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Capítulo 96 - Que as Lutas Comecem

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 96 - Que as Lutas Comecem

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

A plateia vibrava pelo começo da luta. Todos estavam eufóricos e sedentos pelo começo do primeiro combate.

A arena tentava representar um campo de combate, com trincheiras improvisadas, pilastras e pedregulhos para defesa, havia até mesmo algumas armas jogadas para uma estratégia improvisada.

O local era mais uma emulação de campo de combate se vista detalhadamente, mas isso não importava de nada para as pessoas que viam de fora, elas só se importavam com as lutas e com o sangue – nada mais justo para o local em questão.

O ladino deu poucos saltos no mesmo local para tentar entrar em clima de combate enquanto Voltten e Faufautua discutiam em sua frente. Junto dos três, alguns guardas os monitoravam para garantir o mínimo de justiça para o combate.

Varis já estava vestido para a luta, correntes postas para o aprisionamento, espada e adagas preparadas para o saque e, como meio de precaução, o ladino foi equipado com um selo de aumento de força.

– Está pronto? – Faufautua direcionou a fala ao ladino.

– Fui obrigado a nascer assim. – Varis ironizou, ajeitando a postura.

– Você lembra o que eu te passei sobre o oponente, certo? – Voltten perguntou.

– Anão de armadura, armas pesadas. Chances de vitória de noventa por cento. – Afirmou confiante.

– Não se superestime. – Faufautua afirmou com dor nas costelas. – Esse é o mantra do quinze.

– Quinze? – Voltten e Varis questionaram simultaneamente.

– Só não faça besteira e não quebre os selos de forma idiota.

Os guardas se aproximam dos três de forma pacífica.

– Senhores, a primeira luta já vai começar. – Afirmou o que parecia ser o líder dos guardas. – Por favor, exigimos que o grupo de suporte se retire.

– Certo... – Voltten assentiu enquanto seguia Faufautua. – Trate de não morrer.

– Um gigante me jogou contra parede. – Varis ironizou. – Não vai ser um anão que vai me parar.

– Bem, eu não vou salvar sua bunda dessa vez. – Retrucou de forma cômica antes da porta de entrada ser fechada de forma violenta.

– Hum, normal. – Comentou pra si mesmo enquanto um dos guardas se aproxima.

– Só para fins de relação, o reino não se responsabiliza por nenhum dano ou lesão que você adquirir durante a luta. Você concorda que tudo que acontecer será culpa sua, correto? – O líder fez a pergunta padrão enquanto barrava a passagem.

– Meio tarde para perguntar isso. – Varis retrucou de forma cômica. – Assine meu nome em baixo por mim se eu não voltar vivo.

O guarda entendeu a mensagem e se recolheu.

Varis caminhou lentamente até a região do combate ao som dos dois portões se abrindo. Logicamente, seu oponente ficaria do lado contrário, só seria questão de tempo para armar uma estratégia.

Uma brisa bateu no capuz do ladino, revelando seu rosto. Um leve receio veio com isso, mas o pensamento se esvaiu quando viu o abominável pedaço de ferro se movendo em sua direção.

Era de conhecimento do ladino que anões possuíam uma capacidade anormal para carregar peso. Isso era devido ao poder de seus batimentos cardíacos e do seu corpo pequeno, isso se refletia em suas armaduras e armas que eram pesadas estupidamente pesadas.

Porém, aquilo era algo completamente fora da curva.

A coloração era de um puro aço forjado, mas parecia possuir inúmeras camadas de placas metálicas – algo surrealmente maior do que a armadura de Edward, por exemplo. O molde de armadura era básico, nada que assustasse, mas as proporções que aquilo carregava a tornavam uma armadura perfeita para defesa.

Ironicamente, aquilo era sua principal fraqueza.

Varis se espantou quando viu pela primeira vez seu oponente, preparando mentalmente inúmeras formas de ataque, mas, quando parou para analisar sua movimentação, Varis se questionou sobre o rumo da luta.

Até mesmo um anão treinado como aquele mal conseguia se mover direito. Seus passos eram devagar a níveis extremos e sua arma – uma espada Zweihander – só o acertaria em uma distância de pelo menos meio metro.

Em um avanço de fúria, ele correu em direção a Varis que leu seus movimentos, premeditando tudo que deveria fazer.

Ele deixou o corpo imóvel enquanto esperou o ataque do oponente ser realizado. Um corte horizontal vindo pela esquerda foi executado com lentidão pelo anão, ao mesmo tempo que Varis mergulhou embaixo de seu movimento, usando da sua velocidade extremamente superior para se posicionar exatamente nas costas de seu oponente.

A adaga foi sacada como uma extensão do pensamento do ladino que logo a posicionou na falha de proteção entre o pescoço e o elmo do oponente. O ladino institivamente acertou a faringe do Anão, mas sua cota de malha evitou a morte instantânea. Mesmo assim, o grunhido de dor pôde ser escutado por toda a arena.

Varis não perdeu tempo e pegou uma grande parte de suas correntes, envolvendo o pescoço de seu adversário em uma forca, algo típico de sua técnica.

O anão mal processou o corte em seu pescoço que, quando foi tirar a adaga, já sentiu o ladino se apoiando em seus ombros junto do puxão das correntes.

Foi uma luta rápida e objetiva, em menos de um minuto o anão caiu desacordado no chão com sangue saindo de sua garganta. Era desconhecido se ele estava vivo ou morto, mas isso pouco importava para Varis.

Só quando Varis arrumou sua postura que ele notou o ânimo da plateia junto com a existência de um narrador.

– O ganhador é Dol. Varis! – Ele anunciou com o ânimo que levou a plateia ao delírio.

Varis sorriu com o canto da boca enquanto um grupo de guardas o conduziu para fora da arena, junto disso, ele ouviu o anuncio do narrador.

– Em quinze minutos o segundo combate começará, fiquem no aguardo... – Varis parou de ouvir o narrador e foi em direção ao seu grupo.

– Boa! – Aquiles e Glans se aproximaram do ladino.

De fundo ele viu James sorrindo e Edward sério, sem trocar olhares com o paladino, sua visão foi coberta pelo corpo de Voltten.

– Parabéns! – Voltten estendeu o braço dobrado para Varis.

– Hum. – O ladino respondeu entrelaçando seu antebraço com o do amigo, realizando um cumprimento de confiança. – Eu disse que ia sair vivo, não disse?

– Me impressiona não ter usado os selos de força. – Faufautua falou, se revelando atrás do mago junto de Pulu.

– Você o nocauteou de forma bem impressionante! – Pulu complementou.

– “Ninho de Cobras Corrente”. – Afirmou Edward chamando a atenção de todos. – Uma habilidade que pode literalmente matar alguém em segundos sem o uso de magia. Parabéns, Varis. – Foi difícil para Edward admitir isso, principalmente porque ele comparava as suas próprias habilidades com as de Varis.

– Ortren também tem técnicas não mágicas de assassinato, os Cavaleiros Negros em si têm técnicas que podem matar em um único golpe se bem encaixadas. – Aquiles refutou de forma amistosa. – Não é algo característico só dele.

– Isso sem contar um tiro na cabeça. – James complementou se sobrepondo. – Acho melhor amenizar esse ódio, não combina com você. – Complementando de forma debochada ele foi parabenizar o ladino junto dos amigos.

Edward apenas bufou como resposta.

– Já resolveram a questão dos outros participantes? – Varis questionou.

– Nós recebemos passe de participação. – Faufautua afirmou rapidamente.

– Isso significa que podemos ficar na plateia o tempo que quisermos ao invés de pagar uma entrada a cada luta. – Pulu complementou.

– Considerando que o único ônus é ter que participar das lutas, é uma troca justa. – Aquiles afirmou de forma positiva.

– Só toma cuidado quando sair, você vai ser reconhecido agora com essa luta. – James falou de forma cômica.

– Tipo nosso “Punho de Fogo”? – Varis ironizou com uma risada breve.

– Supostamente. – Edward tomou rumo para fora do local, se movendo para a saída que resultaria na plateia.

– Eu diria que você vai ser um pouco menos famoso. – Voltten afirmou enquanto todo o grupo seguiu o paladino.

Varis foi por último, ele andava despreocupadamente enquanto coçava a cabeça.

Quando o grupo saiu para a plateia, a primeira coisa que lhes chamou atenção foi o ser gigante no final das arquibancadas. Vector estava coberto como sempre e Io em seu colo a olhar para o horizonte, quando avistou o grupo ela logo os saldou como se estivesse os chamando para sentarem juntos.

– Bela luta, Varis. – Io falou em tom amistoso para o ladino, que rapidamente se sentou de forma folgada perto do golem e da gnoma.

– Ora minha cara, agradeço tal elogio. – Varis respondeu de forma cômica e amistosa, trocando risos com Io.

– Os combates de Aquiles, Pulu e Glans vão acontecer mais no final do dia. – Voltten comentou. – Se formos tão sortudos como fomos dessa vez, nada de ruim vai acontecer.

– Eu não diria que foi sorte. – Faufautua cortou rapidamente. – Varis nem ao menos fez usou dos selos de força que eu preparei, acho que essa primeira etapa vai ser bem chata...

O grupo rapidamente foi cortado pelo narrador do torneio que anunciou os próximos dois competidores. Esse combate foi a verdadeira definição de monotonia, ambos os combatentes eram normais e não usavam nada demais para se destacar, o que deixou o combate dos dois mais superficial.

– Alguém me lembra de olhar quem foi o ganhador quando a luta acabar. – Varis afirmou de forma entediada. – Aliás, tem como tirar esses “papéis” de mim? Acho que vou ativar alguma hora sem querer?

– Se você pede... – Faufautua se aproximou de Varis e tirou uma de suas luvas, ela usou o olho de sua palma para averiguar o corpo do ladino, que sentiu um leve choque muscular. – Desativei eles, só desgrudar do seu corpo se estiver incomodando.

– Bem, ainda temos os nossos selos de força para quando for preciso. – Pulu afirmou de forma positiva.

– Ainda fico um pouco apreensivo sobre eles. – Edward comentou preocupado. – Eles apenas abrem uma janela de poucos minutos para um aumento de atributos físicos...

– E já que nenhum de nós é acostumado com tal poder... – Voltten completou com um suspiro de receio.

– Aliás, uma coisa que eu queria ver. – Varis se intrometeu no assunto. – Esse efeito de exaustão ocorre com o uso de magias normais ou só com as de reforço físico?

– Essa pergunta é meio tênue...

– Alí! – Glans apontou para a arena de luta, cortando todos e indicando o ganhador do combate.

James rapidamente sacou sua luneta para observar em que estados estavam cada um dos oponentes.

Ambos eram humanos e o derrotado já estava no chão, mas aparentava estar vivo. O ganhador cobria seu rosto com um elmo de ferro assim como a armadura de mesmo material seu corpo, a única coisa que se destacava em seu visual era suas armas, um escudo de madeira e uma lança bem forjada.

– O cara usa uma lança e escudo. – Afirmou James, olhando mais minunciosamente para o resto do campo de combate buscando alguma outra pista das estratégias do homem, mas não obtendo resultados.

– Uma lança, não? – Varis questionou pensativo.

– Normalmente lanceiros são mais fortes do que parecem. – Io afirmou de forma direta. – Eu já vi alguns derrotando bandos inteiros sozinhos.

– Minha cara gnoma... – O ladino olhou para ela e disse em um tom irônico e calmo. – Diziam quase que o mesmo sobre mim em meus anos dourados.

Após o nome do ganhador ser anunciando todos voltaram a postura de antes.

– Respondendo à pergunta sobre os selos de magia. – Faufautua iniciou. – No meu caso, eu tenho dois tipos de magia, as que ativam algo que funciona por conta própria e as que ativam algo que você controla. Se você deseja ter controle de algo como um selo que te daria o controle da terra você seria consumido pelo cansaço mental. Entende?

– O tufão que eu pedi então não se encaixaria nisso já que é algo ativado à parte? – James questionou rapidamente.

– Exato, as magias de fortalecimento e treinamento e fortalecimento corpóreo entram nessa categoria por apenas reproduzir um efeito, seja ele negativo ou positivo, em um corpo vivo. – Faufautua cruzou os braços. – Mas o que você planeja?

– Talvez eu precise de alguns selos mais específicos, algo que ajudaria mais que um aumento de força ou velocidade, mas não tenho ideia do que seria...

– Isso é um grande problema! – Pulo interrompeu.

– Obrigado por ser o porta-voz desse fato, Pulu. – Faufautua retrucou incomodada. – Existe uma espécie de classificação de cada selo, assim como os parâmetros de níveis de demônios ou a dificuldades de magias. Em suma, quanto mais forte ou maior o feitiço, mais tempo e recursos físicos eu uso para produzi-lo.

– Recursos físicos!? – Aquiles e Edward gritam assustados.

– Não se preocupem com isso. – Ela respondeu de forma marrenta. – Meu corpo precisa apenas de cinco litros de sangue para funcionar e meu estoque é de quinze litros.

– Quinze litros de sangue!? – Voltten questionou assustado.

– Gnomos mal tem dois e meio e você tem quinze? – Io complementou.

– Corpo de semideus, gracinhas. – Ironizou com uma vaga risada. – O nosso real problema é o tempo. A menos que alguém aqui saiba fazer uma Chronostasis teremos que gerenciar melhor esse fator.

– O que seria uma Chronostasis? – Questionou Edward e Glans confusos.

– É uma magia que pode ser tanto branca quanto negra. – Varis afirmou de forma cansada. – Já ouvi relatos sobre.

– O mesmo. – Complementou James. – É uma magia temporal.

– Na realidade é talvez a magia temporal mais forte que se tem registros. – Voltten começou a explicar detalhadamente. – Eu não sei direito como ocorre, mas ela basicamente consegue acelerar um indivíduo ou região, algo como fazer tal coisa funcionar em um período de tempo diferente. Tem determinados níveis, mas só de pensar em uma forma teórica de parar o tempo me abre uma gama de duvidas.

– “Acelerar um indivíduo ou região”? – Edward questionou intrigado.

– Não, seria algo como “fazer uma pessoa envelhecer cem anos em meio minuto” ... – Percebendo que se perdeu, Voltten apenas ignora. – Prosseguindo.

– Eu só precisaria avançar dois dias no máximo. – Faufautua falou cabisbaixa. – Pelo visto ninguém aqui consegue fazer, escolha rápido sua magia, Varis.

– Certo... – O ladino murmurou pensativamente enquanto via os próximos combatentes entrando na arena de combate.

Por Tisso | 23/02/21 às 21:51 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia