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Capítulo 77 - Um Culpado a Apontar

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 77 - Um Culpado a Apontar

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O grupo se movia de forma tão sincronizada que dava medo, já que seus movimentos eram difíceis de ver e prever. Frios e calculistas, os assassinos se locomoviam em meio ao campo de batalha improvisado, que era o centro da vila enquanto seu mestre os julgava de cima de um telhado.

As espadas curtas batiam no escudo e armadura pesada do paladino, mal conseguindo o machucar.

Era uma briga de três profissionais contra apenas um soldado, mesmo que as placas de metal fossem extremamente duras e resistentes, as mínimas brechas que ela possuía e seu peso descomunal deveria ser uma vitória instantânea. Pelo menos, era isso que o líder dos assassinos pensava.

As estocadas das espadas vinham em uma sincronia quase perfeita, logo quando a primeira efetuou o golpe, a terceira já estava pronta. Aquilo era um verdadeiro cenário de pressão, tudo estava decorrendo para que o paladino acabasse por abrir uma brecha.

Edward sabia da sua situação, mas não vislumbrava uma saída. Seus pés se movimentavam de forma rápida e certeira, tentando sempre manter seus três inimigos na linha de visão.

Toda vez que algum ameaçava invadir seu flanco, ele saltava para o lado e impedia aquilo, enquanto continuava a se defender. Claro que tal estratégia não se manteria por muito tempo. Após alguns minutos, um dos assassinos se afastou do grupo, pondo a mão em um de seus bolsos e sacando dele uma zarabatana.

Edward rapidamente pôde ver o dardo venenoso que estava armado na arma indígena, era uma espécie de seringa misturada com um frasco de madeira minúsculo e decorado com penas – tal como uma mini flecha.

A chance de acertar uma parte da pele do paladino, para que o veneno fosse aplicado, teria que ser algo muito específico ou a ponta do dardo teria tal capacidade de acertar a brecha protegida apenas por cota de malha e assim lhe envenenando ou – a teoria mais provável pela mente do paladino – ele estava mirando nos dois buracos que seu elmo proporcionava para visão.

A movimentação dos seus dois companheiros mudou, antes eles estavam atacando um após o outro, mas agora, suas estocadas se tornaram rítmicas. Sempre com um pouco mais de um segundo entre as pausas o escudo de Edward foi atacado enquanto via de relance o outro assassino se posicionando para atirar o dardo.

Edward guardou a espada em sua bainha e preparou um contra golpe rápido para o assassino mais favorável – no caso, o da sua esquerda.

Ele virou rapidamente o escudo com uma batida de forma que enganasse completamente os assassinos, que deram a brecha e deixaram o trabalho para o artilheiro da zarabatana.

Quando o projétil estava sendo colocado no ar, Edward efetuou uma ação tão rápida que surpreendeu até o líder dos assassinos. Mesmo com uma armadura tão pesada como aquela, ele havia sido capaz de se mover de forma tão rápida e precisa.

Edward, com um puxão, agarrou de relance o braço do assassino da sua esquerda, rapidamente o colocando na linha de encontro do dardo que lhe acertou o rosto. O assassino tentou tirar o dardo enquanto mordia a mão do paladino, mas quando ele se libertou já era tarde.

Imediatamente, seu estomago se revirou em uma hemorragia interna. O veneno havia sido tão corrosivo que, ao vomitar, o assassino expeliu uma mistura de vômito, sangue e parte de seu intestino.

Não foi preciso prever que ele morreria quase de imediato após aquilo. Junto disso, a figura reluzente de Edward – que refletia os raios de prata da lua com sua armadura metálica – se tornava uma ameaça cada vez maior aos assassinos.

Porém, no topo do telhado, seu líder mascarado com uma espécie de máscara de couro aparentava estar entediado perante o combate.

– Mestre! – Um dos assassinos virou seu rosto vagamente para pedir ajuda. – O que devemos fazer?!

– Comesse não tirando o foco do inimigo. – A voz abafada do assassino líder afirmou em deboche.

Quando o assassino virou seu rosto para Edward novamente, o paladino estava a poucos passos de sua frente. Imediatamente o assassino pulou quase que três metros para trás, sacando rapidamente as espadas e guardando a zarabatana.

– Ele podia ter me matado! – Ele afirmou assustado, erguendo a guarda junto do paladino e do companheiro.

– Eu poderia ter feito o que eu fiz com seu amigo que teve o crânio partido ao meio... – Edward afirmou, fitando os olhos para os dois que o observando friamente. – Mas diferente de vocês, eu não sou um covarde que aproveita de truques sujos para uma vitória pútrida. Lhe atacar de forma tão baixa apodreceria minha alma ao máximo no meu conceito.

– Hum... – O líder dos assassinos olhou lentamente. – Então temos uma espécie de paladino...

A voz do mestre era abafada e vagamente forçada, causou muita intriga em Edward que ouvia aquilo com um certo ar de estranheza. Seus dois inimigos estavam preparando mais um ataque, mas o paladino estava tão calmo quanto estava antes da luta começar, apenas esperando um movimento em falso.

Os dois assassinos esperavam uma ordem do mestre, ou o movimento do parceiro para realizarem uma arrancada dupla, enquanto o paladino instigava ambos com batidas da ponta da espada no chão.

Um dos assassinos abaixou uma das espadas e se focou apenas em uma, tentando dobrar a força na mesma, o companheiro viu isso, mas não compactuou.

Por longos cinco segundos, eles ficaram apenas existindo perante o combate, mas logo um grito foi dado.

– Vão logo! – O grito do líder confundiu completamente o paladino, por ter quase a certeza de que aquela voz já havia passado pela sua mente, como se fosse uma voz conhecida após a aplicação de vários filtros sonoros.

Sem perceber, os assassinos já estavam na sua frente, prontos para lhe atacar. Quando ergueu o escudo para se defender das duas lâminas do assassino, ele mal percebeu o flanqueio da terceira lâmina solitária, que atingiu sua luva de metal e que o fez largar o escudo.

Ao terminar do ataque, a mão do paladino foi arranhada e as brechas de cota de malha foram parcialmente cortadas, ao ponto de revelarem a camada de casacos que haviam em baixo dela.

De relance, Edward atacou cegamente a espada em horizontal para frente, mas o máximo que conseguiu foi arranhar o peito de uma das armaduras de couro, fazendo um corte bem superficial.

Pela primeira vez em combate, o paladino se sentiu ameaçado de verdade. Edward sempre usou a combinação de espada e escudo, raramente lutando desarmado, mas estando apenas com uma espada ele se sentia desconfortável e receoso.

Sua espada tinha um cabo que deixava as mãos dos ladrões levemente confortáveis apesar do receio. O paladino não estava tão confiante quanto antes para esperar uma ação ou brecha, então logo avançou para um ataque direto, raspando a espada no chão e quebrando completamente a defesa do assassino, finalizando o ataque com um chute direto em seu peito.

Rapidamente, seus ouvidos escutaram o ataque do segundo assassino, que logo teve suas espadas bloqueadas pela espada de Edward. Mas rapidamente o assassino afastou uma das espadas com o foco de realizar uma estocada no estômago do paladino, mas tal ação falhou por completo.

Logo de início, a espada de uma mão cedeu vagamente a força de uma empunhada por duas, mas essa não foi a única falha de seu oponente. Quando a lâmina se aproximava da vaga abertura da armadura de Edward o mesmo a interceptou com a própria mão a desviando para o lado.

Sem reação, o assassino apenas caiu com o golpe de espada forçado de Edward, logo em seguida, o mesmo tratou de enfiar a espada em sua garganta.

Quando se virou para o lado, o paladino viu o último assassino realizando um ataque direto para lhe eliminar de forma rápida e totalmente descuidada, e esse foi seu principal erro.

Ao finalizar o quarto inimigo, Edward pegou novamente seu escudo caído enquanto o líder dos assassinos descia rapidamente dos telhados.

– Sabe, eu não gosto muito desse tipo de trabalho, sempre me colocam com pessoas assim. – Ele falava enquanto via os corpos de seus “amigos” no chão dentro de enormes poças de sangue. – Devo admitir que você tem talento.

– Não me importa o que você acha de mim! – Edward gritou com ódio em seu olhar e em sua fala. – Apenas saque suas armas e vamos logo acabar com isso.

– Claro que um paladino não ia aceitar a palavra de um assassino, mas eu não minto quando falo que eu faço isso porque eu sou obrigado. – Tal como um cowboy jogando seu poncho para trás, o assassino jogou sua capa negra para trás, permanecendo apenas com um capuz separado que apenas revelava seus olhos negros e vermelhos. Matheus Freitas: Poncho é uma vestimenta tradicional da América do Sul. No Brasil, é mais utilizada nos estados que querem compor a República Sulista. Para mais informações, consulte o Google ou o seu designer de moda.

Ao observar calmamente, Edward reparou de imediato nas correntes que partiam de bolsas perto das axilas do assassino e terminavam em duas adagas afiadas.

De imediato Edward reconheceu aquilo.

– Ninho de Cobras Corrente? – Edward questionou, deixando o assassino completamente estático.

– Espera, como?

– Varis me contou tudo sobre ela, não vai conseguir levar a melhor. –Afirmou, se preparando para atacar.

– Eu contei?

– Você contou...? – Edward murmurou com um leve choque, enquanto a ficha caia lentamente. – Varis é você?

– Como diabos você me conhece? – O ladino perguntou, tirando o capuz com uma cara de confusão extrema. Já que existiam poucas pessoas que conheciam seu verdadeiro nome.

– Como eu te conheço? Uma semana na prisão, mais de três meses em missão de proteção... – Edward começou a listar de forma vagamente irritada. – Você se sacrificou para que eu pudesse fazer uma oração em Harenae, você saiu para transar com Sagita no ano novo, eu praticamente ouvia suas piadas e comentários quase que diariamente nas viagens de carroça...

– Pare! Eu não estou entendendo o mínimo do que você está falando. – Varis falou de forma cada vez mais pasma. – Eu não vejo mentiras em suas falas, mas não me esqueceria disso nem que morresse. – O ladino começou a girar uma de suas correntes preparando um ataque. – Além do mais, não sei como você conhece meu nome, mas saiba que agora que sabe disso, eu terei que fazer você ir para o outro lado.

– O que você disse? – De novo a ficha caia lentamente para Edward. – Você é daqui então... Eu estou conversando com o Varis do passado, então você realmente matou todos daqui...

Enquanto Edward proferia as palavras, o ladino preparava o ataque.

– Tudo o que aconteceu... tudo que eu passei, tudo isso... – Edward encarou as íris vermelhas de Varis rapidamente. – Tudo foi culpa sua então...

Por Tisso | 10/12/20 às 17:42 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia