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Capítulo 82 - Um Mundo Teórico e Um Caçador Sem Renome

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 82 - Um Mundo Teórico e Um Caçador Sem Renome

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O sol esquentava aos poucos o frio inverno que assolava as rotas de Skogeny para Telletü. Geadas eram comuns, esquilos e pássaros se recolhiam e, à noite, as corujas caçavam suas presas.

Em uma fogueira apagada pelo tempo, o ladino afiava suas adagas, sentado em um banco de madeira enquanto sentia o frio infernal lhe consumir aos poucos.

Junto aos sons dos roncos dos colegas e aos da natureza, Varis escutou o som de um deles acordando. Depois de um tempo com os sons de fundo, finalmente escutou algo sólido e pesado.

– Acordado desde cedo? – James questionou de forma irônica, se aproximando do ladino.

– Ficar na carroça com Edward é estranho agora. – Varis afirmou enquanto recolhia as adagas. – Mesmo com esse frio do inferno, prefiro ficar confortável sozinho.

– Não culpe Edward por estar com raiva.

– Eu não o culpo, mesmo não tendo uma família, eu entendo em parte o que seria perder uma. – Varis levantou lentamente. – Pelo menos, eu acho.

– Acha?

– Eu não posso dizer muito do que não sei. – Varis desviou o olhar para James e reparou rapidamente no seu arco modificado. – Ei, o que é isso aí?

– Hum? – James questionou, sacando seu arco. – O “Ajuste”?

– “Ajuste”? – Varis chegou mais perto para ver aquilo.

Era uma gema colorida revestida em uma resina incolor que se moldou em formato de esfera, que era presa a um anexo próximo a mira do arco. Aquela peça se movia dentro de si de uma forma circular, como se fosse um redemoinho quase invisível.

– Phineas chamava isso de Ajuste, ele serve para prever o futuro em tempo real, de uma forma que eu consiga ver onde os alvos vão estar alguns segundos à frente.

– Como diabos essa bola colorida faz isso?

– Eu ainda não entendi como funciona. – James afirmou, virando o arco para os lados, fazendo a esfera virar vagamente. – Pelo que os livros disseram, ela tenta reproduzir uma rota perfeita do que talvez vá acontecer, boa parte das vezes acertando.

– Então o futuro que ele prevê é um futuro hipotético?

– Acho que sim... – Murmurou vagamente enquanto olhava em volta do acampamento. – Olhe o que temos ali...

– Hum? – Varis olhou rapidamente para o lado e logo viu o ser que o arqueiro referira.

O animal era apenas um esquilo de chifres médios, um animal muito comum em épocas de inverno e climas frios.

– Um esquilo? – O ladino questionou rapidamente.

– Uma oportunidade de treino. – James afirmou, sacando uma flecha de sua aljava. – Vamos ver como é essa reprodução.

James praticamente colocou cento e dez por cento de seus esforços naquela situação. Seus olhos miraram de forma certeira no esquilo, mas, quando o mesmo quis testar o Ajuste, ele sentiu toda sua mente embaralhar.

O redemoinho se expandiu de uma forma que ondas e mais ondas invisíveis foram captadas pelas retinas treinadas do arqueiro, que aos poucos, captava desenhos de referência e linhas de luz para as coisas em movimento.

As folhas e arbustos do local viravam sombras, se desfocando de sua versão original. Objetos maiores possuíam linhas e ângulos de referência, sequências e mais sequências vinham à tona com apenas cinco segundos de olhar daquele mundo. Matheus Freitas: Espero que seja só a demonstração, se ele precisar de tudo isso para atirar... Pior arqueiro que já vi...

Varis não entendeu o porquê de James estar tremendo perante o coelho e logo invadiu sua linha de visão.

– Ei James, tudo bem aí? – Varis questionou de forma confusa.

Ao ver o elfo, James se espantou. O rosto pálido do ladino tinha se tornado vários rostos se movimentando em diversas formas e ângulos, junto disso, seu corpo começou a se projetar para todos os cantos e lados.

Quiçá um Nude Descending a Staircase, No. 2 Matheus Freitas: Que diabos é isso? Tisso: uma pintura abstrata de 1912

– Supor o futuro... – James soltou rapidamente o arco e a flecha.

– James? – Varis questionou, estranhando as ações do arqueiro.

– Varis, eu acho que entendi o que se trata essa visão... – O arqueiro afirmou, pegando seu arco do chão com uma extrema dor de cabeça. – Ela tenta prever o futuro por meio de tentativas, cálculos e afins. Isso é quase pior que magia.

– Pior que magia, nossa... – Varis falou vagamente assustado.

– Aliás Varis. – James ajeitou sua postura. – Nunca tentaram fazer você usar magia?

– Como?

– Em seu clã. – James passou a mão atrás da cabeça de uma forma envergonhada. – Digo, eles eram profissionais e...

– Nah, não precisa de comodidade. – Varis afirmou, cortando a vergonha do arqueiro. – Eu já tentei usar magias divinas da Morte, magia negra e coisas assim, mas o clã achou que a melhor ideia era me focar apenas em atributos físicos... – Varis parou para pensar vagamente. – Na realidade, acho que foi ordem de meu pai, sei lá, não lembro.

– Hum, entendo... – James murmurou, girando a flecha com os dedos até que teve uma ideia minimamente sádica. – Ei, quer tentar ver se consegue usar o arco?

– Hum? – Varis encarou o arco do companheiro com uma leve estranheza. – Arquearia...

– Não é o seu tipo?

– Na realidade eu era acostumado a usar várias armas, mas era mais para ocasiões soltas. – Varis ficou pensativo enquanto olhava para o Ajuste no arco. – Faz tempo que eu só fiquei com o “Ninho de Cobras Corrente” e esgrima, raramente luto a distância.

– Então vai deixar essa passar?

Varis encarou o arco estranhamente interessado.

– Passa para cá. – O ladino pegou a arma junto da flecha.

Mirando no mesmo coelho – ou em um coelho igual que passava por lá – Varis tentou mirar, mas tanto seus dedos quanto seus braços tremiam de nervosismo com medo de cometer um erro.

No fim, a flecha se fincou no chão e o coelho foi espantado.

– Você sentiu algo? – James questionou, intrigado com a experiência do ladino que estava meio sem confiança.

– Sim? – Varis afirmou, recompondo a postura.

– O que? – James questionou altamente intrigado.

– Que eu devo voltar para as minhas adagas. – Varis ironizou, passando sagazmente o arco para James.

– Só isso? – James perguntou intrigado.

– Era para sentir algo a mais?

– Talvez mude de arma para arma? – James questionou, olhando para o Ajuste novamente, tentando emular a mesma forma de ver o mundo que teve anteriormente. – Ou de situação?

Os sons de um cavalo começaram a ser escutados vagamente ao horizonte. Os dois amigos, intrigados com o som, foram para perto da rua de passagem para as carroças – lugar que ficava a poucos passos do acampamento.

Ao olhar a origem, eles viram um cavaleiro de armadura média de cota de malha galopando pela rua. Os dois trocaram olhares com o homem e perceberam, de imediato, seu rosto aranhado com uma cicatriz que ia do canto direito de sua testa até sua bochecha esquerda – uma marca que aparentava ser feita mais por uma garra de fera do que um corte de arma.

O homem parou e encarou os dois rapidamente. O silêncio imperou entre os três, mas ele foi quebrado pelo relincho do cavalo.

– Está cansado. – O homem afirmou, saindo de seu cavalo e o guiando calmamente pela guia. Ele encarou os dois e estranhou as inúmeras cicatrizes de Varis.

O homem possuía um corte quase militar – vagamente semelhante ao de Aquiles – E uma cara extremamente séria. Usava apenas um colar como diferencial em meio ao metal de sua armadura.

Seu pingente era uma espécie de moeda, em que uma face possuía um lobo com uma lua ao fundo, e a outra era o rosto fisionômico perfeito de um crânio humano.

Os três continuam a se encarar sem falar nada, mesmo com o homem tendo descido do cavalo. O rosto do homem focou tanto nas faces de Varis e James que nem prestou atenção nos passos que soaram como batuques de tambor em meio ao silencio.

– Quem é esse cara? – Voltten questionou, fazendo com que Varis se jogasse para trás, assustado como um gato. James por pouco não fez o mesmo, mas ele ainda manteve sua dignidade.

– De onde você surgiu? – Varis perguntou sem fôlego e ajeitando a postura que perdeu com seu show de fuga que não teve utilidade alguma.

– Você sabe que o nosso acampamento está aqui do lado, não é? – Voltten questionou, ainda meio sonolento.

– Hum... – O homem murmurou, encarando o mago.

– Ah, meu nome é Voltten. – O mago tentou interagir, mesmo com o clima estranho.

– Klaus. – Ele afirmou de forma ranzinza.

– Hum? – James murmurou curioso. – Tem as mesmas origens que o nome de Aquiles...

– Origem de nome? – Varis perguntou.

– Cordialidades. – James se justificou rapidamente. – Bem, meu nome é Jameson.

– Hum. – Ele murmurou de forma irrelevante. – Esse no meio de vocês dois...

Todos olharam para Varis vagamente.

– Eu juro que não foi eu que fiz isso. – O ladino rapidamente se defendeu antes mesmo da acusação.

– Você tem um rosto familiar...

– Varis, você não disse que as pessoas tinham que ter uma certa influência para te conhecer?

– Ah, lembrei... – O homem parou seu cavalo para averiguar a situação.

Rapidamente colocou sua mochila no chão e tirou uma pilha de papéis, folheando-os, ele tirou um papiro árabe vagamente rasgado. Quando ele virou o papel para os três, ambos viram o rosto bem desenhado do ladino.

– Como você conseguiu isso? – Varis questionou, examinando o resto do papel. – “Prisioneiro executado amanhã”?

– Espera, isso é de Suma? – Voltten questionou rapidamente.

– Sim, um panfleto trazido exclusivamente de um viajante. – O homem afirmou de forma rígida, guardando os papéis.

– Espera, por mais esquisito que isso seja, por que você tem um panfleto meu na sua mochila? – Varis questionou vagamente incomodado.

– Hum? – O homem murmurou. – Por que eu deveria compartilhar essa informação?

– Oras, o meu rosto está nesse papel! – Varis gritou de forma histérica.

O grupo, de fundo, ouviu a carroça ranger junto dos cavalos a bater os cascos. Lentamente Edward se juntou aos três. Sua armadura pesada e escudo imponente causava medo até em seus companheiros – principalmente Varis.

O homem olhou com admiração o ser que, atrás do elmo que escondia seu rosto, andava friamente em sua direção.

– Esse deve ser o Edward. – Klaus afirmou, ajeitando a postura para encarar o paladino a altura.

– Mal acordei e vocês já me metem em uma encrenca. – Edward ironizou de forma que tentava ser cômica, mas seu tom de voz ainda carregava o incomodo e a raiva de Varis.

– Ei! – Varis gritou como reclamação em plena tensão de encontro.

– Não estamos em uma briga. – James afirmou.

Vendo Klaus se aproximando, Edward preparou um aperto de mão, o mesmo efetuou a cordialidade.

– É um prazer estar em sua presença. – Klaus afirmou, abrindo um vago sorriso em meio a montanha de seriedade que era seu ser.

– Como? – Edward questionou vagamente intrigado.

– Observando seu amigo elfo, presumo que você não sabe de sua fama. – O homem afirmou de uma forma pensativa e vaga.

– Sobre o que seria essa “fama”? – Voltten perguntou de forma introvertida.

– Ora, acho que seria óbvio. – Ele comentou de forma cordial. – Você matou um dos Destruidores do Deserto, isso ecoou por toda a região. Se posso opinar, devo dizer que seu uso de magias é incrível.

– Então você sabe muito sobre nós... – Varis murmurou de forma receosa.

– Eu apenas sei que vocês foram condenados a morte, inclusive se procurar devo ter os cartazes de todos vocês, com a exceção dos dois que invadiram o coliseu. – Rapidamente, todos ficaram receosos, Klaus percebeu o receio. – Sim, eu sei os detalhes em parte.

– Isso parece interessante, mas gostaríamos que compartilhasse suas histórias também, já que você parece estar entretido com as nossas. – Edward sugeriu simploriamente, apenas com seu carisma básico que estava arranhado, mas continuava funcional.

– Hum, as histórias que eu tenho são inúteis e fracas, apenas contos de um mero caçador de um clã desconhecido. – O homem falou de forma meio auto depressiva. – Pelo menos, por enquanto.

– Hum, caçadores? – James ergueu os olhos de forma curiosa e intrigada.

– Todos temos algo que seja interessante para compartilhar. – Edward olhou para seu cavalo parado no caminho, logo deduzindo que ele também era um viajante. – Diga-nos, para onde está vagando?

– Hum, horas... – Klaus afirmou de forma irônica, quase que cômica. – Ao torneio da princesa da Cidade C. Matheus Freitas: Mas que safado...

– Como!? – Todos questionaram em sintonia.

– Hum... – Aquiles murmurou vagamente. – Já é de manhã?


Nota do autor: Olá, eu sou o escritor Tisso e queria pedir desculpas pela postagem não ter sido feita no dia correto (24/12/2020), mas o meu editor de capítulos (ferramenta que põe eles no ar) acabou bugando. Esse capitulo está sendo postado pelo Matheus, meu revisor e escritor de SZPS, então se possível agradeçam a ele.

Por Matheus Freitas (Leia SZPS) | 29/12/20 às 19:37 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia