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Capítulo 95 - Grade de Combate

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 95 - Grade de Combate

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Em um restaurante um pouco famoso do local, todos se organizaram no fim da noite para um pequeno banquete.

Desde Faufautua até Io – que levava Vector consigo como se fosse uma sombra. Em uma mesa grande, todos esperavam por Voltten, que ficou de trazer a lista de participantes e a ordem dos combates, e lá estava ele, quase que às seis horas da tarde, entrando no restaurante com uma pequena apostila improvisada de madeira.

Ele avistou seus amigos e correu para a mesa e se sentou rapidamente, enquanto todos aguardavam ansiosos pelos resultados.

Rapidamente, ele se ajeitou enquanto olhava para todos que o encaravam com dúvida e expectativa.

– Então... – Varis questionou como forma de quebrar o gelo.

– Hum. – Voltem murmurou confiante. – Todos passaram.

A alegria tomou conta de todos instantaneamente. Glans, Aquiles e Pulo brindam com força e prazer suas canecas de cerveja, Faufautua e James viraram rapidamente suas taças de vinho, Io espremeu com força seu pão de batata e o colocou inteiro na boca – algo minimamente fofo para seu tamanho e aparência – Varis gritou de ânimo e Edward apenas riu de felicidade. Matheus Freitas: Gente... Precisa mesmo de tudo isso? Era óbvio que vocês iam passar... Bando de trapaceiros! A menos que o asteroide viesse.

– Os resultados em si foram o que nós esperávamos. – Voltten passou a apostila a diante enquanto procurava um prato para comer, escolhendo apenas um simplório conjunto de frutas. – Vocês obtiveram os melhores resultados no final. Matheus Freitas: Então... Se vocês já esperavam esse resultado, por que diabos essa alegria como se passassem raspando???

Quando a apostila chegou nas mãos de Varis, ele rapidamente notou de imediato um “nome” que se destacava.

– “Death Lancer”! – Ele exclamou confuso. – Então podíamos usar um apelido ao invés de nossos nomes o tempo todo!?

– Hum? – Todos murmuraram confusos para aquela pergunta.

– De fato, nunca fora dito que precisávamos usar o nome real na hora de fazermos a ficha. – Pulu afirmou pensativo.

– O que? Isso traria de problemas? – Io questionou sem muita noção do perigo real. – Isso não vai causar medo nas pessoas quando descobrirem que “Edward Leurice” na realidade é o lendário Punho de Fogo!

– Não é muito sobre Edward nosso problema. – Afirmou Aquiles, compreendendo o que Varis queria dizer. – Que nome você colocou na sua ficha, Varis?

– “Dol. Varis”, pelo menos, exclui o “Edgar” de meu nome institivamente.

– Espera! – Voltten cortou a conversa. – Você está sugerindo que eles vão lhe caçar a partir de seu nome?

– Se ainda lembrarem dele. – Varis completou.

– Eles quem? – Io questionou ainda confusa.

– Acho melhor deixar para explicarmos isso depois. – Edward respondeu. – Chuto que as chances desse Death Lancer ser um membro da Ceifa são altas.

– Ele está praticamente gritando isso com esse apelido. – James afirmou de forma rápida.

– Eu concordo. – Afirmou Aquiles. – Não me parece ser um blefe.

– Mas talvez seja um chamariz. – Faufautua cortou rapidamente. – Quais as lutas que irão ocorrer?

Varis parou de olhar para as classificações e pegou a folha de lutas do torneio.

– Vão dividir em seis dias de combate, sendo os dois primeiros as eliminações menores. – Varis começou a dizer à medida que entendia a grade de classificação. – São trinta e duas pessoas, os dois primeiros dias vão ser dezesseis combates para diminuir o número de competidores para dezesseis. Depois disso, o próximo dia vai diminuindo metade a cada dia, chegando a um-contra-um no sexto dia.

– O ganhador disso tudo fica com a mão da princesa e com todo o reino. – James completou.

– Na verdade, o ganhador fica com o reino e, se ele quiser, a mão da princesa. – Faufautua corrigiu de forma fria. – Para falar a verdade, acho que a vida da princesa é o menos relevante nessa soma, chuto eu que, se o ganhador quiser, ele pode deserdar a princesa sem o mínimo problema. Matheus Freitas: Eu realmente acho que essa galera não bate bem da cabeça... O maldito rei não tem um filho!??? Que incompetência! Além disso, ele vai dar o sangue e suor da família para um estranho? Espetacular! *-*

– E é ai que nós entramos. – Afirmou Edward. – Sendo ela um dos Escolhidos de Tac Nyan, é nosso dever levá-la para Civitas. Matheus Freitas: Isso não livra a burrice do rei...

– Varis, qual a grade de lutas do primeiro dia? – James questionou intrigado.

– Hum? – O ladino rapidamente organizou seus pensamentos. – Caramba, eu vou estar na primeira luta.

– Nossa! – Pulu exclamou com mal pressentimento. – Contra quem?

– Estou conferindo aqui, mas o nome dele não aparece nem nos quinze melhores, suponho que deve ser um peixe pequeno que não esconde nada.

– Quais são os próximos combatentes? – Aquiles continua.

– Dois outros que não parecem relevantes, uma luta com esse tal de Death Lancer... tem um cara chamado Corsarios que teve uma nota alta em magia na próxima, depois dele a luta com Aquiles. – Varis afirmou pensativo enquanto lia. – Pulu, você vai na penúltima e Glans na última.

– Quatro no primeiro dia... – Voltten comentou pensativo. – Como ficou o segundo dia?

– Vector entra na segunda luta e James na quarta. – Varis respondeu previamente. – Edward, você vai lutar com um cara chamado Arun na sexta luta, ele apresentou resultados acima da média em força e resistência, junto de cem pontos em magia. Na última luta nosso “amigo” Klaus vai lutar.

– Pelo menos, não acabamos com um encontro com um membro do time. – Edward afirmou aliviado.

– Eu ainda tenho minhas anotações dos dias de classificação, então podemos supor quem é quem a partir dele.

– Assim como esperávamos, a maioria desses competidores são fracos, então nosso foco é apenas em uns dois ou três. – Faufautua afirmou com um suspiro longo. – A semana vai ser agitada pelo visto, pelo menos ainda temos esse fim de domingo.

Varis passou a apostila adiante e comeu um pedaço de carne enquanto refletia.

– A primeira luta, não? – Ele afirmou para si mesmo receoso.

– Varis estar bem? – Glans perguntou de forma preocupada.

– Nem tanto, mesmo não sendo um gigante como você ou “uma lenda” como Edward, eu fui feito pra ser literalmente uma personificação do assassinato. – Ele afirmou de forma reflexiva enquanto pegava sua bebida e a encarava vagamente. – Mas para falar a verdade, eu estou um pouco de saco cheio disso e sinto que minha falta de disposição vai me comprometer alguma hora.

– Se sentir cansado?

– É tipo isso, mas como se esse cansaço viesse aos montes em espirais infinitas... entende?

– O que é uma espiral? – Glans questionou.

Varis riu de forma fraca para si mesmo, esboçando um sorriso falso e cansado

– É só uma metáfora. – Ele respondeu. – Não ligue muito.

Varis estava pensativo há tempos, praticamente desde que saiu de clã. Sem uma razão de vida ou objetivo, mas, de alguma forma, ele foi envolvido em mais esquemas que acenderiam a chama do assassino que ele tentava conter.

A única solução simples para isso seria aceitar a mudança repentina e continuar a vida, em alguns casos, rindo da própria desgraça. Mesmo sem saber, Varis adotou o princípio da Morte sem nem ao menos ser um representante da mesma.

Concidentemente, eram esses os exatos dogmas de Cérbero, sem perceber, a parte do cérebro pertencente a Varis, aos poucos o compreendia melhor o caçador, mesmo sem ter tais intenções.

As teorias foram surgindo para os combates futuros, algumas estratégias conseguiram ser previstas, outras ficaram uma incógnita, mas em geral o grupo podia afirmar com certeza que estavam muito além do que os outros competidores em quesitos estratégicos.

Eles reveram os planos algumas vezes, as teorias de combate e o concorda com o que, independentemente do vencedor, a princesa seria levada para Civitas, o caso do domínio do país era algo à parte para discutir.

Após o banquete, o grupo saiu do restaurante às oito da noite, se separando casualmente, indo cada um para sua moradia.

O grupo andou até o hotel onde todos foram para os quartos, com a exceção de Voltten e Aquiles. O cavaleiro levou rapidamente o elfo para o telhado do hotel que eles estavam.

– Você fez as cartas que eu falei? – Questionou Aquiles de forma direta.

– Hum? Sim. – Voltten rapidamente pega em sua mochila um envelope recheado de cartas para detalhar cada ponto. – Assim como você pediu.

– Certo, eu irei chamar Hermes para enviar as mensagens então. – Aquiles tirou de seu bolso um incenso de tamanho médio e o fincou em uma superfície de madeira no chão do terraço do prédio. – Se importaria de fazer as honras?

– Hum? – Voltten murmurou confuso, mas logo assimilou o que devia fazer. – Certo.

Voltten produziu uma faísca fraca, um estralo, mas que conseguiu acender o incenso sem nenhum problema.

– Esse incenso libera um feromônio específico. – Aquiles iniciou a explicação. – Quando os animais ficam no cio eles são atraídos pelos feromônios, como Hermes não é uma espécie convencional conseguimos modificar valores e nos favorecer com outras coisas.

– Mas feromônios não são tão potentes, pelo menos não para atrai-lo de uma distância tão longa.

– É aí que você se engana, esse incenso em específico foi feito para atraí-lo a distancias estupidamente grandes do ponto onde acendemos. – Aquiles se sentou no telhado enquanto se espreguiçava. – É questão de minutos para ele ser atraído.

– Hum, certo. – Voltten concordou, se sentando junto a Aquiles. – Sobre aquela coisa de transferir os escolhidos...

– Sim?

– Quando teoricamente seria a viajem?

– Eu suponho que, se tivermos esse problema com o casamento entre você e Sansa, vai demorar uma semana.

– Eu estou atrasando?

– Em parte, mas nem ligue para isso, já conseguimos a suposta confirmação de que Cérbero vai estar em Civitas para isso. Ele e Ortros são nossa maior força de ataque e defesa.

– Acho que com o casamento da pupila dele, ele seria meio que obrigado a vir.

– As relações e empatias de Cérbero são confusas até para Ortros, imagina para nós.

– Como?

– Não dá para explicar direito, mas é como se ele só sentisse vontade de esperar enquanto faz algo trivial, eu nunca entendi ao certo, mas acho que falta idade para isso. – Aquiles afirmou de forma cômica, mas supérflua. – Um dia talvez alguém realmente compreenda como ele se sente de verdade, mas chuto que nunca irá entender ao certo.

– Ele nos tratava com gritos e xingamentos constantes no castelo, não dava para gostar muito dele. Não é pessoal, queria ter pena ou empatia, mas não me importo com a vida dele.

– Voltten, você já esteve em uma tropa de exército? – Questionou de forma pensativa.

– Não, por quê?

– Em uma tropa, todos seus superiores te tratam como uma escoria da sociedade, às vezes até mais do que deveriam, mas isso é justificável.

– De que forma?

– Olhe para mim. Você vê meus pontos de vista sobre a sociedade, vê que eu tenho planos futuros e que eu estou do seu lado, certo?

– Bem, certo, eu acho...

– Agora imagine se eu morresse da forma mais brutal na frente de seus olhos, você ia no mínimo ficar abatido emocionalmente, não? – Aquiles questionou com uma leve frieza na fala.

– Claro, eu me importo com você...

– E você se importa com uma pessoa que só te xinga, fala que você é inútil e cospe na sua cara por nada?

– Não... – Voltten respondeu pensativamente enquanto a lógica era montada em sua cabeça.

– Não é que militares não se gostem, muitos deles elogiam seus soldados ou comandantes pelas costas. Afinal, somos todos seres pensantes. – Aquiles afirmou com um leve sorriso que logo sumiu de sua cara por pensamentos passados. – Mas em uma guerra ou cenário de batalha é bom você ver seus companheiros de combate e generais como meros babacas que não merecem um pingo de piedade, afinal, quando eles morrerem você não vai ficar se lamentando enquanto agoniza mentalmente por perder um amigo.

– Isso é profundo, se ver de forma minuciosa.

– Infelizmente é a realidade, não temos muito o que fazer. Eu só queria tentar manter isso com vocês. Desde que Edward quase se explodiu tentando curar o corte no meu peito eu não consegui mais subestimar vocês com o mesmo ar que eu queria.

– Você não planejava se tornar nosso amigo, mas ironicamente se tornou. – Voltten riu de volta. – Isso sim é algo curioso.

Após vinte minutos Hermes chegou, Aquiles juntou as cartas de Voltten num pequeno pacote com algumas outras destinadas as cortes de Civitas. Em questão de alguns minutos Hermes já saiu de vista, o incenso já havia virado fumaça há tempos.

Aquiles tomou o rumo e foi em direção a escadaria para voltar para seu quarto no hotel, enquanto Voltten ainda ficou mais um tempo olhando para o céu estrelado com a cabeça cheia de pensamentos.

E foi depois daquele que o novo desafio surgiu, a ideia era simples, vencer o torneio e, supostamente, evitar o sequestro da princesa.

Por Tisso | 11/02/21 às 21:01 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia