria é, ou tirar Varis e Edward daqui, ou matar o necromante. – Voltten afirmou pensativo.

– Na teoria temos a localização do primeiro objetivo. – Aquiles sugeriu.

– Mas carregar dois corpos desacordados não é a melhor das ideias. – Voltten contrapôs. – O punhal foi derretido e aparentemente eles não vão fazer outro tão cedo. Teoricamente, eles tão seguros.

– Teorias são o manto do diabo. – Sussurrou para si mesmo pensativo.

– Ignorância é o mesmo. – Retrucou.

– Hum... – Os três murmuraram lentamente. Após isso, eles voltaram a atenção para Aquiles.

– O que foi?

– Eu não vou ficar conduzindo o grupo novamente! – Voltten afirmou vagamente apreensivo. – Eu sou inteligente, mas não um comandante ou um estrategista!

– Glans ser uma carruagem. – O draconato complementou no mesmo tom.

– Ah... – Aquiles mostrou um pouco o orgulho. – Você só teve um ferido pelo visto, mandou bem.

– Não quero uma nota por isso, na realidade, eu prefiro nunca ficar nesse posto novamente. – Voltten afirmou incomodado.

– Certo, certo... – Cortou ficando pensativo e logo após olhando para os cultistas. – O que nós temos?

– Eu, você, Glans, dois espadachins que eu classificaria como intermediários, um arqueiro de mesmo nível e dois curandeiros. – O mago afirmou calmamente, enquanto observava os cultistas se agrupando, todos aparentando estar saudáveis. – Vale dizer que os espadachins e o arqueiro são um poço de ansiedade e os curandeiros uma fossa de medo e depressão.

– Por quê?

– Não pergunte, só aceite. – Voltten aconselhou, fechando os olhos e dando os ombros. – Eu estou fazendo isso até agora e está dando certo.

– Certo... – Ainda pensativo, focou no cajado de Voltten. – Aliás, o que foi a magia de fogo anteriormente?

– Hum? Aquilo? – Murmurou. – Eu estava treinando magias de fogo, nada muito complexo até agora, apenas labaredas, chamas de tocha e uma bola de fogo muito sofrida.

– Bola de fogo de magia negra ou branca?

– Uma intercalação entre as duas, mas mais para branca.

– Esse é o pior tipo... – Aquiles afirmou, desviando o olhar.

– Obrigado pela positividade. – Voltten retrucou incomodado.

– Se você conseguir controlar e soltar elas bem, vai ser uma mão na roda. Você precisa invocá-la em no máximo dez segundos.

– Dez segundos?! – Voltten questionou assustado. – Eu não consigo nem em trinta direito.

Aquiles colocou o capacete élfico, se virou para Voltten, dando passos em sua direção e ergueu as mãos, pegando seus ombros.

– Supere-se, pegue seu limite e o ignore. – Afirmou de forma inspiradora e confiante, mas dizendo coisas teoricamente absurdas e surreais de tão genéricas. – É um dos truques que aprendi com Cérbero. – Finalizou, retraindo seus braços e se direcionando a Glans, dando-lhe dois tapas no braço. – Alguma dor, escamoso?

– Glans estar nos cem por cento! – O draconato afirmou, dando socos em seu peito de forma confiante.

– Ótimo! – Vibrou de volta, virando rapidamente para os cultistas. – Vocês de roupas brancas e que são muito pouco confiáveis!

– Hum? – Os cultistas viraram para Aquiles.

– Vocês sabem seguir ordens?!

Os cinco ficaram murmurando entre si antes de uma resposta.

– Sim, por quê? – Um dos espadachins perguntou.

– Ótimo... – Afirmou sorrindo dentro de seu capacete. – Hoje nós mataremos os mortos até chegar no rei deles!

Os cultistas voltam a conversar entre si, logo em seguida eles gritaram, apoiando Aquiles que se virou para Voltten e Glans.

– Vamos, meus caros! – Afirmou quase gritando. – Eu pago uma rodada para quem matar mais desses “zombies”!

Após alguns minutos de caminhada pelos corredores, a sensação de peso na consciência aumentava gradativamente.

– Você já esteve em um castelo assim Aquiles? – Voltten perguntou receoso.

– Não consideraria isso um castelo, apesar da arquitetura. – O cavaleiro falou enquanto guiava o grupo pelos corredores, a fim de encontrar algo. – Isso está mais para um forte militar a parte, como se esse lugar fosse o complemento de algum outro lugar.

– Vinda da Colisão dos Mundos?

– Quase certeza. – Aquiles afirmou, parando o grupo rapidamente. – Assim como a cidade na superfície, esse lugar não parece condizer com seu ambiente em alguns pontos. Ser dentro de uma área já moldada, provavelmente ele é mais distribuído.

Aquiles se agachou, sacando uma de suas espadas que havia roubado e cortando um fio quase que invisível a olho nu.

O resultado daquilo foi uma chuva de virotes mágicos caindo do teto a alguns centímetros na frente, que não os atingiram. Matheus Freitas: Indiana Jones aprova.

– Esse lugar pode já ter sido um centro pacífico de Dokká e seus seguidores ou simpatizantes, mas agora é apenas uma masmorra lotada de energia demoníaca, crias demoníacas e armadilhas.

– Pelo menos você sabe desarma-las. – Voltten comentou vagamente aliviado.

– Lamento informar, mas eu não sei. – Levantou pensativo. – Eu sou cuidadoso no caso, mas não faço ideia de como mexer em mecanismos avançados, chuto que Varis seria melhor para isso.

– Ei! – Voltten se virou para os cultistas que estavam a segui-los. – Alguém sabe mexer em mecanismos? 

Tremendo de forma receosa, os cultistas assustados deram passos para frente.

– Eu já imaginava...

– Os dois depois de mim, dividam os olhares e cuidem da linha de frente. – Aquiles comandou de forma precisa. – Glans fique pronto para puxar eles caso algo aconteça, Voltten e o arqueiro permaneçam atrás de Glans e os espadachins na retaguarda.

– Oh... – Todos os cultistas ficaram impressionados. – Isso parece coisa que o Mestre falaria.

– Isso seria bom? – Aquiles direcionou a dúvida para Voltten.

– Na teoria. – Voltten tomou a posição nas ordens de Aquiles. – Não sei dizer muito desse “Mestre”.

– Certo... – Aquiles murmurou, passando em cima dos pedregulhos.

À medida que os corredores eram atravessados, um frio na espinha tomou conta de todos, principalmente dos cultistas curandeiros.

– Pare! – Um deles gritou, pegando no ombro de Aquiles.

– Encontrou algo? – O elfo questionou, se virando para o cultista.

– Não, mas essa energia que vem do final dele está me dando medo. – Ele afirmou triste e apavorado, abaixando a cabeça vagamente.

– Desculpe, mas não temos tempo pra isso. – Aquiles afirmou, jogando a mão do cultista para trás e seguindo lentamente.

– Mas o necromante pode estar no final do corredor! – O mesmo cultista tentou persuadi-lo.

– Mais um motivo para continuar. – O elfo reforçou.

– Não podemos encará-lo de cara, deve haver uma estratégia melhor. – O segundo cultista de máscara triste complementou.

– “Uma segunda estratégia”? – Aquiles questionou rapidamente. – Não sei da mentalidade de vocês ou da noção de combate, mas agora mesmo estamos na sede do inferno e esse necromante é Lúcifer, pronto para massacrar nossos corpos e almas. – Direcionou a visão dentro do elmo para os dois cultistas simultaneamente. – Agora me falem, como você ataca tal demônio pelas costas?

O silencio foi instaurado por todo o lugar, até mesmo os que estavam murmurando atrás de Glans se calaram. Aquiles se virou e caminhou lentamente.

– Foi o que eu pensei. – Ele afirmou de forma fria enquanto chamava o grupo com sua mão esquerda. – Vamos.

Todos ficaram calados e seguiram o cavaleiro que parecia inabalável, mesmo com a forte sensação ruim provinda do centro da maldição, vendo-o como um ser inabalável naturalmente, um líder que os traria a vitória de alguma forma e que saberia como jogar esse jogo do combate.

Por Tisso | 12/11/20 às 16:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia