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Capítulo 97 - Finais do Primeiro Dia

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 97 - Finais do Primeiro Dia

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Seu corpo se revestia em uma mescla de armadura de couro e metal com ombreiras pontudas e imponentes. Seu elmo envolvia seu crânio como um animal sem mandíbula, mesclando com suas tranças e cabelos de uma forma natural, tudo isso com um tom níquel polido.

Uma parte de suas costas eram cobertas por uma capa verde suja, rasgada e queimada. O mesmo possuía mais adornos na mesma cor como anéis e colares, até mesmo gemas embutidas em sua armadura.

Porém, o que mais se destacava era sua lança. Seu tamanho de cabo era grande, quase que exatamente o mesmo de quem a empunhava. Junto disso, sua lâmina era proporcional ao torço do lanceiro.

Semelhante a uma glaive, mas de tamanhos surreais, a arma conseguiu cortar seu adversário em um golpe tão rápido que nem os olhos minuciosos do ladino e do arqueiro conseguiram assimilar à primeira vista.

– Isso é real? – Voltten perguntou tremendo enquanto reconheceu o que tinha acabado de acontecer.

– Foi um corte mágico? – Edward questionou espantado.

– Eu não vi nenhuma anomalia. – Faufautua afirmou de forma fria e incomodada.

– Eu também, não duvidaria que isso seja algo possível. – Aquiles respondeu de mesma forma. – Foi um corte direto, ele não só quebrou todos os ossos em um ataque, ele os separou...

O cheiro de vômito veio à tona. Várias pessoas começaram a ter colapsos ao ver aquele ataque horrendo. O competidor, se contorcendo de dor antes de sua morte, sentia a perca dos movimentos lentamente enquanto seus olhos mostravam a falta de vontade e a incompreensão de como morreu.

Por alguns segundos os gritos se misturaram, tanto a plateia quanto o participante tomaram o ambiente. Foi após o lanceiro se recolher e dois anões pegarem com nojo o cadáver que começava a atrair moscas que o grupo teve tempo para conversar.

– Battojutsu. – Afirmou Varis após uma análise minuciosa que chamou toda atenção para ele.

– Esse nome... – Edward murmurou de forma pensativa.

– Originário de Ortren? – Aquiles completou.

– Sim. – Varis continuou. – Eu não sei sobre combates com lanças daquele tamanho ou armas exóticas na região como uma Katana, mas eu já ouvi sobre um estilo de luta que se encaixa bem no que aconteceu.

– Uma técnica mágica que corta com mais eficiência? – Pulu interrompeu.

– Uma forma de sobrecarregar seu corpo para maior uso? – Faufautua sucedeu.

– Uma forma correta de aplicar o golpe. – James deu um ponto final as interrupções, fazendo todos se calarem.

– Exato. – Varis respondeu. – Katanas são armas de um potencial extremo, mas para isso foi preciso desenvolver várias técnicas para um manuseio efetivo, uma delas é o Battojutsu. O conceito se baseia em desembainhar a espada, segurá-la com as mãos de tal forma que ela corta o inimigo em um único golpe...

– Mas como ele fez isso com uma lança. – Voltten apontou o óbvio. – As proporções e fatores de força são completamente diferentes, o cabo de uma espada é mais firme do que o de uma lança. Era para a lança ter jogado ele para o lado e não o cortar no meio.

– O oponente era humano e estava com uma armadura média... – Io parou para refletir. – Varis, na grade de competidores, ele que ficou de lutar com você, não é?

Todos pararam e encararam Varis e o ladino começou a pensar.

– Ele usa uma técnica para lutar... – Varis comentou pensativo. – O normal seria eu usar das minhas técnicas para atacar ele de surpresa como fiz antes, mas o ideal para a situação é entender das técnicas dele para contra-atacar de uma forma decente.

– Acha que consegue vendo mais uma luta que talvez dure só meio minuto? – Aquiles olhou para ele.

– Eu sei como as pessoas lutam com lanças, mas preciso de mais coisas... – Varis sacou uma de suas adagas e começou a girá-la pela corrente, ele olhou para ela enquanto sua mente se expandia. – Faufautua, teria uma forma de eu “controlar” minhas correntes.

– Hum? – Ela olhou. – Controlar em que sentido?

– Eu não sei se é idiotice, mas seria possível ter o controle delas como se elas fossem duas extensões do meu corpo... como, como duas Cobras Corrente...

Edward ouviu aquilo com receio e um leve rancor, mas logo desviou o olhar para Faufautua.

– Impossível não é. – Ela falou de forma confusa. – Eu diria que faz mais sentido essa ideia do que a da ventania, o real problema estaria na sua adaptação com a magia, como seria uma “extensão do seu corpo” você teria que se acostumar com ela e os efeitos negativos.

– Eu posso começar o mais rápido possível?

– Vou rever minha lista de selos, deve ter algum que se encaixa nisso.

– Os mais favoráveis das quatro primeiras lutas são você é esse Death Lancer. – Voltten comentou se recompondo.

– Se formos expandir para a grade das oito primeiras temos: eu, Pulu e Glans para pará-lo. – Aquiles afirmou pensativo.

– Vocês se dão bem contra aquilo? – Pulu questionou apreensivo.

– Nós já enfrentar um lanceiro. – Glans afirmou com orgulho.

– Eu acho que não dá para comparar o de Harenae com esse. – Aquiles murmurou de forma pensativa. – Apesar que eu quero ver eles lutando agora.

– A besta esguia era um ser lendário nos contos vindo de Harenae. – Io falou empolgada. – É uma pena que vocês o mataram.

– Hum? – Todo o grupo a questionou com um murmuro profundo.

– Ele está morto? – Aquiles questionou espantado.

– Vocês não mataram ele?

– Nós deixamos o lanceiro vivo, só derrotamos ele. – James respondeu rapidamente.

– Estranho...

– Em fim. – Aquiles tomou a atenção para si. – Lá estávamos dois contra um, apesar das dificuldades.

– Ele ainda é um humano normal supostamente, é só saber como lidar com ele. – Edward comentou de forma pensativa.

– Embora tenha a chance dele ser um humano modificado. – James acrescentou.

– Espera, o quê? – Faufautua questionou intrigada.

– Assuntos irrelevantes por agora. – Voltten respondeu de forma breve. – Só precisamos evitar o primeiro golpe então?

– Na teoria, esse é o princípio. – Varis afirmou. – Já ouviram a expressão “se está vivo, pode morrer” não?

– Hum, sim... – O grupo comentou pensativo.

– Existe várias analogias diferentes que você pode fazer com essa frase se trocar os fatores. Por exemplo, nesse caso, se existe uma técnica para o manuseio de uma arma vai existir uma forma de anular essa técnica. – Afirmou pegando no cabo da adaga enquanto encarava sua lâmina bem afiada. – Seja lá qual for essa forma.

– Queria ter uma ideia de como ajudar, mas aquela arma vai além do que eu aprendi. – Aquiles murmurou frustrado. – Anos treinando formas de contra-ataque e estratégias para no final chegarmos nessa situação.

– Não se culpe. – Voltten afirmou dando tapas leves nas costas do amigo.

– Ninguém imaginaria que um dia você ia ter que lidar com uma arma daquelas. – James completou.

– Será que bloquear com um escudo pode ser útil? – Edward perguntou pensativo.

– Eu não sou o melhor para isso, então acho que não? – Varis refutou.

– Ei olha! – Io interrompeu apontando pra arena. – É a vez do Corsários.

– Quem? – Pulu questionou se apoiando no braço de Vector.

– O mago que veio participar do torneio. – Voltten falou rapidamente enquanto se ajeitava em seu banco.

– Ele vai ser meu oponente na segunda fase. – Aquiiles afirmou. – Vai ser interessante ver como ele luta.

– Supostamente... – James afirmou sendo sobreposto pela plateia que já estava aos gritos, pedindo por mais daquela violência gratuita.

Os oponentes entraram no campo de combate quase que sincronizados.

Um era um soldado de estatura mediana com o rosto exposto, um elfo de Fhorre com a pele cor de figueira. Sua armadura era casual e nada de mais, uma cota de malha com um peitoral um pouco mais robusto.

Ele segurava um machado de batalha e um escudo de madeira. Aparentava muito um novato em combate, era confuso uma figura tão genérica e sem muita diferença para um guarda qualquer.

Em contrapartida, seu oponente se destacava dos demais, mas sim pela sua vestimenta estranha e nada ameaçadora.

Aquele era Corsários, o estereótipo de mago. Manto azul e roupas requintadas por dentro. Ele carregava consigo colares e anéis, pendurado em sua cintura um pergaminho e um pote tinteiro. Como detalhe final ele possuía duas ombreiras por cima do manto.

Sua face era normal, nenhum ferimento, apenas rugas revelando uma idade questionável. Sua barba bem-feita se mesclava com costeletas curtas e um cabelo curo.

– Certo, alguém tem alguma suposição? – Faufautua questionou olhando para os dois oponentes.

Logo após isso, a luta começou e a grande verdade veio à tona: os dois eram pessoas completamente normais.

O pergaminho de Corsários era seu condutor de magia, assim como o anel mágico era para Edward ou o cajado era para Voltten... Mas ele tinha sérias limitações.

A criação daquele catalizador era desconhecida, mas era notório que ele não era um dos melhores. Corsários demorou quase trinta segundos para invocar uma magia branca de escudo, a mesma foi reconhecida por Voltten e Faufautua. Matheus Freitas: 30 SEGUNDOS para invocar uma magia e o outro ficou fazendo o quê? Tricotando? Contando quantas rochas tinha na arena? O que tinha comido um ano atrás? Eu realmente não sei como defender uma galega dessas... ESPETACULAR!

Ela era uma variação mais forte da Shield Bubble, mas suas finalidades se diferenciavam. Enquanto a magia cristã que fora usada na defesa da capital tinha seu foco em anular forças demoníacas e amenizar certas forças mágicas, aquela era uma pura magia de defesa.

Ao contrário de uma barreira mágica de umidade quase que invisível, aquela variação usava tanto da manipulação de água quanto de aura, resultando em esferas douradas de tamanhos variados. Elas eram semelhantes a escudos mágicos que o invocador conseguia controlar, dando a Corsários uma grande vantagem defensiva.

Porém, aquela era sua única vantagem.

Enquanto todos os ataques de seu oponente eram amenizados pelos escudos que aos poucos se quebravam, Corsários usava toda sua atenção para criar mais e mais escudos ao invés de atacar.

– Meu deus, ele tem o pior condutor que eu já vi. – Io afirmou entediada.

– É surreal pensar na diferença dos nossos condutores para os condutores alheios. – Edward comentou. – Digo, a diferença de um condutor de um terceiro aleatório para um condutor feito por Sansa chega a ser estranho até demais.

– Querendo ou não, isso é uma vantagem. – Aquiles acrescentou enquanto tentava entender o que aconteceria na batalha.

O ciclo se repetiu por longos minutos, o martelo de guerra batia nas bolhas de escudo que o repeliam para longe naturalmente. Demorou um pouco para que Corsários acumulasse uma energia mágica forte o suficiente para atacar.

Ele manipulou as bolhas de tamanhos distintos e as transformou em uma gigantesca. Tal magia foi manipulada como uma enguia dourada que, além de proteger Corsários, atacou o oponente como uma chicotada mágica que o arremessou contra um pilar.

O oponente se recuperou, mas depois de algumas repetições ele caiu desacordado, no exato momento, Corsários desfez a magia cansado. A energia dourada perdeu o seu molde e virou água em segundos, junto disso seu invocador deu uma recaída e os guardas vieram intervir para o próximo combate.

– É patético. – Aquiles comentou.

– Completamente patético. – Pulu complementou.

– Isso ser uma magia? – Glans terminou.

Em alguns segundos após o termino do combate um soldado local veio para o grupo.

– Com licença, quem de vocês seria Aquiles? – ele questionou.

– Eu. – O cavaleiro afirmou rapidamente. – Pelo visto, é minha vez. Pulu e Glans querem vir juntos.

– Já é! – Pulu afirmou seguindo a equipe de suporte.

– Certo. – Glans concordou fazendo o mesmo.

– Torçam por nós pessoas! – Aquiles falou de forma confiante.

– E lá se vai o nosso cavaleiro, eles crescem tão rápido. – James comentou ironicamente.

– Só porque você tem mais de setenta anos não quer dizer que você é tão superior. – Edward comentou de forma irônica.

– Você tem mais de setenta!? – Io ficou espantada.

– Longas histórias minha cara. – O arqueiro comentou de forma suave. – Eu acho que vou pegar uma bebida, depois me digam o que ocorreu.

James se levantou e seguiu para a entrada onde se localizava uma pequena venda de alimentos e bebidas.

– Ele não vai ver a luta do Aquiles? – Io questionou.

– Ele sabe que ele vai ganhar. – Varis sobrepôs rapidamente.

– Hum, curioso.

– Como assim? – Perguntou Voltten intrigado.

– Vocês parecem não gostar um do outro as vezes, é estranho.

– O ódio as vezes é a melhor forma de demonstrar amor. – Varis ironizou. Matheus Freitas: Se o que você fala é verdade, o Edward tem os quatro pneus e o estepe arriados por você, fica de olho...

Por Tisso | 25/02/21 às 21:10 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia