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Capítulo 91 - Teorias Universais Interpretadas por um Receptor Ajustável

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 91 - Teorias Universais Interpretadas por um Receptor Ajustável

Autor: Tisso | Revisão: Alluna Idle

– Oh, você é realmente amigo do Punho de Fogo. – Io afirmou, pulando da mão de Vector em direção a Edward.

– Com qual facilidade vocês tem em fazer amizade com gente estranha? – Faufautua murmurou, surpresa ao ver o golem de pedra pacificamente arrumado do lado de James.

– Uma facilidade considerável. – Voltten comentou, saindo de trás da semideusa, também estranhando a situação.

– Aliás, onde estão os outros? – James questionou.

– Aquiles e Glans foram dar uma última checada na casa de leilões para hoje à noite, e Pulu foi junto, já Varis quis voltar a vasculhar pelos telhados. – Faufautua respondeu rapidamente. – Aliás, quantos pontos seu amigão aí conseguiu? – ela virou-se para a gnomo que estava cumprimentando o paladino.

– Hum? – Io questionou rapidamente enquanto se virava para a mulher de cores vermelhas vibrantes. – Conseguimos três máximas e uma zero.

– Setecentos e cinquenta, muito provável que vocês entrem... – Edward murmurou, pensativo.

– Aliás, vocês ficaram de anotar as pessoas em destaque, alguém importante? – James perguntou, se direcionando à Faufautua e Voltten.

– Tentar prever com quem você vai lutar por meio de suposições não seria covardia? – Io questionou, um pouco intrigada.

– Abusar das fraquezas de seu inimigo de forma ofensiva e imoral não é covardia... – Faufautua afirmou enquanto Voltten entregava um caderno de anotações para James. – Isso que chamamos de estratégia!

– Pelo visto não tinham muitos paladinos em seus reinos. – Edward murmurou.

– Paladinos são muito superestimados. – refutou ela.

– São poucas anotações... – James afirmou.

– Sim, apesar de reunir todos os tipos de pessoas e raças, esse lugar não teve muitos destaques. – Voltten afirmou, dando de ombros.

– Ou talvez nós sejamos fortes demais para os padrões locais. – Edward comentou. – Digo, nós fomos os únicos que se destacaram igualmente fora esse gigante e Klaus.

– Golem. – Io corrigiu. – Vector é um golem de pedra feito por meio de joias mágicas caídas.

– Joias mágicas?! – Faufautua imediatamente gritou em espanto. – Como você conseguiu isso?

– Hum?

– Para que tanta euforia, não é só magia normal? – James questionou, intrigado com o susto da semideusa.

– Joias mágicas normais são só pedras envoltas de magia, mas esse tipo qualquer mago sentiria quando próximo. – Afirmou de forma trêmula, apontando para o buraco na cabeça do golem. – A joia mágica desse golem não é detectável normalmente, assim como meus selos.

– Então você quer dizer que a joia do golem é parte de um Deus? – Voltten questionou, abismado.

– Exatamente... – ela respondeu, espantada. – Não sei se uma porcentagem grande, mas o que move esse golem é literalmente uma energia divina proveniente do roubo ou morte da alma de um Deus.

Todos olharam um tanto quanto chocados para Io. Edward quebrou o silêncio depois de alguns minutos.

– Onde exatamente você conseguiu essa energia? – ele questionou.

– Bem, é um tesouro de família... – afirmou, envergonhada. – Meu pai me deu há alguns anos quando ele morreu. Ele falou em um homem a falar com a natureza como se ela fosse sua amiga. Na época ainda haviam alguns Deuses e trabalhávamos como agricultores. – ela tentou mostrar alguns desenhos da região que possuía em sua mochila. – Usávamos da magia para cultivar melhor as plantações, quando o Deus que usávamos a magia morreu o homem surgiu com um saco dessas pedras.

– Suspeito... Sabe dizer como ele era? – Faufautua questionou, intrigada.

– Eu era criança na época, só lembro que ele era meio cabeludo. – Io respondeu, meio sem jeito. – Ele nos disse que as próprias plantas nos escolheram para usar dessa pedra mágica, ele até nos deu um manual de como usá-la com perfeição.

– E como ela foi parar na cabeça de um golem? – Voltten questionou, indo direto ao ponto.

– Bem, como éramos os únicos a cultivar com tamanha perfeição, realizavam ataques contra nós, até que chegou um ponto que meus pais, no final da vida, apenas me deram a pedra e falaram para eu achar uma vida digna, porque não estávamos tendo paz com os ataques. Com o manual eu fiz o Vector e aqui estamos.

– Gnomos não precisam consumir tanto e golem apenas “vive”. – Faufautua comenta. – Perfeito para mochileiros!

Io apenas riu de leve.

– Aliás James, queria discutir uma coisa com você e Edward o mais rápido possível. – Voltten tomou a atenção da conversa por alguns instantes. – Eu passei o escrito para o Varis e já conferi com Glans, muito provavelmente Aquiles já saiba também.

Os dois ficaram sérios.

– Certo. – Eles afirmaram simultaneamente.

– Bom, tem planos para agora? – Faufautua questionou.

– Eu planejava pegar um dos cavalos da carroça e ir pros arredores tentar ver uma coisa. – James falou.

– Eu tenho que pôr a cabeça no lugar. – Voltten afirmou, um pouco nervoso. – Eu vou voltar ao hotel.

– Edward e... Gnoma, vão fazer algo? – Faufautua questionou.

– Ei, meu nome é Io! – a gnoma reclamou.

– Para falar a verdade eu não tenho muito uma ideia do que fazer, se tivesse uma área de treino acharia bom por receio...

– Você matou um gigante com um soco. – Io interrompeu. – Por que está com receio?

– Não é tão simples quanto parece. – Edward respondeu, de forma modesta.

– Eu tenho selos de treino físico, é algo que tenta simular um combate. – Faufautua afirmou rapidamente. – Se quiser tentar...

– Não parece uma má ideia... – Edward pensou rapidamente. – Em parte eu estaria apenas usando de esforços mágicos para aumentar minhas capacidades de uma forma mais honesta.

– Cara... – Faufautua afirmava enquanto andava rumo a sua ferraria. – Você é muito fresco.

– Gostei dela. – Io afirmou, sorrindo levemente. – Acho que os selos não servem pra golens, então até outro dia. – Falou, se virando para Vector e de imediato ficando sem jeito, voltando a se virar para Edward. – Ei, você pode fazer um favor...

O arqueiro galopava em meio as florestas próximas da cidade Cidade C, seu padrão era entender na pratica o que ele não entendera na teoria. Os livros que Phineas lhe deu eram algo muito além do que ele já estudara, isso tudo sem contar a existência do Ajuste que expandia aquilo em uma imensidão de ideias.

A primeira regra que ele entendeu foi a gravidade planetária. Já era de seu conhecimento o conceito de gravidade, uma força natural que empurrava tudo para baixo em uma escala especifica, mas ele nunca soube ao certo qual era essa escala e termo deveria utilizar para se referir ao fenômeno.

Bem, nos livros ele entendera, nove vírgula oitocentos e sete metros por segundos ao quadrado. Logo em seguida, como um guia planejado – ou previsto – por Phineas, havia uma marcação sobre uma tal de inercia, uma propriedade geral da matéria.

 Considerando um corpo não submetido a um conjunto de forças nulas, esse corpo não possui velocidade.

Porém o contrário era visto em suas mãos com frequência, as flechas, que seriam os corpos em repouso, eram arremessadas com a força da corda do arco a uma velocidade especifica e, obedecendo a lei da gravidade somadas com a lei da inercia, ela iria cair em algum momento.

– Isso é estupido! – afirmou o arqueiro, quando realizara o primeiro tiro com seu arco, tudo isso enquanto listava todas as etapas em sua mente.

Para ele aquilo não passava de uma besteira, afinal, ele já sabia o quão longe poderia acertar e quando sua flecha iria cair a um nível que os cálculos saiam feitos em segundos perante cada um de seus tiros.

Com uma leve frustração ele guardou os livros e galopou com o cavalo novamente, mirando em uma arvore qualquer, mas dessa vez com o uso do Ajuste, o que lhe teleportou para a “dimensão” teórica que o mesmo já visitou.

As árvores estavam estranhas e a visão em movimento lhe dava uma vaga náusea, mas o mesmo se forçava àquilo, afinal, deveria aprender o mais rápido possível porque muito provavelmente aquilo lhe ajudaria no torneio.

Foi quando ele armou a flecha que sua mente expandiu pela primeira vez. Era como uma seta feita de pura luz tivesse se manifestado no formato de um desenho guia, junto dela, várias outras se manifestaram, sempre apontando para a direção que o vento fluía.

Quando ele olhou para o chão, viu algo semelhante a bobinas sobrepondo o enrijecer dos músculos do cavalo junto com linhas, aparentemente feitas de giz, a serem desenhadas de dez em dez centímetros e, logo após, apagadas.

Com um puxar rápido ele parou o cavalo. Ofegante, sua visão voltava ao normal lentamente. James encarrou o Ajuste, não querendo entrar naquele mundo de novo, mas sim o vislumbrando.

– “Conhecimento é poder...” – O arqueiro recitou uma das primeiras frases da contracapa dos livros de Phineas. – Mas essa esfera, ela é algo além da magia, essas desgraças visuais que eu não via antes, vendo agora...

Não precisava muitos minutos de reflexão para que James entendesse.

O que estava sendo representado pela ferramenta era o guia para todos os seus movimentos, sejam essas variáveis visíveis metros por segundo, força aplicada em um corpo em movimento, direção do vento, noção de distância...

Trêmulo em suas mãos, o objeto fora interpretado completamente, um acessório peculiar nomeado, de modo simplório, de “Ajuste”, essa era a chave para realizar um tiro perfeito.

Rapidamente o arqueiro pegou os livros e os folheou, buscando mais partes marcadas, até que chegou na que sentiu ser a principal, tanto pela sua grandeza em conteúdos quantos pelos avisos de Phineas dizendo que aquilo seria importante.

Efeito Magnus... a capacidade de mudar a direção de um projétil em pleno ar. – James lia aquilo não entendo inicialmente como algo assim poderia ser feito. Logo descendo do cavalo próximo a uma árvore caída para ler melhor.

O Efeito de Magnus, o nome dado por um físico de mesmo nome, ele se trata de um fenômeno pelo qual a rotação de um objeto altera sua trajetória em um fluido, seja ele liquido ou gasoso. Esse fenômeno pode ser observado tanto em um chute de uma bola de futebol quanto no atirar de um projétil.

Claro que o fenômeno possui um efeito maior em objetos parecidos com esferas, mas pode ocorrer com balas de armas de fogo – sendo constantemente um fator influente para franco-atiradores – e em flechas – com uma necessidade maior dos efeitos que sucediam o Efeito de Maguns.

As regras não ditas sobre o universo, detalhes e mais detalhes matemáticos resumidos em frases em livros, desde os princípios físicos aos efeitos que mudavam o rumo do mundo. Esse era o real conhecimento que James tanto procurou por sua vida isolada, era surreal para ele ter aquilo em mãos.

Quando ele pegou o arco para usar de novo o Ajuste, as coisas estavam diferentes e mais complexas, as linhas, mais presentes em diversos lugares e com mais medidas alheias.

Quando o mesmo pegou uma pedra banal no chão, sua mão fez uma métrica da distância entre a mão e o chão junto de uma contagem que tentava se aproximar do peso da pedra, James a jogou e viu seus aros de trajetória, tanto no arremesso quanto no quicar da pedra, após isso as marcas ficaram como pontos luminosos no chão acompanhados de uma série de números que demarcavam os metros de distância entre eles.

James pegou o livro principal que possuía e pulou para a página final, onde deparou-se lentamente com uma página cheia de cálculos e variáveis, mas sem perceber, sua mente já os resolvia sem nenhuma dificuldade.

Traçando por cima dela em uma página em branco, ele chegou a uma sequência de códigos referentes à páginas, linhas, parágrafos e a palavras em último caso.

Quando ele entendeu como decodificar, passou a próxima hora a formar a frase.

O universo possui três períodos, passado, presente e futuro. O passado é destruído ao passar de uma quantidade ínfima de tempo do presente, o mesmo assim como futuro, ambos são frutos da existência em massa da vida universal. Logo a Morte controla tudo que já existiu e a Vida o que existe e vai existir.James sussurrava delírios de felicidade, e enquanto lia, a frase formada era entendida pelo mesmo. – No futuro, existe a capacidade perfeita da realização de um feito, um ataque em que o realizador está completamente em sintonia com o universo. O efeito teoricamente teria o mesmo poder que um milagre divino, porém, podia ser feito de forma natural e por qualquer um que se adequasse totalmente ao universo. Sua forma é desconhecida, interpretada de várias formas, mas sempre associadas a uma quebra na nossa realidade vinda de algum meio.

James, ao finalizar, refletira perante aquilo, sem entender o que seria “se adequar completamente ao universo”, mas se era um poder tão forte quanto os lendários milagres divinos que já ouvira em contos.

Logo a carta de número vinte e um viria à tona, a carta capaz de subjugar A Morte, O Julgamento, O mal, O sol, A lua e todas as vinte outras cartas; O mundo. O terminar perfeito de um ciclo, o ponto máximo de uma existência, a arcana que nenhuma pessoa possuía.

Apenas esse relance de memória já lhe espantou por completo.

Agora seu objetivo permanecia em compreender completamente o tal Efeito de Maguns, tanto teoricamente quanto em pratica. Após aquilo testar a teoria do que seria a “perfeição”, era algo a se pensar.

Por Tisso | 29/01/21 às 14:37 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia