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Capítulo 93 - Uma Conversa Amigável e Nada Pressionada

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 93 - Uma Conversa Amigável e Nada Pressionada

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

– Será que isso tem utilidade? – Varis se perguntou enquanto tateava e vislumbrava o truão que comprou no final da noite de leilões.

– Você comprou uma coisa que nem ao menos sabe o que faz? – Aquiles olhou com decepção.

– É claro que eu sei, ele conduz magia. – Retrucou, tirando a visão do item. – Agora, como eu faço para isso acontecer é a dificuldade.

– Para treinar magia, você vai precisar de no mínimo uns cinco anos. – Comentou estressado. – No seu caso, eu daria uns sete, ou isso ou um milagre ou um período grande de treino.

– Eu consigo aprender até o dia da luta no torneio?

– Por que está perguntando isso? É praticamente impossível e você sabe disso.

– Não é provável. – Varis contrapôs. – Aliás, eu esqueci de te falar uma coisa.

– Hum?

– Todo mundo está te esperando na pousada porque o Voltten descobriu que quando um escolhido morre, os outros ganham o poder dele, assim sucessivamente até Tac Nyan reencarnar totalmente. – Varis guardou o truão na mochila. – Eu não posso dizer, mas chuto que o Edward vai estar meio irritado com o fato de a filha dele ser um dos escolhidos. E com os demônios supostamente querendo matar todos para pegar a reencarnação completa e conosco fazendo o trabalho de recolhê-los para eles...

O ladino foi parado pelo cavaleiro, que não só o pegou pelo ombro, como também o imobilizou pelo pescoço, enquanto o levava ao encontro a parede mais próximas.

– Como vocês ficaram sabendo disso!? – Ele perguntou com fúria no olhar enquanto encarava o ladino.

– Faufautua contou como os sistemas de deuses, reencarnações de semideuses funcionava. Ele fez a relação e me passou por escrito. – Varis falou, pegando no braço exposto de Aquiles. – Ele também queria falar com Edward e James em particular antes de falar para você, porque achava que toda a equipe precisava saber.

Em um movimento rápido, Varis tateou o braço do cavaleiro e pressionou um ponto que fez um choque nervoso no membro de Aquiles. Com isso, ele soltou Varis institivamente, o mesmo deu alguns passos para o lado.

– E o Glans, ele sabia disso? – Aquiles perguntou, se virando para o amigo que carregava o machado como se ele fosse um escudo ao mesmo tempo que desviava o olhar.

– Glans sabia que não era bom falar sobre... – Ele falou sem jeito.

– Deixa o cara, deve ter sido difícil para ele. – Comentou de relance.

– Você planejava me contar isso antes de chegarmos ou alguém te pediu para isso? – Aquiles olhou para Varis, que estava se recompondo.

– Essa informação não vai ser muito importante, eu acho. Era eu falar agora ou eles lhe falarem depois. – O ladino riu um pouco. – Chuto que ter falado isso antecipadamente torna as coisas mais fáceis.

– Quer perguntar alguma coisa em particular, já que estamos aqui?

Varis olhou em volta, as casas e bares encerrando suas atividades, as luzes apagando e as pessoas cada vez mais raras.

– Sinceramente, eu já esperava que eles iriam pirar quando conhecesse a real forma de Tac Nyan reencarnar. Trabalhar com o sobrenatural me marcou algumas informações. – Varis afirmou isso cheio de si, enquanto voltava a caminhar para a pousada que estava todo o grupo. – Mas estou curioso sobre seus comentários sobre.

– Vamos... – Aquiles acenou para Glans.

O caminho silencioso terminou quando eles entraram na pousada, Varis abriu as portas e Glans, sem a intenção, bloqueou o caminho de saída. Quando entrou no quarto, ele viu o círculo se formando no meio do quarto médio que eles haviam alugado.

Edward era o foco, querendo ou não, sua armadura refletia a luz local e sua posição sentada aos pés da cama central com o rosto apoiado em sua espada do lado de seu escudo chamava todos os olhares, isso se somava a sua face séria e quieta, apenas a esperava um momento para atacar com algum contra-argumento.

Voltten, como quem causou tudo aquilo, estava nervoso, olhando para todos os cantos possíveis. Sentado em sua cadeira e sem nenhum adereço além de suas roupas e seu manto branco, que tentava se esconder. Sentado à esquerda de Edward, ele tentava manter a postura.

À direita, escondido nas sombras, James os observava em uma cadeira virada ao contrário, com os braços cruzados bloqueando parte de sua face.

Varis rapidamente se pôs ao lado da porta, se escorando na parede apenas esperando a corte prosseguir. Varis rapidamente puxou uma cadeira de forma malabarista e olha suavemente para Aquiles.

– É melhor você se sentar. – o ladino comentou com um sorriso brilhante, como se estivesse prestes a assistir o show mais interessante do mundo. O cavaleiro concordou e ficou encarando o ladino e o mago, em especial.

Glans ficou indiferente, apenas querendo ver o que iria acontecer. Ele sentou-se numa cama sem dizer uma palavra ou mudar a expressão neutra em nenhum momento.

Os três ficaram se encarando até que Aquiles tomou a iniciativa.

– Então... – Aquiles tossiu um pouco.

– Então? – Edward comentou em seguida, não possuía raiva em sua fala, apenas frieza.

Voltten começou a tremer e grunhir mais e mais com o tempo de tão nervoso que estava.

– Só... fale que você tem um plano... – ele murmurou encarando seus joelhos. – Estamos apenas reunindo eles para ambos sermos abatidos?

O silêncio foi instaurado novamente, enquanto os três voltaram a se encarar. Aquiles e Varis observavam aquilo aguardando seu declínio, enquanto Glans não tinha intenção de fazer nada.

– Vocês conhecem a “Lua de Sangue? ”. – Aquiles perguntou de forma tão fria quanto Edward.

– Hum? – Edward murmurou intrigado.

– É um evento também chamado de “Período Fértil Demoníaco”. Basicamente, é um evento que ocorre com intervalos médios em escalas anuais. Nele, os demônios focam em conseguir alimento e energia para que, depois de mais um ano, os demônios derem à luz a mais e mais demônios. – James afirmou de forma direta, chamando a atenção de todos. – Em resumo é um período em que todos os demônios ficam grávidos e têm filhos, tudo em uma data específica. O período de parto dura em torno de nove a doze meses aproximadamente.

– Suas afirmações estão quase totalmente corretas, só não posso corrigir os detalhes porque não lembro eles de cabeça. – Aquiles afirmou rapidamente. – Basicamente, entramos em período de Lua de Sangue ano passado, nesse exato momento, os demônios estão em período de gravidez. Talvez isso justifique o fato deles não atacarem a gente com frequência, mas isso é detalhe.

– Quando esse período acaba? – Edward questionou.

– Próximo ao final do ano, mas claro que não iriamos manter os seis no mesmo local só por isso.

– Hum? – Voltten murmurou tenso e intrigado.

– Estávamos com planejamentos para isso. – Aquiles comentou de forma serena. – Se as datas baterem, quando voltarmos eu e Glans vamos para Artit resolver os problemas e tratados referentes a sua tribo.

– Oh! – Glans finalmente se mexeu.

– Após isso, o plano seria levar pelo menos três dos seis para Monssolus em uma escolta com Parysas e Cérbero o mais rápido possível.

– E com relação a nós? – Varis questionou intrigado.

– Bem, é o fim da jornada, quando reunirmos os seis a missão acabou. – Aquiles afirmou de forma pensativa. – Não queria adiantar as surpresas, mas me disseram o que vai acontecer.

– Surpresas? – todos questionaram ao mesmo tempo.

– No caso de Glans ainda é uma incógnita devido aos tratados, mas vocês estarão livres no mundo novamente, Varis e James. – O espanto do elfo negro foi visível, apesar do mesmo tentar mascarar aquilo. – O mesmo vale para vocês, Edward e Voltten, mas todos vão ter um espaço no reino se trabalharem.

– Em resumo, eu ainda vou poder treinar com Parysas e viver no castelo com Crist? – O paladino perguntou.

– Eu queria evitar falar isso para você principalmente, sua própria filha corre o risco ser atacada e que a morte dela pode se tornar a reencarnação de seu Deus. – Aquiles comentou. – Ou pior, a existência prolongada dela condena a mesma a virar um Deus que será caçado pelos demônios.

– Existe uma forma de retirar a parte da reencarnação dela?

– Se soubéssemos, já teríamos feito.

– Entendo... – Edward murmurou com desgosto e rodeado de pensamentos negativos.

– Com licença. – Varis tomou a atenção, dando passos a frente e ficando próximo a James. – Eu tenho uma coisa pra anunciar e um pedido.

– Pedido? – Todos questionaram.

– Essa vida de castelos, elite e guardas amigos não é pra mim. Já estou discutindo com Sagita sobre isso com cartas e, já que vou ser supostamente liberado, eu quero falar que já estava planejando onde ir depois disso tudo. – Varis rapidamente virou para Voltten e o encarou de forma fixa. – Então acho melhor você adiantar um pouco os fatos.

Todos viraram para Voltten institivamente, com dúvida do que poderia envolver o elfo certinho e disposto do grupo.

– Do que você está falando? – Ele perguntou meio trêmulo e intrigado, abandonando a postura tensa devido as explicações de Aquiles.

– Não daquela coisa menor, da coisa que deveria acontecer antes da coisa menor. – Varis tentou falar em código para Voltten captar.

– “Aquela coisa” seria?

– Você sabe... – Varis enrolava enquanto mascarava o real assunto. – “Copulação”.

No exato final da frase James, Aquiles e Edward olham de forma estranhas para Varis enquanto Voltten entendia do que se tratava tudo.

– Que...? – James questionou confuso

– Você trouxe isso à tona... – Voltten murmurou de forma quieta. – Eu sei o que eu falei e dos seus planos, é justo eu tentar fazer isso rápido...

Todos voltaram a atenção para Voltten.

– Poderia ser um pouco direto? – Aquiles perguntou um pouco confuso.

– É que tipo, eu estava tendo uns casos e descasos, logo veio o pensamento em uns meses atrás e...

– Você pode ser mais direto? – Varis murmurou com um tapa moral.

Os dois ficaram se olhando por segundos, Varis não tinha más intenções, apenas queria resolver os problemas com os amigos antes de uma despedida geral. Voltten compreendeu isso.

– Eu planejo me casar. – Ele falou rapidamente, só isso foi o suficiente para desestabilizar todos no local, claro que excluindo Varis.

– Espera, o que!? – Edward deixou a espada e o escudo para se jogar na frente do elfo, ficando junto a Aquiles que fez o mesmo.

– É uma coisa meio complexa... – ele tentou se explicar enquanto Varis pegou a cadeira de Aquiles e se sentava igual a James que ficou só observando junto ao ladino.

– Espera, Sansa!? – Aquiles afirmou, questionando aproximando seu corpo ainda mais de Voltten.

– Pois é...

– Isso, isso é algo curioso. – Edward comentou, deixando a pose séria para algo mais inspirador com leves travadas. – Compreendo essa fase de sua vida, meus parabéns... eu acho...

– Obrigado...

– Aliás Aquiles, Sansa não é sua amiga de infância? – James questionou isso de forma pensativa.

– De onde você tirou isso? – Aquiles perguntou intrigado.

– Ela não é tipo uma “princesa” do país vizinho?

– Ela não tem relação com a realeza, mas eu nunca vi Sansa sequer como amiga na verdade. – Aquiles afirmou de forma irrelevante. – No máximo, eu já conversei sobre assuntos políticos algumas vezes, mas eu nem ligo para a existência dela quase... – Ele parou quando notou que suas palavras soavam de forma rude, ele se virou para voltem e completou. – Sem ofensa.

– Não é muito como se eu me ofendesse, é mais ela que se ofende. – Voltten comentou. – Aliás, já que estamos tendo todos esses contratempos, você poderia chamar Hermes para discutir melhor isso com ela? Já que os planejamentos não nos permitem termos todos juntos de forma rápida, pelo menos seria bom ter a cerimônia quando chegarmos.

– Chamar o Hermes para isso é meio ruim, ele é a principal forma de comunicação entre Civitas e Artit, fora que, ele é único e não existe um segundo Hermes para suprir a perda de tempo.

– Então eu vou ter que arrumar um outro meio...

– Eu não falei isso. – Aquiles interrompeu. – Faça uma mensagem única que eu o chamo, você entrega as cartas e fica por isso, você não vai ter respostas, apenas uma mensagem do tamanho que você queira.

– Falando assim parece que ignoramos os problemas com os escolhidos. – Varis comentou de forma cômica, mas com isso ele instaurou o clima tenso Edward e Aquiles.

– Os planos são levar três para Artit e manter três em Cartan, certo? – O paladino questionou de forma direta.

– Sim, os três vão ser escoltados por Cérbero e Parysas, os dois supostamente já irão estar em Cartan quando chegarmos. Mantidos sob os cuidados de Sansa e Ortros.  – Aquiles respondeu em mesmo tom.

– Existem preferidos entre os grupos?

– Tirando o escolhido que está com Merlin, todos os grupos podem ser manipulados. A ideia era mandar Bellator de volta para Artit e manter Ertiaron e o associado a Merlin em Cartan.

– Eu quero exigir que Crist vá para Monssolus e que eu também vá na escolta.

Aquiles logicamente percebeu que o paladino exigiria a melhor opção em segurança que era a sede dos Cavaleiros Negros e o Primeiro Esquadrão dos mesmos.

– Não tenho objeções, pelo contrário, defenderei sua voz até que ela seja ouvida.

– Os dois falando bonito é sinal que não sabem o que fazer. – Varis murmurou em deboche – Mas é um bom plano, não que eu me importe

Os dois riram das palavras do ladino falastrão. Logo Aquiles estendeu a mão para Edward em sinal de confiança, o mesmo o cumprimentou, agarrando seu antebraço de forma confiante.

– Aliás, o torneio vai começar logo, é melhor nos prepararmos rápido. – Voltten cortou o clima.

– Varis, conseguiu as bombas? – Edward perguntou.

– Já estão sendo feitas. – Ele respondeu rapidamente.

– Eu preciso de selos para conseguir aplicar melhor os efeitos do livro. – James comentou.

Faufautua disse que ia nos ajudar nisso, então só precisamos falar com ela. – James respondeu enquanto cruzava os braços confiante. – É só a gente planejar bem.

– Eles vão revelar a lista de participantes e a ordem deles em pouco tempo. – Voltten afirmou pensativo. – Eu tenho anotado os soldados destaque para análise.

– Temos algo grande para essa vez. – Edward afirmou. – Vamos ganhar essa vaga!

Por Tisso | 04/02/21 às 22:05 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia