CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 92 - Façam seus Lances para um Sistema Totalmente Indutivo

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 92 - Façam seus Lances para um Sistema Totalmente Indutivo

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

-- Não seria melhor gastarmos um pouco de dinheiro em roupas minimamente comuns da classe alta? – Aquiles questionou, seguindo o ladino que recém havia saído do hotel.

-- Não. – Ele respondeu rapidamente. – Primeiro que ia ser desperdício; segundo que não vendem roupas do tamanho do Glans; e por último, elas são desconfortáveis.

-- Parecer alguém que literalmente se veste como um bandido ao lado de um fisiculturista e um draconato não vai ser a melhor combinação. – Aquiles retrucou.

-- Quer que eu entregue meu manto para o Glans prender como capa igual aquele grandão que o James seguiu? – Varis se virou apontando de forma para o cavaleiro seguido do draconato.

-- Capa só cobrir as costas de Glans. – O mesmo comentou, seguindo o amigo casualmente.

-- E mesmo assim, seria a maior quantidade de roupa que você usou desde que nos conhecemos. – Aquiles ironizou enquanto olhava para o saco de moedas em suas mãos. – Quer saber, que seja.

-- Mantenha o ouro sob proteção, o pai aqui sabe como apostar, só apontar que eu faço o serviço. – Varis se gabou enquanto andava confiante pela rua noturna bem movimentada e iluminada.

-- Já participar de leilões? – Glans questionou curioso.

-- Alguns eu participei comprando. – Ele falou de forma direta. – Mas a maioria foi fraudando os produtos. Matheus Freitas: Cadê a Polícia Federal quando se precisa dela...

-- Porque eu não estou surpreso? – Aquiles ironizou rapidamente. Matheus Freitas: Eu ficaria ainda mais surpreso se ele participasse de leilões como gente. ‘-‘

-- Para o seu governo, falsificar peças de arte me deu a incrível habilidade de conseguir usar as duas mãos para empunhar qualquer arma menor.

-- Um ambidestro então?

-- “Ambidestro”? – Glans questionou rapidamente.

-- São pessoas que conseguem escrever com as duas mãos. – Aquiles explicou rapidamente.

-- Aliás, agora me veio a questão. – Varis apontou rapidamente. – Glans sabe escrever.

-- Apenas na linguagem do povo de Glans. – Glans respondeu de forma direta. – É linguagem própria nossa.

-- Bem, acho que falando já está bom. – Varis comentou rapidamente. – Se lhe perguntarem alguma coisa, responda com “fale com os meus sócios”, caso não estejamos perto, “fale com meus punhos”. Matheus Freitas: A boa e velha diplomacia.

-- Ei, não estamos aqui para comprar briga. – Aquiles cortou rapidamente.

-- Você deve acordar todos os dias preparado para matar no mínimo dez pessoas. – Varis ironizou.

-- Mantras dos assassinos ser estranhas. – Glans comentou pensativo.

-- Não é um mantra, é uma regra da vida. – O ladino seguiu o caminho pensativo. – Junto disso, você tem que comer o máximo possível quando conseguir, andar sempre com as mãos na posição favorável do saque e abusar das fraquezas dos seus inimigos.

-- Por mais estranho que isso pareça, eu devo admitir que isso são técnicas de combates boas para um exército. – Aquiles admitiu pensativo e intrigado.

-- Confiem em mim, eu vou saber como negociar.

Os dois se aquietaram e seguiram rumo a casa de leilões.

O lugar estava vibrando de brilhos diversos das joias e materiais de luxo de seus participantes. Se fossem comparar, de cinco pessoas do local, uma era um soldado ou aventureiro modesto. O resto eram nobres senhores feudais – alguns de terras até mais distante do que as dos três – e colecionadores.

Por incrível que pareça, o lugar estava mais organizado do que eles esperavam, ambos conseguiram passar na entrada e se infiltrar na massa de pessoas – claro que pagando a taxa de entrada.

-- Aquiles, Você trouxe o caderno, não é? – Varis sussurrou rapidamente para o amigo.

-- Ha! – Abrindo rapidamente o saco de dinheiro, ele tirou o pequeno livreto e entregou para Varis. – O lugar que não iriamos esquecer.

-- Boa. – Glans comentou.

-- Ok, marcamos as armas que Glans poderia usar... – Aquiles apontou enquanto Varis folheava o caderno. – Acha que consegue.

-- Vamos ver.

Item número um: O Gigante Condenado.

Um machado forjado por gigantes e transportado de terras distantes, ele possui um punhal detalhado envolto de diversos ornamentos e faixas originais. Como maior detalhe, além de seu tamanho, o machado possui sua única face uma mistura de metais que dão a ele a cor gélida e a temperatura fria natural.

Item número dois: Dàlàmh Claymore.

Como uma variação da arma importada de terras da Inglaterra, essa arma possui uma base para segurar mais grossa e uma lamina de quase dois metros. Tão dura quanto pesada, ela é uma iguaria nessas terras.

Item número três: Deluxe Zweihänder.

Trazida das terras de um centro metalúrgico mágico da Inglaterra, essa Zweihänder é reluzente com sua lamina prateada e suga a glória rival com seu metal negro que a constitui.

Item número quatro: uma Nagita original.

Um item feito para os soldados próximos do imperador Kitsun, ela possui cinquenta anos e está quase intacta. O mesmo modelo já foi usado pelos soldados de Ortren.

Item número cinco: uma Dang original.

Um item feito para os soldados próximos do imperador Kitsun, ela possui cinquenta anos e está quase intacta. O mesmo modelo já foi usado pelos soldados de Ortren.

Item número cinco: uma Qiang original.

Um item feito para os soldados próximos do imperador Kitsun, ela possui cinquenta anos e está quase intacta. O mesmo modelo já foi usado pelos soldados de Ortren.

Após perceber a quantidade de itens de Ortren com quase que a exata descrição, Varis pulou todos por achar que eram quase a mesma coisa.

Item número doze: Bloody Club.

Um porrete que foi usado por demônio exorcizado e que foi trazido ilegalmente de Camelot. Como as terras arthurianas não ligam mais para a arma e ela não possui mais as propriedades mágicas, ela, além de uma arma feita com o propósito de matar, é uma relíquia demoníaca.

Item número doze: Viking Evig Axe.

Um machado feito de uma pedra bruta, tão forte quanto minérios locais, feito especialmente em fornalhas anãs do outro lado do mundo como uma serie única de armas dessa pedra única chamada de Lonsdaleíta. Ele possui uma lâmina única apenas, com um forte espinho na contra lâmina.

E a lista de itens marcados havia acabado com uma estrelinha desenhada no último item. Varis olhou para o preço base de cada um, já imaginando o quanto iria gastar.

O preço base dos marcados pelos amigos iam de três mil nos iniciais, chegando a vinte mil no machado que, supostamente, era o item favorito dos dois.

-- Então, o que acha? – Aquiles perguntou receoso junto de Glans.

-- Vocês querem um machado de trinta mil...

-- Não, é vinte e cinco...

-- O primeiro lance vai transformar esses vinte e cinco em trinta. – Varis disse enquanto folheava os últimos itens. – Eu chuto que vai chegar nos máximos de cinquenta e cinco, temos setenta mil...

-- O que você está vendo além dos itens que marcamos? – Glans questionou intrigado.

-- Estou vendo o que eu vou pegar.

-- Ei, a gente veio aqui só pra pegar uma arma pro Glans. – Aquiles cortou levemente irritado.

-- Vocês vieram aqui para isso, eu vim aqui para garantir o item de vocês e o meu... – Ele sorriu e ignorou os dois. – Caramba, essa casa tem itens bons até, mas são tantas coisas inúteis. Parece que eles colocam condução de magia e vendem a preço de um item útil.

-- Realmente...

-- Bem, eu tenho uma ideia do que pagar por cada um, vocês não vão ser extorquidos por serem novatos em um leilão. – Varis afirmou, fechando o caderno de itens. – Confiam em mim?

-- Por que dizer que eu confio em você é algo que me traz receio?

-- Glans confiar. – O draconato cortou o clima dos dois.

Aquiles trocou olhares com Glans rapidamente, logo ele cedeu a ação do amigo.

-- Vamos... – Aquiles afirmou de forma avoada enquanto seguia a onda do ladino.

As portas foram abertas para um salão de cadeiras imensas, todas em uma ladeira em frente a um palco, tal como um teatro. Cada um de lá foi registrado e lhes foi entregue uma placa de número representante – sendo o número dos três amigos o número dezoito.

Sentados em uma cadeira próxima ao palco escondido pelas cortinas, os três amigos se acomodam e foram servidos com uma bebida fina e mais alguns pequenos detalhes que justificassem o preço do ingresso, que era para estar naquele lugar que eles comprariam mais coisa.

-- Certo, vai funcionar assim, eu vou ficar lendo o catalogo e você Aquiles levanta a placa junto de um grito. – Varis bateu no peito de Glans rapidamente. – Quando alguém subir o preço, você olha de forma ameaçadora pra ele Glans.

-- Ei, sem comprar...

-- Sem cara feia, sem arma não! – Varis gritou bem perto do ouvido de Aquiles, só para causar mais raiva no companheiro que ficou desnorteado momentaneamente. – Muito bem, dadas as funções, quais as armas têm preferência entre as de preferência?

-- Hum? – Aquiles e Glans murmuram curiosos.

-- Vocês marcaram doze itens e boa parte deles são armas de Ortren com a mesma descrição e que eu não conheço exatamente todas, mas chuto que são parecidas com lanças. – Varis afirmou, folheando o livro rapidamente. – Qual os itens favoritos entre esses doze.

-- Bem... – Aquiles tentou processar uma resposta.

-- Machado, machado, espada bonita. – Glans interrompe indicando as preferencias para Varis.

-- Certo, esses seriam O Gigante Condenado, Deluxe Zweihänder, Viking Evig Axe?

-- Ser.

-- Certo, eu consigo me planejar em uns dez minutos. – Varis pegou o início do livro de anúncios e ficou vendo os itens do começo do leilão. – Eles pegaram coisas que eu classificaria como de médio interesse para manter as pessoas entretidas, logo, para preencher conteúdo, eles entupiram de itens controversos de baixo interesse para médio baixo, obrigando as pessoas que se interessam pelos itens maiores e de grande interesse ficarem até o final. – Varis comentou, mostrando o raciocínio básico daquele local. – As pessoas que ficam olhando bastante tipo para esses itens porcarias começaram a ficar interessados em alguma coisa melhor que surgir, os fazendo gastar mais dinheiro com coisas que não querem.

Quando Varis se virou para Glans e Aquiles, os dois estavam tão confusos e sem palavras com todas as afirmações feitas pelo ladino. Suas caras eram as mais sem reação possível enquanto Varis franzia o rosto decepcionado.

-- Sim. – Os dois afirmaram sem reação.

-- Certo... – Varis murmurou. – Só sigam o plano.

As cornetas começaram a vibrar e as cortinas a tremer, logo o auditório foi aberto com um anão bem vestido de cartola e bengala com uma joia em sua ponta, ele usava a mesma para apontar para todos os lados e apresentar os produtos.

Em meio a itens curiosos como as próprias armaduras que Varis e Aquiles haviam vendido, ou pilhas e pilhas de metais e materiais raros, as primeiras armas começaram a aparecer. Varis conhecia a estratégia mais banal dos leilões para não cair na armadilha, a “armadilha da fama”.

Quando um artista fica famoso, até mesmo a mais porca de suas obras se tornam itens de coleção, isso era o caso de inúmeras armas que só tinham como descrição o nome da pessoa que a fez – algumas sendo visivelmente feitas de materiais fracos e com uma estrutura precária.

Foi depois de um bom tempo que as armas que os dois listaram começaram a aparecer, logo a participação de Varis veio à tona. Cada item era anunciado inicialmente com um valor mínimo, mas não tinha um valor máximo, essa variável seria definida pelos lances dados pelos participantes do leilão.

Varis possuía a função de indicar o preço máximo do produto e evitar que Aquiles e Glans fossem iludidos pelas próprias ambições.

Porém, junto disso, o ladino somou suas próprias ambições e as preferências do draconato. Uma variável de cálculos que se modificavam toda hora em sua mente ordenou Aquiles e Glans que, mesmo receosos, confiaram nas palavras de Varis.

De fato, os itens iniciais que os dois queriam comprar passaram muito da faixa de preço, chegando a trinta e cinco mil com lances avulsos. Quando os itens de baixo e médio baixo interesse surgiram, foi um momento de mediocridade tamanha, os aventureiros, que apenas idolatravam o nome de Ortren, deram mais lances absurdos para aquelas armas tão banais que só possuíam renome de um país.

Aquiles pensou em puxar conversa com Varis, já que todos os itens estavam sumindo e a lista de preferência de Glans prestes a acabar, mas o Ladino não estava dando atenção, ele estava tão frio e calculista quanto nunca esteve, não suava ou fazia barulho ao respirar, mas a tenção que o rodeava era tão sensível que ninguém poderia negar isso.

Quando a Bloody Club surgiu, o combate de lances começou entre o grupo dos três amigos e alguém que parecia ser um rico senhor. Infelizmente, eles perderam o confronto.

A raiva começou a tomar Varis, mas o momento chegou minutos após aquilo.

-- Muito bem, temos aqui o Viking Evig Axe. – o apresentador deu espaço para que dois anões trouxessem a arma em um mostruário de luxo. – Essa que é uma arma feita de uma pedra quase única e...

Sem perceber, Aquiles teve sua placa roubada pelo ladino que levantou da cadeira com o intuito de chamar a atenção de todos no local.

-- Trinta e dois mil! – Ele gritou com fúria nos olhos, apesar da frieza em suas ações.

-- Senhor nós nem ao menos...

-- O valor mínimo desse item é trinta mil, certo? – Ele perguntou de uma forma que seus olhos negros e vermelhos penetrassem nos do apresentador, derrubado momentaneamente em seus argumentos.

-- Sim, mas...

-- Trinta e dois mil e quinhentos! – Varis gritou de forma violenta.

-- Trinta e três mil! – um outro comprador gritou.

-- Trinta e três e quinhentos! – outro aumentou o preço.

-- Trinta e quatro!

-- Trinta e quatro e duzentos!

-- Trinta e quatro e quinhentos!

-- Trinta e quarto e setecentos!

Varis riu para si mesmo enquanto ouvia todas aquelas pessoas brigando.

-- Vamos acabar com esse maldito fogo de palha... – O ladino falou baixinho antes de gritar. – Quarenta mil!

Todos se calaram e em seguida os sussurros começaram com o quão alto era aquele preço. Apenas os mais burgueses e colecionadores conseguiam vencê-lo, porém nenhum deles teria tal interesse em possuir um machado tão antiquado como aquele, mesmo que ele fosse uma arma supostamente espetacular, não possuía peso histórico, apenas existencial.

O grupo conseguiu o machado sem muita dificuldade.

-- Ainda temos trinta mil, vamos ver... – Varis se acomodou e folheou os itens finais do catálogo.

-- Nossa, você realmente conseguiu. – Aquiles afirmou impressionado.

-- Claro que eu consegui, esperava o que? – Varis respondeu de forma neutra. – Oh, isso parece legal.

-- Hum? – Glans e Aquiles se viram para ver qual dos itens interessara o ladino.

-- “Fool Stick”? – Aquiles comentou rapidamente. – Você quer um truão de bobo da corte?

-- Esse é maneiro, olha. – Varis apontou o desenho de referência que havia no catálogo. – Xadrez, adornos legais na ponta.

O Truão, além de ser uma outra forma de se referirem a bobos da corte, é o nome da ferramenta usada pelos mesmos. No caso, um bastão colorido usado para malabares.

-- Eu gostei dele, parece ser uma coisa legal de se ter, fora que custa apenas quinze mil. – Varis fez mentalmente a conta do dinheiro restante. – Temos trinta mil, beleza.

-- Bem, pelo menos nós conseguimos o machado. – Aquiles afirmou suspirando com o sentimento de serviço feito.

-- De acordo. – Glans assentiu em mesmo tom.

Os dois se olharam e realizaram um cumprimento com os punhos de forma satisfatória como prova de sua vitória.

Por Tisso | 02/02/21 às 20:52 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia