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Capítulo 94 - Requisitos e Preparação

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 94 - Requisitos e Preparação

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O recipiente de argila foi preenchido de forma cuidadosa e precisa, dentro dele, duas camadas – uma central e outra que a separava da frágil proteção da argila. Pólvora revestida com pedras que, ao se encostarem com uma grande velocidade – normalmente quando a bomba acerta o alvo – explode, liberando a barreira de fósforo branco interno que a reveste.

A pólvora, em mistura com o fósforo branco, projeta uma nuvem de fumaça nociva para olhos não treinados. Tal item era forjado por assassinos como método de escape e para se ocultar em multidões. Uma mistura da cultura anã, que descobriu e mostrou a cultura gnômica que a moldou com outros elementos o que o tornou num item estratégico letal e completamente não mágico. Tudo isso relacionado com a química e ciência derivada da Deusa do Conhecimento, Tetra.

Claro que, aqueles que criaram essa criação tinham influências de partes de povos alheios, literalmente roubada de antigos povos que hoje fazem parte do Clã Neko, uma grande parte do reino de Ortren.

Com um leve toque, Varis sentiu um pouco do forte veneno em pó derivado da flor de coca. Uma pessoa que inala o pó, além de adquirir dependência se inalado muitas vezes, pode sofrer uma arritmia cardíaca muito elevada, espasmos musculares e convulsões com extrema facilidade.

Elfos são imunes a esse tipo de droga, assim como outros vícios e venenos derivados de fontes naturais.

Ao redor do ladino, o silêncio imperava, dava para ouvir o som frio e seco da rolha tampando o gargalo da bomba ao ponto de distinguir quando ela raspava com a pólvora.

Varis não possuía medo do que aquilo lhe causaria, mas o cheiro impregnado junto do veneno que dominaria seu quarto de hotel faria ele e seu grupo ser expulso facilmente – e talvez, matasse a pessoa que fosse limpar o local futuramente.

Quando ele finalizou, agrupou as três bombas em um coldre improvisado que, por sua vez, foi guardado com o maior cuidado e carinho em sua mochila, envolvendo antes em panos para evitar uma possível explosão acidental.

Quando ele abriu a porta do quarto do hotel para tomar um ar, ele deu de cara com Voltten em sua tradicional pilha de nervos, mas que logo se acalmou depois de ver que Varis obteve sucesso.

– Tudo feito? – Ele questionou em posição de confiança.

– Pior impossível. – Varis ironizou de forma cômica. – Foi meio caro comprar as drogas, mas está feito, só precisamos esperar o momento para usar elas.

– Ainda está com o plano de um sequestro?

– É um plano teórico, mas ainda é um plano. – Varis comentou se espreguiçando. – Aliás, onde estão os outros?

– Aquiles, James e Edward foram treinar com os selos de Faufautua, já James, pegou o cavalo e voltou a treinar pontaria ao redor da cidade. – Voltten soltou um leve bocejo. – Eu só fiquei esperando mesmo.

– Acordar tão cedo foi desnecessário, porque Edward teve essa ideia... – Varis já estava disposto a continuar o dia de forma normal. – Eu entendo o pouco tempo que temos até o início do torneio, mas não precisava de tanto.

– Você não vai treinar ou algo do tipo? Preparo físico seria bom.

– Em parte, mas, baseado no que vimos antes, a maioria dos competidores vão ser fracos ou sem graça. – Varis afirmou, analisando de forma cirúrgica a situação. – A real ameaça são os membros da Interfectores e os possíveis da Ceifa, isso tirando Klaus e aquele Golem que vocês mencionaram.

– Ainda tem as teorias de que as pessoas esconderam seus poderes nas classificações.

– Eu não compro essa ideia, mas ao todo, temos quatro supostos inimigos realmente relevantes, na realidade, cinco.

– Hum? – Voltten murmurou quase que na hora. – Quem é o quinto?

– Pulu. – Varis afirmou friamente. – Não acho que ele seja realmente devoto a nos ajudar, talvez seja só minha desconfiança com aquelas vestes nobres que ele e Faufautua usam, mas se ganhássemos dele eu acharia melhor.

– Eles vão criar uma grade de combate com vinte participantes, há tanto chances de enfrentarmos as pessoas do nosso próprio time contra qualquer outro participante. – Voltten contrapôs. – Estamos nos planejando tanto para contornar os problemas que isso pode causar.

– Talvez usar de uma das granadas em situação crítica seja eficiente, é uma forma crua e gratuita de matar o oponente, mas se Klaus, aparentemente pode usar bombas, eu também posso.

Voltten concordou com a cabeça enquanto entrava no quarto para conferir a janela para ter uma noção do horário.

– Acho que os próximos testes para o torneio vão começar em pouco tempo. – Ele supôs ao reparar na altura do sol, estimando que estava próximo as oito da manhã. – Me acompanha nessa?

– Não, eu passo. – Varis afirmou, se arrumando em suas vestes de combate, colocando os sacos de corrente, as adagas para saque rápido e tudo. – Acho que, com todo mundo se empenhando, eu deveria pelo menos rever uma estratégia melhor de combate.

– Vai sair por aí caçando um inimigo ou vai chicotear árvores? – Voltten ironizou com tom de comédia.

– Algo do tipo. – Varis respondeu em mesmo tom.

Querendo ou não, era realidade que um preparo adequando era uma grande vantagem contra possíveis inimigos maiores.

O “treinamento portátil” – como chamava Faufautua – era algo que a mesma usava na época de guerra, constituía em um estimulante muscular que contraia e descontraia músculos, os movendo e os exercitando de forma artificial e funcional.

A dor era um pouco irritante, assim como os outros selos, ele precisava de um uso frequente para que os males serem acostumados pelo corpo, mas o efeito era extremamente eficiente. Usar esses selos era uma excelente forma passiva de preparo.

Na ferraria de Faufautua, ela e Pulo reviam as estratégias e necessidades com Aquiles e Glans, enquanto Edward meditava em um canto afastado.

Faufautua já tirara suas luvas femininas, revelando os dois olhos gigantes que cobriam as palmas de suas mãos, enquanto Aquiles e Glans as observavam de forma incômoda.

– Você vê através desses olhos? – Glans questionou intrigado.

– Sim, é bizarro de explicar, mas esses olhos não são exatamente olhos, mesmo sendo ao mesmo tempo... – Faufautua falou de forma confusa e sem muita ideia de como explicar. – Se eu tivesse no meu corpo original seria melhor de dar uma resposta.

– Você perdeu mais do que as costelas? – Aquiles questionou com espanto.

– Não é bem questão de perder, é que eu me adaptei a uma forma humana “mortal” e perdi alguns traços de minha forma de deusa. – Respondeu com um suspiro. – Eu não envelheço, mas meu corpo se adapta em certas situações.

– Vocês tinham que ver os diários de meus avós, ela tinha veias vermelhas pelo corpo, principalmente nas... – Pulu foi calado com um rápido soco vindo de Faufautua.

– Enfim.... Vocês estão conseguindo sentir o aumento muscular? – Ela sobrepôs a fala de seu pupilo com uma pergunta casual e descontraída.

– Oh, de fato. – Aquiles afirmou pensativo.

– Pinicar, mas é bom. – Glans complementou.

O paladino nada respondeu, mesmo tendo ouvido a pergunta.

– O Punho de Fogo não vai falar nada? – Pulu questionou intrigado enquanto desviava a visão para Edward.

– Eu chuto que o mesmo está em um dilema. – Aquiles afirmou de forma sutil para que o companheiro não o escutasse.

– Hum? – Faufautua e Pulu questionaram simultaneamente.

– Faufautua, me explique melhor. Você, que já foi uma deusa, como funciona a instabilidade de magias por falta de fé. – Ainda em tom baixo, Aquiles continuou.

– Nunca presenciou isso? – Ela perguntou, assumindo o mesmo tom baixo de voz.

– Não é que eu nunca presenciei, é que eu nunca entendi de fato como funciona. – Murmurou com lembranças imediatas de Cérbero.

– A magia divina é uma manifestação espiritual da fé de uma pessoa. Normalmente, todos os deuses tinham esse requisito de fé, mas Yeshua e Lúcifer conseguiram burlar isso, tudo a partir de adaptações e evoluções. – Ela explicou friamente, buscando em suas memórias as lembranças quase esquecidas sobre o assunto. – Os outros deuses que ainda estão vivos usam do “sistema comum”. Quando a pessoa em questão profere uma magia o Deus em questão concede os domínios de sua força.

– Poderia explicar essa parte?

– Nem mesmo se quisesse, faz tanto tempo que nem lembro a sensação que era alguém invocando uma magia de meu espectro. – Faufautua afirmou de forma cabisbaixa. – Mas eu posso lhe falar em si como a magia funciona em um aspecto geral, baseado em teorias e vagas lembranças.

– Prossiga, por favor.

– A energia do Deus manifesta a magia e o invocador a manuseia e se encarrega de ajustá-la, de certo modo. Itens mágicos podem variar do quanto de energia podem acumular ou atrair, junto disso, eles podem conter efeitos em específico. – Faufautua parou para refletir. – Se não me falha a memória, o estado em que a magia perde o controle pode vir de uma série de fatores que variam entre a pessoa que conjurou a magia e o Deus que concedeu a energia, mas em todos os casos, os resultados não são bons.

– Espera, por que entramos nesse assunto? – Pulu questionou, levantando mais a voz, sendo interrompido rapidamente por uma mimica de Aquiles que pedia silêncio.

– O que exatamente ocorre na explosão se energia?

– O óbvio seria dizer que a energia se perde no molde e explode, mas sendo mais especifica: Em objetos, ela costuma os quebrar em uma explosão semelhante a uma grande quantidade de pólvora; Em membros do corpo, normalmente, ela começa os movimentando involuntariamente até que eles se quebrem e explodam internamente, em casos extremos eles pulam a etapa e só explodem sem aviso prévio; Existe um terceiro caso que é quando a pessoa molda a magia e depois a faz explodi espontaneamente, nesse caso varia um pouco, mas é fácil de deduzir o resultado baseando-se nos dois primeiros e no efeito da magia.

– Então não tem como se safar de uma explosão do tipo...

– Eu diria que tem, mas que as condições são meio específicas demais. – Ela falou com um ar bem neutro, mas realista e seco. – Se uma pessoa possuir um meio de adquirir uma resistência sobre-humana durante o período da explosão, ela pode amenizar ou até anular os danos. – Ela terminou com um suspiro depressivo.

– Isso ser impossível, certo? – Glans questionou.

– Eu não diria impossível, mas inviável. – Respondeu, tentando ser mais otimista, mas falhando no processo. – Tecnicamente, é só fazer um “coquetel” de magias de reforço, mas as mesmas são difíceis de conseguir. Fora que a maioria dos deuses que possuíam essas magias ou estão mortos, ou estão na mesma situação que eu ou na mesma situação que aquela pedra do golem.

– Aliás... – Pulu interrompeu. – Você falando isso sobre o Punho de Fogo, você está insinuando que ele...

– Estou supondo. – Justificou Aquiles. – Coisas aconteceram, eu não posso dizer que isso é impossível de acontecer se for parar para refletir e ver o mundo pelos olhos dele.

A conversa foi interrompida pela porta da ferraria que tomou a atenção de todos, se revelando ao grupo, James havia retornado de uma pequena maratona de tiros.

– Bem-vindo. – Faufautua e Pulu saudaram imediatamente.

– Voltou das cavalgadas? – Aquiles ironizou, olhando para o arqueiro que estava entrando no local.

– E você? Acabou com a sessão de estímulos masoquistas? – James retrucou imediatamente com a maior sagacidade possível.

De fato, a postura do cavaleiro não o ajudava, o mesmo tirou por completo sua armadura e, assim como Glans, ficou só de bermuda.

Porém, diferente do draconato que possuía uma carapaça escamosa natural que não possuía muitos detalhes, Aquiles possuía um tórax humanoide de dar inveja, mas o mesmo estava coberto por selos de estímulos para treinamento – incluindo um que tampava seu mamilo esquerdo.

De fato, o cavaleiro tinha sido humilhado na breve troca de palavras.

– Fica quieto! – Aquiles respondeu irritado, mas ainda de forma cômica.

– Veio tentar aumentar a capacidade física? – Pulu questionou.

– Não, não. Eu só vou usar meu arco e um melhor eu não poderia ter. – James afirmou de forma amistosa. – Preciso de selos mágicos que façam algo no campo de combate.

– Magias de área? – Faufautua questionou pensativa. – Planeja o que? Um círculo de fogo? Colocar uma bomba na flecha? Eu consigo até fazer um selo gerar uma espuma pegajosa.

– São boas propostas, mas eu preciso de um em específico, ou melhor, dois da mesma magia. – James afirmou de forma suave e calma enquanto encarava Faufautua.

– Precisa do que?

– Uma magia de vento.

– Como?

– Preciso de uma magia que inicie algo semelhante a um tornado ao meu redor. – Complementou James em tom sério, deixando claro que aquilo não era piada.

– Para que você vai usar isso? – Questionou Aquiles de fundo. – Você é um arqueiro, um tornado não ia jogar suas flechas para longe do lugar que você mirou?

– Exato! – James afirmou instantaneamente. – O vento vai ser minha principal arma e para isso eu preciso de dois, um para uso e outro para teste.

– Você está me dizendo que seu plano é atirar uma flecha numa ventania e assim ela magicamente vai direcionar sua flecha para o seu alvo?

– Magicamente não, a única magia que planejo usar é para criar a ventania. – Respondeu no seco. – A minha lógica é pegar a velocidade e direção de cada parte do tornado e traçar uma rota em que a minha flecha atinja o alvo, independente da cobertura que ele estiver.

Todos encararam o arqueiro por alguns segundos sem reação.

– James, você percebeu o que acabou de falar? – Aquiles questionou completamente confuso.

– Eu gostei da ideia. – Afirmou Edward, saindo do lado de Aquiles com a face pensativa. – Realmente é uma ideia que vale a pena tentar.

– Oi Edward. – James saudou o paladino com um gesto.

– Eu sei que você sabe sobre magia, mas vai por mim, um arco fazer isso é impossível!

– Improvável! – Contrapôs rapidamente.

– Hum? – Um resmungo coletivo fez o arqueiro o centro das atenções novamente.

– Só porque uma coisa parece surrealmente incrível, não quer dizer que ela é impossível. Se existe uma mínima chance de ela ser feita, então ela não é impossível. – James afirmou de forma sólida. – Se ela não é impossível, então tem como ser feita.

– Isso tudo está muito confuso. – Faufautua cortou o clima. – Eu estou com o maromba, essa coisa de “acertar alguém com uma flecha no vento” é quase que a estratégia mais retardada que eu já ouvi, e olha que eu sou da época que as pessoas achavam que correr de olhos fechados numa saraivada de flechas era uma boa ideia.

– Viu! – Aquiles complementou se vangloriando.

– Mas eu consigo fazer isso. – Ela completou com um suspiro. – Eu não recomendo você fazer isso, mas se quer se matar, vai em frente. Vou trabalhar nos selos agora mesmo.

Por Tisso | 09/02/21 às 22:16 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia