CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 78 - Conectados por um Culpado

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 78 - Conectados por um Culpado

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

– Ah, camomila... – Voltten murmurou enquanto degustava lentamente seu chá. – Sinto como se minha cabeça estivesse se estabilizando aos poucos.

– Deve ter sido complicado. – James falou, degustando da mesma bebida para pôr as ideias no lugar.

– Nem tanto. – Aquiles comentou, conferindo novamente os corpos de Edward e Varis que estavam nus dentro de sacos de dormir. – Foi mais uma questão de paciência.

– Para uma pessoa que foi capturada falar isso, deve ter sido estranho. – Complementou, observando Aquiles arrumando uma mochila extra. – Aliás, o que tem na mochila?

– Ah, a Briseis me deu ela para que eu possa testar uma coisa na próxima parada.

– Quem seria “Briseis”? – James questionou, se aproximando e vendo o que havia dentro da mochila. – Você foi recolhendo parte dourada de armaduras que encontrou por aí?

– Na realidade, eu acho que isso seria uma espécie de relíquia para vender. – Aquiles comentou vagamente. – Glans perdeu o machado dele, então eu pensei que seria possível leiloar ou vender em Telletü para comprar uma arma nova.

– Não seria melhor vender a marreta?

– Não, a Golden Wood agora é parte da família. – Retrucou de imediato.

– Você deu um nome para ela? – James falou, repudiando essa ação.

Os dois pararam de falar ao ouvir o som de uma caneca caindo no chão, eles se viraram para Voltten, que estava pálido e sem expressão.

– Nós esquecemos! – Ele gritou, tremendo vagamente.

– Esquecemos? – James questionou vagamente.

– James, Voltten, Glans, Edward, Varis... – Aquiles contou todos os companheiros em sua visão rapidamente. – Todos estão aqui.

– Não é isso! – Voltten retrucou. – Nós esquecemos completamente do escolhido que viemos buscar.

– Bem, acho que priorizamos mais o bem do grupo do que a missão realmente. – Comentou pensativo.

– Eu acho que podemos relaxar quanto a isso. – James afirmou, se ajeitando no pequeno acampamento.

– O que?! – Os três colegas conscientes questionaram.

– Pensem comigo, os fantasmas não vão ser o escolhido, todos no subsolo estão mortos, logo, também não são. – James falou calmamente. – O que resta... Matheus Freitas: Se eu fosse esse gato, eu escolheria justamente um fantasma, só para fazer esses preguiçosos trabalharem.

– Os cultistas! – Voltten falou com animação e ao mesmo tempo, começou a relaxar.

– Exato.

– Mas você conseguiu achar um cultista com uma aura semelhante aos outros escolhidos? – Aquiles perguntou pensativamente.

– Não...

– Bem, quando Phineas voltar, nós conseguiremos uma conversa direta. – James tranquilizou o grupo.

– Ele disse que ia demorar quanto tempo?

– Algumas horas... – O arqueiro respondeu com um suspiro. – Mas pelo menos, com a queda do necromante, eles podem invadir o local e acabar com a maldição com certa facilidade. Logo vamos ter sinais disso.

– O que ser um sinal? – Glans questionou, enquanto observava Edward e Varis dormentes.

Depois do draconato falar aquilo para os dois elfos negros, Edward começou a gritar enquanto abria os olhos bruscamente e Varis virava a cabeça para o lado enquanto tinha uma convulsão. Ele vomitou no saco de dormir e no chão, enquanto tentava se mover em espasmos musculares. 

– Acho que isso é um. – Aquiles falou, correndo em direção a Varis. – Voltten, vem comigo, Glans e James tentem controlar o Edward.

O ladino não parava de vomitar, foi assim por quase dois minutos seguidos. Sujando completamente seu saco de dormir, fazendo ele e seu corpo federem.

O paladino se recuperou vagamente enquanto Glans fazia um apoio para suas costas com os braços, fazendo que ele respirar melhor e assim estabilizando-o.

Os dois ficaram instáveis por longos segundos, até que Varis parrasse de vomitar e voltasse a encarar os céus. Junto disso, Edward se estabilizou totalmente, seus músculos já respondiam, seu corpo seguia cada comando fielmente, foi então que ele atacou.

Sem aviso prévio ou alguma denúncia de seu espírito violento, Edward saiu do sacado de dormir ainda nu e correu em direção ao ladino.

Varis estava sem reação e Voltten e Aquiles – que estavam apenas o observando, sem encostar muito no mesmo – viram o punho cinza atacando o ladino.

Quando todos assimilaram o que tinha acontecido, Edward já havia dado mais dois na cara de Varis. Aquiles não sabia ao certo como reagir, tanto que acabou por deixar o paladino dar um terceiro soco, mas logo ele se posicionou para defender o amigo do outro amigo.

– Glans! Segura ele! – Aquiles deu um soco no estomago de Edward que o desestabilizou, logo ele emendou o ataque com um chute no peito que o jogou para trás e o fez cair de costas.

Logo Glans – também sem muita reação ou noção do que estava acontecendo – aplicou uma chave de braço que prendeu o paladino o suficiente para imobilizá-lo, mas não o ferir.

– Glans!!! Solte-me!!! – Edward gritou enquanto fazia esforço para se soltar dos braços musculosos de Glans.

– Não faça isso! – Aquiles direcionou o foco para Varis, que estava com o nariz sangrando, ainda sem acordar completamente. Voltten estava a tratar do mesmo.

– Aquiles... Ele... É da... Interfectores...

– “Interfectores” – James se intrometeu confuso. – Interfectores Del Amine?

– Sim...

Naquele segundo, Voltten e James se encararam vagamente, enquanto Aquiles tentava manter a calma da equipe e Glans ficou confuso, sem entender nada.

O arqueiro e o elfo entraram em um pacto de neutralidade momentânea – sem tomar lado do elfo cavaleiro ou do paladino – apenas se virando para Aquiles.

– Aquiles, o que isso significa? – James questionou confusamente.

– Droga... – ele afirmou receoso.

– Interfectores Del Amine foi literalmente a coisa mais perigosa que esse continente já enfrentou, salvo o Caçador.  – Voltten comentou vagamente receoso. – Eu não vivi o suficiente, mas você está dizendo que Varis pertencia a esse grupo esse tempo todo? Um grupo que literalmente matava por diversão e fazia qualquer coisa por dinheiro! – Voltten tremia enquanto raciocinava e teorizava a visão de Aquiles. – Você está dizendo que sabia o tempo todo que ele pertencia e que confiou nossas vidas nele mesmo assim?

– Não é... tão simples... – Varis tossiu sangue enquanto voltava a falar vagamente.

– Sim! É muito simples! – Edward gritou, mordendo Glans e conseguindo mais espaço para falar. – Você matou minha mulher e criança, você e seu grupo foram responsáveis por diversas pessoas ficarem órfãs ou sem família! – O paladino continuava a tentar lutar, cada vez conseguindo espaço para as falas. – James, você sabe que a Interfectores matou a última descendente dos Frankenstein! E o que você diz que eles não mataram seus pais antes de você ser acolhido no templo, Voltten!

– Edward calma... – Aquiles tentava controlar a situação, enquanto o resto de sua equipe ficava observando.

– Calma?! – Edward abriu os braços de Glans aos poucos, aparentando ter perdido seu frenesi de energia, mas ainda raivoso. – O que diz que a culpa de tudo isso acontecer não é desse maldito!!!

– Você acha que eu tive escolha!? – Varis gritou como uma denúncia de seu despertar completo, lentamente, ele saiu do saco de dormir. – Você acha que eu simplesmente olhei para o clã e falei que ia entrar!?

O silencio imperou por segundos, logo Varis continuou aparentando não ter comprado briga física, apenas argumentativa.

– Você acha que eu pedi pra nascer de uma prostituta!? Você acha que eu pedi ter o nome “brinquedo” como primeiro nome!? Você acha que eu pedi pra ter minha alma ligada a um pai que me via apenas como um clone que assumiria o clã na ausência dele?! Você acha que eu escolhi matar quem eu matei?!  – Varis gritou, descarregando tudo que estava dentro de si. – Não, melhor, você acha que eu escolhi nascer?

O ladino calou seus companheiros, antes mesmo deles questionarem algo, por fim ele apenas parou para respirar pesadamente.

– Como você sobreviveu ao ataque que fizeram a sede principal da Interfectores Del Amine? – Edward questionou trêmulo.

– Quem você acha que denunciou a localização? – O ladino perguntou fazendo quase todos se surpreenderem. – Por alguns meios mágicos externos consegui desvincular minha alma com a de meu pai, ex-líder. Fiquei sabendo que alguns assassinos também fugiram, Sagita é um deles.

– Então você escolheu se arriscar, ter a chance de morrer se descobrissem que você os denunciou e no fim não aparentar ter ganhando em nada com isso? – James questionou vagamente.

– Eu ganhei a liberdade de meu clã que eu tanto queria, e se me matassem por traição, eu ainda estaria no lucro. – Ele afirmou enquanto tossia vagamente.

– Eu não consigo sentir outra coisa além de ódio por você. – Edward falou de forma direta, estava incrédulo, furioso, mas acima de tudo, se sentia traído. Seus valores entraram em um verdadeira guerra com sua índole, o deixando cada vez mais e mais, confuso, culminando em uma ira vinda de frustração. – Mas eu não consigo culpá-lo por isso... E isso me irrita. Matheus Freitas: Taquipariu hein...

– “Paladinos devem se manter firmes, mas se os pecadores se arrependerem, eles devem ajudar em sua redenção”. – Aquiles citou seriamente. – Ortros falava isso. Matheus Freitas: Taquipariu hein...²

– Eu acreditava que nunca iria sentir isso, mas eu de fato estou sentindo ódio. – Edward afirmou de forma autodepreciativa. – Nesse momento, minha fé deveria ajudar, mas depois do que eu vi, não me sinto bem em buscar uma fuga nela.

– Aliás, vocês também passaram por “pesadelos passados”? – Aquiles questionou com curiosidade e receio.

– Sim... – Os elfos negros afirmaram pensativos.

– Com licença. – James parou todos na conversa. – Eu entendo o lado de cada um, que todos estão irritados ou intrigados, mas uma coisa está me deixando extremamente desconfortável.

– O que seria? – Aquiles questionou intrigado.

– O fato do Edward e do Varis estarem pelados e ninguém ter falado uma palavra sobre isso até agora. – Todos momentaneamente se calaram e olham para os dois de relance.

– Já vi coisas piores. – Aquiles comentou.

– Não ligar. – Glans complementou.

– Vou levar como elogio... – Varis comentou cuspindo logo em seguida.

– Eu estou incomodado, mas não sei se exigir que os dois se vistam seja uma boa ideia.

Variz passou a mão na cara e nos ombros, enquanto misturava vagamente o vômito com o sangue.

– Vou ter que tomar um banho, eu acho. – O ladino afirmou, enojado com os próprios fluidos.

– Vocês têm minha armadura?  – Edward perguntou de forma incomodada e vagamente envergonhada.

– Pegamos suas coisas na estalagem. – Aquiles respondeu, indo em direção as mochilas e trazendo a primeira camada de roupas da armadura do paladino e as correntes do ladino. – Aqui.

– O que supostamente eu deveria fazer com as minhas correntes?

– Bem, estamos na base da árvore da cidade e embaixo dela tem muita água. – Afirmou de forma seca.

– Você quer que eu tome banho num pântano? – Varis questionou incomodado.

– A água desse lugar é tão limpa quanto a de um rio, pode ficar tranquilo. – James falou de forma vagamente cômica. – Leve o saco de dormir junto, por favor.

Por Tisso | 15/12/20 às 16:13 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia